segunda-feira, 25 de abril de 2011

A primeira -ite: Laringite Subglótica

Desaparecida daqui por motivos não desejados... o meu tesouro adoeceu, teve a sua primeira -ite.
Começou sem aviso prévio... segunda-feira o Leo foi dormir aparentemente super saudável e na terça de manhã acordou doente. Nessa noite dormiu 12 horas seguidas, o que eu achei bastante estranho (nunca tinha dormido mais de umas 8h seguidas e muito raramente), certamente o seu sistema imunitário estaria bastante ocupado em reagir no seu corpinho que o fez dormir tantas horas. Acordou a chorar e com muita dificuldade em respirar fiquei super assustada.
Ele melhorou um pouco depois de eu o acalmar, fomos ao pediatra, tomou imediatamente um supositório de cortisona e fez vapores... a dificuldade em respirar e o barulho rouco que fazia não melhoravam... diagnóstico: "Não sei o que ele tem, deveria melhorar com o supositório, é melhor ir imediatamente para o hospital" - (Ouvir de um pediatra "Não sei o que ele tem" é assustador) e lá fomos nós. Depois de vários exames e muito choro o Leo foi melhorando a respiração e começou a fazer febre (38,5ºC), ficamos no hospital. No dia seguinte o médico disse que ele estava com Laringite Subglótica também conhecida por Pseudocrupe, um nome tão pomposo e feio que só de ouvir mete medo... mas embora possa ser bastante grave para nós foi só um susto. Ficamos 3 dias no hospital, fechados num quartinho pequeno com mais dois bebés de poucos meses todos com doenças infecciosas, não podíamos sair do quarto para não contagiar as outras crianças do hospital. O Leo estava super saturado de estar no mesmo sitio, não dormiu nada as duas noites, com dois bebés a acordar para mamar de 3 em 3 horas e não nas mesmas 3 horas, o pobre Leo acordou imensas vezes. Cheguei a pensar que seria melhor para ele estar em casa... hospitais por vezes colocam-nos mais doentes do que aquilo que já estamos...
No segundo dia o Leo chegou a ter 40, 3ºC de febre mas na sexta a febre desapareceu assim como apareceu e a dificuldade de respirar passou completamente.
Agora o Leo está super carente, dorme muito e parece sempre rabugento, tadinho... quando chora ou se chateia ainda respira fazendo um ruído mas está muito melhor. Já não está a tomar medicação (a única que tomou foi supositórios para a febre, mas tenho um supositório de emergência que devo usar em caso que lhe falte o ar - colocar o supositório e correr para o hospital).
A Páscoa por aqui foi bem agitada...

Alguma informação sobre a doença:

Laringite subglótica - Pseudocrupe
Esta forma de laringite, que afecta as crianças mais pequenas, especialmente entre os 6 meses e os 3 anos de idade, costuma ser provocada por uma infecção viral. Caracteriza-se por uma inflamação aguda da mucosa laríngea, predominantemente por baixo das cordas vocais, podendo ocasionalmente alastrar para a traqueia e para os brônquios (laringotraqueobronquite).
Tendo em conta que nas crianças pequenas a laringe é um canal muito mais estreito do que nos adultos, uma inflamação das suas paredes provoca grandes dificuldades à passagem do ar até aos pulmões, podendo obstruí-lo por completo. Trata-se de uma situação muito grave, porque pode originar um quadro de asfixia.
Manifestações:  A doença costuma manifestar-se subitamente através de uma intensa dificuldade respiratória nas crianças afectadas por uma infecção das vias respiratórias superiores, sendo normalmente banal. Na maioria dos casos, costuma surgir durante a noite, provocando o despertar da criança, com o aparecimento de uma tosse típica semelhante a um latido, de rouquidão e de uma evidente dificuldade respiratória, que se intensifica durante a inspiração. As inspirações são longas, sendo acompanhadas por um ruído rude e agudo, denominado "estridor laríngeo", com um notório esforço da musculatura respiratória fácil de detectar, sobretudo pelo adejo nasal e pela retracção dos músculos intercostais e supraclaviculares. A doença, que pode ser mais ligeira ou mais grave conforme os casos, persiste entre três a cinco dias, durante os quais parece melhorar durante as manhãs e piorar ao longo das noites. Por vezes, o esforço para respirar esgota a criança, que mostra sinais inequívocos de sofrimento, e a sua respiração torna-se cada vez mais superficial. Caso a inflamação laríngea seja muito intensa, pode impedir a chegada de ar suficiente aos pulmões, o que provoca um défice de oxigenação do sangue, traduzido numa coloração azulada da pele e das mucosas, sobretudo nos lábios e extremidades. Nestes casos, se a situação não for rapidamente solucionada, a criança pode sofrer uma alteração do estado de consciência e entrar em coma, podendo morrer em consequência da asfixia.
Tratamento: Como não se pode prever a evolução da doença, impõe-se uma actuação terapêutica imediata, sempre que a situação necessitar de uma pronta intervenção. É, portanto, necessário levar a criança a um serviço de urgência. Enquanto se aguarda pela ajuda profissional, é fundamental manter um ambiente tranquilo e evitar que a criança chore, pois estará muito assustada e tanto o choro como o nervosismo podem agravar a dificuldade respiratória. Também é conveniente que a criança respire num ambiente húmido (por exemplo, no banho, ao deixar correr a água do duche).
Quando a criança já estiver sob vigilância médica, deve-se recorrer administração de potentes anti-inflamatórios corticosteróides, de modo a diminuir a inflamação laríngea e solucionar a obstrução da passagem de ar para os pulmões. Nos casos ligeiros ou moderados, o tratamento pode efectuar-se na própria casa; contudo, nos casos mais graves, é necessário o internamento hospitalar. Por vezes, a administração de fármacos não é suficiente para assegurar a passagem de ar para os pulmões, o que implica a realização de uma intubação traqueal, ou seja, a introdução através da boca ou do nariz da criança de um tubo plástico flexível que atravessa a laringe até a traqueia. Em alguns casos, a inflamação laríngea é tão grande que é necessário proceder-se a uma traqueostomia, ou seja, a uma incisão na traqueia, através do pescoço, de modo a introduzir directamente uma cânula no seu interior e permitir que o ar aceda aos pulmões. A criança deve permanecer internada, sob constante vigilância, até que a inflamação ceda e se possa retirar o tubo, o que pode levar dois ou três dias.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A brincar também se aprende - uma questão de concentração

Lembro-me, de quando pequena andava de carro com a minha família, brincava com os meus irmãos para a viagem não ser tão aborrecida, brincávamos a jogos de palavras, cores, letras e números e era mesmo muito divertido. Por vezes, ganhava um ponto quem encontrava primeiro um carro com matrícula com 2 números iguais, outras com 2 letras iguais, outras vezes contávamos os carros de determinada cor, cada um tinha uma cor e quem contasse mais ganhava, lembro-me que o meu irmão muitas vezes me dava uma cor tipo rosa ou amarelo com bolinhas azuis e eu ficava triste por não contar carro nenhum :)
Estes jogos além de serem uma boa ferramenta para tornar as viagem mais curtas são óptimos para exercitar o nosso cérebro. E a brincar se vai aprendendo a nos mantermos mais concentrados.

Hoje deixo aqui uma série de jogos divertidos para jogar em família a qualquer momento. Jogos que além de proporcionarem momentos em família agradáveis permitem fazer um pouco de ginástica ao cérebro.

