Quando vim viver para a Alemanha uma das coisas que me chamou mais a atenção foi a forma como os pais alemães lidam com as suas crianças, eles são menos protectores que nós portugueses. No inicio parecia-me que eles eram mais frios e menos carinhosos com os filhos, mas estava enganada. Observei várias vezes crianças nos parques a brincar com pais a vigiar, também trabalhei como babysitter com duas crianças alemãs e deparei-me com a realidade: os pais são super carinhosos, tal como qualquer bom pai, estão atentos aos seus filhos, mas não os limitam e protegem tanto como nós geralmente fazemos. Aqui todas as crianças brincam livremente na areia do parque, saltam, correm e experimentam todas as diversões, parecem uns macaquinhos :) em Portugal isso também acontece, mas os pais ficam junto das crianças, limpam logo assim que elas colocam as mãos na areia (isto com crianças de 10-12 meses) protegem quando a criança tenta trepar um escorrega, andam sempre com as mãos no ar. Por vezes parece que se sentiriam melhor se os seus filhos vivessem no interior de um airbag.
Ok, claro que não são todos os pais assim, mas esta diferença de cultura fez-me mais uma fez viajar nas minhas reflexões...
Uma criança demasiado protegida torna-se fraca e habitua-se a isso vivendo no papel de vitima. O melhor é acompanhar o nosso rebento sensível e ao mesmo tempo confiar nele. O que o fará mais forte para enfrentar a vida.
Geralmente pais que protegem demasiado os seus filhos também são demasiado benevolentes em casa. A violação de regras não têm consequências. Os pais justificam-se com o facto de a criança já seguir um estatuto com regras na escola e por isso em casa os pais se concentram em outras coisas que vão além do estabelecimento de limites e criam os chamados - filhos mimados. (não me refiro aqui a troca de carinho e atenção, mas sim à protecção exagerada).
Existem desde muito cedo na vida de uma criança razões para esta ser considerada aos olhos dos pais uma "coitadinha" pois, geralmente, um bebé nos seus primeiros meses de vida manifesta-se chorando, sente frequentemente desconforto, dor, depende muito dos pais. Quando no infantário fica com alguma frequência doente, fica triste porque ambos os pais têm que trabalhar...
Pais que se preocupam com as necessidades e capacidades dos seus filhos, são bons pais. Especialmente quando têm em conta a perspectiva do seu filho. Bons pais têm noção que o seu filho de um ano não se sentirá bem num shopping lotado ou num lugar com demasiadas atracções, que ficará nervoso e inquieto e portanto evitam esses locais. Também são bons pais aqueles que estão atentos aos sucessos e insucessos dos seus filhos, mobbing ou frustações na escola. Que tentam conhecer as causas de um desempenho menos bom, de desmotivação. O melhor é ter o filho ao seu lado e com ele trabalhar a seriedade e a confiança encontrando soluções em conjunto.
O problema está quando se ocupa a posição do filho - o filho está em desvantagem, então tem que se proteger. Não lhe exige nada, mas faz por ele, roubando-lhe a hipótese de ele próprio experimentar e resolver o obstáculo que se lhe depara.
Uma criança que conhece assim o mundo, que vive tudo no papel de vitima sensível e incapaz tomará esta forma de viver ao longo de anos na sua vida. E existem grandes hipóteses de ela ser vista pelos outros como a fraca, indefesa e vulnerável. Terá a sua auto-estima danificada e terá dificuldade de alcançar sozinha as metas a que se propôs.
Uma pessoa caminha ao longo da vida de forma optimista ou pessimista, com auto-estima ou não, mas seja qual for a sua postura, esta estará certamente intimamente ligada com a forma como lidou com a vida nos seus primeiros passos ao lado dos seus pais.
Fortalece o teu filho, incentivando-o a fazer coisas sozinho, a experimentar coisas novas. Confia no teu filho e verás como a sua auto-estima crescerá mesmo com as pequenas conquistas que ele fizer. E como ele irá aprender com os erros a fazer o correcto.
E se o teu filho se sentir fraco e desmotivado, se pensa que não consegue, se tiver dificuldades em determinado momento, lembra-te o quão importante é encorajá-lo.
As situações da vida podem se ultrapassar de várias formas, devagar e com cuidado, aproveitando e saboreando cada momento, comentando, analisando, sabendo aceitar e vendo as coisas de mente-aberta. Por vezes é mesmo necessária uma pitada de coragem. Mas para isso é necessário VIVER a vida.
Também é claro para mim, que nem todas as fraquezas e limitações dos nossos filhos se podem transformar com força e determinação, mas certamente cada criança encontrará em si mesma qualquer coisa em que tenha talento. E serão certamente estes talentos, estas conquistas obtidas pela exploração, a coragem, a dedicação muito importantes para o resto da sua vida, mesmo que aos nossos olhos pareçam insignificantes.
Fortalecendo o nosso filho, dando-lhe asas e confiança estaremos certamente a fazer mais do que a protege-lo constantemente de uma queda ou uma zanga com os colegas. E criança é-se uma única vez na vida, vez essa que nos é dada para nos prepararmos para o mundo que aí vem... viver um infância de medo, receio, falta de coragem e auto-estima preparará uma criança para quê??
O mundo não é um mar de rosas e por muito que por vezes nos apeteça manter o nosso tesouro dentro do airbag essa não é um boa alternativa para o preparar para o seu futuro. Pois inevitavelmente um dia cruzar-se-á com espinhos e o airbag rebentará de forma violenta. E se começarmos bem cedo com as pequenas coisas do dia-a-dia, nas suas brincadeiras, na escola, entre amigos a desenvolver a capacidade de saber enfrentar os desafios estaremos certamente a facilitar-lhe a vida futura...
E como é difícil deixar um mundo melhor para os nossos filhos, deixemos ou menos filhos melhores para o mundo. Pessoas mais capazes em ir à luta, pessoas que sabem diferenciar o que é ou não perigoso, pessoas que se sabem proteger mas ao mesmo tempo são capazes de enfrentar as dificuldades de cabeça erguida e uma dose de coragem.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Interpretação das curvas de crescimento
Quem de nós, mães, não se deparou já com as curvas de crescimento, que a cada consulta com o pediatra lá vai ele pesar e medir o nosso pequeno e analisar no gráfico se está tudo dentro dos parâmetros.
É acerca desta analise que hoje vos quero falar. A quantas de vocês o pediatra já disse que o vosso filho está abaixo do peso? A quantas de vocês foi aconselhado a adição de suplemento (LA)?
Eu conheço vários casos pessoalmente e alguns li em blogs que sigo e isto me fez pensar.
Sou seguidora fiel de Carlos Gonzálvez (doutor em Pediatria e escritor de vários livros sobre a criança e a alimentação infantil). Ele defende que as curvas de crescimento são, a maioria das vezes, mal interpretadas pelos profissionais de saúde e explica os erros que frequentemente são cometidos. Erros estes, que levam muitas vezes ao insucesso da amamentação, à introdução de complemento quando este não é necessário ou mesmo em casos mais graves à obesidade infantil.
Neste vídeo, Carlos Gonzálvez deixa todo muito claro, apresentando até alguns exemplos práticos, visto o vídeo estar em espanhol e eu achar que o assunto merece ser partilhado com vocês fica aqui o meu resumo para aqueles que não dominam a língua.
Estudos realizados mostraram que as antigas curvas de crescimento (norte americanas e que eram usadas pelos pediatras) não coincidem com gráficas realizadas com um conjunto de bebés amamentados durante um ano. Os bebés exclusivamente alimentados com leite materno engordam mais rapidamente no inicio da sua vida, mas a partir dos 2-3 meses engordam menos e estas curvas de crescimento indicam que a maioria destes bebés estão abaixo de peso e daí a implementação de suplemento. E porque é que assim é?
As gráficas antigas foram elaboradas a partir de um grupo de crianças que não tinham sido exclusivamente amamentadas, o que conduziu a um problema grave: a partir dos 2-3 meses de idade de bebés amamentados as mães eram levadas a achar que os bebés não estavam a mamar o suficiente ou que o leite estava a falhar, Eram mesmo aconselhadas pelos médicos a adicionar complemento, o que levava a consequente diminuição do leite materno, tornando aos olhos da mãe a premissa irróneamente correcta.
Com estas curvas de crescimento não foi tido em conta que existe um padrão de crescimento distinto entre bebés amamentados e bebés com LA, estes últimos alteram o seu metabolismo e acabam engordando mais.
Devido a estes factos as curvas de crescimento foram recentemente actualizadas e podem ser consultadas neste site: http://www.who.int/childgrowth/standards/en/ No entanto, existem muitos profissionais de saúde que ainda utilizam as curvas de crescimento anteriores.
Continuam mesmo assim a existirem erros na interpretação das curvas de crescimento.
O que são afinal estas curvas?
É acerca desta analise que hoje vos quero falar. A quantas de vocês o pediatra já disse que o vosso filho está abaixo do peso? A quantas de vocês foi aconselhado a adição de suplemento (LA)?
Eu conheço vários casos pessoalmente e alguns li em blogs que sigo e isto me fez pensar.
Sou seguidora fiel de Carlos Gonzálvez (doutor em Pediatria e escritor de vários livros sobre a criança e a alimentação infantil). Ele defende que as curvas de crescimento são, a maioria das vezes, mal interpretadas pelos profissionais de saúde e explica os erros que frequentemente são cometidos. Erros estes, que levam muitas vezes ao insucesso da amamentação, à introdução de complemento quando este não é necessário ou mesmo em casos mais graves à obesidade infantil.
Neste vídeo, Carlos Gonzálvez deixa todo muito claro, apresentando até alguns exemplos práticos, visto o vídeo estar em espanhol e eu achar que o assunto merece ser partilhado com vocês fica aqui o meu resumo para aqueles que não dominam a língua.
Estudos realizados mostraram que as antigas curvas de crescimento (norte americanas e que eram usadas pelos pediatras) não coincidem com gráficas realizadas com um conjunto de bebés amamentados durante um ano. Os bebés exclusivamente alimentados com leite materno engordam mais rapidamente no inicio da sua vida, mas a partir dos 2-3 meses engordam menos e estas curvas de crescimento indicam que a maioria destes bebés estão abaixo de peso e daí a implementação de suplemento. E porque é que assim é?
As gráficas antigas foram elaboradas a partir de um grupo de crianças que não tinham sido exclusivamente amamentadas, o que conduziu a um problema grave: a partir dos 2-3 meses de idade de bebés amamentados as mães eram levadas a achar que os bebés não estavam a mamar o suficiente ou que o leite estava a falhar, Eram mesmo aconselhadas pelos médicos a adicionar complemento, o que levava a consequente diminuição do leite materno, tornando aos olhos da mãe a premissa irróneamente correcta.
Com estas curvas de crescimento não foi tido em conta que existe um padrão de crescimento distinto entre bebés amamentados e bebés com LA, estes últimos alteram o seu metabolismo e acabam engordando mais. Devido a estes factos as curvas de crescimento foram recentemente actualizadas e podem ser consultadas neste site: http://www.who.int/childgrowth/standards/en/ No entanto, existem muitos profissionais de saúde que ainda utilizam as curvas de crescimento anteriores.
Continuam mesmo assim a existirem erros na interpretação das curvas de crescimento.
O que são afinal estas curvas?
São conjunto de curvas adequadas para avaliar o crescimento e estado nutricional tanto de grupos de população quanto de crianças em idade pré-escolar. São feitas recorrendo a um número elevado de bebés (bebés saudáveis) que são pesados e medidos e a partir dos valores obtidos construídos gráficos.
O que significa então o percentil 50?
Significa que 50% dos bebés usados na construção do gráfico (os quais pretendem representar a população) têm um crescimento segundo está linha de percentil.
Se o bebé está abaixo do percentil de 3% pode ser um bebé que está com problemas, mas também pode ser um dos 3% de bebés que é perfeitamente normal, simplesmente tem um baixo peso em comparação com a média da população.
Ou seja, quando se diz que os bebés têm que crescer de acordo com as curvas de crescimento quer dizer que numa população (cidade, pais) tem que haver mais ou menos 50% de crianças abaixo do percentil de 50%. Se por exemplo nesse pais não existe 50% de bebés abaixo do percentil 50 quer dizer que este país pode estar a sofrer um problema de obesidade infantil. O mesmo ocorrendo quando num pais não existem 50% de crianças acima do percentil 50%, indicando este problemas de desnutrição.
A aplicação das curvas é óptima para estudos de população, a sua interpretação a uma criança tem que ser diferente e feita com muita atenção.
Dizer-se que quando um bebé está abaixo da média está mal. É um erro frequente e grave. É uma média. Certo? Se todos os que estão abaixo desta ficarem acima, esta deixa de ser a média.
Este erro na interpretação das curvas está a levar-nos a problemas graves de obesidade infantil, pois se se pensa que estar abaixo da média não é normal, acaba-se por conseguir que todas as crianças fiquem acima da média.
A última recta não significa o mínimo. O que significa o 3? Significa que 3% dos bebés que entraram na pesquisa que eram completamente saudáveis e que representam uma população, estão abaixo desta linha. Logo se o deu filho está abaixo do percentil 3 pode fazer simplesmente parte desse 3% da população de bebés saudáveis. Aqui o pediatra deverá analisar a situação com uma atenção especial.
O seu filho está no percentil 25? É uma criança saudável? Então, muito provavelmente, ele faz parte dos 25% da população que segue este peso.
