segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Hellp Sindrome

Como já escrevi aqui o Leo nasceu aos 7 meses num parto de urgência com anestesia geral e cesariana (planos que não estão certamente em nenhuma grávida). Já faz muito tempo que tenho este post em rascunho mas faltava-me a coragem para terminá-lo, pois ainda me é difícil relembrar o que se passou.
No entanto, é algum que acontece não com muita frequência, mas acontece, e acho que se eu tivesse alguma vez lido sobre o assunto talvez as coisas não tivesse corrido de forma tão desesperada. O HELLP Síndrome é uma complicação obstétrica com risco de morte tanto para a grávida como para o bebé que está para nascer. Estima-se que o problema atinja de 0.2% a 0.6% das grávidas (e tinha que me calhar a mim :S).
Mas mesmo sendo tão raro vou deixar aqui o meu testemunho na esperança de que possa servir de informação e apoio a grávidas que possam vir a ter este problema.

A minha gravidez foi planeada, fizemos (eu e o pai) exames para ver se tudo estava bem connosco antes de engravidarmos, toda a gravidez foi seguida por uma obstetra, nunca falhei nenhuma consulta de acompanhamento e tudo corria lindamente, O Leo desenvolvia-se bem e a mamã também estava bem (pensava eu).
Trabalhei até 5 dias antes do o Leo nascer, ia trabalhar de bicicleta e sentia-me bem, mas fiz um erro que acredito que aconteça com muitas grávidas, os pequenos sinais que o meu corpo me dava de que algo não estava bem, eu ignorei...
- Retenção de águas, mãos, pés e pernas inchados: é normal, pensava eu, estou grávida e é Verão, está muito calor (e a obstetra era da mesma opinião);
- Cansaço e dores no corpo quando me levantava de manhã: é normal, pensava eu, estou grávida, são as alterações normais do corpo;
E a isto juntou-se uma mudança de casa aos 6 meses de gravidez, na qual, quando olho para traz, talvez tenha abusado um pouco da minha capacidade, nunca fui de deixar coisas por fazer, de olhar para outros a trabalhar sem ajudar, então eu ia ajudando...
...e esquecia-me eu que estar grávida não é estar doente, mas que estar grávida é sim uma alteração grande no nosso corpo, mas uma alteração em equilíbrio e que mesmo os pequenos desconfortos devem ser levados em conta;

5 dias antes do Leo nascer acordei com uma dor de cabeça bastante forte, não era para ir trabalhar, mas a mãe das 2 crianças que eu tratava ligou-me a pedir para eu ir só 3 horas e eu achei que até seria bom para aliviar... mas estava enganada, nessa mesma noite as dores pioraram e tive que ir para o hospital onde fui internada de imediato. Com a tensão arterial altíssima - 190/140 mmHg. A qual esteve normal até este dia.
O que estava a acontecer comigo nem no hospital sabiam, então fiquei ali 4 dias à espera... sem medicação, simplesmente à espera de ver o que aconteceria.
E o que realmente se estava a passar era muito grave:  A denominação da Hellp Síndrome descreve o que se desencadeava no meu corpo: “H” para hemólise (quebra das hemácias), “EL” para elevação de enzimas hepáticas e “LP” para baixa contagem de plaquetas.
No dia 17 de Setembro senti uma dor muito forte na parte superior da barriga (sintoma característico do síndrome) fizeram-me exames e desconfiaram que seria Hellp síndrome, fui imediatamente transferida de hospital, para um especializado em bebés prematuros.
E depois de alguns exames e de detectarem que o coração do Leo estava alterado, a sofrer com a avalanche dos problemas metabólicos do meu corpo, foi tudo accionado para ele nascer.
O facto de a doença ser rara não existem ainda muitos conhecimentos dos "porquê" e "como" ela se inicia; mas sabe-se que a única coisa que a pode parar e evitar a mortalidade, é a execução do parto. E assim foi, o Leo nasceu...
Fiquei mais 4 dias em cuidados intensivos, 4 longos dias sem ver o Leo como já contei aqui.
Apesar de todos os problemas com que fiquei, problemas renais e pulmonares, dos tratamentos, agulhas e análises sanguíneas sem fim, apesar do tratamento pulmonar que durava 45 minutos com uma mascara presa na cara e que tinha que repetir 6 vezes ao dia nada me custava mais do que não ter visto o meu filho...

Mas estou a escrever isto não é para me lamentar, pois no final tudo correu bem, o Leo desenvolveu muito bem sem problemas e eu também - Sequelas ficaram algumas: um problema renal mas que não é grave, um medo enorme de ter um segundo filho (as hipóteses de voltar a acontecer são muito elevadas, embora os médicos digam que agora é mais fácil pois já sabemos que pode acontecer) e uma magoa de nada ter corrido como uma grávida sempre deseja. Mas elas são tão mínimas quando comparadas com a alegria de viver que tenho desde o dia que peguei o meu filho nos braços.

Aqui vos deixo a minha história e vos dou a conhecer este síndrome, raro mas que afinal não acontece só aos outros. E vista a pouca informação que há do assunto espero que o meu testemunho sem  demasiados termos técnicos possa informar e ajudar alguém.

Os sintomas da doença não são percebidos facilmente e podem ocorrer em qualquer altura da gravidez (eu tive sorte que o Leo já estava capaz de nascer sem problemas, mas infelizmente nem sempre acontece assim) – o que exige o dobro de atenção ao corpo. Todo se inicia silenciosamente com inchaço, aumento da pressão sanguínea e perda de proteína   na urina, esteja atenta à sua gravidez e não menospreze o que sente.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Carta aos meus "amigos virtuais"

Olá queridos "amigos virtuais",

desde os primeiros tempos deste meu cantinho que sempre quis manter um contacto com as pessoas que me seguem, pois vocês dão sentido a toda esta dedicação, que se apoderou de mim e que hoje me faz bem. Adoro partilhar as minhas ideias, adoro debater, interrogar, comentar e "ser comentada". Recebo com muito carinho cada palavrinha vossa, fico feliz quando abro o e-mail e tenho comentários do blogue para ver, mas sinto-me em falta para com vocês. Primeiro porque nem sempre tenho respondido, aos comentários que recebo (o mínimo a que me tinha proposto sem falhar, mas falhei... :(), e segundo porque acho que fui mal educada pois nos últimos tempos nem agradeci e dei as boas vindas aos novos seguidores.
Estive ausente por uns tempos, sem tempo para me dedicar aqui ao meu cantinho, sem tempo para comentar os blogues que eu sigo (mas sempre fui arranjando um tempinho para ler o que vocês foram escrevendo :) ).
Como eu sempre fui seguidora da crença que a falta de tempo é a maior parte das vezes falta de organização e mesmo falta de dedicação, estou desapontada comigo mesma, e sinto-me no dever de pedir desculpa a todos aqueles que me seguem, que lêem e comentam, que lêem e ficam em silêncio, que concordam comigo e que discordam e que tanto me fazem reflectir (não é Cora :) ) Aqueles que me seguem e que eu nem disse "Olá, sejam muito bem vindo!"
DESCULPEM-ME!!
Eu sei que as desculpas não se pedem, evitam-se... mas todos falhamos, né? E como nós país sabemos disso...
Então depois de tantas desculpas, não vou fazer promessas para não correr o risco de as falhar mas vou fazer propostas a mim mesma. Proponho-me a demonstrar todo o meu carinho e simpatia que tenho por todos vocês; proponho-me a escrever mais e comentar mais; :)
Que acham??? Estou perdoada???

Boas leituras aqui no meu cantinho, sintam-se à vontade para comentar, concordar, discordar, dizer Olá, permanecer em silêncio, façam de conta que estão em vossas casas :)
E não se esqueçam que é a vossa presença aqui na minha casa que faz sentido, Numa casa só de móveis, por mais bonitos e confortáveis sentir-me-ia certamente triste e sozinha.
OBRIGADA A TODOS por transformarem a "minha casinha" num lar!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A fazer algo muito importante!!!

Não resisti... Reparem nesta concentração.
Ele disse que estava a fazer um mémé...  :) Devia ser um mémé muito importante!!! eheheh

Com 17 meses e já parece um homemzinho ;) como o tempo passa rápido...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Educar com humor: como fazer?

Como referi ontem, encontro-me numa fase de reflexão-analise de uma nova teoria da Educação (ihihih ainda vou virar lenda com tanta teoria). Deixem-me então clarificar o meu ponto de vista, para mim só faz sentido ser mãe se me dedicar a isso de corpo e alma, como já referi aqui, a partir do momento que decidi ter um filho sinto-me completamente responsável pelo seu desenvolvimento. Quero proporcionar-lhe todas as ferramentas para que se torne num bom-adulto e para isso sei que tenho que ter muita força, tenho que ser informada, dedicada, critica e muito paciente.
Quero ser a mãe perfeita aos meus olhos, quero olhar-me no espelho e confiar em mim e nas minhas decisões, mas sei que sou humana e que além de ter a fantástica capacidade de pensar e me adaptar também tenho “capacidade” para errar. Sou por natureza uma pessoa carinhosa com as crianças mas por vezes fico sem paciência (por estar cansada, por não compreender o porquê de uma birra ou uma zanga), o que me leva a combater comigo mesma para não tomar decisões irritada.