1. Corrigir errando - A mãe ou o pai colocam a  mão no nariz e dizem "Este é o meu cotovelo!" a criança deverá tocar no cotovelo e dizer "Este é o meu nariz!", repete-se o jogo com as diferentes partes do corpo aumentando a velocidade de reacção. A mãe ou o pai devem falar cada vez mais rápido e a criança tentar responder também cada vez mais rápido;

2. Memória e vocabulário -  A mãe ou o pai deverão colocar vários objectos sobre a mesa (aqui vale tudo) a criança observará os objectos durante 1 minutos e vira-se, retira-se um ou dois objectos sem que ela veja e ela vira-se novamente e terá que adivinhar qual o objecto ou objectos que faltam;

3. Viagem de sonho - Pais e crianças deitam-se no sofá ou na cama fecham os olhos e o pai ou a mãe começam a descrever uma viagem de sonho com muito sentimento e fantasia, todos deverão manter os olhos fechados e deixar a imaginação viajar (um óptimo jogo como exercício de relaxamento, bom também para fazer minutos antes de ir dormir);

4.  Habilidade e paciência - Pais e crianças constroem juntos castelos de cartas, jogam mikado ou jenga e estarão a treinar a suas habilidades de movimentos de precisão além da paciência (aquele que se mantiver mais calmo e paciente terá certamente melhores resultados), (aqui com o Leo, como ele ainda é pequeno, fazemos somente torres com bloquinhos de madeira até que fiquem bem altas e caiam, ele adora :) );

5. Sentir e descobrir -  Colocar numa caixa uma mistura de sementes secas (um pouco de ervilha seca, feijão, grão, lentinhas...) e tapar com um pano opaco. Escolher determinada semente (por exemplo ervilhas) e cada um terá que tirar o maior número de ervilhas que conseguir durante um minuto, mas sem olhar identificando somente através do toque (com o Leo cabo por brincar somente com as sementes e digo-lhe os nomes, ele sente, identifica e enriquece o seu vocabulário, mas atenção com crianças muito pequenas pode ser perigoso brincar com sementes estejam sempre a vigiar não vá o pequeno colocá-las no nariz);

6.  Treinar equilíbrio usando a concentração - Colocar uma corda no chão da sala e a criança deverá tentar caminhar sobre ela, de preferência descalça, sem se desequilibrar. Ou cortar quadrados de papel (A5) e espalhar pela sala ou pelo jardim, a criança deverá saltar de papel em papel sem se desequilibrar até à meta.

7. Mind games - Existe um grande número de jogos, tais como, puzzles, quebra-cabeças, procurar diferenças, procurar pares, jogos de cartas e também os chamados "pocket trainer" que desenvolvem a ambição e concentração das crianças e que podem proporcionar uns divertidos momentos em família.

8. Ouvir música, explorar sentimentos- Pais e crianças ouvem juntos um pedaço de uma música instrumental. O pai ou a mãe descrevem o que pensaram e sentiram ao ouvir a musica (por exemplo: viu uma paisagem, nevoeiro, ventos) a criança deverá descrever o que sentiu. depois juntos podem construir uma história com aquilo que imaginaram;

9. Ilusão óptica: Explorar o que cada um vê na imagem pode ser muito divertido e aguçar a imaginação dando muitas gargalhadas, além de desenvolver a concentração e percepção.

10. Contador de histórias: a linguagem é a base de todos os processos de pensamento. Portanto, é importante despertar o poder da fala desde cedo e de forma contínua. Estimulando a imaginação da criança contando uma história é um método divertido. A mãe ou o pai começam por exemplo com a frase: "Um homem com um chapéu passeava num parque..." Depois a criança faz mais uma frase contando um pouco mais da história. No final ficará uma história rica em imaginação e fantasia inventada por toda a família. 

Aqui ficam, desta vez, 10 ideias. E vocês conhecem jogos divertidos que fomentam a união da família e das conexões cerebrais?

terça-feira, 12 de abril de 2011

Como dar fim às birras do seu filho

Um título bem comprometedor, não acham?
Pois, foi o que eu pensei, quando li este artigo, no site mdemulher, fiquei intrigada, só pelo título, sobre o que poderia estar escrito nele. Certamente não ia encontrar umas palavras mágicas, uns pozinhos de perlimpimpim para resolver todos os males de uma criança que faz birra (o Leo ainda não está numa fase difícil, não me posso queixar, mas a chegada de tempos mais dificeis adivinham-se, estão muito de leve a começar a dar o ar da sua graça), mas fiquei curiosa e li. E certamente, para muitas de vocês, não trará nada de novo mas achei que era um texto tão bem conseguido que não pude deixar de partilhar com vocês.
Em poucas palavras é dada a solução que todas nós sabemos qual é e que mais uma vez pertence ao lote de coisas que me fazem gritar bem alto: "EDUCAR NÃO É FÁCIL"  mas que também mais uma vez me dá a certeza de que sou mãe e por isso tenho deveres a cumprir e um dos que mais me empenho é ajudar o meu filho em todas as fases do seu desenvolvimento e se vem aí mais uma fase dificil, estaremos aqui os dois, juntos como deve ser, para enfrentar mais esta.

Seu filho está naquela fase que chora para tudo e, até mesmo, mostra ter um comportamento agressivo quando não consegue o que quer? Saiba o que fazer para controlar a situação
Você se acostumou com o bebê sempre calminho e receptivo e agora precisa lidar com uma nova faceta do pequeno, pois entraram em cena as primeiras atitudes de confronto? Saiba que nem sempre é fácil lidar com os escândalos protagonizados pelas crianças. É preciso ter pulso firme e, principalmente, saber dizer não.
Por que o bebê faz birra?
Quando o bebê já se comunica com mais facilidade, por meio de palavras ou de gestos, ele quer que sua vontade seja sempre feita. E, de preferência, imediatamente! "Toda criança, nessa fase, manifesta comportamentos de birra. Isso é natural e até esperado. Significa que ela está começando a se perceber e deseja se afirmar. Esse processo é positivo e fundamental para a formação da identidade", explica a psicanalista infantil Ceres Alves de Araújo, de São Paulo.
O problema é que muitas crianças apresentam reações desmedidas diante das contrariedades e acabam deixando os pais sem saber como agir. "O primeiro passo é ter paciência e acolher o filho, entendendo que ele está passando por uma fase completamente nova em seu desenvolvimento. Quando ele toma o brinquedo da mão do amigo sem a menor cerimônia, usando até certa agressividade, age obedecendo a sentimentos que ainda não conhece, mas que consegue perceber e expressar de modo muito intenso. O fato é que ele ainda não sabe lidar com as próprias emoções", exemplifica a psicanalista infantil Anne Lise Scappaticci.
O que os pais devem fazer?
Tenha paciência: o apoio e a mediação dos pais, nesses momentos, fazem toda a diferença. Afinal, deve-se legitimar os sentimentos do filho e, ao mesmo tempo, dar um fim aos comportamentos exagerados ou inaceitáveis. "Cabe à família avaliar cada situação. Às vezes, o caminho é explicar à criança que o desejo dela não poderá ser atendido e deixá-la chorar. As reações do bebê são exgeradas, mas costumam passar rápido. Em outros momentos, porém, depois de intervir e impor o limite, é preciso apaziguá-lo", diz Ceres.
Mantenha a calma: você não pode se contaminar pelo nervosismo do seu filho. Tente explicar ao bebê que aqueles gritos e batidas de pé são inadequados. Ao mesmo tempo, ofereça um modelo do que seria correto. Por exemplo, diga: "Você não pode pegar o brinquedo da mão do amigo, mas que tal brincarem juntos com esses bonecos?" E vá distraindo a criança até que ela se recomponha. Segundo Anne Lise, apresentar alternativas faz com que o pequeno não insista no erro. "Senão, a birra vira uma espécie de obsessão. Sempre que dizemos 'não', temos que apresentar um 'sim', uma referência do que é correto. Essa atitude deixa a criança mais segura em relação ao que deve fazer", garante a especialista.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Concentração pode-se aprender?