O que temos de ter em atenção na interpretação dos gráficos:
- As linhas de percentil não são caminhos a seguir, são sim resultado da média de um conjunto de pontos que levaram à sua obtenção. A linha de crescimento do seu filho não será seguramente uma linha perfeita;
- Bebés exclusivamente amamentados não aumentam de peso de forma igual a bebés alimentados com leite artificial;
- É normal nos primeiros 6 meses de vida cruzar a linha de percentis o que não indica, salvo raras excepções de doença do bebé, problemas, o bebé está sim a encontrar a sua normalidade;
- Emagrecimentos bruscos devem ser analisados com atenção;
- Grandes variações na relação peso e altura devem ser consideradas, se o filho tem uma altura muito inferior à média e um bom peso não se trata de um problema de alimentação, mas poderá indicar problemas endócrinos;
O mais importante é escutar a mãe, respeitar a sua preocupação. Antes de dar suplemento o mais indicado é analisar como está a ser o bebé alimentado, se está a ser amamentado a que intervalo de tempo ocorre cada mamada. O bebé pode não estar com problemas mas na maioria dos casos o suplemento é aconselhado e este vai piorar a produção de leite.
Existem casos em que o bebé engordou 80g e segundo a interpretação do médico deveria engordar 85g e lhe é dado suplemento!! Neste caso este não faz sentido. E sei que não é fácil para uma mãe, que não quer certamente ver seu filho a passar mal, recusar a opinião do médico. Mas vamos pelo menos tentar estar mais atentas na interpretação feita a estas curvas e não nos fixemos excessivamente a elas.
E claro que infelizmente existem crianças com problemas de peso e mães com problemas de produção de leite mas estes não são a maioria e deverão ser correctamente diagnosticados.
Espero ter deixado claro o que queria transmitir, pois considero o assunto muito importante, mas não foi nada fácil :)
Uma óptima semana
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
A Natureza do ser
O meu Ser é natural e fisicamente posso ter a forma humana mas o meu Ser contém muito mais do que isso. Dele fazem parte a família que me deu as raízes (que me identificam como eu mesma) e também os ramos para eu ir longe, eu enchi-me de folhas, umas mais especiais que outras, umas caíram em determinado Outono, outras renovam-se a cada Primavera. Existe também aquelas que permanecem, são folhas perenes, seja Verão ou Inverno elas estão sempre lá e eu sei disso. Depois existe aquele que prolongou seus ramos até mim e desde então partilhamos o nosso fruto. Existe momento mais especial que o brotar de vida a cada Primavera e que o renovar a cada Outono.
Pois é, a Natureza tem destas coisas, para a mim, o Outono é a proximidade do Inverno, mexe com as minhas sensações. Sinto falta da família, sinto a nostalgia. Sinto o tempo a passar...
Mas apesar disso sinto que é tempo de renovação, é tempo de deixar para trás o que não nos traz satisfação, o que nos queima as energias. Existem coisas e pessoas que nos arrancam as energias e eu ralava-me com isso. Este Outono estou a trabalhar para a renovação, um novo inicio na minha vida. Quero usar as minhas raízes para ganhar nutrientes e forças e os meus ramos para levar perto da luz as minhas folhas. Quero entrelaçar-me nos ramos que me aconchegam e quero partilhar a minha alegria.
Pois eu tenho uma família que estou a criar. Tenho fruto que dará semente e que só germinará se eu lhe der a protecção e os guias que ele precisa. Se eu por minha vez o ajudar a criar raízes e ramos. Para se sentir seguro... para ir longe.
É nestes momentos que eu ganho força para dedicar a minha vida à minha família, a esta família que eu quero cuidar, que eu quero fazer germinar de sucesso e muita felicidade. O céu está cinzento, a temperatura muito baixa, mas aqui no meu Ser não sinto frio. Sinto o aconchego...
Haverá razão de ser maior que não seja manter o nosso Ser nutrido e saudável??!!
(não liguem ao meu devaneio de pensamentos, aqui em casa reina o silêncio, os meus dois tesouros já dormem.. e eu deixei a minha figura humana voar em contemplações soltas, não tomei nenhum narcótico descansem... )
Ler para as crianças - efeitos positivos
A capacidade e interesse na leitura construí-se desde bem cedo. Ler em voz alta para os nossos filhos é um óptimo começo para interessar a criança pela leitura. E nós como pais podemos ajudar nesse processo, podemos despertar nos nossos filhos o entusiasmo por livros, a curiosidade pelos textos, novas ideias, pessoas e visões do mundo. E podemos começar bem cedo, existem livros para todas as idades, desde livros só com imagens para bebés até livros de fantasia e aventura para crianças na escola. Escolha e variedade não falta e a meu ver qualidade também não. E a importância da leitura é de conhecimento de todos, eu até já falei nisso aqui e aqui.
Como eu já tantas vezes referi e que não é novidade para ninguém: Os pais são o modelo dos seus filhos. E estes desenvolvem-se à imagem deles. Quando os pais lêem regularmente (e lêem também para os filhos) despertam não só o interesse em livros como o interesse das crianças a começarem a ler regularmente.
A regra é: Leia regularmente para o seu filho. As crianças acostumam-se muito facilmente à rotina do cotidiano, integrar no seu dia a dia momentos de leitura não será difícil se estes se tornarem uma rotina.
Se a criança se anima com a leitura irá passar ao longo do tempo de uma actividade proposta pelos pais para uma imposta pela criança. Criando desde já os alicerces para o futuro leitor.
A leitura em voz alta para os nossos filhos tem muitos efeitos positivos:
E as vantagens de lermos para os nossos filhos não terminam quando este aprende a ler. Bem pelo contrário passa a fazer ainda mais sentido.
E porque é tão importante? Repara em ti mesmo, acabaste de ler este post sem mesmo pensares nas letras e estrutura das frases o que quer dizer que conseguiste completamente sem problemas entender o que aqui escrevi (assim espero). Sem esforço ou dificuldade porque tens todas as competências de leitura interiorizadas.
Uma leitura fluente precisa ser treinada. As crianças precisam nos seus primeiros anos uma grande concentração - elas ainda não possuem esta fluidez em ler e ao mesmo tempo entender o conteúdo. Motiva sempre o teu filho para que o auto-interesse na leitura nunca se perca.
Uma pequena dica: Lê novamente os efeitos positivos da leitura que escrevi, mas agora direcciona-os para ti mesmo. Ler é óptimo para todos.
E lembra-te: Ler para os nossos filhos não pode ser um momento de sacrifício para nós, mas sim um momento que damos a nós próprios. Um momento que presenteamos a nós e ao nosso filho juntos!
Como eu já tantas vezes referi e que não é novidade para ninguém: Os pais são o modelo dos seus filhos. E estes desenvolvem-se à imagem deles. Quando os pais lêem regularmente (e lêem também para os filhos) despertam não só o interesse em livros como o interesse das crianças a começarem a ler regularmente.
A regra é: Leia regularmente para o seu filho. As crianças acostumam-se muito facilmente à rotina do cotidiano, integrar no seu dia a dia momentos de leitura não será difícil se estes se tornarem uma rotina.
Se a criança se anima com a leitura irá passar ao longo do tempo de uma actividade proposta pelos pais para uma imposta pela criança. Criando desde já os alicerces para o futuro leitor.
A leitura em voz alta para os nossos filhos tem muitos efeitos positivos:
- Fortalece o contacto social - ao lermos para o nosso filho estamos a construir uma estreita relação, um vínculo com ele. Oferecemos-lhe atenção, amabilidade, segurança ... o resultado disto observa-se muitas vezes durante a sessão de leitura quando a criança pede contacto físico, um abraço, um mimo;
- Reforça as ligações emocionais - entre a criança e o leitor, os sentimentos vividos pela história são partilhados por ambos;
- Através da leitura as crianças vivem novas experiências - experiências que nem sempre são possíveis viver no dia-a-dia. E aqui refiro-me não somente a experiências emocionais e sociais mas também intelectuais. Por exemplo se no final da história fizermos perguntas e o nosso filhos tentar responder, se tentarmos juntos prolongar a história ou pedir-lhe que faça um desenho sobre o que lemos.
- A leitura promove o interesse - Mesmo quando a criança já ouviu a história mil vezes, esta vai continuar a ensiná-la a aprofundar os conteúdos. Ela irá conseguir encontrar sempre algo novo, uma nova perspectiva de ver e analisar a história.
- Aumenta as competências linguísticas - aumenta o vocabulário e promove a interiorização automática das regras gramaticais mesmo antes de as conhecer.
- Estimula a imaginação - Esta nem preciso comentar, certamente já todos ouviram uma criança a tentar recontar a história, fazendo imagens mentais desta, acrescentando as suas vivências do dia-a-dia e até mesmo criando uma nova história :)
- Promove a concentração - Mas temos que ter atenção na idade do nosso filhos e não massacrá-lo com leituras excessivas.
- Estimula o sentido de orientação - Os acontecimentos numa história são descritos temporalmente, e a criança desenvolve a capacidade de os identificar e se orientar por eles.
- Aumenta os horizontes- Estimula o nosso filho a usar os livros como uma fonte valiosa de entretenimento e auto-informação. Apenas aqueles que desenvolvem uma boa habilidade de leitura, pode ao longo de toda a sua vida aprender.
E as vantagens de lermos para os nossos filhos não terminam quando este aprende a ler. Bem pelo contrário passa a fazer ainda mais sentido. E porque é tão importante? Repara em ti mesmo, acabaste de ler este post sem mesmo pensares nas letras e estrutura das frases o que quer dizer que conseguiste completamente sem problemas entender o que aqui escrevi (assim espero). Sem esforço ou dificuldade porque tens todas as competências de leitura interiorizadas.
Uma leitura fluente precisa ser treinada. As crianças precisam nos seus primeiros anos uma grande concentração - elas ainda não possuem esta fluidez em ler e ao mesmo tempo entender o conteúdo. Motiva sempre o teu filho para que o auto-interesse na leitura nunca se perca.
Uma pequena dica: Lê novamente os efeitos positivos da leitura que escrevi, mas agora direcciona-os para ti mesmo. Ler é óptimo para todos.
E lembra-te: Ler para os nossos filhos não pode ser um momento de sacrifício para nós, mas sim um momento que damos a nós próprios. Um momento que presenteamos a nós e ao nosso filho juntos!
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
É possivel ser feliz comendo brócolos
Como já referi faz algum tempo aqui sou bastante rígida e atenta quanto à alimentação do meu pequeno. Hoje li no blog da Thelma um post fantástico, um testemunho que merece os meus parabéns. É a escrever algo do género que me quero ver fazer daqui a 2 anos.Eu poderia escrever sobre o assunto e dar o meu ponto de vista mas a Thelma disse tudo, e concluiu lindamente. Desculpa-me pelo abuso mas faço minhas as tuas palavras:
"Eu acredito que uma criança não sente mais prazer com uma bala cheia de corantes do que chupando uma manga suculenta, com o caldo escorrendo pelo braço. E duvido que seja mais divertido lamber um pirulito do que fazer barulho para tomar a poça de suco que se formou no fundo de um prato cheio de melancia docinha.
Acho que o segredo é não transformar a alimentação em problema, em sofrimento. Aos seis meses, quando os alimentos vão sendo introduzidos aos poucos, podem chegar com alegria às mãos dos bebês. São como brinquedos macios e coloridos para levar à boca, como eles gostam de fazer com tudo o que encontram.
Esse momento é importantíssimo, é a hora de abrir a porta para um mundo de sabores, aromas, texturas, consistências, cores, muitas cores! E enquanto a criança aprende a comer está desenvolvendo linguagem, coordenação motora, percepção e discriminação visual; está construindo cultura, criando comportamentos, formando hábitos para uma vida longa e saudável."
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Quando devemos começar a ensinar o bebé o certo e o errado?
Já várias vezes foi feita esta pergunta ao maravilhoso motor de pesquisa do Google e este direccionou para o meu blog e para que não volte a acontecer as pessoas chegarem aqui e não encontrarem a resposta directa ao seu problema decidi responder directamente :)
Pois é, eu tenho a resposta. Embora seja autodidacta em muitas áreas não sou especialista em educação, em psicologia do desenvolvimento, em gestão do desenvolvimento infantil e mais uns quantos "ãos" e "logias, mas tenho a resposta.
Aqui vai: Devemos começar a ensinar o bebé o certo e o errado desde que engravidamos.
Não passas a comer mais saudável? Não deixas de fumar? De beber álcool? Não te preocupas mais com o teu bem estar? Com o teu humor? Até com os teus desejos?
Pois eu acredito que é aqui que começamos a ensinar o certo e o errado aos nossos filhos e continuamos este processo até que eles sejam capazes de por si só analisarem os seus actos corrigi-los e adaptá-los a cada situação da sua vida.
Agora deixando este tom mais de brincadeira mas ao mesmo tempo sério, o que eu quero dizer é que ensinar o certo e o errado é feito pelo exemplo e partilha de confiança que nós damos aos nossos filhos, com o exemplo que deixamos a todas as crianças em geral. Em quem mais elas poderão confiar e seguir se não formos nós adultos. O nosso papel é acima de tudo dar o exemplo.
Se deres um bom exemplo ao teu filho, se partilhares com ele confiança, carinho e atenção, se lhe deres o seu espaço mas ao mesmo tempo os seus limites, acredita que será muito fácil ele compreender o que é certo ou errado. Mesmo quando se trata de pequenas coisas, como por exemplo, não mexer no fogão porque se pode queimar, conversa com o teu filho, ele confia em ti... dá-lhe atenção e ensina-lhe o que é estar quente ou frio, ele entenderá. E até coisas mais sérias como é errado roubar, é errado bater... nestas nada melhor que o bom exemplo, não acham?
E ensinar o que é certo, como se faz? Esta então é de caras... é certo partilhar carinho, é certo ajudar, ser-se simpático, respeitar o próximo... como vamos ensinar o nosso filho? Simples. Dando o exemplo mais um vez. E quando o devemos fazer? Já, agora e sempre....