A maternidade tem-me desta forma ajudado muito, como o meu filho consigo ser paciente, consigo embora cansada e zangada respirar fundo e entender que é apenas uma criança a explorar o mundo. Posso dizer que sou feliz com isso e que ser mãe me faz mais serena, estou muito bem com a vida, ingrediente essencial para colocar a minha teoria em prática.
Sou feliz e sei que o Leo também o é e não é que veja o mundo com um filtro cor-de-rosa, mas sim porque penso, porque analiso e porque aqui educamos com humor, fazendo uso da serenidade, tranquilidade, criatividade, amor e muito carinho.

E sabem como isso funciona?
O passo mais importante para implementar a minha teoria é ser compreensivo(a). Se conseguirmos viajar para o mundo das crianças, vermos o mundo com os seus olhos e capacidade de análise do mesmo, procurando entender o seu ponto de vista (seja qual for a sua idade), já estaremos em vantagem. Nós como pais temos que aceitar que os nossos filhos têm outros pontos de vista e o seu coração segue sonhos que não têm que ser semelhantes aos nossos. O que para nós é insignificante pode para o nosso filho ser muito importante (por este motivo é vital não desvalorizar, por exemplo, medos, ansiedades, pontos de vista em discussões...). Se não formos compreensivos poderemos ferir os nossos filhos sem darmos conta disso.

A vida por si só já é demasiado seria. Claro que não devemos deixar que as nossas crianças vejam o mundo como um circo, não é a isso que me refiro, elas têm sem duvida de conhecer os seus limites. Defendo, no entanto, que quando nós pais procuramos encarar o dia-a-dia com os nosso filhos com uma porção saudável de humor todo fica mais fácil.
O Leo teve uma altura que detestava lavar os dentes, era muito complicado conseguir convencê-lo, até que um dia com toda a minha paciência e boa disposição cantei uma música infantil sobre lavar os dentes, fazendo gestos e risadas e sabem o que aconteceu? Desde esse dia que lavar os dentes é uma festa cá em casa, ele ri, dança e eu também :) Este é só um dos exemplos de como aqui em casa a minha teoria funciona.
Ele sempre gostou muito de comer, devora tudo com grande satisfação. Mas mesmo não havendo qualquer tipo de dificuldade optei por incrementar um pouco de bom humor na hora das refeições. Sempre que ele termina a refeição eu dou-lhe os parabéns com um grande sorriso, sempre fiz isso e hoje em dia as coisas até já evoluíram para palminhas para o campeão, ele diz “sopa, já tá” e bate palmas, e ri muito :)
E é deste humor sem hipocrisia ou desvalorização da criança como individuo que pretendo me alimentar todos os dias... Humor que eu chamo de saudável.... contar histórias fazendo entoações com a voz, cantar, rir, dançar, pular e falar muito.
Com humor qualquer um de nós vê o mundo numa perspectiva diferente, a vida fica mais leve, os problemas menos problemáticos. O humor liberta-nos e ajuda-nos a rir de nós mesmos. 
Pesquisadores do riso (sim é verdade, eles existem) provaram que as crianças riem todos os dias em média 400 vezes. E com o passar dos anos esta frequencia diminuiu drasticamente, o estudo diz que os adultos riem em média 15 vezes. Não é então de surpreender que muitos de nós passem a vida com o rosto sério e que levemos as situações da vida de forma muito séria e carrancuda.

Não quero com isto dizer que agora passemos a viver a vida com uns óculos cor-de-rosa. As crianças têm que compreender que existem regras e problemas. Os pais devem explicar que existem diferentes soluções para as dificuldades da vida. Que por vezes temos que ser rígidos e outras que podemos levar as coisas mais levemente sem nunca perder a serenidade e sem nunca esquecer o nosso papel de pais e orientadores.
Uma educação com limites e autoridade não exclui que tomemos o nosso papel com humor e alegria.
Espero deixar aqui o meu ponto de vista de forma clara, Educar com humor prevê confiança e uma atitude positiva perante a vida. Em cada sorriso, em cada brincadeira mesmo em momentos mais sérios, deixo que o meu filho note que eu o aceito como ele é, mesmo com as suas imperfeições. E acredito que isso o torne numa criança mais forte e confiante.

A partir de hoje eu não vou esperar que a vida me sorria, eu vou passar a sorrir para a vida!!! Sorriso gera sorriso.... Mãe feliz e bem humorada gera filho feliz e bem humorado :)
As crianças adoram piadas e bom humor. Sempre que possível: Riam juntos!!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Educar com Humor

Numa família é comum existirem situações de conflito, mais ou menos intensas, mais ou menos desesperantes, mas que fazem parte da vida em comunidade.
Conflitos com ou entre crianças são normais, sendo que muitas vezes atingem de forma muito intensa a paciência e nervos dos pais. Mesmo sendo a mãe ou pai mais sangue frio e harmonioso possível não é fácil por vezes não ficar zangado e irritado com as crianças. Por vezes parece que estas se uniram para nos derrotar levando-nos à loucura :)
Quem é que nunca ficou irritado, sem paciência perante os seus filhos???
Porque estes fazem algo que nós já avisamos 9999999 vezes que é errado... ou passam o tempo a brigar com o irmão....
Uma discussão é desgastante, tanto para quem participa nela como para quem assiste. Imagine por exemplo uma discussão entre irmãos: iniciam a discussão verbalmente não se entendem partem para a violência, gritos, lágrimas e naturalmente, como pais, ficamos chateados, enervados e muitas vezes nem tentamos entender os motivos, não entendemos como os pequenos de algo tão insignificante conseguiram fazer um problema tão grande. Aproximamo-nos deles e acabamos discutindo também e aí o resultado é ainda mais discussão, mais ruído, mais irritação...
Repetir constantemente o que é certo ou errado é desgastante... quantas vezes teremos que repetir para que os pequenos entendam? Venha paciência, não é verdade?
Eu penso que tenho algo que nos poderá ajudar como pais, mantendo-nos mais serenos, mais pacientes, de forma a convivermos com os nossos filhos em harmonia, de forma a que os conflitos (normais da convivência) sejam saudáveis – A chave está em Educar com humor - ajuda não só a nós, pais, mas também os nossos filhos!

E quais são os ingredientes para conseguirmos Educar com Humor???
Primeiro de tudo é necessário estar bem com a vida, também alguma serenidade, tranquilidade, ideias (muitas ideias), criatividade, amor e claro muito, muito humor.

Tudo bem misturado e voilá temos - Educação com Humor
Deixarei para o próximo post as premissas desta minha nova teoria (se assim lhe posso chamar) :)

TO BE CONTINUED...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O que fazer quando temos mesmo que ficar longe do nosso bebé

Pois é, por aqui as rotinas estão todas alteradissímas, o Leo a dormir muito mal a acordar de 2 em 2 horas, não tem sido fácil. Mas coitado foram as férias de Natal, o inicio de Janeiro a preparar a mudança, final de Janeiro mudança de casa e cidade... O Leo anda um bocado perdido... e como se não bastasse o papá teve que se ausentar 3 semanas e para não ficarmos sozinhos na nova casa/cidade lá viemos nós novamente para Portugal... e mais mudanças.... casa de uns avós agora casa de outros... dá para imaginar!!
Tem sido demasiado para o pequeno mas o mais dificil está a acontecer agora o Leo está a sentir muita falta do papá. Agora fica super assustado se eu me ausento do seu campo de visão, acho que tem medo de ficar sem mim também.
Para minimizarmos as saudades, porque bebé também sente muita saudade, o papá gravou-se a contar a história preferida - Os músicos de Bremen - e é lindo ver o Leo super contente a ouvi-lo com uma concentração enorme. Dá sorrisos, diz as palavras que o papá vai dizer a seguir e no final diz xau-xau... lindo, fico derretida a olhar para ele.

Aqui fica então a dica se tiveres que te ausentar por uns dias podes deixar uns vídeos para o teu filho ir vendo enquanto não voltas, pode ser uma história, explorando as imagens, ou mesmo uma musica.
Aqui em casa ajudou muito, e complementar o vídeo da historinha com a vídeo-chamada de hoje à tarde em que o Leo disse olá ao papá, ofereceu o seu lanche e mandou beijinho com a mão pela primeira vez quando disse xau-xau proporcionou-nos um desfecho de fim de semana 5 estrelas.