Pessoas concentradas são calmas mas não paralisadas, são sim pessoas atentas e com potencial. E é num ambiente calmo que uma criança aprende a estar acalma e concentrada. Uma criança de apenas um ano poderá ser capaz, se o ambiente lhe proporcionar essa ajuda, brincar durante 1 hora completamente concentrado com blocos de Legos, juntando-os e separando-os. As interrupções durante estes momentos são fatais para a sua concentração (quantas vezes já vi o Leo a brincar sozinho caladinho e concentrado e lá vou eu perguntar: "Morzito que estás a fazer?") e a criança acaba por aprender a se ocupar sozinha por períodos muito curtos.
Neste sentido, é importante que antes de querermos que os nossos filhos aprendam a se concentrar, nós próprios o consigamos fazer e que entendamos a importância que isso tem para a nossa vida.

Ter um estilo de vida calmo, fazendo o nosso dia-a-dia tendo claras as nossas metas e desafios. Não tentar fazer tudo de uma vez, acabando por não fazer nada...  Em vez disso, faz cada coisa com a maior dedicação, entrega-te. Dá atenção aos outros, ouve, tenta respeitar cada ponto de vista, mesmo que sejam contrários dos teus. O nosso mundo é tão diversificado, existem tantas coisas para descobrirmos... temos que estar em equilíbrio para que possamos dar valor ao que nos é oferecido. E para isso não nos podemos dar ao luxo de pasmar para a vida, e não se confunda aqui descansar com pasmar. Pasmar é deitar fora tempo de vida. Descansar é recarregar energias e só precisamos descansar quando as energias se acabam.


Mas não dispersando demasiado nos meus desvaneios de pensamentos...

A concentração pode sim ser aprendida mas não forçada. Se não permitimos um ambiente propicio, se não temos uma vida calma e dedicada, como poderemos transmitir essa necessidade ás nossas crianças?
Não adianta ficar ao lado da criança e dizer: "Agora vais-te concentrar.", com este comportamento só conseguiremos criar pressão e impaciência. Concentração exige uma "vontade" e um "à vontade". As crianças aprendem por imitação, se lhe mostrarmos calma e interesse pelo saber, fazer e fazer-bem iremos contagiá-las.

Já passeaste com o teu filho pela natureza de forma "exploratória"??? Explora com o teu filho, e para o teu filho, o mundo novamente: "Quantos tons diferentes de verde conseguimos distinguir na natureza?", "Que formas têm as pétalas das flores?", "Que elementos na natureza consegues conhecer só de apalpar?", "Que sons consegues identificar só de ouvir?"
Treina a tua percepção com o teu filho, estes jogos de perguntas de exploração são divertidos e uma percepção treinada é um pré-requisito para a aprendizagem e compreensão, além de desenvolver a capacidade de concentração. Quem observa superficialmente aprende superficialmente... e superficialmente muitas coisas são iguais. E porque é que temos que aprender coisas que não nos trazem nada de novo? Somente quando sabemos porque é que temos que aprender, aprendemos com motivação, entusiasmo e interesse.
Só quem vê o significado de determinada actividade consegue se absorver na mesma. Só quem compreende a importância da capacidade de concentração, da capacidade de pensar "com todas as cartas" consegue analisar e questionar seu próprios valores, suas próprias metas e desafios: "quem?", "onde?", "quando?", "porquê? e "o quê?". Terá ferramentas para aprender, para saber falar, ouvir e questionar...

Crianças são crianças têm muita energia e precisam libertá-la e se não queres que ela seja libertada na tua falta de paciência, na paciência de um professor ou de um coleguinha da escola concentra-te na educação do teu filho... ajuda-o a pensar, a ouvir, a questionar. Não acredito que uma criança mal comportada ou irrequieta em casa faça o mesmo num passeio exploratório pela natureza. De uma coisa pode estar certa, o teu filho será uma pessoa mais calma e equilibrada se se souber concentrar-se mas para isso tens que lhe mostrar que também és capaz de o fazer, que és capaz de te envolver.... e  não é a preencher o seu horário de actividade mas sim a passar mais tempo juntos, a questionar mais, a brincar mais a envolver-te mais. Nunca ninguém disse que educar era fácil....
A próxima vez que achares que o teu filho ou o filho do vizinho são irrequietos, mal comportados, desatentos não te esqueças que eles são crianças e crianças têm muita energia por natureza que só será bem canalizada se lhe dermos uma ajuda, e no meu modesto ponto de vista tudo não passa de uma questão de concentração. Que envolve não só a criança mas toda a família.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Adaptação ao infantário - tempo sem a mamã

A adaptação não está a ser tão fácil como fazia parecer na primeira semana... e a saga continua. Já tivemos a parte1, a parte 2 e hoje deixo aqui a parte 3 :(

Primeiro tinha duvidas se deveria ir em frente com este "tempo sem a mamã" depois o Leo ajudou-me a decidir e foram 2 dias bastante bons ele ficava a brincar sem chorar, no terceiro dia choramingou um pouco quando sai mas calou-se logo e ficou a brincar com as outras crianças. A partir de então deixo-o a chorar e encontro-o a chorar...
Parece-me que os primeiros dias era só o efeito da novidade, agora que ele sabe que eu o vou deixar ali ele chora mesmo antes de entrar na salinha. Ando de coração partido...
As educadoras são muito simpáticas, conversei com elas para ver como seria a  melhor forma de fazer a adaptação com o Leo (ele tem que se adaptar ao "tempo sem a mamã" e ao alemão, que ele ainda não entende muito). Vou 3 dias por semana (segundas, quartas e sextas) fico com ele 10 minutos e ele sempre a choramingar, converso muito  e saio. Espero no sofá da entrada até ele se calar (3-4 minutos) vou fazer a minha ginástica e elas ligam-me dizendo como ele se está saindo. Ele brinca um pouco, depois chora, depois volta a brincar, depois chora... ao fim de 1 hora (meta que estabelecemos como limite se ele estiver a chorar) eu desço. Ele quer logo colinho, mas depois de acalmar vamos os dois para as mesinhas pequeninas, que ele adora e fazemos um lanchinho juntos. Aproveitamos este tempo para conversar com ele, eu e a educadora e ele fica super animado e quer mostrar-me todos os brinquedos (a educadora diz ser um bom sinal de adaptação).
E tem sido assim... nada fácil. Uma horinha por dia, dia sim, dia não. De casa sai todo animado com a sua mochila, mas chega lá e chora.
Hoje foi o 6º dia, 4 dos quais ele ficou a chorar e só conseguimos ficar 1 hora. Assim escrito não parece muito tempo... mas para mim parece imenso... ai como e difícil deixa-lo lá. A dependência não é só do filho pela mãe... a mãe aqui também está muito dependente do pequeno e fico triste e nervosa todos os dias que o deixo lá na salinha e vou "cuidar" de mim.