Eu ainda acredito que ser boa pessoa, praticar o bem é daquelas epidemias bem contagiosas...
"Faz aos outros o que gostas que te façam a ti"
E tu? Dás um bom exemplo?
Espero ter enriquecido os resultados das pesquisa no google :)
Pois é, eu tenho a resposta. Embora seja autodidacta em muitas áreas não sou especialista em educação, em psicologia do desenvolvimento, em gestão do desenvolvimento infantil e mais uns quantos "ãos" e "logias, mas tenho a resposta.
Aqui vai: Devemos começar a ensinar o bebé o certo e o errado desde que engravidamos.
Não passas a comer mais saudável? Não deixas de fumar? De beber álcool? Não te preocupas mais com o teu bem estar? Com o teu humor? Até com os teus desejos?
Pois eu acredito que é aqui que começamos a ensinar o certo e o errado aos nossos filhos e continuamos este processo até que eles sejam capazes de por si só analisarem os seus actos corrigi-los e adaptá-los a cada situação da sua vida.Agora deixando este tom mais de brincadeira mas ao mesmo tempo sério, o que eu quero dizer é que ensinar o certo e o errado é feito pelo exemplo e partilha de confiança que nós damos aos nossos filhos, com o exemplo que deixamos a todas as crianças em geral. Em quem mais elas poderão confiar e seguir se não formos nós adultos. O nosso papel é acima de tudo dar o exemplo.
Se deres um bom exemplo ao teu filho, se partilhares com ele confiança, carinho e atenção, se lhe deres o seu espaço mas ao mesmo tempo os seus limites, acredita que será muito fácil ele compreender o que é certo ou errado. Mesmo quando se trata de pequenas coisas, como por exemplo, não mexer no fogão porque se pode queimar, conversa com o teu filho, ele confia em ti... dá-lhe atenção e ensina-lhe o que é estar quente ou frio, ele entenderá. E até coisas mais sérias como é errado roubar, é errado bater... nestas nada melhor que o bom exemplo, não acham?
E ensinar o que é certo, como se faz? Esta então é de caras... é certo partilhar carinho, é certo ajudar, ser-se simpático, respeitar o próximo... como vamos ensinar o nosso filho? Simples. Dando o exemplo mais um vez. E quando o devemos fazer? Já, agora e sempre....
Eu ainda acredito que ser boa pessoa, praticar o bem é daquelas epidemias bem contagiosas...
"Faz aos outros o que gostas que te façam a ti"
E tu? Dás um bom exemplo?
Espero ter enriquecido os resultados das pesquisa no google :)
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O meu filho não pára quieto - uma questão de concentração
Quantas vezes já eu ouvi mães a lamentarem-se que os seus filhos não param quietos.... Pois é, todas as crianças pequenas, desde que saudáveis, são curiosas e interessadas, são imparáveis mas isso é completamente normal.
No entanto, existem crianças que durante todo o dia não param nem um segundo, não conseguem estar sentadas ou concentradas num brinquedo por uns minutos. Não conseguem estar sossegadas, não conseguem estar à mesa e dormirem uma sesta ou adormecerem de noite é um drama.
Como poderemos ajudar os nossos filhos a encontrarem momentos de calma e concentração?
Li um artigo aqui (está em alemão e farei aqui um resumo do que achei mais interessante). Neste artigo defende-se que uma criança que não consegue encontrar momentos de calma e concentração não está em equilíbrio, pois para um desenvolvimento saudável tem que existir um equilibrio entre os momentos calmos e os momentos de actividade e exercicio.
Mas então quando desenvolve a criança esta capacidade de concentração e encontra este equilibrio?
Desde os primeiros dias de vida no nosso filho começa a desenvolver a sua capacidade de concentração. Nesta fase eles começam a colocar os dedos na boca e sugam, olham com atenção para as suas próprias mãos, começam a mexer os dedos. Com cerca de 3 meses a coordenação mãos-olhos já está bastante desenvolvida e ele consegue mesmo observar e mexer as duas mãos ao mesmo tempo. Quando o nosso bebé estiver neste "jogo de mãos" conseguimos ter noção de quão alerta e concentrado ele está. Nestes momentos é importante não distrai-lo, não lhe oferecer nenhum brinquedo, deixando-o simplesmente estar concentrado e ocupado com as suas mãos.
Com cerca de 4 a 5 meses começa a pegar em brinquedos explorando-os e colocando na boca, isto requer uma grande concentração e persistência. Também já é capaz de se concentrar com o olhar em objectos ou brinquedos que estejam bastante afastados. Chamando mesmo a atenção dos pais para que lhe deêm o que ele viu e quer perto dele. Nesta fase e até cerca dos 9 meses, por vezes é difícil para os pais perceberem o que o bebé quer, é essencial uma boa ligação entre ambos, os pais que conseguem responder positivamente a estes momentos estarão a ajudar no desenvolvimento da concentração.
Dos 10 aos 12 meses o bebé tenta imitar o que nós fazemos quando brincamos com ele, como por exemplo, empurrar um carro, atirar uma bola, colocar copinhos uns dentro de outros. Devemos dar ideias de como deve brincar mas sempre devagar e uma coisa de cada vez.
No 2º ano de vida a concentração desenvolve-se pela repetição. Quando o nosso filho se diverte com um brinquedo vai querer sempre repetir, vai querer ouvir sempre a mesma história ao deitar (o Leo quer sempre a história do patinho que faz anos :) ) e pela 10ª vez quer que cantemos a musica preferida (já passou pela fase do Alecrim e agora quer sempre uma musica alemã... que não me falte a voz eheheh). Esta fase da repetição é muito importante, embora para nós pais por vezes se torna aborrecida, mas a criança vai de todas as vezes descobrir algo novo.
No 3º ano de vida, um ano de persistência... Não é um sinal de falta de atenção quando a criança fica inquieta durante uma brincadeira, correndo ou começando outra actividade. Nesta fase eles ainda não são capazes de se concentrar por mais de 5-7 minutos de cada vez. Nós podemos ajudar mostrando um novo brinquedo com o qual se possa distrair sozinho. São muito interessantes nestes momentos os Legos e puzzles e outros brinquedos de montar. Além de desenvolverem a criatividade são óptimos para a concentração.
Dos 4 aos 5 anos entramos na fase da inspiração. O nosso filho está cada vez mais capaz de perseguir metas e fazer todos os esforços para alcançá-las. Para desenvolver a concentração e perseverança precisa de se sentir bem, divertido com o que está a fazer. Nesta fase muitos elogios e comentários positivos incentivam o nosso filho a atingir os seus objectivos. Melhor incentivo à motivação não existe!
No 6º ano de vida, "Não dar o braço a torcer" é a máxima. Até entrar na escola a criança deve ser capaz de se concentrar entre 20 a 30 minutos mesmo que a actividade não o motive muito. Para tal nós podemos ajudar, incentivando de forma atenciosa e com carinho a que a criança termine a actividade que se propôs. Por exemplo, está a fazer um puzzle e desiste, devemos tirar um pouco do nosso tempo para o ir ajudar motivando-o assim a completá-lo. Estamos juntos a ler um livro, ele só deve ir embora quando terminarmos, podemos motivá-lo questionando com o que virá a seguir na história. Ele está a fazer um desenho e não tem interesse em terminar, neste caso podemos mostrar-nos interessados no que ele desenhou e questioná-lo sobre o desenho, motivando-o a continuar concentrado a desenhar.
E se desta forma, brincando atenciosamente com o nosso filho, dando-lhe cada oportunidade a cada fase do seu desenvolvimento, tenha como resultado uma maior concentração e ele consiga melhor alcançar o equilíbrio saudável entre a calma e a actividade, eu estou nessa corrida, e vocês?
No entanto, existem crianças que durante todo o dia não param nem um segundo, não conseguem estar sentadas ou concentradas num brinquedo por uns minutos. Não conseguem estar sossegadas, não conseguem estar à mesa e dormirem uma sesta ou adormecerem de noite é um drama.
Como poderemos ajudar os nossos filhos a encontrarem momentos de calma e concentração?
Li um artigo aqui (está em alemão e farei aqui um resumo do que achei mais interessante). Neste artigo defende-se que uma criança que não consegue encontrar momentos de calma e concentração não está em equilíbrio, pois para um desenvolvimento saudável tem que existir um equilibrio entre os momentos calmos e os momentos de actividade e exercicio.
Mas então quando desenvolve a criança esta capacidade de concentração e encontra este equilibrio?
Desde os primeiros dias de vida no nosso filho começa a desenvolver a sua capacidade de concentração. Nesta fase eles começam a colocar os dedos na boca e sugam, olham com atenção para as suas próprias mãos, começam a mexer os dedos. Com cerca de 3 meses a coordenação mãos-olhos já está bastante desenvolvida e ele consegue mesmo observar e mexer as duas mãos ao mesmo tempo. Quando o nosso bebé estiver neste "jogo de mãos" conseguimos ter noção de quão alerta e concentrado ele está. Nestes momentos é importante não distrai-lo, não lhe oferecer nenhum brinquedo, deixando-o simplesmente estar concentrado e ocupado com as suas mãos.Com cerca de 4 a 5 meses começa a pegar em brinquedos explorando-os e colocando na boca, isto requer uma grande concentração e persistência. Também já é capaz de se concentrar com o olhar em objectos ou brinquedos que estejam bastante afastados. Chamando mesmo a atenção dos pais para que lhe deêm o que ele viu e quer perto dele. Nesta fase e até cerca dos 9 meses, por vezes é difícil para os pais perceberem o que o bebé quer, é essencial uma boa ligação entre ambos, os pais que conseguem responder positivamente a estes momentos estarão a ajudar no desenvolvimento da concentração.
Dos 10 aos 12 meses o bebé tenta imitar o que nós fazemos quando brincamos com ele, como por exemplo, empurrar um carro, atirar uma bola, colocar copinhos uns dentro de outros. Devemos dar ideias de como deve brincar mas sempre devagar e uma coisa de cada vez.
No 2º ano de vida a concentração desenvolve-se pela repetição. Quando o nosso filho se diverte com um brinquedo vai querer sempre repetir, vai querer ouvir sempre a mesma história ao deitar (o Leo quer sempre a história do patinho que faz anos :) ) e pela 10ª vez quer que cantemos a musica preferida (já passou pela fase do Alecrim e agora quer sempre uma musica alemã... que não me falte a voz eheheh). Esta fase da repetição é muito importante, embora para nós pais por vezes se torna aborrecida, mas a criança vai de todas as vezes descobrir algo novo.
No 3º ano de vida, um ano de persistência... Não é um sinal de falta de atenção quando a criança fica inquieta durante uma brincadeira, correndo ou começando outra actividade. Nesta fase eles ainda não são capazes de se concentrar por mais de 5-7 minutos de cada vez. Nós podemos ajudar mostrando um novo brinquedo com o qual se possa distrair sozinho. São muito interessantes nestes momentos os Legos e puzzles e outros brinquedos de montar. Além de desenvolverem a criatividade são óptimos para a concentração.
Dos 4 aos 5 anos entramos na fase da inspiração. O nosso filho está cada vez mais capaz de perseguir metas e fazer todos os esforços para alcançá-las. Para desenvolver a concentração e perseverança precisa de se sentir bem, divertido com o que está a fazer. Nesta fase muitos elogios e comentários positivos incentivam o nosso filho a atingir os seus objectivos. Melhor incentivo à motivação não existe!
No 6º ano de vida, "Não dar o braço a torcer" é a máxima. Até entrar na escola a criança deve ser capaz de se concentrar entre 20 a 30 minutos mesmo que a actividade não o motive muito. Para tal nós podemos ajudar, incentivando de forma atenciosa e com carinho a que a criança termine a actividade que se propôs. Por exemplo, está a fazer um puzzle e desiste, devemos tirar um pouco do nosso tempo para o ir ajudar motivando-o assim a completá-lo. Estamos juntos a ler um livro, ele só deve ir embora quando terminarmos, podemos motivá-lo questionando com o que virá a seguir na história. Ele está a fazer um desenho e não tem interesse em terminar, neste caso podemos mostrar-nos interessados no que ele desenhou e questioná-lo sobre o desenho, motivando-o a continuar concentrado a desenhar.
E se desta forma, brincando atenciosamente com o nosso filho, dando-lhe cada oportunidade a cada fase do seu desenvolvimento, tenha como resultado uma maior concentração e ele consiga melhor alcançar o equilíbrio saudável entre a calma e a actividade, eu estou nessa corrida, e vocês?
Deram-me dois Carinhos
Já estava em falta para postar este selo que a Sarah me ofereceu, ela tem um cantinho lindo: o Mãe do Bento, obrigada és uma querida.
Alma
E hoje mesmo fui me deparar com mais um carinho oferecido pela Adri do Caixinha da Adri, digam lá que não é começar a semana em alta. Obrigada Adri adorei.