Então fica a dica
E desejos de uma óptima semana

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Criar bons hábitos de estudo

De um modo geral as crianças ficam entusiasmadas quando começam a ir à escola e tem uma atitude positiva fase a aprendizagem. Elas querem simplesmente saber ler, escrever e fazer contas como "os grandes". No entanto, não sabem que com a entrada na escola uma nova forma de organização e de aprendizagem aparece.
Conhecer bem o teu filho nesta fase, saber como ele se sente, dando-lhe coragem e tendo paciência com ele é essencial para um bom começo no mundo escolar, para que, desta forma, a aprendizagem continue como até ao momento - a fluir de forma natural - embora com mais regras e disciplina, que antes não lhe era exigida.
Acompanhar os estudos do teu filho também é muito importante, estudarem juntos é uma boa estratégia. além de passares mais tempo com o teu filho, conseguirás perceber onde ficam as dificuldades dele, fortalecendo-lhe o sentido de auto-análise e fazendo-o sentir que não está sozinho nesta nova etapa. Tornar os hábitos de estudo o mais naturais possíveis ajudará o teu filho no ingresso da vida adulta.
Poderás dizer-me que o teu filho acabou de entrar no 1º ano e que ainda terá tempo de levar a escola a sério, mas aí é que eu acho que está o erro de muitos pais. O primeiro ano da escola é, no meu ponto de vista, o mais importante da vida. É neste ano que se cria o primeiro impacto com a escola, que se ama ou se odeia, que começa a germinar a semente da aprendizagem e se esta nascer direitinho terá certamente tudo o que necessita para um bom crescimento.
A escola e o professor são também uma chave essencial, procura conhecer se a escola se adequa ao teu filho e se o professor é realmente competente. Envolve-te com a escola, mantem contacto com o professor, um pai ausente é um pai que não tem ferramentas para guiar o seu filho neste mundo de preparação para o futuro.
Ajudar os nossos filhos a criarem bons hábitos de estudo é meio caminho andado para sucesso, existem, no entanto, alguns pontos que deveremos ter em conta, de forma a não tornar a nossa ajuda em algo indesejável pelo pequeno.

- Logo a seguir à escola ou às refeições as crianças têm dificuldades em se concentrar, logo não serão bons momentos para lhe pedir que estude. Uma boa hora caso a criança estude no turno da manhã seria, por exemplo, das 16h-18h;
- Deve-se esclarecer à criança o tempo que irá demorar o seu estudo e ajudá-lo a orientar-se nesse intervalo tempo de forma a que seja capaz de se organizar e ver todas as matérias necessárias naquele dia. Tal procedimento ajudá-lo-á a mais tarde a conseguir organizar sozinho o seu dia, além de lhe permitir ter noção do fim da hora de estudo e não ficará ansioso e nervoso com medo de ficar sem tempo para brincar (criança precisa de brincar, né?);
- Para facilitar e evitar discussões com a criança poderá estabelecer um plano diário, no qual ela encontrará de forma organizada todos momentos do seu dia, momento de estudar, ler, brincar...
- Respeita o limite de desempenho individual da criança, será importante e vantajoso para a sua concentração fazer uma pequena pausa durante o estudo, o ideal a meu ver, ao fim de 30 minutos (durante a pausa poderá aproveitar para conversar com ela, beber um sumo de fruta ou ir até ao jardim de casa ou à varanda apanhar ar puro :), o que não deverás fazer é permitir que este ligue a televisão, esta desviará totalmente o seu objectivo de estudo;
- Outra coisa que se deve ter em conta é que o nosso cérebro se cansa mais rápido quando usamos sempre a mesma forma de pensar logo será mais vantajoso organizar as matérias a estudar (por exemplo, a seguir a um ditado não será produtivo ler um texto, em vez disso talvez seja melhor estudar matemática);
- Quando a criança for mais velha deveremos deixá-la mais tempo sozinha deixando-a organizar sozinha o seu tempo de estudo e deixando-a ser responsável por isso. Mas este processo deve ser gradual, vai alterando entre momentos em que a apoias e momentos em que a deixas sozinha até que esta consiga organizar-se. Não deixes, no entanto, de no final verificar o trabalhos que ela fez e as matérias que estudou para poderes ajudar quando esta tiver duvidas, ajudar a diagnosticar as duvidas e dar os parabéns quando este conseguiu organizar no seu estudo;

Acredito que se seguirmos estes pontos os nossos filhos criarão uns bons hábitos de estudo, facilitando-lhe certamente o seu futuro como estudantes e mais tarde como adultos organizados e capazes.

Tens mais alguma dica a acrescentar? :)


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Regras para os pais na perspectiva de um filho

Se eu quando criança tivesse o nível de compreensão do mundo que tenho hoje, certamente teria ajudado os meus pais na minha própria educação. Teria ditado regras para me tornar numa pessoa melhor. Não que meus pais tenham sido maus pais, não que tenham falhado, mas certamente teria sido mais fácil (para mim e para eles) se eles tivessem olhado o mundo com os meus olhos de criança, quando tomavam decisões na minha educação, como qualquer pai. Penso isso muitas vezes na educação do Leo, é dificil educar, é dificil saber se estamos a tomar as decisões certas mas para mim é ainda mais dificil quando as tomo sem olhar o mundo na sua perspectiva.
Ajuda tanto tomar decisões quando tentamos olhar com os seus olhos... pensei nisso.
Viajei até a minha infância e levei comigo a minha compreensão do mundo escrevi as minhas regras (talvez mesmo assim fiquei algumas por ditar) com o objectivo de, chegada da viajem, as possa ler sempre que a razão me falhar como mãe, sempre que entre em conflito com o meu filho, sempre que estiver perdida vou me apoiar nas regras da minha infância.

E eu ditei ouvindo minha infância:
  • Não tenha medo de ser firme comigo. Eu preciso saber até onde posso ir, quais os meus limites - assim torna-me-ei um adulto confiante e honesto;
  • Não faças sempre a minha vontade, um dia mais tarde eu não vou ter tudo o que quero, o que eu quero nesses momentos é colocar-te à prova. O teu forte e justo "não" fará de mim alguém melhor, reforçará meu ser interior;
  • Não fiques magoada quando eu te dizer: "Eu te odeio". Eu nunca te odiarei, eu só não vou gostar que abuses do teu poder para frustrar os meus planos. Nesses momentos peço-te espaço e calma e quando a poeira baixar não deixes de me explicar as tuas razões - quero ser um adulto razoável e capaz de ouvir um "agora não";
  • Dá-me espaço para eu experimentar, errar e aprender com os meus próprios actos. Preciso ter consciência das minhas acções. Peço-te que me protejas e intervenhas só quando eu mostrar que poderei me perder. Quero sentir a minha auto-estima a fervilhar quando a experiência dá certo. Quero ser alguém capaz de ir à luta e construir o meu caminho e tu serás o meu guia, nunca a minha barreira;
  • Se estiveres sempre a reclamar, se só me chamares a atenção para o que faço de errado, eu colocar-me-ei automaticamente em estado de surdez para a tua voz. Mostra-me que estás contente e orgulhosa quando eu me esforço... preciso do teu elogio para me sentir bem comigo, para manter a minha auto-estima;
  • Nunca quebres as tuas promessas. Sejam elas recompensas ou castigos, sejam elas atitudes do dia-a-dia ou uma surpresa esporádica. Eu ficarei muito desiludido;
  • Elogia-me mesmo no caso que eu falhei, pelo simples facto que tentei;
  • Deixa-me escolher os meus próprios amigos, mas explica-me primeiro com o teu exemplo o que é ser amigo para eu saber o que procurar;
  • Se tiveres que me repreender frente aos meus amigos peço-te seriamente que o faças com todo o respeito. Não me exponhas, mesmo que tenhas razões fortes para a repreensão. Peço-te que sejas paciente comigo eu estou em fase de aprendizagem. Quero ser alertado quando estou errado mas não quero sentir-me humilhado. A humilhação é parceira da revolta - e eu não quero me sentir revoltado contigo;
  • Apresenta-me actividades adequadas para a minha idade. E brinca comigo, ensina-me a divertir-me.
  • Se eu tiver duvidas por favor nunca deixes de arranjar tempo para me explicar, eu não quero me sentir perdido na procura de respostas. Quero saber contar contigo;
  • Não fiques frustrado se não conseguires responder a todas as minhas perguntas, sabes mais que eu mas não tens que saber tudo. Podemos procurar a resposta juntos;
  • Não acho que a tua dignidade ficaria danificada se por vezes me pedires desculpa, os humanos erram, certo? Tu também tens esse direito. Quando for necessário pede-me desculpa, aumentarás a minha confiança em ti;
  • Se eu chorar, me chatear sem motivo aparente, ajuda-me pois o mundo para mim por vezes assusta, é tudo novo, grande e incompreensível. Eu não choro e birro só para te chatear disso te deixo certa;
  • Leva a sério todos os meus medos, mesmo que sejam incompreensível para ti, eles são muito reais como todos os meus sentimentos; 
  • Procura-me amar quando eu menos merecer pois é quando eu mais preciso;
  • Eu amo-te, mostra-me com actos, exemplos e muito carinho que também me amas... prometo que se o fizeres eu te retribuirei cada momento que me dedicaste;
Se seguires as minhas "regras" será certamente mais fácil para mim seguir as tuas.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Brincar em casa - dica de actividade para os mais pequenos

O que fazer quando lá fora estão -12ºC, tudo cheio de neve que neste momento já nem é neve mas sim placas de gelo?
Puxar pela imaginação para que o Leo não se aborreça demasiado.
E que fizemos nós??? Metemos as mãos na massa e fizemos massinha de modelar caseira. O Leo adorou e valeu uma bela parte da tarde a brincar.
Muito fácil e rápido de fazer existem pela Internet imensas receitas, eu optei por esta e deu certo:

MASSA DE MOLDAR
  • 2 xícaras (cerca de 250 ml) de  farinha de trigo;
  • meia xícara de sal;
  • água suficiente para dar consistência  (eu coloquei quase uma 1 xícara);
  • 2 colheres de sopa de óleo comestível. Se preferir, o óleo de amêndoa deixa um cheiro agradável nas mãos;
  • e corante comestível de várias cores; 
Misturar todos os ingredientes secos e depois colocar a água e o óleo amassar até ter a consistência certa para moldar, se necessário acrescentar mais farinha.