Talvez alguma de vocês tenha dicas que possam facilitar a adaptação do meu pequeno... podem sugerir tudo que eu estou aqui para ouvir tudinho...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Filho irrequieto - Aprender a concentrar-se

Como falei no último post - Hiperactividade ou incapacidade de estar quieto? - e que muitas de vocês acabaram por concordar comigo, considero que uma das principais causas que leva as crianças a serem irrequietas, rotuladas de hiperactivas e mal educadas é a falha na dedicação (por nós, pais) em ajudar e ensinar os pequenos a canalizar as suas energias.
Criança é criança, criança tem muita energia é muito curiosa, não tem noção de tempo e de momento e precisa de aprender essas noções. Criança é despreocupada, criança corre por correr, salta por saltar.
E além da natureza da criança hoje ela tem um novo desafio, tem muita distracção, tem preocupações (este mundo está perdido) com horários da escola, horário do futebol, do judo, da dança, da natação e ainda tem que levar com o stress dos adultos, que chegam do trabalho cansados e que têm uma imensidão de coisas para fazer e assim passa o dia... a criança é envolvida em tanta agitação que perde o seu foco de diversão. Não sendo acompanhada pelos pais ou se senta longas horas frente à TV (onde lhe é dada uma falsa ideia de calma e de momento de descanso) e frente ao PC ou acaba a pular e a correr pela casa querendo ocupar-se sem saber muito bem como.
E é neste ponto que eu acho essencial a presença dos pais. Os nossos filhos precisam de apoio e não é só para terem as suas necessidades básicas atendidas (comida e roupa lavada) mas para se sentirem capazes de seguir a cada etapa que a vida lhes apresenta.
E para que uma criança se consiga sentir em equilíbrio entre os estímulos que lhes são apresentados diariamente e o seu desenvolvimento é muito importante que esta se consiga concentrar, que consiga estar com ela própria.
Já referi a importância da concentração em vários post pois considero ser um problema grave nos tempos modernos, as pessoas em geral não se conseguem concentrar, não conseguem tirar um tempo para ficar consigo mesmas, uma criança que seja ajudada desde cedo a aprender a concentrar-se atingirá com maior facilidade os seus objectivos, nas suas brincadeiras, nas conversas e nos resultados obtidos ao longo dos seus estudos. Conseguirá abstrair-se da avalanche de estímulos que o mundo nos apresenta quando sentir necessidade disso, conseguirá pensar (ohhh como é importante pensar... e tanta gente se esquece disso) e ainda acredito que conseguirá canalizar as suas energias (quando estiver a brincar, estará a brincar; quando estiver a competir num jogo de futebol estará a competir e quando estiver a aprender na escola, estará a aprender).

Se uma criança tem problemas de concentração, não consegue envolver-se numa actividade e fica irrequieta com muita facilidade somos sem duvida nós pais os responsáveis, não chega meter a cria frente à TV ou ao computador, é preciso envolvermo-nos com eles, sim dá trabalho, exige muita dedicação da nossa parte, mas nunca ninguém disse que educar era fácil... E podemos estar certas que as crianças aprendem rápido e aprendem primeiro na família com o exemplo que lhes é dado, aprendem a se concentrar e a envolver-se em algo com garras durante as simples actividades em família: às refeições, ao ouvir uma historia ou a jogar um jogo de tabuleiro - não é só na escola.

E como podemos ajudar os nossos filhos a desenvolver a sua concentração?
- Rotina:  horas para fazer os trabalhos de casa, horas de sono, para tomar banho e para as refeições estabelecidas são uma mais valia para a criança se sentir orientada, será mais fácil para ela saber como ocupar o seu tempo;
- Espaço - Um local calmo e organizado para fazer os trabalhos da escola ou ler um livro: um sitio onde a criança se sente bem, onde ela sabe que ali é o silêncio e a concentração que impera; este lugar é essencial para crianças que já frequentam a escola mas se for criado mesmo para crianças pequenas só trará vantagem. A presença de um cantinho de leitura, um cantinho de desenho em casa criará bons hábitos;
- Recompensa -  nunca interromper uma criança que se conseguiu concentrar num trabalho mesmo que demore a fazê-lo, ela tem que aprender aos poucos a se organizar e nunca esquecer de compensar o esforço, umas palavras queridas depois do trabalho feito valem muito numa criança;
- Movimento -  a actividade física aumenta a concentração e a capacidade de pensar. Sabias que: "Quem gasta 40% da sua energia com actividade motora fornecerá mais 20% de fluxo sanguíneo ao cérebro, essencial na sua actividade." já se diz faz muito: "Corpo sano... mente sana"
- Alimentação -  não é novidade para ninguém que uma alimentação saudável é essencial. Demasiados açucares tornam as crianças mais agitadas. Um estudo inglês mostrou que ocorre um aumento da concentração em crianças em idade escolar quando estas se alimentam com produtos naturais (muita fruta, legumes e comidinha da mamã) e bebem água em vez de refrigerantes e fast-food. E que o essencial para as células cerebrais é o omega-3 que está presente no peixe e a fosfatidilserina, presente na carne, fígado e ovos.

Mas apesar de estar ao nosso alcance ajudar os nosso filhos a canalizar as suas energias e concentrarem-se nas suas actividades não nos podemos esquecer nunca que estamos a lidar com crianças, que precisam de liberdade e de brincar muito. Que são crianças e por natureza irrequietas.

Que estar concentrado não se restringe a aprender com livros, ler, escrever e fazer contas mas também a brincar é possível estar concentrado. Existe uma série de jogos em família que são muito divertidos e que além de proporcionarem momentos de convívio essenciais para uma família saudável, a todos os níveis, ajudam os pequenos a se concentrarem e a levarem essa habilidade para a vida.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Hiperactividade ou incapacidade de estar quieto? - uma questão de concentração

Falei aqui faz algum tempo sobre a importância de uma criança desenvolver a sua capacidade de concentração e como este desenvolvimento deve ser auxiliado por nós pais e educadores: "O meu filho não pára quieto - uma questão de concentração".
Uma coisa que me deixou bastante perplexa quando entrei no mundo do ensino foi o elevado número de crianças consideradas hiperactivas, o elevado número de crianças que não se sabia comportar em sala de aula além da falta de educação dos pequenos (sobre este último conversaremos outro dia). Considerei que se tratava de um problema pontual que seria somente nesta escola, mas não fiquei por aqui e investiguei sobre o assunto e realmente cheguei à conclusão que esta é uma realidade (pelo menos em Portugal). Cada vez mais crianças são levadas ao médico e lhes é diagnosticada a famosa hiperactividade e mais grave que isso é que são medicadas com calmantes para ficarem mais calmos. Será para darem descanso aos pais e professores?
Sobre hiperactividade existe imensa informação diz-se que é das doenças infantis mais faladas da actualidade e eu questiono-me. Porque será que quando andei na escola nenhum dos meus colegas era hiperactivo? E agora visito uma escola e encontrarei certamente crianças com esse diagnóstico? Será que é uma doença ou um sinal de evolução e no futuro seremos todos hiperactivos? Será que não estão a confundir a hiperactividade com falta de concentração, com falta de orientação, com falta de foco, com excesso de estímulos das crianças? (se eu estiver muito errada por favor corrijam-me) Será que é falta de paciência dos país, professores e profissionais de saúde para lidar com a energia de uma criança?
Acredito que a doença exista, acredito que não deve ser fácil para país que realmente têm filhos hiperactivos lidar com a situação, lidar com problemas de desatenção, agitação motora, impulsividade dos filhos. Mas vamos ser realistas e críticos no diagnóstico da doença, por favor... não vamos encher os nossos filhos de calmantes, criança é criança, criança tem energia, ela precisa é desde cedo ser bem canalizada.
Estarão certamente de acordo comigo quando digo que os tempos que correm são bem diferentes daqueles em que nós pais crescemos. Existem tantos estímulos, tantas novidades, tanta informação a ser processada que, acredito eu, a criança precisa mais apoio e orientação dos pais. E o que é que acontece na realidade? Vivemos num mundo que cada vez menos tempo dá às crianças, que cada vez menos humanamente as orienta e as ajuda a canalizar as suas energias.
Vivemos num mundo que preenche o tempo das nossas crianças com estímulos "não humanos" para os adultos poderem ter descanso. (a meu ver se querem "descanso" não tenham filhos)
O mundo parece-me estar de pernas para o ar.... sei que falo de barriga cheia, pois sou uma mãe que tem o privilégio de viver em pleno a infância do meu filho e que posso fazê-lo, mas também conheço muitos país que trabalham muito e que sabem dar atenção aos seus filhos, que sabem, que se preocupam em orientar o pequeno que hoje tem uma tarefa bem mais complicada daquela que tínhamos nós enquanto crianças.
Os nossos filhos precisam de mais ajuda, precisam do nosso apoio para enfrentar este mundo cheio de tudo e nós precisamos muita paciência e dedicação. 
Não vamos meter tudo no mesmo saco: hiperactividade, incapacidade de estar quieto ou falta de concentração. É importante dar o valido respeito à doença e se realmente a criança sofre dela devemos recorrer a profissionais especializados para ter a certeza antes que se confunda a hiperactividade com "energia não canalizada". (mais sobre o assunto)
E o que é que está em jogo neste aumento do número de crianças hiperactivas ou ditas muito agitadas?
A meu ver é muitas vezes falso diagnóstico e pura e simplesmente um problema de concentração. Todos devemos treinar a nossa concentração que só com ela conseguimos fazer actividades bem feitas com motivação e com frutos. As nossas crianças precisam deste treinamento em especial e não só porque estão numa fase de desenvolvimento e imensa aprendizagem mas também porque estão sujeitas a muitos estímulos com os quais têm que saber viver mas também exteriorizar.
"Estar concentrado é poder estar sozinho consigo próprio" e as nossas crianças não estão a ser capazes de o fazerem sozinhas temos que as orientar. 
Quem se tornará num adulto equilibrado se não tiver a capacidade de se auto-interrogar de tirar um tempo para si mesmo, para as suas filosofias?