Ambos os selos pedem para repassar a 10 pessoas mas como é muito difícil escolher pois adoro todos os Blogues que sigo e todos vocês merecem este carinho vou repassar a quem mais comenta, que tal? Adoro receber comentários, pois fazem-me bem, fazem-me pensar que não escrevo para o vazio, fazem-me reflectir ainda mais sobre o assunto e por vezes ajudam-me a reformular as minhas opiniões. Obrigada mesmo a todos os que mais comentam são uns amores. Podem levar os dois selos ou aquele que acharem mais giro :)
E os nomeados são:
ESpeCiaLmente GaSPaS Alma
Um beijo para todas e uma óptima semana
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Educar à mesa: o que vai além da educação alimentar
Do livro "Quem Ama, Cuida" de Américo Canhoto, partilho hoje com vocês as atitudes e valores que podem resultar de uma boa educação à mesa. Atitudes que vão muito além da Educação Alimentar, esta não menos importante, mas que ficará para discutirmos numa outra oportunidade.Atitudes e valores que podem ser desenvolvidos durante as refeições:
Paciência – Aguardar nossa vez com calma, mastigar correctamente o alimento;
Respeito – Consumir apenas o necessário, respeitar o organismo. Esperar que os outros se sirvam primeiro;
Humildade, gratidão, consideração – Agradecer pela refeição. Elogiar o esmero com que o alimento foi preparado e agradecer, se for o caso, a quem nos convidou para a refeição;
Solicitude, humildade – Servir os outros, facilitar para que as pessoas se sentem à mesa ou se levantem;
Caridade, respeito, sobriedade – Evitar julgar aquele que cometeu algum deslize na mesa, não tecer críticas ao que foi servido;
Sobriedade – Não encher o prato, levar o alimento à boca em pequenos bocados, evitar ruídos ao beber e não bater com os talheres no prato;
Parcimónia, moderação – Comer o suficiente; servir-se sempre pensando primeiro nos outros;
Frugalidade – Comer apenas o indispensável. Economizar nos temperos;
Perseverança – Evitar alimentos que levem ao vício e à compulsão; alimentar-se conforme as necessidades;
Firmeza de carácter – Recusar os alimentos indesejáveis ao seu organismo com delicadeza e sem maiores comentários;
Modéstia, simplicidade – À mesa, evitar gestos teatrais ou etiquetas descabidas. Quando aprendemos a sentir o gosto e o odor de cada ingrediente não inventamos misturas que não combinam;
É interessante termos a noção que pequenas atitudes à mesa podem resultar em princípios e valores no nosso intimo e que poderão ser usados naturalmente por cada um de nós no dia a dia.
Do meu ponto de vista, impor nas crianças estes comportamentos com o intuito de lhes desenvolver estes valores será uma imposição que ficará vazia, sem valor se não for acompanhada com o nosso exemplo. Não podemos exigir que o nosso filho comam com calma e mastigue bem, desenvolvendo a sua paciência, se nós mesmos comemos a correr, não acham? Sei que por vezes é complicado juntar todos à mesa, atitude esta que é mais uma oportunidade em família de desenvolver, a meu ver, valores como a amizade e a confiança, mas se nos organizarmos e fizermos por isso é possível, nem que seja uma só refeição por dia.
Para mim a hora das refeições é um momento essencial na construção de uma família, é um momento de partilha das experiências vividas no dia a dia e embora nem sempre seja possível reunirmo-nos à mesa é algo que fazemos com frequência. E se juntamente a este momento em família podemos estar a tornar-nos melhores pessoas melhor ainda.
E você come em família e dá o exemplo?
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
As formas de distribuir carinho II
Estes posts saem um pouco da linha principal deste blog, mas quis partilhar com vocês. E como está ai a chegar o Natal ficam também como ideias de prendas.
Um óptimo dia para todos
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Pais maus
Ao ler o post da Adri - "Temos de ser "pais maus" de vez em quando..." lembrei-me deste poema, aqui fica para reflexão:
sábado, 6 de novembro de 2010
Os pais também fazem birras
Tenho andado bastante cansada o que me faz ter menos paciência, sou daquelas pessoas que se não durmo bem tenho que lutar contra o mau-humor grande parte do dia. E como os pais bem sabem ter um bebé em casa é (pelo menos por uns tempos) sinónimo de noites mal dormidas, de sonos interrompidos. Conclusão: mãe cansada, mãe rabugenta... mãe que até faz birrar...
Sim birra e já não tenho 3 anos...
Tenho andado seriamente a pensar no assunto e acho que muitas vezes os nossos pequenos ficam chateados, batem o pé, choram sem motivo para isso, somente porque Nós é que estamos sem paciência, porque dissemos um "não" que não havia necessidade e não queremos ceder - Fazemos Birra.
No outro dia o Leo queria brincar com as molas da roupa, mas como já havia pelo chão da sala imensos brinquedos espalhados eu disse que não e tentei distrai-lo... Mas o Leo estava mesmo com vontade e começou a chorar e a barafustar... foi então que fez "clic" na minha cabeça. "Estou a fazer birrinha!" Porque é que o Leo não poderia brincar com as molas? Não se vai magoar, não vai estragar, então porque eu disse não???
Acabei por me consciencializar que não estava correcto negar, dei algumas molas para ele brincar, ele adorou e esteve quase 30 minutos, ali no tapete a brincar com as molas, a explorar as cores, as formas, a atirar, a apanhar, super divertido (acreditam??), enquanto isso eu ainda tive um tempinho para mim. E no final ficou todo contente a ajudar-me a colocá-las de novo na caixinha.
Se uma criança é educada de forma a seguir limites bem estabelecidos, sou levada a crer que grande parte das birras que esta fizer têm um motivo que nós pais podemos evitar: está cansada, tem sono, está num sitio com muita gente e isso deixa-a nervosa...
Se nós adultos temos autonomia para escolher os lugares e os momentos para fazer o que precisamos ou queremos será sensato ter isso em conta com os nossos pequenos, não acham?
E se eles quiserem brincar com coisas mais exóticas, molas de roupa, carrinhos de linhas... acho que não haverá grande problema e além disso será um momento rico na exploração de novos materiais e texturas. :)
Quantas vezes nós mesmo não nos distraímos por longos períodos de formas mais estranhas... eu ás vezes enquanto tomo o café rasgo em pedacinhos pequeninos o pacotinho de açúcar enquanto converso... e isso até me diverte :)
No fundo é tudo uma questão de atitude. Vou tentar canalizar as minhas energias positivas para todos os momentos em que tenho que cuidar do Leo, para estar bem disposta e fazer menos birras.
E vocês também fazem birras?
Sim birra e já não tenho 3 anos...
Tenho andado seriamente a pensar no assunto e acho que muitas vezes os nossos pequenos ficam chateados, batem o pé, choram sem motivo para isso, somente porque Nós é que estamos sem paciência, porque dissemos um "não" que não havia necessidade e não queremos ceder - Fazemos Birra.No outro dia o Leo queria brincar com as molas da roupa, mas como já havia pelo chão da sala imensos brinquedos espalhados eu disse que não e tentei distrai-lo... Mas o Leo estava mesmo com vontade e começou a chorar e a barafustar... foi então que fez "clic" na minha cabeça. "Estou a fazer birrinha!" Porque é que o Leo não poderia brincar com as molas? Não se vai magoar, não vai estragar, então porque eu disse não???
Acabei por me consciencializar que não estava correcto negar, dei algumas molas para ele brincar, ele adorou e esteve quase 30 minutos, ali no tapete a brincar com as molas, a explorar as cores, as formas, a atirar, a apanhar, super divertido (acreditam??), enquanto isso eu ainda tive um tempinho para mim. E no final ficou todo contente a ajudar-me a colocá-las de novo na caixinha.
Se uma criança é educada de forma a seguir limites bem estabelecidos, sou levada a crer que grande parte das birras que esta fizer têm um motivo que nós pais podemos evitar: está cansada, tem sono, está num sitio com muita gente e isso deixa-a nervosa...
Se nós adultos temos autonomia para escolher os lugares e os momentos para fazer o que precisamos ou queremos será sensato ter isso em conta com os nossos pequenos, não acham?
E se eles quiserem brincar com coisas mais exóticas, molas de roupa, carrinhos de linhas... acho que não haverá grande problema e além disso será um momento rico na exploração de novos materiais e texturas. :)
Quantas vezes nós mesmo não nos distraímos por longos períodos de formas mais estranhas... eu ás vezes enquanto tomo o café rasgo em pedacinhos pequeninos o pacotinho de açúcar enquanto converso... e isso até me diverte :)
No fundo é tudo uma questão de atitude. Vou tentar canalizar as minhas energias positivas para todos os momentos em que tenho que cuidar do Leo, para estar bem disposta e fazer menos birras.
E vocês também fazem birras?
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Os pais devem-se envolver?
Maria de 6 anos gosta muito de brincar com o seu vizinho mais novo. Depois de algum tempo de brincadeira em que Maria tratava o pequeno com carinho, teve uma mudança de humor e tirou da mão do pequeno com alguma violência o balde de plástico e disse bem alto e zangada "É meu!". Ele ficou triste mas continuou a acompanhar Maria, esta não estava para brincar com ele e disse aos gritos "Deixa-me em paz, vai embora! Porque andas sempre atrás de mim? Eu quero estar sozinha." A mãe do pequeno que observava a cena desde o inicio aproximou-se disse para Maria "Isso não foi bonito..." e confortou o pequeno que começava a chorar.
Como devem os pais reagir numa situação destas? Barafustar com a Maria? Proibi-la de brincar com o nosso filho? Isto seria exclusão social, e não ajudaria nenhuma das crianças, certo?
Nem todas as crianças são meigas e bem dispostas como aquelas que idealizamos que brinquem com os nossos filhos.
Já pensaram que Maria com a sua atitude pode-nos estar a mostrar inconscientemente, a sua própria experiência com frustração, rejeição. Nos tempo que correm não é nada incomum encontrar pais stressados e sem tempo (por vezes esta falta de tempo passa também pela falta de organização e prioridades, mas esta é outra história). Os pais sentem que não têm disponibilidade para lidar com os seus filhos. Os filhos acabam muitas vezes expostos a sentimentos que não conseguem lidar sozinhos como é o caso da rejeição, precisam de ajuda e acompanhamento.
Seria bom que os pais de Maria tivessem isso em atenção. Mas infelizmente quando os pais se sentem criticados procuram, muitas vezes, mostrar que o que fazem é o melhor e não pensam que podem estar a errar. Mesmo os pais podem precisar de ajuda e compreensão de forma a ganharem confiança.
Não é fácil admitir que como pais estamos a falhar... não é fácil dar crédito a quem nos critica... os outros são pais e nós também. Por vezes, parece que a máxima que existe rege o ditado "Entre
Mas como se pode ajudar a Maria e proteger ao mesmo tempo as outras crianças? Os pais do pequeno, na história que contei, podem reagir com Maria de forma apreciativa, simpática e com atenção, embora esta atitude por vezes seja difícil de tomar quando vemos o nosso filho a ser mal tratado. Eles podem dizer-lhe algo como: "Eu entendo que possa não te apetecer mais brincar com ele. Já foi muito bom o tempo em que brincaram juntos. Mas então diz-lhe de forma mais simpática. Ou então, podes-me chamar e então eu brincarei com ele. Também não deves gostar quando alguém fala assim contigo." Talvez esta experiência positiva ajude Maria a lidar com os seus sentimentos, com as suas frustrações.
Este tipo de situações pode-nos custar tempo e paciência mas certamente que o resultado será gratificante. Maria aumentará a sua auto-estima ao sentir a sua atitude reconhecida. E certamente esta atitude positiva tanto da parte dos pais como da Maria será canalizará para as outras crianças.
E se o mundo que temos não é como nós o idealizamos para os nossos filhos o melhor a fazer é tomar atitudes e nada como atitudes de respeito, reconhecimento e carinho, não acham?
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Aprender a suportar o sofrimento - "Não chores mais!"
Quem de nós não gosta de consolar uma criança quando esta chora? E rapidamente eliminar o problema e deixar a criança melhor! E não apenas, porque temos pena da criança, mas talvez também porque nós mesmos não aguentamos, que um ser tão pequeno tenha problemas...
De quem realmente temos compaixão da criança ou de nós próprios?
Reparem neste simples exemplo, o vosso filho magoou-se e vem ter convosco a chorar. Não aconteceu nada de grave, apenas um arranhão, e vocês como pais poderão dizer: "Não foi nada, não precisas chorar", ou ainda: "Meu pobre menino! Não chores! Faz um sorriso para mim" e inicia-se então uma manobra de distracção.
Em ambos os casos, nem através da opressão nem do exagero, a criança se sente verdadeiramente compreendida. Os seus sentimentos não são reconhecidos, são minimizados ou mesmo negados. Pela atitude dos pais, prevê-se que estes sentimentos desagradáveis desapareçam tão rapidamente quanto possível. E é através do "Não chores mais!" que eles são naturalmente proibidos.
Pode parecer uma reacção inofensiva e natural dos pais, mas que praticada regularmente desencadeia comportamentos de bloqueio, incerteza e insegurança na criança. Ela recebe a mensagem: "Não posso confiar nos meus sentimentos", o que as confunde certamente. Ou ainda, "Não posso sentir o que sinto", o que dará à criança a impressão de que algo está errado com ela própria.
O que eu quero dizer com isto tudo é que nestas situações acabamos muitas vezes por perder o foco, prejudicando em certa medida o desenvolvimento do nosso "mais que tudo".
Mas qual será a atitude mais correcta?
Eu diria: Que basta estar presente e proporcionar alívio emocional.
Assim, para que uma criança se possa desenvolver bem emocionalmente são, do meu ponto de vista, necessárias duas coisas: que as emoções sejam aprovadas e que a criança tome responsabilidade das mesmas, ou seja, que a criança auto-avalie quanto ruins ou sem importância os acontecimentos do momento foram para ela e desta forma procurar solução para os seus problemas.
Isto parece complicado, mas basicamente o que eu quero partilhar é bem simples. Em vez de um "Não chores!" pode ser um "Acho que te magoas-te"(o que podemos denominar de Active listening ). Isto faz com que a criança sinta um alivio emocional, ela sente-se compreendida.
E nós não deixaremos de estar presentes para a ajudar, aconchegando-a e acalmando-a com um mimo, um abraço, deixando-a vivenciar os seus sentimentos e quando se recuperar é provável que não se lamente, mas sim se sinta levada a sério e compreendida.
Tudo poderá então terminar num: "Não foi tão ruim assim.Vou brincar outra vez." Fazendo, naturalmente, uma grande diferença sermos nós a dizê-lo ou a própria criança por si mesma, neste último caso teremos a prova que a nossa atitude funcionou.