Primeiro ele ficou a achar aquilo um bocado estranho mas depois gostou muito das figurinhas que eu ia fazendo mas ficava zangado porque quando pegava nelas com força e elas se desfaziam. Expliquei-lhe que era mesmo assim :) acabou por passar bastante tempo a brincar de fazer bolinhas, de esmagar de pedir à mamã para fazer minhoquinhas... uma tarde muito bem passada. E ainda à massinha para mais uns dias (segundo a receita pode-se guardar no frigorífico durante 15 dias).
Aqui fica a dica para dias chuvosos, frios ou simplesmente para quando der vontade :)

Um óptimo Domingo

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Exemplos dos pais na educação

No vermelho parar, no verde avançar! Esta é uma regra que a criança deve o mais cedo possível aprender a respeitar. Protegendo-se assim do perigo de atravessar no vermelho e de ao mesmo tempo começar a entender que existem regras/leis na sociedade que devem ser cumpridas. Mas tal aprendizagem chega realmente para os nossos pequenos compreenderem o que é correcto ou falso fazer? 
O exemplo da família é um componente essencial na educação dos filhos, disso não tenho duvidas. Mesmo regras simples de ser comunicadas verbalmente podem através do exemplo ficarem mais facilmente gravadas no quotidiano das crianças.
Por exemplo, não atravessamos a passadeira no vermelho. A regra é clara, no vermelho, não avançar. Se a mãe espera com o filho pela mão, ao sinal vermelho, fica bem claro e de forma natural para a criança que não deve avançar nesta situação, ele agora não pode atravessar a rua porque um carro pode passar. Tal comportamento fica gravado nas suas atitudes sem esforço.
Mas o que acontece quando do outro lado da estrada o autocarro que queremos apanhar já está parado e não tarda a partir e nós atravessamos a estrada a correr com o pequeno pela mão mesmo ao sinal vermelho (verificando claro se algum carro se aproxima)

Neste caso a mãe violou as próprias regras, não foi um cidadão exemplar??!! Deve explicar ao filho a situação? Mas ele entenderá a situação? Ou melhor saberá por si só fazer a escolha certa quando tal tipo de situações se depararem? Existem desta forma excepções? O nosso filho vai entende-las? Ou a sua aprendizagem da simples regra vai por água abaixo??
Este simples exemplo pode ser naturalmente aplicado a uma grande variedade de comportamentos dos pais. Como o consumo de álcool, distúrbios alimentares e hábitos fora da lei (por exemplo: conduzir a velocidade elevadas, estacionar onde não é permitido entre outras ainda mais graves) comportamentos e reacções estas que a criança pode adoptar facilmente por simples imitação e que nunca deverão ficar sem ser explicadas. Nós pais e adultos que somos, devemos ser cuidadosos e olhar o problema, a atitude criticamente e integrada na situação em que ocorreu. Somos humanos e não somos naturalmente perfeitos mas devemos ser críticos com as nossas atitudes se queremos passar uma mensagem e um bom exemplo às crianças.  
Ao ensinar regras aos nossos filhos torna-se importante, do meu ponto de vista, não dar ênfase à proibição mas sim ao porquê da existência de tal regra. 
- É proibido atravessar no vermelho. Mas porquê?  Porque os carros têm sinal verde e estão a passar, provocaríamos um acidente grave.Colocaríamos a nossa vida em risco.
Assim será mais fácil para a criança entender os não exemplos, as excepções que, no entanto não devem ser de forma alguma uma situação recorrente.
Mostre aos seus filhos que os conflitos, as regras, as excepções às regras e os não exemplos podem ser resolvidos e esclarecidos verbalmente, e que também se pode aprender com eles.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O objectivo não é criar boas crianças mas sim bons adultos

Uma das coisas que me preocupa na educação do meu filho é a imprevisão do futuro que o reserva. Sim, eu sei que o futuro é sempre bastante imprevisível, e que eu por mais que queira não poderei controlar o mundo, mas ao que eu me refiro é aquela imprevisibilidade que não podemos de forma alguma, só através da educação que damos em casa, remediar, contornar e passar ao lado.
Por isso é importante agirmos em conjunto, nós pais de hoje. Temos um trabalho árduo pela frente mas que somente com determinação conseguiremos melhorar o mundo futuro.
Pois essa é a nossa missão, o nosso dever como pais, ajudar na construção de um mundo melhor, de um mundo com valores enraizados nos adultos de amanhã. Não é crianças boas que precisamos criar, não é crianças felizes, cheias de brinquedos, mimos e sem lhe faltar nada, mas sim adultos capazes, adultos felizes, bons adultos.
E é nisso que eu me foco, foco na educação que dou ao meu filho na sua formação como adulto e querem saber mais?! Com este foco, esta dedicação na minha missão tenho consequentemente uma criança feliz, a quem não falta carinho e a quem um brinquedo é mais que o simples materialismo.
Fico parva com a quantidade de crianças mal educadas com que me cruzo, crianças arrogantes, desorientadas, sem respeito, crianças que até são capazes de desta forma serem felizes, de até terem muitos brinquedos... mas que adultos irão ser??!!
Podem achar que não estarei a ser justa no que vou escrever, ou estou a ser demasiado cruel com crianças que não pediram para nascer, com crianças que são fruto da arrogância de pais que não se dedicaram o suficiente na sua missão.... mas eu digo na mesma: não é estes adultos que estas crianças vão ser um dia que eu gostaria que o meu filho tivesse como companhia. Polémico o que penso? Egoísta? Talvez. Mas é assim que penso.
Não me interpretem mal, pois também acho que estas crianças não são casos perdidos e que se os pais estão a falhar ainda poderão ter forma de reencontrar o seu caminho. Como adultos e Humanos que somos devemos ajudar o próximo a criar a sua estrutura de vida... na escola, na rua, na família também se orienta e guia quem perdeu o rumo... não é preciso ser-se mãe ou pai para ajudar na formação de um mundo melhor.
Eu gostava sim, que os pais dedicados se multiplicassem, para que um dia os adultos bons fossem uma maioria. Mas como isso está tão longe do meu alcance, porque as mães e pais que possivelmente lerem este texto, já mostram, pelo interesse em ler sobre o assunto, que são pais interessados e dedicados.
Porque o mundo não é perfeito nem conto de fadas. Fica aqui o simples desabafo e a certeza que estou convicta que vou levar a minha missão em frente, a minha dedicação.
Porque AMAR um filho não chega. É preciso rigor, dedicação. É preciso ensinar valores, ensinar a ser justo, a pedir desculpas, a desculpar, a ajudar e a respeitar os outros. É preciso orientá-lo de forma a este conhecer e entender o seu lugar no mundo antes de a própria sociedade o forçar a isso.

E colherei eu frutos desta minha dedicação?? Talvez um dia esteja aqui para contar. Mas de uma coisa estarei certa, não será por falta de convicção e dedicação que o resultado falhará. Se falhar e afinal a criança feliz que tenho não se tornará no bom adulto, feliz e capaz... podem-me condenar pelo crime que cometi... pela incapacidade que tive no cumprimento da minha missão. Mas uma coisa posso garantir: eu tentei.
Pois eu vejo assim o mundo, desde que decidi ser mãe não foi para ter um bebé bonito para passear, mas sim para me dedicar a este tão árduo, complicado, e acredito que nem sempre de sucesso, papel de SER MÃE.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Noção do medo - transtornos do sono

Estive desligada por uns dias, faltou-me tempo para escrever e comentar nos blogues que fui lendo, mas estou de volta. A partir de uma nova cidade e uma casa nova :)
Agradeço as dicas e testemunhos que recebi acerca do último post. A situação mantém-se com poucas alterações desde que descrevi aqui.
Até ao dia da mudança de casa decidi simplesmente dar muito mimo para o Leo. Ele acabou dormindo todos os dias connosco, quando muito dormia até à 1h-2h na cama dele e depois vinha para a nossa. Agora nesta nova etapa da nossa vida, nova casa, novo quarto estou a tentar entender melhor o que se passa e a tentar ajudá-lo.
Já li algumas coisas sobre o assunto - terrores nocturnos, medos, sonhos - e acabei tirando algumas conclusões.
O Leo tem agora 16 meses está a começar a ter noção de que sonha e tenho notado que durante o tempo que está a dormir está mais agitado, (esta noite até o ouvi falar... ele dizia a dormir "chão, chão"). E acho que o facto de ele ter esta noção o assusta. Também tem manifestado outros medos que antes não tinha: medo de estar sozinho, medo de estar no escuro, medo do aspirador (basta dizer que vou aspirar e ele fica em pânico).
Ele está super concentrado na fala, fala desde os 10 meses e neste momento ele diz imensas palavras e já começa a fazer frases curtas, mas em contrapartida ainda não anda e isso acho que o deixa neste momento um  pouco frustrado. (Ele já começa a dar uns passinhos mas desiste na primeira queda, como bebé prematuro o Leo tem sempre demorado mais a nível motor que os outros bebés da mesma idade, mas está tudo bem com ele.)
A mudança de casa por mais que eu tenha tentado manter todo o mais calmo e organizado possível deixou-o cansado e irritado. Acredito que cada coisinha acabou provocando alterações no seu sono.

