Uma coisa que me deixou bastante perplexa quando entrei no mundo do ensino foi o elevado número de crianças consideradas hiperactivas, o elevado número de crianças que não se sabia comportar em sala de aula além da falta de educação dos pequenos (sobre este último conversaremos outro dia). Considerei que se tratava de um problema pontual que seria somente nesta escola, mas não fiquei por aqui e investiguei sobre o assunto e realmente cheguei à conclusão que esta é uma realidade (pelo menos em Portugal). Cada vez mais crianças são levadas ao médico e lhes é diagnosticada a famosa hiperactividade e mais grave que isso é que são medicadas com calmantes para ficarem mais calmos. Será para darem descanso aos pais e professores?
Sobre hiperactividade existe imensa informação diz-se que é das doenças infantis mais faladas da actualidade e eu questiono-me. Porque será que quando andei na escola nenhum dos meus colegas era hiperactivo? E agora visito uma escola e encontrarei certamente crianças com esse diagnóstico? Será que é uma doença ou um sinal de evolução e no futuro seremos todos hiperactivos? Será que não estão a confundir a hiperactividade com falta de concentração, com falta de orientação, com falta de foco, com excesso de estímulos das crianças? (se eu estiver muito errada por favor corrijam-me) Será que é falta de paciência dos país, professores e profissionais de saúde para lidar com a energia de uma criança?Acredito que a doença exista, acredito que não deve ser fácil para país que realmente têm filhos hiperactivos lidar com a situação, lidar com problemas de desatenção, agitação motora, impulsividade dos filhos. Mas vamos ser realistas e críticos no diagnóstico da doença, por favor... não vamos encher os nossos filhos de calmantes, criança é criança, criança tem energia, ela precisa é desde cedo ser bem canalizada.
Estarão certamente de acordo comigo quando digo que os tempos que correm são bem diferentes daqueles em que nós pais crescemos. Existem tantos estímulos, tantas novidades, tanta informação a ser processada que, acredito eu, a criança precisa mais apoio e orientação dos pais. E o que é que acontece na realidade? Vivemos num mundo que cada vez menos tempo dá às crianças, que cada vez menos humanamente as orienta e as ajuda a canalizar as suas energias.
Vivemos num mundo que preenche o tempo das nossas crianças com estímulos "não humanos" para os adultos poderem ter descanso. (a meu ver se querem "descanso" não tenham filhos)
O mundo parece-me estar de pernas para o ar.... sei que falo de barriga cheia, pois sou uma mãe que tem o privilégio de viver em pleno a infância do meu filho e que posso fazê-lo, mas também conheço muitos país que trabalham muito e que sabem dar atenção aos seus filhos, que sabem, que se preocupam em orientar o pequeno que hoje tem uma tarefa bem mais complicada daquela que tínhamos nós enquanto crianças.
Os nossos filhos precisam de mais ajuda, precisam do nosso apoio para enfrentar este mundo cheio de tudo e nós precisamos muita paciência e dedicação.
Não vamos meter tudo no mesmo saco: hiperactividade, incapacidade de estar quieto ou falta de concentração. É importante dar o valido respeito à doença e se realmente a criança sofre dela devemos recorrer a profissionais especializados para ter a certeza antes que se confunda a hiperactividade com "energia não canalizada". (mais sobre o assunto)
E o que é que está em jogo neste aumento do número de crianças hiperactivas ou ditas muito agitadas?
A meu ver é muitas vezes falso diagnóstico e pura e simplesmente um problema de concentração. Todos devemos treinar a nossa concentração que só com ela conseguimos fazer actividades bem feitas com motivação e com frutos. As nossas crianças precisam deste treinamento em especial e não só porque estão numa fase de desenvolvimento e imensa aprendizagem mas também porque estão sujeitas a muitos estímulos com os quais têm que saber viver mas também exteriorizar.
"Estar concentrado é poder estar sozinho consigo próprio" e as nossas crianças não estão a ser capazes de o fazerem sozinhas temos que as orientar.
Quem se tornará num adulto equilibrado se não tiver a capacidade de se auto-interrogar de tirar um tempo para si mesmo, para as suas filosofias?



