E claro que poderemos perguntar-lhe: "O que te poderá animar agora?" ou simplesmente agirmos, calmamente. Mas mantendo sempre longe o conforto barato e mais rápido, aquele que reprime e elimina os sentimentos desagradáveis.
Ouça as reais necessidades da criança. Estar presentes, conscientemente em cada situação é muitas vezes suficiente.
Se o nosso filho é levado a sério e pode expressar as suas próprias emoções, desenvolve um bom equilibrio mental e não é emocionalmente bloqueado. Desta forma, ele aprende com o nosso apoio a ser competente e confiante o suficiente para cuidar de si próprio.
De quem realmente temos compaixão da criança ou de nós próprios?
Reparem neste simples exemplo, o vosso filho magoou-se e vem ter convosco a chorar. Não aconteceu nada de grave, apenas um arranhão, e vocês como pais poderão dizer: "Não foi nada, não precisas chorar", ou ainda: "Meu pobre menino! Não chores! Faz um sorriso para mim" e inicia-se então uma manobra de distracção.
Em ambos os casos, nem através da opressão nem do exagero, a criança se sente verdadeiramente compreendida. Os seus sentimentos não são reconhecidos, são minimizados ou mesmo negados. Pela atitude dos pais, prevê-se que estes sentimentos desagradáveis desapareçam tão rapidamente quanto possível. E é através do "Não chores mais!" que eles são naturalmente proibidos.
Pode parecer uma reacção inofensiva e natural dos pais, mas que praticada regularmente desencadeia comportamentos de bloqueio, incerteza e insegurança na criança. Ela recebe a mensagem: "Não posso confiar nos meus sentimentos", o que as confunde certamente. Ou ainda, "Não posso sentir o que sinto", o que dará à criança a impressão de que algo está errado com ela própria.
O que eu quero dizer com isto tudo é que nestas situações acabamos muitas vezes por perder o foco, prejudicando em certa medida o desenvolvimento do nosso "mais que tudo".
Mas qual será a atitude mais correcta?
Eu diria: Que basta estar presente e proporcionar alívio emocional.
Assim, para que uma criança se possa desenvolver bem emocionalmente são, do meu ponto de vista, necessárias duas coisas: que as emoções sejam aprovadas e que a criança tome responsabilidade das mesmas, ou seja, que a criança auto-avalie quanto ruins ou sem importância os acontecimentos do momento foram para ela e desta forma procurar solução para os seus problemas.
Isto parece complicado, mas basicamente o que eu quero partilhar é bem simples. Em vez de um "Não chores!" pode ser um "Acho que te magoas-te"(o que podemos denominar de Active listening ). Isto faz com que a criança sinta um alivio emocional, ela sente-se compreendida.
E nós não deixaremos de estar presentes para a ajudar, aconchegando-a e acalmando-a com um mimo, um abraço, deixando-a vivenciar os seus sentimentos e quando se recuperar é provável que não se lamente, mas sim se sinta levada a sério e compreendida.
Tudo poderá então terminar num: "Não foi tão ruim assim.Vou brincar outra vez." Fazendo, naturalmente, uma grande diferença sermos nós a dizê-lo ou a própria criança por si mesma, neste último caso teremos a prova que a nossa atitude funcionou.
E claro que poderemos perguntar-lhe: "O que te poderá animar agora?" ou simplesmente agirmos, calmamente. Mas mantendo sempre longe o conforto barato e mais rápido, aquele que reprime e elimina os sentimentos desagradáveis.
Ouça as reais necessidades da criança. Estar presentes, conscientemente em cada situação é muitas vezes suficiente.
Se o nosso filho é levado a sério e pode expressar as suas próprias emoções, desenvolve um bom equilibrio mental e não é emocionalmente bloqueado. Desta forma, ele aprende com o nosso apoio a ser competente e confiante o suficiente para cuidar de si próprio.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Blogagem colectiva - Ética
Quando precisamos fazer um trabalho, temos uma dúvida, uma curiosidade ou simplesmente tempo livre ligamos o computador e lá vamos nós viajar um pouco pela Internet. Nunca foi tão fácil aceder a tanta informação. Fazemos a pesquisa e em poucos segundos temos uma lista de sites com o que procuramos. Umas vezes boa informação, outras nem tanto mas temos tudo ao nosso dispor.
É tão fácil este acesso ao que procuramos, está tudo ali prontinho para lermos, analisarmos, alargarmos as nossas ideias.
Na minha opinião esta facilidade de pesquisa transmite a ideia errónea de que a informação nos pertence, nunca se pensa que para aquilo estar ali teve que haver alguém a colocá-lo, a pensar, a inspirar-se com o assunto, a organizar a ideia. Tal como raramente pensamos e nos questionamos que a cadeira onde nos sentamos alguém teve que a fazer (mas isto já é outra história e que longa história).
Quando dei aulas tinha como método frequente dizer aos meus alunos que escrevessem sobre um determinado assunto abordado, a minha ideia era que eles ao escrever pensassem, organizassem ideias, criassem e mesmo divulgassem a sua opinião... mas tive uma grande desilusão, pois, e não aconteceu só uma fez, alguns deles limitavam-se a pesquisar na Internet e a fazer "copy-paste" muitas vezes sem terem o cuidado de lerem o texto todo, de adaptarem melhor o português do Brasil para o português de Portugal de fazerem referências, nada. Conversei com eles, disse que era errado, tanto, que assim eles não pensavam sobre o assunto como era plágio, não estava certo pegar nas coisas de outra pessoa e simplesmente fazer de conta que nos pertence. Expliquem que ele poderiam inspirar-se nas ideias dos outros, resumir, fazer uma análise e fazer referência de onde tinham lido o que escreviam como citação... resultou, mas infelizmente não para todos os alunos. :(
Por isso, eu digo que esta facilidade de aceder a informação na Internet pode muitas vezes ser perigosa para quem pesquisa (pois nem sempre o que se encontra é "boa" informação e não desenvolve a sua própria criatividade, não se dá a esse trabalho) como desleal para quem a escreve e perde esse mérito.
No mundo dos blogues o plágio é algo que me parece ser bastante frequente, é triste, pois estamos aqui para distribuir a nossa opinião para a quem a quer ler, explorar ideias, divulgar informação, inspirações, curiosidades e pensamentos.
Estamos na Internet, neste mundo vasto de todo, mãe dos blogues, onde como no mundo "real" nem tudo é justo e leal... e como diz o ditado "Quem sai aos seus, não degenera"... Mas nós estamos aqui para minimizar o problema, para promover a lealdade...
Não nos podemos esquecer que do outro lado existe gente como nós que dedicou parte do seu tempo para escrever o que lhe ia na alma... e se lemos e gostamos, podemos sim divulgar mas fazendo referencia de quem escreveu, ajudando desta forma a criar uma rede entre nós blogueiros, onde podemos enriquecer ideias, fazer nascer ideias novas, explorar opiniões, abrir os horizontes do nosso conhecimento e até mesmo fazer amizades.
E porque nós com as nossas atitudes estamos sempre a educar os mais novos que nos observam, devemos dar o exemplo, ser leais, sérios e acima de todo criativos... discutir e explorar ideias "sim", roubar cru e simplesmente "não". Porque neste novo mundo também é necessário educar e ensinar a explorar o que a Internet nos oferece... aqui fica a ideia... não deixe de o fazer com os mais pequenos... que eles de tecnologias sabem muito, mas podem não saber orientar-se.
Promova a inspiração, a criatividade e a lealdade.
Um óptimo dia para todos
É tão fácil este acesso ao que procuramos, está tudo ali prontinho para lermos, analisarmos, alargarmos as nossas ideias.
Na minha opinião esta facilidade de pesquisa transmite a ideia errónea de que a informação nos pertence, nunca se pensa que para aquilo estar ali teve que haver alguém a colocá-lo, a pensar, a inspirar-se com o assunto, a organizar a ideia. Tal como raramente pensamos e nos questionamos que a cadeira onde nos sentamos alguém teve que a fazer (mas isto já é outra história e que longa história).Quando dei aulas tinha como método frequente dizer aos meus alunos que escrevessem sobre um determinado assunto abordado, a minha ideia era que eles ao escrever pensassem, organizassem ideias, criassem e mesmo divulgassem a sua opinião... mas tive uma grande desilusão, pois, e não aconteceu só uma fez, alguns deles limitavam-se a pesquisar na Internet e a fazer "copy-paste" muitas vezes sem terem o cuidado de lerem o texto todo, de adaptarem melhor o português do Brasil para o português de Portugal de fazerem referências, nada. Conversei com eles, disse que era errado, tanto, que assim eles não pensavam sobre o assunto como era plágio, não estava certo pegar nas coisas de outra pessoa e simplesmente fazer de conta que nos pertence. Expliquem que ele poderiam inspirar-se nas ideias dos outros, resumir, fazer uma análise e fazer referência de onde tinham lido o que escreviam como citação... resultou, mas infelizmente não para todos os alunos. :(
Por isso, eu digo que esta facilidade de aceder a informação na Internet pode muitas vezes ser perigosa para quem pesquisa (pois nem sempre o que se encontra é "boa" informação e não desenvolve a sua própria criatividade, não se dá a esse trabalho) como desleal para quem a escreve e perde esse mérito.
No mundo dos blogues o plágio é algo que me parece ser bastante frequente, é triste, pois estamos aqui para distribuir a nossa opinião para a quem a quer ler, explorar ideias, divulgar informação, inspirações, curiosidades e pensamentos.
Estamos na Internet, neste mundo vasto de todo, mãe dos blogues, onde como no mundo "real" nem tudo é justo e leal... e como diz o ditado "Quem sai aos seus, não degenera"... Mas nós estamos aqui para minimizar o problema, para promover a lealdade...
Não nos podemos esquecer que do outro lado existe gente como nós que dedicou parte do seu tempo para escrever o que lhe ia na alma... e se lemos e gostamos, podemos sim divulgar mas fazendo referencia de quem escreveu, ajudando desta forma a criar uma rede entre nós blogueiros, onde podemos enriquecer ideias, fazer nascer ideias novas, explorar opiniões, abrir os horizontes do nosso conhecimento e até mesmo fazer amizades.
E porque nós com as nossas atitudes estamos sempre a educar os mais novos que nos observam, devemos dar o exemplo, ser leais, sérios e acima de todo criativos... discutir e explorar ideias "sim", roubar cru e simplesmente "não". Porque neste novo mundo também é necessário educar e ensinar a explorar o que a Internet nos oferece... aqui fica a ideia... não deixe de o fazer com os mais pequenos... que eles de tecnologias sabem muito, mas podem não saber orientar-se.
Promova a inspiração, a criatividade e a lealdade.
Um óptimo dia para todos
domingo, 24 de outubro de 2010
As formas de distribuir carinho
Peguei no meu brinquedo, sim eu tenho um brinquedo (a minha máquina de costura), fiz um carinho para o Leo :)
E garanto que foi feito com muito amor e são uns sapatinhos bem quentinhos, para o Leo não ter hipóteses de ter os pezinhos frios quando anda a brincar cá por casa (usei tecido polar no interior).
E vocês como distribuem carinho aí por casa?
Mais do mesmo:
Fim de semana chuvoso e criança ocupada
As formas de distribuir carinho II
As formas de distribuir carinho III
As formas de distribuir carinho IV
As formas de distribuir carinho V
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Agressividade infantil
Muitos pais queixam-se que os filhos ainda bebés mostram agressividade, que se chateiam batem nos amiguinhos, por vezes nos pais, mordem, dão pontapés, mostram-se descontrolados. O Leo tem agido um bocadinho desta forma, ainda muito levemente... quando algo não corre como deseja ele levanta o braço e tenta acertar-me, bate o pé, chora com raiva. Eu tento controlar a situação falando com ele, explicando-lhe que assim não vai a lado nenhum e até agora tem resultado. Ele chega a chatear-se e depois olha para mim e abana a cabeça a dizer que não, ou seja, acho que está no bom caminho :) Embora saiba que este é o prenuncio de que a época das Birras está a caminho...
Isto leva-me a concluir que a agressividade nasce connosco, tal como o sentimento de afecto, amor e carinho. Manifestando-se de forma descontrolada, na sua forma virgem e inocente e precisa ser treinada, ensinada. É um sentimento normal e relativamente comum em crianças pequenas (entre os 1 e 3 anos).
O importante é termos noção que ninguém nasce capaz de dominar a sua agressividade, as crianças não aprenderam ainda a controlar os seus sentimentos e reacções, especialmente a frustração e a raiva que dela decore.
Reacções agressivas devem ser esperadas de vez em quando em crianças pequenas, ela pode usá-las como forma de demonstrar os seus sentimentos de desagrado, raiva, ciúme, ansiedade e até para chamar a atenção, temos que ficar atentos é se essa conduta persiste como única forma de a criança se expressar. Nesse caso, é momento de buscar caminhos para ajudar a criança, pois algo não está bem com o seu desenvolvimento.
Uma criança que não é ajudada, orientada neste processo de controlo dos seus sentimentos pode desenvolver problemas de socialização, de relacionamento, auto-estima e desempenho nas actividades físicas e psicológicas que lhe possam propor.
O que poderemos então fazer para desde cedo ensinar os pequenos a demonstrar de uma forma mais pacifica o seu desagrado, controlando a agressividade?
Já referi em outro post da necessidade de dizer "não" e de sermos firmes. Sermos firmes, fazendo uso da nossa autoridade, conversando com eles calmamente as vezes que forem necessárias, segurar-lhe nas mãozinhas de forma firme mas não com força e olhar-lhe nos olhos, para que desta forma a criança perceba o nosso desagrado.