segunda-feira, 28 de março de 2011

Domingo chuvoso, segunda-feira radiante - e mais sobre a adaptação ao infantário

Em primeiro lugar quero agradecer todos os comentários ao meu ultimo post- Adaptação ao infantário, ama e afins- tempo sem a mamã - Sentia-me culpada pelo choro de abandono do Leo, e mais ainda porque não é por tenho que ir trabalhar mas sim para cuidar de mim para ter um tempinho para mim e isso me fez parecer egoísta. Os vossos comentários me deram força, obrigada :)
É verdade que não é por obrigação que o Leo vai passar 4 dias por semana por 2h-2h30 no infantário, mas porque é necessário:
- é necessário eu ter um tempinho para mim (estar longe da família, como já referi, torna-se dificil ter tempo para nos sentirmos também mulheres além de mães) o que se está a revelar melhor do que eu julgava, só ainda fui 2 vezes e me sinto mais leve (ainda não em kilos mas na alma ihihih) e bem disposta :) ;
- é necessário o Leo brincar com mais crianças e quando as pessoas que conheces são em número tão reduzido temos que ir à busca (vida no estrangeiro nem sempre é fácil);
- é necessário o Leo aprender alemão, para um bom começo no jardim escola com 3 anos e uma entrada de sucesso na escola;
Ok, já organizei a minha cabeça e admito que estava a fazer tempestade num copo de água.

Este domingo foi bem cinzento e chuvoso e como vocês devem saber bem, criança o dia inteiro fechada em casa não é fácil. Então tive que puxar pela minha imaginação e... voilá... montámos um bowling cá em casa e foi um sucesso (só por uns 5 minutos por 2 sessões mas já valeu bem a pena). E só foi necessário 5 garrafas vazias e uma bola :) Mais uma actividade para se juntar as dicas: Brincar em casa

 
E hoje o dia já começou radiante, embora com uma noite dificil, acordámos cedo (6h20 da manhã e é assim faz quase 1 mês... eu quero dormir até mais tarde :( se alguém tiver a receita para criança dormir até mais tarde avise ok? ) e pelas 8h40 estávamos no ginásio.
E sabem que mais??!!! Correu lindamente, levei o Leo no infantário fiquei 10 minutos com ele, ele ficou a comer uma bolachinha sentado na mesa com outro bebé e eu disse xau e sai, esperei e ouvi-o chamar por mim, choramingou 3 minutos e 20 segundos (sim eu cronometrei o tempo... tinha colocado a meta de 5 minutos de choro sem parar e eu entrava de novo) não o ouvi mais. Passados 15 minutos ligaram para a recepção (no andar em que eu faço exercício) só para avisar que ele estava bem e para eu estar descansada. Não é fantástico? Ele conseguiu estar lá as 2 horas que eu demorei sem chorar.

O que pode ter ajudado, nesta boa reacção do Leo (que ainda temo que possa ter dias piores):
- Passei o fim de semana todo a falar com o Leo sobre a sua ida para a "escolinha", disse-lhe que ele ia ficar com a professora e que eu ia sair mas voltava; disse-lhe que tinha mesmo que ser e que ele não precisava chorar que podia brincar muito, que eu gostava muito dele e não o ia abandonar nunca  :) (não sei se ele entendeu tudo o que eu disse, mas acredito que tenha ajudado a nossa conversa)
- Vi com ele várias vezes um livrinho que ele tem de uns meninos que vão para o infantário, aproveitando em dizer-lhe que ele também iria;
- Preparamos juntos, de manhã cedo a mochila dele (bem colorida, que ele gosta muito) com a água, umas bolachas, uma banana e o seu "nené" (a fraldinha de pano que ele usa só quando quer dormir ou fica rabugento) e o cãozinho de peluche que ele adora.

E correu tudo lindamente :) vamos ver se assim continua!
Quando saímos de lá fiz questão de lhe dar os parabéns por ter brincado tão bem, dei-lhe muitos beijinhos e mostrei-lhe o tão contente e orgulhosa do meu Big-Boy eu estava.

Uma boa semana para vocês também

quinta-feira, 24 de março de 2011

Adaptação ao infantário, ama e afins - tempo sem a mamã

Tenho andado um bocado desaparecida daqui, pois estamos numa semana de adaptação à nossa nova rotina. Ser mãe a tempo inteiro tem destas coisas também. Até o Leo ter um ano era suficiente sairmos um bocadinho todos os dias até ao parque... mas agora com 18 meses ele precisa de mais, precisa de brincar com outras crianças, ver mais gente e aprender a falar alemão.
E esta semana conseguimos finalmente completar as nossas actividades semanais de forma a que seja possível que o Leo brinque muito com outras crianças, que explore, cresça e se divirta e que a mamã tenha um tempinho para ela e conheça outras mamãs (mudar de cidade deixou-me novamente sem amigas por perto :()
As actividades em que estou presente correm lindamente e o Leo até já começou a dizer umas palavrinhas em alemão :)
- Vamos 3 vezes por semana a um grupo de crianças e mamãs e ele brinca imenso;
- Vamos 1 vez à ginástica para crianças - Leo mais mamã, que embora o Leo não tenha participado em todas as actividade correu muito bem;
- E quero ir 4 vezes ao ginásio, um ginásio que tem um "infantário" integrado onde o Leo pode ficar enquanto a mamã tem um tempinho para cuidar dela.
E agora chegam todos os meus problemas:
O Leo tem 18 meses e está super dependente de mim (e eu dele uiui) é um bebé muito sorridente e consegue ocupar-se sozinho ou com outras crianças, sem mim, mas sabendo que eu estou no seu campo de visão (o que acontece no grupo de bebés e mamãs que a gente frequenta). O Leo só vai frequentar o infantário aos 3 anos mas como estamos num país longe da família e onde se fala outra língua acho importante que o ele conviva com outras crianças e que se familiarize com a língua. (pois cá em casa, mamã e papá portugueses, não falamos senão em português).
Hoje foi o nosso primeiro dia no "infantário", chegamos às 10h30, na sala estavam 2 educadoras e 2 bebés um pouco mais novos que o Leo, a chorarem desalmadamente :(. Fiquei 10 minutos com ele, ele estava bem contente a brincar e a explorar cada brinquedo que havia. Conversei com ele e disse que ia fazer ginástica e que voltava passado pouco tempo, tudo óptimo. Saí e ele ficou a brincar. Esperei 20 minutos no sofá que fica em frente da porta do infantário (acho que serve mesmo para isso lol) e o Leo não perguntou por mim, não chorou... uma maravilha :) (os outros dois continuavam a chorar muito)
Pelas 11h o Leo precisava de mudar a fralda e não deixou a educadora mudar e então chamou por mim e lá fui eu, mudei a fralda, ele todo contente que ia brincar deixei-o lá e passado 10 minutos ou nem isso foram-me chamar :S o Leo estava a gritar, não deitava uma lágrima, parecia super zangado. Abracei-o e acabei por desistir por hoje...
Agora sinto-me muito mal... eu não deixo o meu bebé chorar aqui em casa (quando é birrinha por vezes tenho que deixar né?) mas quando ele pede mimo e atenção eu dou sempre e agora estou a deixá-lo chorar porque quero fazer exercício e ter tempo para mim.... sinto-me má mãe por isso :(
Eu sei que ele precisa ouvir mais alemão, brincar com crianças mas fico a sentir-me culpada de ele chorar... tadinho...
Sei que muitas mães tem que passar por isto muito mais cedo e que têm que deixar os pequenos durante muitas horas no infantário. Eu só serão 2 horas no máximo de cada vez, mas será capricho meu... sinto-me egoísta por estar a pensar no meu tempinho, mas ao mesmo tempo acho que me faz tão bem.... sem família aqui o Leo está comigo 24h sem pausas desde que nasceu...
Mamãs que já passaram por esta adaptação ao infantário, ama e afins (eu estou integrada nos afins) como devemos agir para tornar as coisas mais fáceis???
Devemos deixá-los chorar?? Mesmo ficando com o coração partido?
Ou devo desistir deste "tempo sem a mamã"? ai....  a vida é complicada.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vivemos sem TV - 3º episódio: Crescer sem TV