Encontrei um texto interessantíssimo aqui: www.virtualpsy.org que me deixou mais descansada.
Transtornos do sono - De 1 a 2 anos
Algumas vezes os transtornos do sono começam no segundo ano de vida. Nessa fase a criança se excita com todas novidades e possibilidades (engatinhar, andar, pegar...)
A partir daí, dormir já não é somente uma resposta automática às necessidades fisiológicas, uma vez que a criança precisa abstrair-se de seus interesses para poder dormir. Pode produzir-se, nesta fase, um grau importante de ansiedade, fazendo com que a criança tente manter-se acordada por todos os meios.
Também nessa fase a criança começa a se utilizar de todos os meios para manter sua mãe por perto, tais como o choro, birras, manhas, etc. Para pegar no sono é necessário alguns rituais, como canções de ninar, balanços, sucção do peito materno, recorrer a objectos aconchegantes, tais como bixinhos de pelúcia, mantas de lã, paninhos, etc.
Entre os factores externos capazes de provocar ansiedade e, consequentemente perturbar o sono, os principais são a irregularidade dos horários, ambientes barulhentos e agitados e a superestimulação por parte dos pais e parentes. 

Neste momento só me resta dar muita atenção ao Leo e ajudá-lo a ficar mais calmo e menos ansioso e se ele quer tanto a mamã lá estarei eu (é o meu papel :) ). Enquanto isso continuo dormindo em fragmentos... por vezes no quarto do Leo por vezes no meu quarto... enfim nada que uma mãe se possa lamentar não é verdade?!
Caso a situação não fique pior vou simplesmente considerar que não é mais que uma fase e que irá passar.

 Um óptimo dia

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Medo de adormecer...

O Leo sempre teve o hábito de adormecer sozinho, mesmo havendo dias em que dormia no meu colo não tinha dificuldade nenhuma de no dia seguinte adormecer sozinho na sua cama. Bastava um "Dorme bem Morzinho" que ele ficava deitadinho a brincar com o seu "néné" (uma fralda de pano que ele não larga quando tem soninho) até adormecer. Sempre acordou umas 5 vezes por noite mas mamava e dormia de seguida (agora já só mama uma vez de manhã cedo, por iniciativa própria deixou de pedir leitinho no meio da noite).
Faz uns dias que tem reagido de uma forma muito estranha não consegue adormecer sozinho tenho que ficar junto dele até adormecer, agarra-me a mão com muita força até fechar os olhinhos. Quando acorda e eu não estou no quarto fica em pânico a chorar até eu aparecer.
Como não consigo deixa-lo chorar vou logo ter com ele e por vezes ainda está de olhos fechados a chamar por mim com uma vozinha de pânico.
Será que ele tem medo que eu desapareça ou pesadelos? Tão pequenino com uma vidinha tão calminha o que poderá sonhar que o assute? E se eu passo o tempo todo com ele o que o levará a pensar que posso deixá-lo sozinho?
Tenho resolvido a situação levando-o a dormir para a minha cama, aí ele dorme bem, mas se durante a noite se afasta de mim e já não me consegue tocar começa a gemer e a chamar por mim e basta eu tocar-lhe ou mesmo dizer baixinho "estou aqui!" que ele continua a dormir. E tenho que ser mesmo eu porque se for o pai ele continua a chamar por mim... Fico com o coração apertado quando o vejo assim em pânico, ele agarra-me com tanta força... parece apavorado...
Já alguém por aqui passou por isso?
Vou ver se leio alguma coisa sobre o assunto... talvez fique mais claro o que se está a passar...

um bom dia

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Why Chinese Mothers Are Superior?

Hoje deixo-vos aqui este artigo - "Why Chinese Mothers Are Superior" que saiu no "The Wall Street Journal". (um título um bocado e controverso mas um artigo interessante).
Artigo estranho que nos leva a pensar nas formas possíveis de educar os nossos filhos, que nos ajuda a questionar a forma como escolhemos fazê-lo. E mais importante ainda nos faz abrir as portas a novos mundo e métodos que por mais que nos pareçam estranhos fazem parte de outras culturas e temos que respeitar.
Eu levo-me a acreditar que sou uma mãe no meio-termo, nem tão permissiva como as mães ocidentais nem tão exigente como as orientais descritas no artigo.
No entanto este artigo levantou-me algumas duvidas. O que é melhor para as crianças, uma educação tendencialmente permissiva ou exigente?
Devemos valorizar os pequenos sucessos dos nossos filhos ao fazê-los ver que ainda podem ser melhores do que isso?
Devemos focarmo-nos em manter integra a sua auto-estima ao fazê-los sentir-se menores para terem vontade de lutar pelo sucesso?

Que filhos e adultos queremos que eles sejam capazes de ser? Pessoas que vão à luta ou pessoas que se contentam com o que a vida simplesmente lhe oferece?

Ser permissível pode ajudar os nossos filhos a explorar o mundo livremente sem pressões. Mas serão eles capazes de o fazer sem se perderem?
Ser exigente pode levá-los a fazer coisas que não gostam e viverem desgostosos, fazendo as coisas por obrigação, mas também lhes pode dar o gostinho de conseguir algo que tiveram que lutar tanto e só com um grande esforço e exigência nossa conseguiram... mas conseguiram... o gostinho do sucesso ao fim do trabalho.

...Como eu quero conseguir educar o meu filho da melhor forma.... como eu quero chegar ao fim da minha missão com os meus objectivos completos, com um filho adulto feliz, cheio de sucessos, capaz de ir à luta... que mãe não quer isso, não é verdade?!!
Procuro um meio termo... procuro o que acho melhor... mas que tarefa difícil esta. E para vocês  que mãe acham "superior" (eu diria que mãe acham que terá mais sucesso a alcançar o seu objectivo: de fazer o melhor para o seu filho) a mãe ocidental ou a mãe oriental?

Eu fico aqui nas minhas reflexões e aberta às vossas opiniões :)
Um bom dia

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sou uma mãe cruel

"Coitadinho do menino que não come doces!!!" esta foi uma das frases que tive que ouvir durante as férias de Natal.
Já escrevi por aqui, aqui e aqui qual é a minha opinião sobre a importância de uma boa alimentação e que esta deve começar bem cedo e que somos nós pais os responsáveis por isso.
Decidi não dar açucares e gorduras por imposição minha até o Leo ter dois anos e depois só darei quando ele sentir interesse em experimentar (controlando sempre a quantidade e qualidade dos mesmos).
Respeito todas as opiniões mesmo as que sejam contrárias com a minha e espero que respeitem também as minhas, no entanto nem sempre é assim e de tal forma informo-vos que sou uma mãe cruel. Que apesar de ter um filho que come super bem, adora legumes e todos os tipos de fruta não lhe dou açúcar e isso é uma crueldade aos olhos de alguns.
Mas para que fique claro que a minha decisão é pensada e consciente ficam aqui os meus argumentos:
  • As papilas gustativas de um bebé ainda não estão educadas, estas não conhecem os sabores mas são sensíveis e preferem tendencialmente o doce; ao introduzir alimentos industrializados, cheios de aditivos, corantes e conservantes, estes vão induzir dependência por parte de quem consume, pois ficará insensível aos sabores menos intensos, característicos de alimentos naturais;
  • Estudos revelam que a ingestão excessiva de açúcar pode deixar as crianças pequenas irritadas e dispersivas. É que o doce, além de provocar uma maior concentração de insulina no sangue, também aumenta a quantidade de adrenalina o que pode provocar ansiedade, excitação e dificuldade de concentração;
  • Os açúcares fazem falta na alimentação, mas fazem parte da dieta habitual e são encontrados, por exemplo, nas frutas (frutose e sacarose), no amido das farinhas de cereais e nos tubérculos (como a batata). Ninguém pode viver sem açúcar, que é uma fonte de energia, mas a dieta normal tem açúcares naturais em abundância, o suficiente para cobrir as necessidades do organismo. 
  • O uso habitual de gomas, doces, biscoitos açucarados, geléias, refrigerantes, achocolatados e açucarados, provoca na boca a presença de um excesso de açúcares de moléculas pequenas, favorecendo a proliferação de bactérias e a formação de cáries e inflamação nas gengivas;
  • O consumo de açucares artificiais provoca o desequilíbrio alimentar. Um dos segredos da boa alimentação é a proporção correta dos diversos nutrientes: proteínas (carnes, arroz integral, ovo, leguminosas como o feijão), gorduras (animais e vegetais), hidratos de carbono ou glicídios (farinhas, açúcares), sais minerais e vitaminas. Ao comer açúcares em excesso, normalmente há menos fome para comer os outros alimentos. O perigo da alimentação rica em açúcar e desbalanceada é a criança ficar obesa e anémica;
  • Introduz alimentos açucarados em crianças pequenas (banana amassada com muito açúcar, com mel ou com geléia, por exemplo), vai provocar a recusa da aceitação de outros alimentos não-doces.
Podem até achar que sou demasiado radical mas a minha responsabilidade de mãe leva-me a agir desta forma. E os resultados até hoje têm comprovado que estou certa. 
O meu filho não conhece o sabor doce do açúcar industrializado, de refrigerantes ou gorduras saturadas... do que não conhece não sente vontade. Em vez disso conhece o sabor doce de uma laranja sumarenta, de uma banana madura, de uma manga suculenta. De uma cenoura, de  brócolos  cozidos a vapor cheios de vitaminas :)
Fico revoltada quando encontro no supermercado papas de bebé aconselhadas para os 4 meses (o que já é um problema, pois a amamentação deverá ser exclusiva até aos 6 meses) e como se não bastasse ainda com adição de açucares (vi isto recentemente numa papa da milupa com o nome "A minha primeira papa", como é possível??!!!). Para mim um problema de saúde publica, mas enfim o que me resta é ficar atenta aos rótulos e não dar importância ao que pessoas desenformadas dizem.
Sou responsável pela alimentação do meu filho, sou responsável pela construção de um individuo saudável e desta forma não vou fugir as minhas responsabilidades e tudo o que tiver ao meu alcance será feito para as cumprir.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Capítulo I: Birra - quando a vergonha suprime a determinação