Conhecer a causa da agressividade pode ser uma grande ajuda, de forma a contornar a situação evitando o desencadear desse comportamento.
A criança tem que, com a nossa ajuda, começar a entender que magoa os outros com o seu descontrolo (palmadas, mordidas, arranhões).
Como o Leo ainda não deu muitos problemas não sei qual a melhor forma de lidar com a situação, até hoje foi suficiente conversar mostrando o meu desagrado, mas se a situação ficar mais descontrolada?
A pedagogia infantil deixa algumas dicas e sugestões:
"Se a criança persistir com os sentimentos descontrolados de agressividade:
Como acontece com vocês? Como demonstram aos vossos pequenos estes sentimentos? O que fazem para os ensinar a controlá-los? Deixem a vossa história, pois poderá ser uma grande ajuda para mim e outras mães que estão agora no inicio desta viagem.
Um óptimo dia por todos
Isto leva-me a concluir que a agressividade nasce connosco, tal como o sentimento de afecto, amor e carinho. Manifestando-se de forma descontrolada, na sua forma virgem e inocente e precisa ser treinada, ensinada. É um sentimento normal e relativamente comum em crianças pequenas (entre os 1 e 3 anos).
O importante é termos noção que ninguém nasce capaz de dominar a sua agressividade, as crianças não aprenderam ainda a controlar os seus sentimentos e reacções, especialmente a frustração e a raiva que dela decore.
Reacções agressivas devem ser esperadas de vez em quando em crianças pequenas, ela pode usá-las como forma de demonstrar os seus sentimentos de desagrado, raiva, ciúme, ansiedade e até para chamar a atenção, temos que ficar atentos é se essa conduta persiste como única forma de a criança se expressar. Nesse caso, é momento de buscar caminhos para ajudar a criança, pois algo não está bem com o seu desenvolvimento.
Uma criança que não é ajudada, orientada neste processo de controlo dos seus sentimentos pode desenvolver problemas de socialização, de relacionamento, auto-estima e desempenho nas actividades físicas e psicológicas que lhe possam propor.
O que poderemos então fazer para desde cedo ensinar os pequenos a demonstrar de uma forma mais pacifica o seu desagrado, controlando a agressividade?
Já referi em outro post da necessidade de dizer "não" e de sermos firmes. Sermos firmes, fazendo uso da nossa autoridade, conversando com eles calmamente as vezes que forem necessárias, segurar-lhe nas mãozinhas de forma firme mas não com força e olhar-lhe nos olhos, para que desta forma a criança perceba o nosso desagrado.
Conhecer a causa da agressividade pode ser uma grande ajuda, de forma a contornar a situação evitando o desencadear desse comportamento.
A criança tem que, com a nossa ajuda, começar a entender que magoa os outros com o seu descontrolo (palmadas, mordidas, arranhões).
Como o Leo ainda não deu muitos problemas não sei qual a melhor forma de lidar com a situação, até hoje foi suficiente conversar mostrando o meu desagrado, mas se a situação ficar mais descontrolada?
A pedagogia infantil deixa algumas dicas e sugestões:"Se a criança persistir com os sentimentos descontrolados de agressividade:
- Mostrar desagrado, colocando-a no berço ou chão se já caminhar.
- Evitar deixar o seu filho ou aluno, machucar o amigo ou o irmão. No caso de isso acontecer, separar as crianças e atender primeiro o que foi ofendido. Isso mostra ao brigão que ele perde sua atenção quando age agressivamente.
- Nunca promover a vingança da vítima pois você estará passando a idéia de que a agressividade é permitida como revide, criando um círculo vicioso. No lugar disso, quando a situação é repetitiva, eleger uma conseqüência negativa:
- Não dar atenção por alguns minutos, sempre ensina muito mais do que gritos ou palmadas.
- Se apesar de seus esforços, o comportamento agressivo persistir, é melhor procurar um especialista ou o recomendar aos pais, se você for o(a) professor(a) da criança."
Como acontece com vocês? Como demonstram aos vossos pequenos estes sentimentos? O que fazem para os ensinar a controlá-los? Deixem a vossa história, pois poderá ser uma grande ajuda para mim e outras mães que estão agora no inicio desta viagem.
Um óptimo dia por todos
domingo, 17 de outubro de 2010
Babies - o filme
O desenvolvimento de 4 bebés dos 4 cantos do mundo. Um documentário delicioso, vi este filme este fim de semana e recomendo.
Há muitas formas de ter e cuidar dos filhos, dependendo da cultura em que estamos inserido, mas uma é sem duvida universal: com carinho e dedicação...
Gostei do filme pois mostra os extremos do mundo em que vivemos, que embora tão diferente consegue levar a cabo a criação de vida :)
Fez-me questionar a forma como por vezes tratamos os nossos bebés como seres tão frágeis, mas que afinal conseguem ser tão fortes. E como para um bebé ser feliz basta a segurança de quem cuida dele... e nós que caímos tantas vezes em materialismos desnecessários...
Bebés que nascem em diferentes culturas, diferentes princípios, diferentes oportunidades... mas que nunca perdem aquele olhar adorável que lhe conhecemos :)
Official Trailer
Há muitas formas de ter e cuidar dos filhos, dependendo da cultura em que estamos inserido, mas uma é sem duvida universal: com carinho e dedicação...
Gostei do filme pois mostra os extremos do mundo em que vivemos, que embora tão diferente consegue levar a cabo a criação de vida :)
Fez-me questionar a forma como por vezes tratamos os nossos bebés como seres tão frágeis, mas que afinal conseguem ser tão fortes. E como para um bebé ser feliz basta a segurança de quem cuida dele... e nós que caímos tantas vezes em materialismos desnecessários...
Bebés que nascem em diferentes culturas, diferentes princípios, diferentes oportunidades... mas que nunca perdem aquele olhar adorável que lhe conhecemos :)
Official Trailer
sábado, 16 de outubro de 2010
É brincando que se aprende
Hoje deixo aqui um texto que me fez pensar e que gostaria de partilhar com vocês. :)
Este texto de Rubem Alves, retirado do livro "O desejo de ensinar e a arte de aprender", leva-nos a viajar por outras ideias, leva-nos a reflectir sobre coisas que muitas vezes esquecemos, pois o turbilhão desta vida nos distrai destes pensamentos. Espero que gostem...
Qualquer coisa pode ser um brinquedo. Não é preciso que seja comprado em lojas. Na verdade, muitos dos brinquedos que se vendem em lojas não são brinquedos precisamente por não oferecerem desafio algum. Que desafio existe numa boneca que fala quando se aperta a sua barriga? Que desafio existe num carrinho que anda ao se apertar um botão? Como os brinquedos do professor Pardal, eles logo perdem a graça. Mas um cabo de vassoura vira um brinquedo se ele faz um desafio: “Vamos, equilibre-me em sua testa!”. Quando eu era menino, eu e meus amigos fazíamos competições para saber quem era capaz de equilibrar um cabo de vassoura na testa por mais tempo. O mesmo acontece com uma corda no momento em que ela deixa de ser coisa para se amarrar e passa a ser coisa de se pular. Laranjas podem ser brinquedos? Meu pai era um mestre em descascar laranjas sem arrebentar a casca e sem ferir a laranja. Para o meu pai, a laranja e o canivete eram brinquedos. Eu olhava para ele e tinha inveja. Assim, tratei de aprender. E, ainda hoje, quando vou descascar uma laranja, ela vira brinquedo nas minhas mãos ao me desafiar: “Vamos ver se você é capaz de tirar a minha casca sem me ferir e sem deixar que ela arrebente...”.
Há brinquedos que são desafios ao corpo, à sua força, habilidade, paciência... E há brinquedos que são desafios à inteligência. A inteligência gosta de brincar. Brincando ela salta e fica mais inteligente ainda. Brinquedo é tônico para a inteligência. Mas se ela tem de fazer coisas que não são desafios, ela fica preguiçosa e emburrecida".
Perante um mundo tão materialista como aquele em que vivemos, as publicidades, as cores os sons... somos levados por vezes a comprar brinquedos aos nossos pequenos que acabam por ser diversão de poucos minutos. São bonitos, coloridos mas enfadonhos, não dão desafios...
Este texto de Rubem Alves, retirado do livro "O desejo de ensinar e a arte de aprender", leva-nos a viajar por outras ideias, leva-nos a reflectir sobre coisas que muitas vezes esquecemos, pois o turbilhão desta vida nos distrai destes pensamentos. Espero que gostem...
"É brincando que se aprende"
O professor Pardal gostava muito do Huguinho, Zezinho e Luizinho, e queria fazê-los felizes. Inventou, então, brinquedos que os fariam felizes sempre, brinquedos que davam certo sempre: uma pipa que voava sempre, um pião que rodava sempre e um taco de basebol que acertava sempre na bola. Os três patinhos ficaram felicíssimos ao receber os presentes e se puseram logo a brincar com seus brinquedos que funcionavam sempre. Mas a alegria durou pouco. Veio logo o enfado. Porque não existe nada mais sem graça que um brinquedo que dá certo sempre. Brinquedo, para ser brinquedo, tem de ser um desafio. Um brinquedo é um objeto que, olhando para mim, me diz: “Veja se você pode comigo!”. O brinquedo me põe à prova. Testa as minhas habilidades. Qual é a graça de armar um quebra-cabeças de 24 peças? Pode ser desafio para uma criança de 3 anos, mas não para mim. Já um quebra-cabeças de 500 peças é um desafio. Eu quero juntar as suas peças! E, para isso, sou capaz de gastar meus olhos, meu tempo, minha inteligência, meu sono...Qualquer coisa pode ser um brinquedo. Não é preciso que seja comprado em lojas. Na verdade, muitos dos brinquedos que se vendem em lojas não são brinquedos precisamente por não oferecerem desafio algum. Que desafio existe numa boneca que fala quando se aperta a sua barriga? Que desafio existe num carrinho que anda ao se apertar um botão? Como os brinquedos do professor Pardal, eles logo perdem a graça. Mas um cabo de vassoura vira um brinquedo se ele faz um desafio: “Vamos, equilibre-me em sua testa!”. Quando eu era menino, eu e meus amigos fazíamos competições para saber quem era capaz de equilibrar um cabo de vassoura na testa por mais tempo. O mesmo acontece com uma corda no momento em que ela deixa de ser coisa para se amarrar e passa a ser coisa de se pular. Laranjas podem ser brinquedos? Meu pai era um mestre em descascar laranjas sem arrebentar a casca e sem ferir a laranja. Para o meu pai, a laranja e o canivete eram brinquedos. Eu olhava para ele e tinha inveja. Assim, tratei de aprender. E, ainda hoje, quando vou descascar uma laranja, ela vira brinquedo nas minhas mãos ao me desafiar: “Vamos ver se você é capaz de tirar a minha casca sem me ferir e sem deixar que ela arrebente...”.
Há brinquedos que são desafios ao corpo, à sua força, habilidade, paciência... E há brinquedos que são desafios à inteligência. A inteligência gosta de brincar. Brincando ela salta e fica mais inteligente ainda. Brinquedo é tônico para a inteligência. Mas se ela tem de fazer coisas que não são desafios, ela fica preguiçosa e emburrecida".
Perante um mundo tão materialista como aquele em que vivemos, as publicidades, as cores os sons... somos levados por vezes a comprar brinquedos aos nossos pequenos que acabam por ser diversão de poucos minutos. São bonitos, coloridos mas enfadonhos, não dão desafios...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Noites mal dormidas
Quando engravidei e dei a noticia, das primeiras coisas que ouvi foi "Dorme muito agora que depois acabou" eu na altura não levei muito a sério. Mas na verdade faz já mais de 1 ano que não durmo uma noite seguida. Nos primeiros três meses era aquele acordar de 2 em 2 horas, na melhor das hipóteses, para a hora do leitinho. É muito complicada esta fase, ficamos exaustas, vivemos sonâmbulas... a cabeça deixa de funcionar direito... mas depois começa-se a entrar no ritmo e o nosso bebé começa também a dormir um pouco melhor. O Leo é um bebé que quase sempre dormiu muito bem, apesar de acordar durante a noite, um miminho ou por vezes um pouco de leitinho da mamã adormecia de seguida.
Mas depois de uns meses a conseguir dormir 5 horas seguidas, por vezes 6 voltamos à estaca zero :( Pois é, ando cansada e com um monte de noites mal dormidas em cima.
Foram as vacinas que o deixaram um pouco adoentado, foi o nascimento do primeiro dentinho, (na semana passada) teve febre, precisou de mais miminho e eu dei, claro. Agora já não tem febre nem dores mas acorda muito durante a noite, antes acordava bebia o leitinho e adormecia, agora acorda o dobro das vezes bebe o leitinho e não quer adormecer, chora muito assim que o deito na cama... :( tenho que o dormir no colo... o que se está a tornar muito cansativo e doloroso para as minhas costas (pois não quer que eu me deite abraçada a ele, tem que ser de pé. :S
Espero mesmo que seja uma fase pois não gosto de estar assim, cansada acabo por ficar irritada e sem paciência o que ao mesmo tempo me deixa triste...
Antes desta fase, menos boa, o Leo bebia o ultimo leite pelas 20h e só voltava outra vez a mamar pelas 5 da manhã, agora voltou a beber 2 a 3 vezes ao meio da noite. Tenho lido que estas mamadas já não são necessárias que até podem ser prejudiciais para os dentinhos dele. Mas ele pede, o que posso eu fazer?? E agora que ele já fala bastante, acorda e grita do quarto "lête, lête" :) E lá vou eu ainda meia a dormir...
E vocês? Mamãs que amamentam, como foi ou como estão a ser as mamadas nocturnas? Acham que devia fazer alguma coisa para as eliminar? Se ele perder o hábito de mamar de noite será que dormirá mais e melhor?