A decisão de vermos ou não TV, de termos ou não TV em casa, seleccionarmos a programação que vemos e deixamos os nossos filhos verem é extremamente pessoal. Primeiro está relacionada com uma questão de "cultura familiar", se o teu serão, por exemplo, tem como ritual ver TV todos os dias não fará sentido, a teu ver, que assim deixe de ser, mas quando a TV já não é nada em tua casa começas a questionar-te sobre o que realmente de bom ela traz face ao menos bom ou mau. Como já referi foi muito fácil deixar de ter TV.
No entanto, a decisão levou-me a reflectir, será mesmo a TV imprescindível no crescimento de uma criança?
Li muito, ouvi muitas opiniões e acabei por participar num  forum onde conheci famílias que vivem sem TV (achei essencial conhecer as opiniões e razões de quem realmente vive sem), a minha decisão estava tomada, mas agora está plenamente clara para mim, não restam duvidas, isto é o que faz sentido neste momento para a minha família. Uma criança tão pequena como o Leo não precisa de TV. E este equilíbrio entre as razões que me levaram a tomar esta decisão (e que já referi nos posts anteriores - 1ºepisódio; 2º episódio) as opiniões de quem vive efectivamente sem TV me deixaram mais descansada.
Vamos efectivamente viver sem TV, vamos esporadicamente ver filmes e desenhos animados mas não na programação normal da TV. E o dia que o Leo me pedir que quer ver ou que eu tenha consciência que de alguma forma algo está a falhar nas minhas convicções tomarei outra decisão.
Aqui deixo pequenos excertos e links do que li e me ajudou a tomar a minha decisão.

Testemunhos de quem cresce ou cresceu sem TV: (recolhi estas histórias num forum alemão em que participei e achei interessante partilhar)

"Eu nunca tive TV. Em casa dos meus país não existia TV, mas eu nunca tive a sensação de que me faltava alguma coisa, muito pelo contrário eu sou feliz assim. A televisão devora o tempo, que se poderia usar de forma mais consciente.
Na escola os meus colegas falam por vezes sobre programas que eu não conheço, mas nunca me senti colocado de parte, o importante é estar bem integrado na escola e por sua vez no grupo, e desta forma não é nada trágico se em determinado momento eu não posso opinar. 
Naturalmente que existem programas interessantes na TV, mas não são a maioria. A televisão poderá sim ensinar mas também nos pode tornar mais idiotas. E neste caso só os pais nos podem orientar. 
E hoje com 18 anos vejo TV muito esporadicamente, acho chato e perda de tempo e agradeço aos meus pais por me terem educado desta forma. Crianças precisam se movimentar, passear. precisam dos pais e de amigos com quem conversar e brincar e isso nunca me faltou." (Lucas, 18 anos);

"Eu também acho que crianças até terem idade para entenderem a diferença entre o que passa na TV e a realidade não precisam de ver. O tempo que passam frente à TV podem passá-lo de forma mais rica para o seu desenvolvimento, brincando, ouvindo histórias, lendo.... fazendo coisa que são certamente mais saudáveis. Eu vivi sem televisão até aos 9-10 anos e achei a minha infância maravilhosa. Ainda não tenho filhos mas tenciono agir da mesma forma que os meus pais fizeram. 
O facto de, quando criança não conhecer, por vezes, como as outras crianças certos desenhos animados ou outros assuntos televisivos não achei nada relevante, eu acho mesmo  que crianças com menos de 5-6 anos não falam sobre isso.  
Cheguei a ver TV em casa de amigos com curiosidade, mas depressa me aborrecia, preferia ir brincar. (Jule, 24 anos)

"Nós viamos TV cá em casa sempre de forma controlada. Os meus 2 filhos na altura com 3 e 5 anos podiam ver durante 30 minutos a 1 hora de TV por dia, sempre os acompanhava, mas nem sempre explorava com eles o que estavam a ver. Até ao dia em que me apercebi ao observar os meus filhos que eles estavam muito calmos frente à TV, mas não no sentido positivo, eles estavam apáticos. Desligados. A partir desse dia passamos a ver TV 1 a 2 vezes por semana e hoje passados 5 anos não temos TV e digo com orgulho, não faz falta. Vamos por vezes ao cinema vemos um DVD mas ficámo-nos por isso. Exploramos 2 a 3 sites de noticias um dos quais orientado para crianças e com documentários bastante didácticos para nos mantermos informados. (Gudrun, mãe, 35 anos)

 Fico por vezes aborrecido quando não posso participar em conversas com os meus colegas sobre os programas do momento, mas não é certamente o fim do mundo. Houve um dia destes que fiquei bastante irritado, todos falavam do DSDS* e eu não sabia o que era, cheguei a casa e discuti com os meus pais por não termos TV. O meu pai levou-me ao computador, vimos vídeos sobre o programa, em silêncio, cheguei a rir-me mas no fim o meu pai perguntou-me "Gostas? Queres ver todos os programas? Achas interessante?" e eu pensei um pouco e senti-me estúpido, aquilo é horroroso... enfim só serve mesmo para falar com aqueles colegas com quem não se consegue falar sobre mais nada de tão tótos que são. Filmes vejo em DVD ou no cinema e o futebol vejo como acho que deve ser: numa esplanada com um grupo de amigos. A TV idiotiza-ma não preciso dela" (Markus, 15 anos)

(* programa que procura cantores em castings pela a Alemanha e que dá ênfase aos pobres coitados que não sabem cantar... enfim )
  