Faz já quase um mês que escrevi sobre as primeiras birras do Leo aqui, foram 5 dias muito dificeis. Mas tal não foi a surpresa quando ao fim de 5 dias vi um dentinho aparecer e o meu Leo voltar (coisas de mãe de primeira viagem)Agora ele está bem mais calmo e controlado, tem mostrado que tem uma personalidade forte mas as suas birras limitam-se a uns choros forçados de alguns segundos para chamas a atenção, chega até a ser lindo de ver :)

Mas nesta fase das birras, há uma coisa que eu não consigo entender: porque tanta gente reprova uma mãe ou um pai quando o seu filho desencadeia uma birra? E, no entanto, eu não conheço ninguém que tenha tido um filho que nunca tenha feito birra. Alguém por aqui tem um filho que nunca fez birra???
Pode ser que esse alguém tenha tido a "sorte" de ter um filho que faz raramente birra, que é super controlado, as birras que faz passam até despercebidas, mas certamente que as faz.
A birra é uma fase do desenvolvimento infantil e do meu ponto de vista só se torna motivo de reprovação, e mesmo assim com parentisses (pois nisto da educação de um filho não se trata de julgar ou reprovar mas eventualmente dar o exemplo, reflectir e debater ideias e testemunhos) quando estamos perante de uma criança com 6-7 anos e ainda faz a sua birra ou uma criança que apesar de estar a atravessar esta fase não consegue encontrar os limites não tem o apoio e a orientação dos pais.
Fazendo a birra parte do desenvolvimento da criança esta tem que ser encarada com seriedade, calma e bom senso. Tal como o começar a andar, o começar a comer, as birras são um desafio para a criança.
A questão está na forma como encaramos esta fase e como eu sempre digo o importante no desenvolvimento do nosso filho enquanto individuo e ser social é sabermos ou pelo menos procurarmos saber olhar o mundo com os seus olhos, com o seu nível de compreensão do mundo. Tal atitude não se restringe só ao nosso filho mas sim a todas as crianças.
Quando nos apetece algo sabemos ir buscar, sabemos preparar um café, comprar um chocolate, sabemos que comer demasiado açúcar faz mal, para nós não é problema, entendemos. Imagina agora que encontras uma prateleira cheia de chocolates num local onde toda a gente "adulta" pode tirar os que lhe apetece. Tu sabes que queres um chocolate, tu sabes que eles estão ali, sabes ir buscá-los mas não entendes porque te impedem de o fazer, não sabes porque não podes comer algo que é tão delicioso, tu só tens 3 anos e precisas que alguém te oriente te dê apoio e como não tens essa compreensão ficas chateado e revoltado. Visto assim é compreensível a irritação da criança, não?
Não nos devemos centrar em saber como o nosso filho se comporta mas sim o porquê de tal comportamento. A fase das birras é complicada e em muitos casos difícil de ultrapassar... ficamos sem paciência, cansados e envergonhados em publico com as atitudes dos nossos filhos. Mas não nos foquemos nos outros adultos mas sim no nosso filho: "Porque ele está a agir assim?", "Está cansado? Doente?", "Está ansioso e não consegue lidar com a situação sozinho?", "Está com falta de limites?"

O que posso fazer para o ajudar?
Manter-me calma, nem que para isso seja necessário contar até mil. Dar-lhe os limites que ele necessita pois mais do que nunca é nesta idade que o estabelecimento de limites lhe dá confiança e segurança para enfrentar os desafios (resistir a um chocolate num supermercado, compreender que não pode levar com ele, pode sim ser um grande desafio para o nosso filho). Ser firme e justa só assim ele vai entender os "nãos" e os "sims",
E se as coisas já estão muito difíceis, se já é muito complicado lidar com ele, nunca esquecer que ele precisa em qualquer situação do nosso apoio, da nossa autoridade. E não podem ser os olhares dos outros que vão suprimir a determinação. A birra é uma forma de manifestação de insegurança, receio, carência, descontrolo dos sentimentos... e nós como pais temos mais é que estar presentes para ajudar mais uma vez.
Eu estou determinada a ajudar o meu pequeno a passar por esta fase de cabeça erguida, e tu?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Responsabilidades para 2011 - tempo de reflexão

A poucos dias da chegada de um novo ano, deixo aqui um espaço de reflexão e análise. Reflexão sobre as nossas atitudes como pais durante este ano. Fomos bons país? Demos o nosso melhor?
Neste ano em que fomos reis e escravos, onde errámos, onde fizemos o que devia ser. Onde deixamos o nosso cansaço nos atrapalhar, onde não aproveitamos o tempo, onde brincámos, amámos e demos muito carinho. Onde perdemos a paciência, nos sentimos tristes, os piores pais do mundo e os melhores e mais felizes. Onde demos muito colo, onde o negamos sem saber. Onde andámos perdidos e onde nos encontrámos com o simples sorriso do nosso tesouro. Onde duvidámos; onde tivemos grandes certezas... um ano em que mais uma vez nos sentimos pais...
E antes que o ano acabe talvez seja hora de renovarmos os nossos objectivos, analisando cada responsabilidade que temos como pais. Pois ser pais não é só semear a semente, é preciso também regá-la, dar-lhe luz e calor... é ser responsável e torná-la responsável...
Eu como adulta e mãe que sou, tenho essa responsabilidade. Tenho a responsabilidade de orientar e guiar o meu filho para que um dia ele seja capaz de seguir sozinho.
Que tipo de pessoa eu quero criar? Que tipo de adulto quero ajudar o meu filho a ser?

Mais uma vez quero entrar num novo ano ciente das minhas responsabilidade como mãe:
  • Sou responsável pelo bem estar e desenvolvimento do meu filho;
  • Sou responsável por fornecer todas as ferramentas que estiverem ao meu alcance para que ele trabalhe a sua personalidade;
  • Sou responsável pelos seus actos, pois acredito que atrás de uma criança com comportamentos problemáticos se encontra uma família problemática. E então não procuro entender o como o meu filho se comportou mas sim o porquê de tal comportamento;
  • Sou responsável pela sua alimentação;
  • Sou responsável pelo desenvolvimento da sua auto-estima e auto-confiança...
Porque quero preparar para o mundo uma criança que se torne num adulto capaz. Porque sei que não sou perfeita sinto necessidade de reflectir sobre as minhas acções como mãe. Porque para mim só faz sentido avançar na vida quando esta é pensada, analisada e reflectida. Com os erros também se aprende mas só se dermos conta que os cometemos e formos humildes, para nós mesmo, o suficiente para nos auto-corrigirmos.
Quero dar asas ao meu filho para que este seja um adulto confiante e capaz. Para que seja rico em princípios, bons sentimentos, ambições e sonhos...

Para todos os que por aqui passam desejo um óptimo 2011... que sejam os melhores adultos, pais e educadores do mundo... que analisem as suas responsabilidades e sejam responsáveis.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A todos um Bom Natal

Há uma musica de Natal que tem um gosto especial para mim, não sei se foi pelas vezes que em criança a cantei, só sei que traz com ela lindas recordações da minha infância, ao ouvi-la consigo viajar no tempo, ver-me de novo no teatro de Natal da escola a cantar com os meus colegas de sala. Consigo sentir a ansiedade que eram as noites de Natal em casa dos meus pais. O cheirinho a bolinhos, aos fritos tradicionais de Natal... uhhhmmm
Cada quadra é ouvida com tamanho sentimento e recordação que só de as ouvir me sinto completa no espírito de Natal. Podem achar que estou a exagerar, mas acreditem que é mesmo assim... uma musica tão simples mexe tanto comigo :)
E porque com este blog consegui conhecer gente tão querida achei que era justo como forma de agradecimento, por estarem aqui, partilhar com vocês. Pode parecer muito infantil mas leva com ela todos os bons sentimentos que consigo expressar.
Devo ficar uns tempos longe pois vou curtir o Natal com a minha família "não virtual" eheh
Ficam então já aqui os meus sinceros votos de:

UM NATAL CHEIO DE CARINHO PARA TODOS

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ameaçar com o Pai Natal - que coisa feia...