Hoje fica aqui o desabafo e as duvidas de uma mamã que devia aproveitar para ir dormir um soninho... Porque pais descansados têm mais energia, paciência e tempo para dedicar aos filhos, não é verdade?
Mas depois de uns meses a conseguir dormir 5 horas seguidas, por vezes 6 voltamos à estaca zero :( Pois é, ando cansada e com um monte de noites mal dormidas em cima.
Foram as vacinas que o deixaram um pouco adoentado, foi o nascimento do primeiro dentinho, (na semana passada) teve febre, precisou de mais miminho e eu dei, claro. Agora já não tem febre nem dores mas acorda muito durante a noite, antes acordava bebia o leitinho e adormecia, agora acorda o dobro das vezes bebe o leitinho e não quer adormecer, chora muito assim que o deito na cama... :( tenho que o dormir no colo... o que se está a tornar muito cansativo e doloroso para as minhas costas (pois não quer que eu me deite abraçada a ele, tem que ser de pé. :S
Espero mesmo que seja uma fase pois não gosto de estar assim, cansada acabo por ficar irritada e sem paciência o que ao mesmo tempo me deixa triste...
Antes desta fase, menos boa, o Leo bebia o ultimo leite pelas 20h e só voltava outra vez a mamar pelas 5 da manhã, agora voltou a beber 2 a 3 vezes ao meio da noite. Tenho lido que estas mamadas já não são necessárias que até podem ser prejudiciais para os dentinhos dele. Mas ele pede, o que posso eu fazer?? E agora que ele já fala bastante, acorda e grita do quarto "lête, lête" :) E lá vou eu ainda meia a dormir...
E vocês? Mamãs que amamentam, como foi ou como estão a ser as mamadas nocturnas? Acham que devia fazer alguma coisa para as eliminar? Se ele perder o hábito de mamar de noite será que dormirá mais e melhor?
Hoje fica aqui o desabafo e as duvidas de uma mamã que devia aproveitar para ir dormir um soninho... Porque pais descansados têm mais energia, paciência e tempo para dedicar aos filhos, não é verdade?
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Influência dos rótulos
O M foi o primeiro menino da família até então só existiam duas meninas, a "inteligente" e a "mimada". O M tem desde bebé uma cara de menino que não deixa nada passar ao lado, mesmo ainda bem pequeno era-lhe dito "tens cá um ar de traquina!" e M é hoje realmente uma criança traquina. Não é mau, pelo contrário é bem amoroso mas quando tem em mente fazer alguma coisa, mesmo que não seja momento para isso, ele faz. Faz tudo para obter o que quer e brinquedos com ele não duram inteiros por muito tempo - o verdadeiro traquina da família.No meu ano de estágio como professora estava bastante ansiosa e um pouco nervosa com o aproximar do inicio das aulas, uma semana antes da abertura oficial tive uma reunião com os outros professores da turma que eu iria acompanhar sozinha. A reunião foi terrível, sai de lá ainda mais nervosa, com medo de ser devorada com a turma que me tinha calhado na rifa. A reunião foi macabra... acreditem. A directora de turma começou a apresentar a turma dizendo coisas do género: a aluna nº1 é muito boa aluna mas "respondona"; a número 2 nunca trabalha é um "caso perdido"; o nº3 é um "coitadinho", pai na prisão e a mãe alcoólica; o nº 4 muita atenção não dar confiança porque ele é "terrível";
Pois, podem não acreditar, mas foi mesmo assim... Eu lamentei o número de repetentes e alunos com dificuldades, mesmo antes de os conhecer, eles já eram um problema para mim, eram todos rotulados. Na altura fiquei muito em baixo, mas hoje fico chocada com a atitude daquela professora, com a atitude de muitos adultos, pois colocar rótulos não é assim tão raro, acontece na escola e também em casa, em família.
Tenho muito para aprender mas ao analisar estas situações tornei-me mais atenta e olho de forma mais individualizada para cada criança, antes de ser influenciada por qualquer rótulo que esteja já vinculado ou possa entretanto surgir.
"Trapalhona", "traquina", "mimada" para o carácter ou "trinca-espinhas", "molengão" para a condição física são rótulos que podem de certa forma condicionar o comportamento e trazer consequências futuras. O desenvolvimento emocional da criança pressupõe uma série de etapas, onde a valorização de seu eu é determinante para o sucesso das suas relações sociais.
Uma criança que é desvalorizada, por estar sujeita a determinado rótulo negativo, terá certamente mais dificuldades em ultrapassar situações de convívio.
Muitas doenças do foro psicológico têm origem nos comportamentos de pais e educadores. Colocar rótulos é um deles, estes vinculam complexos de inferioridade ou de superioridade e crescem com as crianças.
A criança que é "traquinas", habitua-se a sê-lo. Se todos a classificam como tal, ela interioriza essa característica como sua, correspondendo às expectativas dos que a rodeiam. Deixa de confiar na suas capacidades, de corrigir e de ultrapassar as dificuldades. Se a distinguem pela negativa, a criança sofre de incompetência e pode mesmo sentir-se sinónimo de fracasso.
No caso dos pais que tratam os filhos como uns "pequenos génios" estão a transmitir-lhes expectativas que deviam guardar para si. Esta criança crescerá a pensar que é o melhor e não saberá lidar com a frustração e o insucesso quando este surgir.
Os rótulos colocados desde criança passam em muitos dos casos a fazer parte do intimo do individuo e vive com ele. Colocar rótulos é fácil difícil é retirá-los.
Assim da próxima vez que estiver próximo a colocar ou reforçar um rótulo pense duas vezes antes de o fazer...
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Onde está o Bebé??? Está aqui!!!
Se existem fenómenos universais e transculturais, um deles é sem duvida a maneira como os pais comunicam com os seus bebés. Existem imensas brincadeiras que podem ser observadas nas famílias da China às tribos da América Latina, em Portugal e na Alemanha.... Até no filme a Idade do Gelo... :)
Esconder a cara com as mãos ou com um lenço e reaparecer com um "Té-té!", um "Cu-Cu!" ou ainda um "Estouuuu Aquiiii" é uma cena obrigatória em qualquer casa, tenda ou acampamento onde haja um bebé. E não é por acaso que todos os pais e todos os bebés do mundo brincam desta maneira. É que até aqui os especialistas trabalharam, é verdade!!! O jogo do "Cu-Cu!" segundo eles, contribui decisivamente para o desenvolvimento psico-social do bebé: ajuda-o a lidar com a ansiedade da separação, quando a mãe vai embora; ajuda-o a perceber que os objectos e as pessoas não deixam de existir quando desaparecem da sua vista; ajuda-o a descobrir regras de convivência social e de conversação; e até a treinar a concentração, que é fundamental para a aprendizagem.
E eu a pensar, desde que o Leo nasceu, que estava a fazer mais uma das minhas figurinhas :)
Agora já sabe: quando estiver a fazer "Cu-Cu!" com o seu bebé, está a fazer muito mais do que uma simples brincadeira... O assunto é sério! :)
Esconder a cara com as mãos ou com um lenço e reaparecer com um "Té-té!", um "Cu-Cu!" ou ainda um "Estouuuu Aquiiii" é uma cena obrigatória em qualquer casa, tenda ou acampamento onde haja um bebé. E não é por acaso que todos os pais e todos os bebés do mundo brincam desta maneira. É que até aqui os especialistas trabalharam, é verdade!!! O jogo do "Cu-Cu!" segundo eles, contribui decisivamente para o desenvolvimento psico-social do bebé: ajuda-o a lidar com a ansiedade da separação, quando a mãe vai embora; ajuda-o a perceber que os objectos e as pessoas não deixam de existir quando desaparecem da sua vista; ajuda-o a descobrir regras de convivência social e de conversação; e até a treinar a concentração, que é fundamental para a aprendizagem.
E eu a pensar, desde que o Leo nasceu, que estava a fazer mais uma das minhas figurinhas :)
Agora já sabe: quando estiver a fazer "Cu-Cu!" com o seu bebé, está a fazer muito mais do que uma simples brincadeira... O assunto é sério! :)
domingo, 3 de outubro de 2010
Ensinar a brincar
Porque é também a brincar que os nossos filhos comunicam , porque é a brincar que os nossos filhos aprendem os princípios de interacção social, a explorar sentimentos, a desenvolver causa e efeito, a estimular a criatividade e a imaginação; porque eles não nascem ensinados; porque nos dias de hoje as crianças têm tantos estímulos, tantos brinquedos, tantas distracções que precisam ajuda para saberem brincar. E porque brincar com uma criança é fazer parte do seu mundo, transmitir regras, valores; garantir a nossa presença e a nossa protecção.
O Leo começou faz pouco tempo a brincar por maiores períodos de tempo sozinho, ele explora os brinquedos, bate com eles, enfia uns dentro de outros, é uma delicia observá-lo a brincar. Passo bastante parte do dia dedicada exclusivamente a brincar com ele, a ver um livro ou a cantar.
Ele tem uns carrinhos com uns bonecos tipo playmobil com os quais passa imenso tempo, um dia destes fiz de conta que os bonecos andavam sobre o tapete, meti-os no carro e fiz brumm brumm com eles :) e agora o Leo faz igual é tão amoroso. É tão bom vê-lo a crescer e a ser mais capaz... Isto me fez pensar que toda a criança necessita de brincar para aprender, para saber lidar e entender o mundo que a rodeia. Brincar ajuda-as nas suas frustrações, alivia o stress, ajuda a solucionar problemas que possam vir a surgir na vida real. É essencial que nós, pais, intervenhamos junto deles, interagindo nas suas brincadeiras, acabando por os ensinar a brincar. Mas para tal, temos acima de tudo saber chegar aos nossos filhos, saber brincar com eles, voltar nós mesmos a ser novamente crianças, acordar as lembranças da nossa infância. Fazer a viagem ao mundo deles e ajudá-los nessa exploração. O que não podemos deixar de fazer é de brincar e interagir com os nossos pequenos.
Não deixemos de brincar com eles com medo de perder a nossa autoridade pois a brincar além de proporcionarmos um momento agradável entre pais e filhos podemos criar regras ou limites e competições saudáveis.
E certamente vão concordar comigo quando digo que não há nada que suscite maior prazer que ver o nosso filho a brincar de forma harmoniosa, alegre e divertida.
Vamos ser crianças, vamos brincar muito, fazer muitas "figuras tristes" :) mas acima de tudo brincar, fazer com que os nossos filhos se sintam felizes por poderem contar connosco.
O Leo começou faz pouco tempo a brincar por maiores períodos de tempo sozinho, ele explora os brinquedos, bate com eles, enfia uns dentro de outros, é uma delicia observá-lo a brincar. Passo bastante parte do dia dedicada exclusivamente a brincar com ele, a ver um livro ou a cantar.
Ele tem uns carrinhos com uns bonecos tipo playmobil com os quais passa imenso tempo, um dia destes fiz de conta que os bonecos andavam sobre o tapete, meti-os no carro e fiz brumm brumm com eles :) e agora o Leo faz igual é tão amoroso. É tão bom vê-lo a crescer e a ser mais capaz... Isto me fez pensar que toda a criança necessita de brincar para aprender, para saber lidar e entender o mundo que a rodeia. Brincar ajuda-as nas suas frustrações, alivia o stress, ajuda a solucionar problemas que possam vir a surgir na vida real. É essencial que nós, pais, intervenhamos junto deles, interagindo nas suas brincadeiras, acabando por os ensinar a brincar. Mas para tal, temos acima de tudo saber chegar aos nossos filhos, saber brincar com eles, voltar nós mesmos a ser novamente crianças, acordar as lembranças da nossa infância. Fazer a viagem ao mundo deles e ajudá-los nessa exploração. O que não podemos deixar de fazer é de brincar e interagir com os nossos pequenos.
Não deixemos de brincar com eles com medo de perder a nossa autoridade pois a brincar além de proporcionarmos um momento agradável entre pais e filhos podemos criar regras ou limites e competições saudáveis.
E certamente vão concordar comigo quando digo que não há nada que suscite maior prazer que ver o nosso filho a brincar de forma harmoniosa, alegre e divertida.
Vamos ser crianças, vamos brincar muito, fazer muitas "figuras tristes" :) mas acima de tudo brincar, fazer com que os nossos filhos se sintam felizes por poderem contar connosco.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Importância dos hábitos de leitura - Efeito de Mateus
A leitura tem consequências cognitivas que vão além da aquisição de conhecimento e compreensão de determinado fenómeno ou situação. Existem evidências e estudos realizados que revelam que a quantidade de leitura na infância (independentemente da qualidade, aliás) tem consequencias mensuráveis no nível de inteligência do adulto. E quanto mais cedo a criança adquirir o hábito de ler maiores e melhores são as consequências.
A influência da leitura no desenvolvimento cognitivo do individuo foi esclarecido através do "Efeito de Mateus do desempenho escolar" por Stanovich, 1986.
O efeito Mateus retoma uma parábola bíblica do senhor que chamou os seu servos, dando a um 5 talentos, a outro 2 e ao terceiro 1 talento e recomendando que os fizessem frutificar. O que recebeu 5, trabalhou e conseguiu outros 5. O que recebeu 2 agiu do mesmo modo e conseguiu 4. O que recebeu 1, com medo que o roubassem foi escondê-lo debaixo da terra. O senhor regressou, chamou os servos e pediu-lhes contas pelos talentos dados. O que tinha recebido 5 apresentou 10; o que tinha recebido 2 apresentou 4; o que recebera 1 apresentou-o e devolveu-o. E então o senhor louvou os que tinham duplicado os talentos. E pegou no talento que tinha estado enterrado e ordenou: – Tirai--lhe o talento e dai-o ao que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. (Mateus, 25, 28-29)
Uma criança que cresce junto com livros desde cedo é incentivada a aprender a ler e tendo esta capacidade terá interesse em ler mais e mais, o que será determinante para o desenvolvimento das suas capacidades cognitivas. O sucesso inicial é uma das chaves que abre uma vida de hábitos de leitura. O exercício posterior desses hábitos servem para desenvolver a capacidade de compreensão da leitura numa lógica de feedback-positivo. As Crianças sem esses hábitos e com dificuldades em adquiri-los vão manter-se num nível de desenvolvimento anterior. Quanto mais e melhor se lê mais se quer ler.