Links com informação relevante:
Crescer sem televisão: "A primeira razão é de ordem pedagógica ... a televisão submerge as crianças num silêncio passivo, numa etapa crucial para a aquisição da linguagem. Os autores do guia "Fête de bébés" afirmam que, antes dos 3 ou 4 anos, a criança não pode compreender o encadeamento das sequências e a lógica de um argumento: daí que lhes atraiam as sequências curtas, como uma publicidade ou os desenhos animados. Advertem também que "quanto mais se deixa a criança ante o pequeno ecrã, mais difícil é afastá-lo dele e retornar à realidade". 
"A segunda razão ideológica: o recusar dos modelos transmitidos pela televisão e pela publicidade...."
"O terceiro motivo: o tempo perdido."
"Todas as famílias que vivem sem televisão dizem que as relações entre pais e filhos são agora de melhor qualidade. "Em casa há verdadeiras refeições em família com autêntico diálogo. As filhas contam-nos o que fizeram na escola, os pequenos acontecimentos do recreio. O filme que começa às 20:45 é incompatível com a vida familiar", explicam Roger e Brigitte. Anne aprecia que Myriam venha frequentemente à cozinha contar-lhe a passagem da novela que está ler. Shopie acha que sem televisão as crianças são mais criativas. "É mais interessante jogar com o Mecano ou os Legos do que ficar colado aos desenhos animados".  
"As crianças que crescem sem televisão têm um perfil psicológico diferente das outras? Dominique Pasquier, professor de psicologia dos meios de comunicação dos Instituto de Estudos Políticos de Paris, explica: "têm sem dúvida uma percepção diferente do mundo, menos ligadas às imagens utilizadas pela televisão, menos estereotipada. Esta percepção responde mais ao que vêem directamente no mundo exterior, no ambiente imediato. As crianças sem TV, que conheçem menos as estrelas e os famosos do showbusiness são menos sensíveis aos mitos contenporâneos: beleza, êxito, dinheiro. São mais realistas, mais independentes, menos superficiais"

 "Pesquisas mostraram que a TV pode diminuir os níveis de atenção das crianças e apoiam a recomendação da Academia Americana de Pediatria, segundo a qual crianças com menos de dois anos não devem assistir a programas de televisão....O resultado da pesquisa sugere que o hábito de ver TV superestimula e modifica o desenvolvimento normal do cérebro de uma criança. Entre os riscos encontrados estão dificuldade de concentração, impulsividade, impaciência e confusão mental. (Será que o aumento de crianças diagnosticadas  como hiperactivas, a agressividade na sala de aula não estarão relacionadas com o facto das as crianças verem cada vez mais TV?)
Os pesquisadores não se preocuparam em saber que programas as crianças assistiam, pois, segundo Christakis, o conteúdo não é o culpado pelos danos causados ao cérebro. O problema é a rápida superposição de elementos visuais, típica dos programas de TV. "O cérebro de uma criança se desenvolve muito rapidamente durante os primeiros três anos de vida. Ele está realmente sendo ‘conectado’ neste tempo", diz o pesquisador. O estímulo excessivo durante este período em particular pode criar mecanismos danosos à mente da criança. Comentários Conceição Trucom: pensar que durante este período a criança está passiva e não realiza atividades físicas e motoras, importantíssimas para seu desenvolvimento ósseo e muscular: estrutural. Para complicar, os programas infantis estimulam o consumo de "porcarias", também conhecidos como alimentos vazios, que podem desencadear problemas de subnutrição e obesidade, portanto vitalidade e disposição para tarefas e desafios." (fonte)


Li muito, e o debate no forum foi super enriquecedor, deixei aqui só um pouco do que achei relevante. 
Posso um dia mudar de ideias, posso "cuspir-me em cima" mas é isto que eu quero agora. Considero a minha decisão consciente. Um dia mais tarde não sei... mas estarei aqui (espero eu) para contar. :)


Mais sobre o assunto para os mais interessados:
A TV anti-educativa
Os Efeitos Negativos dos meios electrónicos em crianças e adolescentes 
Young Children's Exposure To Audible Television Has Implications For Language Acquisition And Brain Development
Childhood TV Viewing A Risk For Behavior Problems
Children Under Three Can't Learn Action Words From TV -- Unless An Adult Helps
Turn Off TV To Teach Toddlers New Words

sexta-feira, 11 de março de 2011

Vivemos sem TV - 2º episódio (em jeito de esclarecimento)

Primeiramente queria agradecer a todas as que comentaram no 1º episódio deste meu viver, é sempre bom ouvir outras opiniões para confrontar com as nossas e fomentar a reflexão. Alimento-me disso, obrigada.
Mas hoje queria aqui deixar as minhas ideias em forma de esclarecimento, deixando os motivos que me levaram a tomar esta decisão.
Algumas de vocês são da opinião que a minha decisão é demasiado radical não posso deixar de clarificar os meus pontos: a televisão cá em casa já era usada com grande raridade, o que ela fazia era ocupar espaço na nossa sala de estar (e ganhar pó). A sala de estar estava orientada fisicamente para a televisão, o que acontece em imensas casas, não é verdade? E eu não gostava disso, a minha sala de estar é o espaço que quero para ESTAR com a minha família para conversar, trocar ideias... então a presença da televisão não se integrava no nosso jeito. Hoje temos sofás e cadeirões orientados num circulo, quando nos sentamos, olhamos nos olhos uns dos outros... damo-nos importância. Desta forma a televisão não saiu de forma abrupta da nossa vida, simplesmente arranjou um lugar mais digno para ela :)  (longe dos olhares de quem tanto a ignorava).
O conceito de radical depende do estilo de vida que cada um leva, certamente se nós tivéssemos o hábito de ver TV todos os dias e a partir de hoje ela desaparecesse, seria um pouco radical sim. Para mim seria radical viver sem frigorífico ou corrente eléctrica...
Quanto ao receio de tornar a TV num fruto proibido (e como diz o ditado - mais apetecido) não me assusta nem um pouco. Nós vemos esporadicamente filmes (gosto de ver um bom filme enroladinha na mantinha e a comer pipocas), o Leo até já viu uns episódios do Ruca :),  mas foi todo uma escolha nossa, filme, momento, apetite. Sem publicidade, sem interromper ou deixar de fazer alguma coisa mais importante porque o programa está a começar e não espera por mim. Se um dia o Leo mostrar interesse em conhecer alguma personagem que os amigos gostam dar-lhe-ei a conhecer, mas para isso não precisamos mudar os nossos princípios. E acredito que antes dos 5 anos uma criança não precisa de TV para viver os ser heróis.

Quem sempre viveu com uma televisão, não sabe o que é a vida sem ela. Há 50 anos era o rádio que estava ligado na maioria das casas, depois passou a ser a televisão e a meu ver neste momento, como já referi, a televisão não nos oferece nada que não possamos obter de forma mais rápida, cómoda, transparente (não nos sufocando as ideias ou alterando o foco do nosso interesse) temos a Internet, temos um acesso a informação super alargado e muito embora com muito lixo pelo meio, temos poder de escolha, temos tempo para pensar e analisar as páginas que abrimos e lêmos, o que não se passa certamente com um programa televisivos no qual nós não temos voto.
E agora muitas de vocês dirão - Se seleccionarmos os canais que vemos e a frequência com que vemos está tudo bem. - e eu concordo plenamente, mas existem tão pouco programas com relevância no meio de, atrevo-me a dizer, tanto lixo, que eu não estou para isso. Não quero que a televisão sugue o meu tempo, quando posso aprender o mesmo (quando eventualmente se aprende alguma coisa) em menos tempo, sem ter que ver lixo e ouvir lixo, sem sequer ter oportunidade de me defender, de analisar o que entra no meu cérebro. E eu sou feliz por ter a minha paz.
E não se preocupem, podemos ser pessoas informadas sem TV, existem bons jornais, existe a Internet. Não preciso ver uma hora de telejornal, saber que a senhora Maria de sei lá de onde nunca andou de comboio para ficar informada sobre o estado das finanças do pais, noticia esta que por sua vez vem mascarada de sensacionalismo e que me dá a saber o que eles querem que eu saiba. Isto também acontece na Internet e no jornal, certamente, mas aqui eu vou direito ao assunto, embora precise de o filtrar muitas vezes (mas isso é assunto para outra temática).
Quem procura conversa, passa-tempo deveria procurar a família e os amigos. 
O que realmente me assusta bastante é muitos pais acharem que a televisão podem ajudar a educar os seus filhos. Qualquer que seja o programa televisivo, que seja feito a pensar em crianças ou não, a educação deve ser feita pessoalmente através da presença humana, e neste caso, do pai e da mãe pessoalmente. Sentimentos como a amizade e o respeito são ensinados no dia a dia com a convivência com outros seres humanos, certo?
Porquê deixar uma criança pensar que o verdadeiro entretenimento encontra-se através de desenhos animados? Quando é bem mais interessante e maravilhoso viajarem através de um livro e viverem no mundo da imaginação as aventuras que um desenho animado lhe impõe. Aqui aprendem tudo em um: tomar atenção, ler e perceber. 