A figura do Pai Natal é óptima para fazer os pequenos se comportarem, a partir de Novembro já se começam a usar frases do tipo "Se não comes a sopa toda o Pai-Natal não te dá uma prenda", "Se não te portas bem o Pai-Natal fica zangado". Sabem que eu já ouvi isto imensas vezes e talvez já tenha dito para os meus sobrinhos (o meu Leo ainda não conhece o velhinho vestido de vermelho :)) e nunca tinha pensado que tais frases são de muito mau gosto. Os nossos pequenos que vivem com a magia de Natal com tanta ansiedade ainda são ameaçados pelos próprios pais e familiares. Nunca me tinha questionado com tal desproposito que nós adultos fazemos nestes momentos, até que li um post interessantíssimo no blog da Beatriz.
Eu sempre abominei a ameaça com método educativo, sempre tento ver o reverso da moeda nas horas em que os pequenos não se portam bem e fazem birra. Muitas vezes é mesmo dificil e é um esforço agir assim, porque fico também zangada, mas é assim que quero ser, educar sem ameaças. E em vez de um "Se não comes a sopa não vais para a rua brincar" um estimulante dará certamente melhores resultados "Comes a sopa toda e terás força para ires brincar para a rua".


Como Beatriz diz no post: Papai Noel gosta de criança Feliz o Pai-Natal não deve de forma alguma ser usado como uma autoridade na nossa casa. Ele vive na cabeça dos nossos pequenos durante esta época do ano como um senhor muito simpático e amigo das crianças. Não vamos estragar isso.
Obrigada Beatriz por me teres feito reflectir sobre o assunto, que coisa feia é essa de ameaçar com o Pai-Natal... ficou a lição.


"A fantasia é linda, não podemos estragar de nenhuma forma. Deixa o bom velhinho fazer a parte dele e só. A nossa é ensinar aos filhos que nem tudo se negocia!"

domingo, 19 de dezembro de 2010

Prendas de Natal para os mais pequenos


Uma vez o J de 4 anos queria um relógio que dava numa publicidade na TV, o relógio não dava horas era um relógio mágico que quando se carregava nele o boneco da publicidade se transformava em dragão e era um super herói (fazia parte de um desenho-animado que eu agora não sei o nome), o J ficava faxinado com aquela publicidade. E de tanto insistir acabou por ganhar o relógio no dia de aniversário. E o que aconteceu?? Ficou super triste e desiludido.... o relógio não funcionava... por mais que carregasse nos botões ele não se transformava em dragão... A mãe explicou-lhe então que teria que brincar de faz-de-conta que o relógio funcionava sim, funcionava direitinho na sua imaginação. E J passou a adorar o relógio e brinca muito com ele.
Esta é a história de J que eu presenciei e achei lindo ver a imaginação e criatividade do menino se desenvolver. Um brinquedo simples, de plástico colorido, com botões de faz-de-conta, ecrã de faz-de-conta, nem uma bateria tinha para fazer pelo menos "bip bip" ao carregar nos botões. Nada. Não tinha nada. Mas a meu ver um brinquedo cheio de tudo (com vários "bipes bipes", ecrã luminoso e que tinha o puder de transformar J num dragão super-heroí), um brinquedo super valioso, um brinquedo que fez enriquecer certamente aquela cabecinha cheia de sonhos e imaginação. Um brinquedo barato que certamente J não terá medo de brincar muito com ele com medo de estragar. Pois muitas vezes compram-se brinquedos caros, super "tecnológicos" mas que os pequenos não podem brincar sempre, pois podem estragar ou até mesmo porque não sabem brincar com ele sem a presença de um adulto.
Brincar é o "trabalho" das crianças. Brincar desenvolve a criatividade, é a brincar que se aprende como já falei aqui, é a brincar que se aprende os princípios de  interacção social,  a explorar sentimentos, a desenvolver causa e efeito, a estimular  a criatividade e a imaginação como referi já aqui.
Certamente muitos de vocês já fizeram as compras de Natal, mas gostava, no entanto, de partilhar um texto com vocês... um texto que me fez reflectir e pensar duas vezes antes de comprar as prendas das crianças cá da família.

"O brinquedo é o alimento da alma, alimento do sonho, da esperança. A criança que não brinca é como passarinho na gaiola. Perde o canto, perde o voo, perde o sonho. Quando brinca, voa, sonha, constrói e reconstrói mundos. Criança que brinca cria novas melodias e pinta o mundo com sua alegria.
Hoje colocam crianças em gaiolas e as enfeitam de joías, de jogos e brinquedos que brincam sozinhos. Robotizam-lhe a alma, congelam os pensamentos. 
Sim, congelam os pensamentos. A Natureza, o brincar livre oferece fluidez, instiga a criança a pensar, a escolher, não é pré-determinado. Na Natureza tudo é tão novo e tão vivo quanto a natureza da criança. Instiga o pensar, o reflectir, o sentipensar, o criar. No brincar livre a criança encontra sua sintonia e entra na sintonia da vida.
Criança que não puderam brincar, foram como passarinhos engaiolados. Foram obrigados a seguir este ou aquele modelo em nome das boas maneiras, dos bons modos, do não suje a roupa, não faça isso, aquilo; ou foram seduzidas e guiadas pela fantasia que não era sua, era da TV, do jogo electrónico, disto ou daquilo, tornam-se muitas vezes adultos frios, também congelados, mal amados.
Acho muito triste os pais que trabalham dia e noite para comprarem grandes televisões, lindos sofás, enfeitarem as "gaiolas" com lindos e caros brinquedos electrónicos e congelam as crianças para que não estraguem o lindo sofá, a linda cortina, o lindo brinquedo. Ou o brinquedo TV que congela o pensamento da criança...
Crianças não precisam do melhor brinquedo, do meu melhor apartamento ou casa, da melhor e mais enfeitada gaiola. Crianças precisam de sonho, de espaço para criação, de modelos humanos amorosos que lhes transmitam valores de paz, amor, não-violência, cooperação, coragem para não esmorecerem diante dos obstáculos. Modelos, exemplos, referencias que lhes mostrem o valor de sonhar e acreditar que após a tempestade virá a calmaria, que no final do arco-íris ou atrás da montanha pode haver um barril e tesouros - tesouros da alma. Ou mesmo, se não houver, que aprendam a apreciar as flores e a relva do caminho, o sabor de um carinho, a força da gratidão, a luz do coração.
Valores se ensinam vivendo valores e somente pessoas com coerência interna podem transmitir verdadeiros valores porque são igualmente verdadeiras.
Objectos têm preço, seres humanos têm valor e somente damos aquilo que temos.
Dê um minuto de colo, de carinho, de um sim amoroso, de um não igualmente amoroso (porque quem ama pões limites, ensina o caminho recto, transmite o amoroso discernimento), isto não tem preço, tem valor, tem cor, tem sabor, tem amor... Pai, mãe, tio, tia, educadora, quanto valor tem teu amor, tem teu ser? Dinheiro compra enfeites para gaiolas, mas enfeites e alegria para a alma, humanos vivos, com valor e com amor nenhum dinheiro poderá pagar, nenhum jogo, televisão, etc... poderá ensinar."
(Do livro "O Voo da águia: uma autobiografia" de Maria Dolores Alves)

Quando comprar um presente para uma criança pense no valor desse brinquedo. E dar brinquedos sim faz uma criança feliz, abrir um presente dá-lhe felicidade naquele momento. Mas para que esta felicidade se multiplique tem que ser acompanhada de tantos outros sentimentos, não é verdade??
E queremos todos nós ser bons pais, bons adultos para as nossas crianças.... aqui fica o meu desejo para este Natal: não congelem o pensamentos das nossas crianças, vamos dar-lhe assas para sonhar e viver no mundo da fantasia e da imaginação que só a magia da infância permite.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O casal precisa fazer parte da familia

Para o bem estar de uma família existem 2 factores a ter em conta no momentos de tomada de decisões: os filhos e os pais. Lógico?!! E tem que se ter em conta duas questões: "O que precisam os nossos filhos desenvolver para serem pessoas felizes e autoconfiantes?" e "O que precisam os pais para educar os filhos de forma satisfeita e feliz?"  Esta segunda questão está relacionada essencialmente com o casal em si e é muitas vezes posta de lado e esquecida a sua importância. 

Principalmente quando os filhos são ainda pequenos todas as nossas energias de pais são concentradas neles e a relação a dois é posta de parte. É inevitável que a vida de casal depois de ter filhos se altere, temos outras prioridades e responsabilidades, mas não deveríamos ser mais benevolentes quanto a esta dedicação no nosso papel de pais? Não esquecendo que ser pais não é só cuidar dos filhos mas sim cuidar da família como um todo?