Mais sobre o assunto podem ver neste interessante artigo que aconselho a leitura: What Reading Does for the Mind de Anne E. Cunningham e Keith E. Stanovich.
E mais posso acrescentar: "Ler muito e muito bem. Dá saúde e faz crescer"
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Amamentar até quando?
Pois é meus amigos e minhas amigas desde este fim de semana que sou oficialmente uma "Ave-rara". E isto porquê? Porque o Leo fez um ano e eu continuo a amamentar :)
Para muita gente amamentar até aos 6 meses é normal, amamentar até ao 1º ano é para quem não tem mais nada para fazer na vida, mas amamentar depois de o bebé fazer um ano já é muito mais além... só mesmo para aves-raras!!! É uma pena que exista gente assim...
Compreendo quem tenha que deixar de amamentar cedo devido ao trabalho não permitir conciliar as duas coisas. Mas eu posso fazê-lo e quero, mesmo que para isso passe para o clube das aves-raras. :) que pelo o que a minha experiência me tem mostrado não é um clube assim tão pequeno e ainda bem.
Amamentar um bebé só tem vantagens tanto para o bebé como para a mãe. O inicio é muitas vezes complicado para ambos mas muita força de vontade e apoio de gente especializada e com experiência consegue-se. Sei que por vezes falta o apoio e o biberão e o leite em pó são uma solução desesperada de acalmar o bebé, criando assim mais obstáculos para que tenha sucesso na amamentação. Temos que ser firmes e persistentes..é difícil, por vezes doí, estamos cansadas, mas temos que acreditar e ir em frente.
A partir do momento que o bebé e a mãe estão adaptados é só seguir em frente. Mas depois surge a questão: Amamentar até quando?Já faz algum tempo que sou confrontada com o facto de amamentar, imensa gente me pergunta: "Ainda amamentas?"," Vais amamentar até quando?" e eu respondo "Até quando ele quiser." e as pessoas olham para mim com um ar de estranheza. Não dizem que faço mal e que devo parar mas fazem piadas com a situação, do tipo: "Quando ele for para a universidade lá vai ela atrás para dar de mamar.." como é possível que nos dias de hoje em que já é mais que provado que o leite materno é o melhor que não existe formula de leite tão boa como esta, ainda soframos com esta pressão social... a qual eu gosto mais de chamar pressão preconceituosa...
Eu vou amamentar até que seja confortável para os dois, por enquanto estamos muito bem :) ... o leitinho da mamã basta eu digo mesmo não a outro tipo de leite e farinhas lácteas... e não faltam argumentos para me sentir segura de que é o melhor a fazer, não há como negar os benefícios da amamentação dita prolongada, embora eu não a rotule assim, pois não existe um período ideal para o desmame, como não há um método. É fundamental considerar as condições específicas de cada criança, de cada mãe, de cada família, sem levar em conta a pressão social pelo desmame.
(in: http://www.amigasdopeito.org.br/?p=830)
Amamentar crianças maiores têm benefício nutricional
Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida da criança continua sendo uma importante fonte de nutrientes, especialmente de proteína, gorduras e vitaminas.
Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida da criança continua sendo uma importante fonte de nutrientes, especialmente de proteína, gorduras e vitaminas.
No segundo ano de vida, 500ml de leite materno proporciona à criança: 95% do total de vitamina C necessário
45% do total de vitamina A necessária, 38% do total de proteína necessária, 31% de caloria do total necessária.
45% do total de vitamina A necessária, 38% do total de proteína necessária, 31% de caloria do total necessária.
Alguns médicos podem pensar que a amamentação vai interferir em relação ao apetite da criança para outros alimentos. Contudo não existem pesquisas indicando que a criança amamentada têm maior tendência a recusar outros alimentos que a criança que já desmamou. Na verdade, a maioria dos pesquisadores em países subdesenvolvidos, onde o apetite de uma criança desnutrida pode ser de importância vital, recomendam que a amamentação continue para crianças com desnutrição severa.
Crianças maiores que ainda amamentam adoecem menos
Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam recebendo os benefícios da imunidade.
Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam recebendo os benefícios da imunidade.
Claro que em boas condições de saúde, o desmame não é uma questão de vida ou morte, mas a amamentação por mais tempo pode significar menos idas ao pediatra. Crianças entre 16 e 30 meses, que ainda são amamentadas, adoecem menos e por menos tempo que as que não são.
Crianças amamentadas têm menos alergias
Está bem documentado que quanto mais tarde se introduz leite de vaca e outros alimentos alergênicos, menos provavelmente essas crianças vão apresentar reações alérgicas.
Está bem documentado que quanto mais tarde se introduz leite de vaca e outros alimentos alergênicos, menos provavelmente essas crianças vão apresentar reações alérgicas.
Crianças amamentadas são mais espertas
Crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas . Os autores desse estudo, que acompanhou crianças até os 18 anos descobriram que quanto mais tempo as crianças são amamentadas, maiores as notas que recebem nas avaliações.
Crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas . Os autores desse estudo, que acompanhou crianças até os 18 anos descobriram que quanto mais tempo as crianças são amamentadas, maiores as notas que recebem nas avaliações.
Crianças amamentadas são mais ajustadas socialmente
Um estudo com bebês amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período de amamentação o ajustamento social em crianças de 6 a 8 anos de idade. Nas palavras dos pesquisadores: “Existem tendências estatísticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação”. Mamar durante a infância ajuda bebês e crianças a fazer uma transição gradual. Amamentação é um amoroso jeito de atender as necessidades dasa crianças e bebês. Ajuda a superar as frustrações, quedas e machucados e o stress diario da infância.
Um estudo com bebês amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período de amamentação o ajustamento social em crianças de 6 a 8 anos de idade. Nas palavras dos pesquisadores: “Existem tendências estatísticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação”. Mamar durante a infância ajuda bebês e crianças a fazer uma transição gradual. Amamentação é um amoroso jeito de atender as necessidades dasa crianças e bebês. Ajuda a superar as frustrações, quedas e machucados e o stress diario da infância.
Atender as necessidades de dependência da criança, de acordo com o tempo único de cada criança é a chave para ajudar a criança a alcançar sua independência. Crianças que conquistam sua independência em seu próprio ritmo são mais seguras dessa independência que as crianças forçadas a isso prematuramente.
Amamentar crianças maiores é normal
A “American Academy of Pediatrics” recomenda que as crianças sejam amamentadas por ao menos todo o primeiro ano de vida, e por mais tempo se a mãe e o bebê quiserem. A Organização Mundial de Saúde reforça a importância de amamentar até os dois anos de vida ou mais. A média de idade de desmame, em todo o mundo é de 4,2 anos.
A “American Academy of Pediatrics” recomenda que as crianças sejam amamentadas por ao menos todo o primeiro ano de vida, e por mais tempo se a mãe e o bebê quiserem. A Organização Mundial de Saúde reforça a importância de amamentar até os dois anos de vida ou mais. A média de idade de desmame, em todo o mundo é de 4,2 anos.
Mães que amamentam por mais tempo também são beneficiadas
· A amamentação prolongada pode diminuir a fertilidade e suprimir a ovulação em algumas mulheres
· A amamentação reduz o risco de câncer de ovário
· A amamentação reduz o risco de câncer de útero
· A amamentação reduz o risco de câncer de câncer de endométrio
· A amamentação protege contra osteoporose. Durante a amamentação a mulher experimenta uma diminuição na densidade óssea. A densidade óssea de uma mãe que está amamentando pode ser reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta e pode até ter um aumento, qaundo o bebê é desmamado. Isso não depende de um suplemento adicional na alimentação da mãe.
· A amamentação prolongada pode diminuir a fertilidade e suprimir a ovulação em algumas mulheres
· A amamentação reduz o risco de câncer de ovário
· A amamentação reduz o risco de câncer de útero
· A amamentação reduz o risco de câncer de câncer de endométrio
· A amamentação protege contra osteoporose. Durante a amamentação a mulher experimenta uma diminuição na densidade óssea. A densidade óssea de uma mãe que está amamentando pode ser reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta e pode até ter um aumento, qaundo o bebê é desmamado. Isso não depende de um suplemento adicional na alimentação da mãe.
· A amamentação reduz o risco de alguns tipos de câncer de mama.
· A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética.
. Mães que amamentam têm tendência a perder o peso extra adquirido na gravidez mais facilmente.
· A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética.
. Mães que amamentam têm tendência a perder o peso extra adquirido na gravidez mais facilmente.
Um bom dia para todos :)
sábado, 18 de setembro de 2010
Regras e limites para crianças dos 2 aos 3 anos
Cada criança tem o seu próprio ritmo de crescimento, não é por uma criança começar a andar tarde, aos 3 anos usar fralda, não gostar de comer, principalmente comida saudável, não gostar de partilhar quando brinca com outras crianças e que gostaria de enviar a irmã mais nova de volta para o hospital que não é normal! Cada criança tem o seu tempo para explorar os seus horizontes.
Ela aprende a andar - e a fugir; aprende a falar - e a dizer não; aprende a construir tores - e a deitá-las abaixo; aprende a brincar com outras crianças - e a zangar-se com elas; aprende a comer sozinha- e a atirar com a comida; ela pode abraçar a mãe - ou não quer nada com ela;
Nenhuma criança nesta idade sabe exactamente o que é o bem e o que é o mal, mas uma coisa elas sabem muito bem - analisar em cada situação a atitude dos pais e através desta criar a sua visão do mundo, as suas próprias regras.
Como falei num post anterior, Annette Kast-Zahn no livro "Jedes Kind kann Regeln lernen", propôs um conjunto de regras com as quais os nossos filhos conseguem definir a sua visão do mundo. Todas elas elaboradas do ponto de vista da criança.
Hoje decidi partilhar o que a autora refere acerca das regras para as crianças entre os 2 e ou 3 anos.
Ambos os tipos de regras mencionadas acima têm desvantagens significativas e os pais devem decidir-se por outro caminho, aconselhado pela autora, através do qual a criança aprende a assumir responsabilidades.
A nossa postura perante as atitudes dos nossos filhos são a chave para ao seu desenvolvimento, a criação dos seus limites e regras. Educar criando limites não é fácil, mas é muito importante como pais, sermos firmes e de confiança para os nossos pequenos, porque só assim criaremos indivíduos preparados para enfrentar a sociedade de uma forma equilibrada. E teremos o retorno, os nossos filhos repeitar-nos-ão se, se sentirem por nós respeitados.
Um bom dia para todos
Ela aprende a andar - e a fugir; aprende a falar - e a dizer não; aprende a construir tores - e a deitá-las abaixo; aprende a brincar com outras crianças - e a zangar-se com elas; aprende a comer sozinha- e a atirar com a comida; ela pode abraçar a mãe - ou não quer nada com ela;
Nenhuma criança nesta idade sabe exactamente o que é o bem e o que é o mal, mas uma coisa elas sabem muito bem - analisar em cada situação a atitude dos pais e através desta criar a sua visão do mundo, as suas próprias regras.
Como falei num post anterior, Annette Kast-Zahn no livro "Jedes Kind kann Regeln lernen", propôs um conjunto de regras com as quais os nossos filhos conseguem definir a sua visão do mundo. Todas elas elaboradas do ponto de vista da criança.
Hoje decidi partilhar o que a autora refere acerca das regras para as crianças entre os 2 e ou 3 anos.
- "Eu mando!"
- "Quando eu tiro alguma coisa das mãos de outra criança, eu posso ficar com ela";
- "Quando eu não quero determinada comida, a minha mãe faz outra só para mim";
- "Quando me atiro ao chão e grito, dão-me imediatamente o que eu quero";
- "Eu sei quando preciso ir à casa de banho, mas quando eu me recuso a ir, a mamã limpa-me e veste-me uma fralda nova";
- "Os meus pais mandam com autoridade e rigidez!"
- "Quando eu tiro alguma coisa das mãos de outra criança, levo uma palmada no rabo";
- "Quando eu não quero determinada comida, tenho que a comer à força";
- "Quando eu me atiro ao chão zangado, berram comigo e batem-me";
- "Eu tenho que ficar sentado na sanita até que faça alguma coisa";
Ambos os tipos de regras mencionadas acima têm desvantagens significativas e os pais devem decidir-se por outro caminho, aconselhado pela autora, através do qual a criança aprende a assumir responsabilidades.
- "Quando eu tiro alguma coisa das mãos de outra criança, a mamã tira-me e devolve a quem eu tirei";
- "Quando eu não quero determinada comida, tenho que esperar até à próxima refeição";
- "Quando me atiro ao chão e grito, a minha mãe deixa de me dar atenção";
- " Eu não uso mais fralda mesmo que por vezes faça xixi nas calças";
A nossa postura perante as atitudes dos nossos filhos são a chave para ao seu desenvolvimento, a criação dos seus limites e regras. Educar criando limites não é fácil, mas é muito importante como pais, sermos firmes e de confiança para os nossos pequenos, porque só assim criaremos indivíduos preparados para enfrentar a sociedade de uma forma equilibrada. E teremos o retorno, os nossos filhos repeitar-nos-ão se, se sentirem por nós respeitados.
Um bom dia para todos
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