Com a chegada do Leo a vida a dois cá de casa sofreu uma forte mudança e o facto de vivermos longe da família ainda torna as coisas mais difíceis.  Acabaram-se quase por completo as saídas a dois, ficamos com os raros jantares mais românticos que fazemos cá em casa, os quais estão permanente em risco se o Leo se lembra de acordar. Pelos testemunhos que leio e pelos casais que conheço isto não é muito diferente do que acontece em casa da maioria das familias. 

E porque é tão importante nós, como pais, não nos esquecermos de viver e aproveitar a nossa vida como casal?

Para construir uma família saudável e feliz é necessário cultivar com empenho todas as partes, deixar parte do jardim ao abandono vai fazer com que as flores comecem a secar. É verdade que existe o sentimento que nos une e a força que filhos em comum nos dá, mas uma coisa é estarmos juntos e felizes pelo que estamos a construir outra coisa é sentirmo-nos como um todo (casal e filhos) nessa construção. Pais felizes e satisfeitos com sua vida de casal são certamente um bom exemplo para os seus filhos. Boa disposição gera boa disposição. E certamente que os momentos menos bons da vida serão encarados de forma mais leve. Estes pais também se irão dedicar aos filhos, também se questionarão com a educação que estão a dar, com as necessidades dos seus filhos, mas estarão atentos a si como casal. Como fazem de tudo para satisfazer as necessidades dos seus filhos farão de tudo para satisfazer as do casal.

E é este equilíbrio entre o nosso papel de pais e casal que é necessário encontrar para a construção de uma família. Se nos dedicamos muito aos nossos filhos, se decidimos dar-lhe a melhor educação que conseguimos, se nos informamos sobre o que eles precisam em cada fase do seu desenvolvimento, se damos unha e carne para o seu bem estar então temos que incluir nessa lista de dedicação aos filhos a dedicação ao nosso parceiro porque só assim a nossa missão de sermos os melhores pais do mundo (pelo menos aos olhos dos nossos filhos) estará completa.

E você dedica-se à sua família como um todo? Eu vou certamente aplicar-me mais :)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Uma questão de prioridades??!!

(Mãe: "Agora não querido, estou ocupada" ; Título do livro: "Como criar o filho perfeito")

 (Pai: "Estou ocupado. Não podes fazer sozinho?" ; Título do Jogo: "Tempo de Qualidade - Basta juntar o pai"

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Prólogo - Birras

Os sentimentos podem-se dividir em negativos e positivos, tendo cada sentimento a sua utilidade, o seu propósito, tal como a raiva que nos faz sair de nós próprios descontroladamente. Expelir os nossos sentimentos é a nossa arma para a liberdade e auto-preservação. Embora que, por cultura, auto-controlo, respeito para com o próximo ou vergonha inibimos dentro de nós.
As crianças pequenas não têm auto-controlo e expressam os seus sentimentos de forma espontânea sejam eles gritos de alegria ou de raiva. Com o crescimento a criança tem que aprender a expressar os seus sentimentos de forma controlada adequada ao contexto social e orientando-os construtivamente.
Os pais podem e têm a função de ajudar a criança a utilizar a sua expressão de sentimentos. Infelizmente a maioria dos pais, incluindo eu mesma, tem problemas em lidar com as crises de fúria dos filhos, a tão discutida birra.
Pois é, meus amigos, com quase 15 meses o Leo entrou na fase das birras. E entrou com força desde Sábado. As primeiras manifestaram-se nas suas brincadeiras, estava ele a fazer uma torre com os blocos de madeira e esta caiu, como sempre acontece. E o que faz o Leo? Fica possuído de raiva  e atira com todas os blocos para bem longe dele. Nem parecia o meu fofo e meigo bebé :(
O auge (até agora) foi hoje na hora do almoço: estava eu a preparar a sopa dele e ele já estava na sua cadeirinha pronto para comer, muito bem disposto. Mas como a sopa estava quente eu não dei logo e disse que tinhamos que esperar.... foi o fim do mundo!!! Berrou, esperneou, chorou... levantou as mãos para me bater... e aí eu fiquei mesmo muito triste, falei calmamente com ele (com um grande esforço porque estava também muito zangada) e disse-lhe que estava muito triste. Deixei que continuasse no seu vendaval e continuei a colocar o almoço na mesa, ele acalmou e comeu alguma sopa. Passado uns minutos voltou a birra do nada... mesmo do nada :( Eu desisti de dar sopa e preparei o prato dele, ficou calmo num instante e começou a comer.
Estávamos nós de volta à nossa harmoniosa hora de almoço em família e o que acontece por surpresa minha??!!! O Leo vê o resto da sopa ainda na mesa e diz muito meiguinho para mim: "Sépa... sépa" e comeu a sopa toda, o prato principal e ainda uma fruta... super meiguinho e bem disposto.
Então eu fiz o diagnóstico: Inicio em avalanche da fase das BIRRAS!!!!
Já li muito sobre o assunto, textos de psicólogos, pedagogos... muitas histórias de outras mães... mas mesmo assim estou a sentir-me muito perdida sem saber o que fazer. Quero lidar com esta fase da forma mais calma e harmoniosa que conseguir. Pois sei que se trata de uma fase e os nossos pequenos precisam é de ajuda e não do nosso desespero.
Sei que a raiva que ele demonstra é a forma descontrolada do seu descontentamento por qualquer motivo, motivo que por vezes aos nossos olhos não faz sentido, mas é nesta fase, mais do que nunca, que temos que ver o mundo com os seus olhos e a sua compreensão, para não fazermos nenhuma injustiça. Sei que a raiva que ele demonstra não é violência. Violência é raiva mal direccionada.... e eu estou aqui para lhe dar as direcções que ele precisa.
Agora só me resta respirar fundo e contar até 10 ou 100 cada vez que vierem as crises... conversar com ele e ser firme. E acima de tudo controlar a minha raiva também... para o ajudar de forma serena.
Se alguém tiver uma poção milagrosa de cura contra este diagnóstico, por favor entre em contacto comigo :)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quando não acontece só aos outros: repensar a nossa atitude na estrada

A aproximação do Natal não me traz só boas recordações, traz consigo também tristeza, magoa, saudade... Faz agora 4 anos que esta época do ano ficou mais cinzenta para mim e toda a minha família.
E porque vos conto agora isto, porque quero partilhar tristeza numa época do ano que partilhamos tantas alegrias?
A resposta é simples, porque quero chegar a mais gente, porque quero que sejam todos mais conscientes, porque quero viajar e andar de carro sem ter medo, tristeza e revolta.
Tinha na altura 23 anos, tinha terminado um curso, tinha trabalho, era feliz com a família e tudo corria bem quando numa fracção de segundos, num cruzamento a meio da noite um camião em excesso de velocidade e um semáforo desligado mudaram sua vida por completo.
A minha prima e grande amiga deixou a sua força de viver naquele dia, com inúmeras fracturas, traumatismos foi para o hospital, seguiram-se operações sem conta e um longo coma induzido.
Lembro-me quando a minha mãe me telefonou a contar o sucedido, na altura estava em Portugal e a minha prima na Alemanha. Tive imediata noção da gravidade da situação, chorei... chorei muito... passei dias a ler artigos na Internet... e mais triste ficava. Toda a família tinha esperanças que ela acordasse bem, mas no fundo todos sabíamos que ia ser difícil.
Ela era uma pessoa muito extrovertida, junto dela só conseguíamos estar com um sorriso na cara, era uma mulher independente mas hoje ela está totalmente dependente, numa cadeira de rodas, não fala (diz não, diz sim e alguns nomes, mas mais não consegue) alimenta-se por uma sonda... enfim perdeu a sua força...
A minha família ficou mais pobre, ficamos mais fortes mas mais tristes... as festas de família (casamentos, aniversários, Natal) perderam parte do seu encanto.
Quantas famílias passam por situações semelhantes, quantas famílias perderam seu entes queridos nas estradas??? E quantas vezes isto aconteceu por inconsciência de um condutor que por ter pressa, por ter bebido álcool, por gostar de velocidades, por distracção mudou a vida de tanta gente.
Eu sempre tive muito medo da estrada, quando estudava fazia todos os fins de semana uma estrada muito perigosa em Portugal, vi muitos acidentes :( mas tive sorte... Sou uma condutora consciente mas já arrisquei algumas vezes sem ter tido noção disso. Porque estava com pressa, porque estava cansada... Mas desde este acidente fiquei ainda com mais medo... passei a andar menos de carro... e quando tem que ser não vou descansada.

Mas será necessário acontecer tais acidentes no nosso meio para sentirmos a necessidade de sermos mais cuidadosos na estrada?
É verdade que nas estradas não dependemos só de nós mas sim de todos que as utilizam, mas se cada um de nós pensar antes de meter a sua vida e a dos outros em risco penso que teremos um mundo melhor... com menos famílias desmembradas, menos famílias tristes e pobres.

E porque prevenir é o melhor remédio, vamos conduzir mais atentos, vamos dar bons exemplos aos nossos filhos... vamos contribuir para termos famílias felizes...
Pensem nisto e conduzam com cuidado....

(As imagens fazem parte de uma campanha de sensibilização aqui na Alemanha, contra os excessos de velocidade nas estradas)
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