Eu quero que os meus filhos explorem a infância com asas, imaginando, viajando e não com raízes no sofá lá de casa...
Deixei a minha posição clara? :)


Aguardem o próximo episódio - as minhas reflexões de como é possível crescer sem televisão!

Ir para 3º episódio

quarta-feira, 9 de março de 2011

Vivemos sem TV - 1º episódio

Já escrevi por aqui qual a minha postura face aquela caixinha preta. Na altura já se via pouca TV cá em casa mas ela ainda existia na nossa sala de estar. Hoje já não existe. Vivemos sem TV e estamos muito bem, obrigada :)
Este era um passo que há muito queria ter dado, pela convicção que tenho que a TV não trás nada de bom - podem comentar se considerarem a minha convicção errada, quero saber a vossa opinião, quero ter material de reflexão.
Já não é novo na minha vida não ver TV, com os meus 18 anos passei um ano sem TV, nessa altura foi como uma desintoxicação, era uma adolescente que passava muitas horas frente à TV e dei-me conta que perdia imenso tempo, foi um ano maravilhoso, li muito, sai muito, dormi muito e senti-me feliz com isso. Ninguém me roubava tempo, desligando-me o cérebro, eu era livre de escolher o que fazer, o que ver, o que  pensar. A televisão voltou à minha vida de forma muito mais ausente e neste momento não quero mais.

Faz algum tempo que li um artigo sobre uma experiência feita (não sei já onde :( ), na qual algumas famílias abdicavam da TV, se bem me recordo por 15 dias. O que mais me impressionou no artigo foi o comentário de um pai, entrevistado no final dos 15 dias. Ele dizia que se sentia enganado, aprisionado sem saber. Que com esta experiência se tinha dado conta que afinal já não conhecia os seus filhos. Ficou maravilhado com o tempo que teve para brincar e conversar com eles. A TV roubava-lhe o tempo de qualidade que poderia ter com os filhos, tanto aquela que ele via como aquela que permitia que os filhos vissem. (se vês muita TV desafio-te a fazer a experiência e depois conta como foi)

Isto junto com as minhas convicções me fizeram dar o passo que faltava e estou orgulhosa disso. E se foi dificil? Não, já via pouco, não sinto falta nenhuma.
E tempo livre em família não nos falta, brincamos muito, lemos muito, passeamos e também vemos uns bons filmes, 1 a 2 vezes por mês, mas escolhidos por nós, no momento que nós queremos.

Eu tenho a convicção que o serviço que a TV prestava ficou bem lá atrás no tempo quando ainda era um simples e mero meio de comunicação. Hoje acho que comunicar, comunica muito pouco... hoje entretém, queima tempo e  manipula. E a vida é bela e curta demais para deixarmos que isso aconteça. O que achas?
Já cheguei a ouvir que o meu filho vai se sentir posto de lado por não ver os mesmos programas que os colegas e será que os seus colegas se irão sentir postos de lado porque não leram o livro que ele leu, porque não passaram o tempo exclusivamente com os país como ele passa?

Já repararam no número de imagens por segundo que passam numa publicidade, elas são feitas para desligar o nosso cérebro, para não nos darem tempo de pensar, nem termos tempo de nos questionar porque ainda continuamos a olhar. E assim passa o tempo...

Como escolho dar a melhor alimentação para o desenvolvimento físico saudável do meu filho, escolho também dar o melhor entretenimento para o seu desenvolvimento intelectual, nisto espero estar no caminho certo!!
Fico à espera da tua opinião e voltarei com novos episódios.

Ir para 2º episódio

sexta-feira, 4 de março de 2011

Usar sapatos altos é como amamentar

Sabes aqueles sapatos altos lindos que compras para uma festa e que combinam exactamente com o teu vestido? Aqueles em que ficas maravilhosa? Aqueles em que te sentes poderosa? Em que é dificil manter o equilíbrio mas por ter sentires a mulher mais linda apanhas logo o jeito. Sentes que as pessoas olham para ti e sorriem, porque toda a tua beleza está ali, desde a tua cara de satisfação à beleza dos sapatos.
Mas que passado 10 minutos da festa começam-te a fazer umas dores nos pés. Daquelas dores chatas, que faz ferida? Sim, esses sapatos que apesar de te magoarem não vais descalçar, não vais desistir. E sabes porquê? Porque além de te fazerem elegante, linda, poderosa. fazem-te bem ao ego, à auto-estima.
E aguentas mais umas horas, esqueces a dor e divertes-te. É uma dor menor, comparada com a alegria do momento, podes até colocar uns pensos rápidos nos dedos e no calcanhar e... óptimo a dor passa. E então podes dançar, passear pela festa e manter o teu sorriso, nada podia estar melhor. Uma festa linda e tu a sentires-te completa.
Pois é... usar sapato alto e novo é para mim comparável a amamentar. (prontos, podem chamar-me nomes, dizer que fiquei maluca e não digo coisa com coisa... eu aceito :) )
Amamentar doi, sim. Pode doer muito. Amamentar exige muita força, principalmente nos primeiros tempos em que o nosso corpo ainda não se adaptou, mas passa, depois de algum tempo deixa de doer. Cheguei a evitar gemer de dor com o Leo a mamar, para que ele não sentisse que eu sofria... mas passou (foram os 1ºs 4 meses, mas sabes que já nem me lembro)...
Mas amamentar também me faz sentir poderosa - ver um ser tão pequenino chegar aos 6 meses grande e gordinho só com o meu leitinho não tem sensação melhor. Amamentar aumenta a tua auto-estima, sentes-te linda. 
O sentimento que tenho de amamentar não é dos tempos dificeis, longe disso, o que fica é os momentos maravilhosos, o olhar de bebé recém-nascido fixado em mim, o sorriso... e agora que ele é mais crescido ficaram especialmente maravilhoso, estes momentos só nossos:
O Leo pára de mamar e diz: "É bom.... deícia" (delicia!!) - não é de morrer de amor :)
E quando ainda a mamar eu pergunto: - "De quem é o leitinho, amor? - ele responde ainda a abocanhar o meu peito: - "É meu" :)
Além de todas as vantagem que já conhecemos a níveis de saúde, amamentar é bom para a alma, para o nosso equilíbrio... É uma opção sim, não condeno quem usa sapato rasteiro com um vestido de noite... mas certamente são de acordo que combinaria melhor um sapato alto e elegante...
Amamentar é para mim um deixar de estar grávida gradual.... faz parte... combina.
E sei que há casos de quem não consegue amamentar, tenho consciência disso, existem casos bem próximos de mim. Mas também sei que a falta de apoio e informação desencadeia essa não possibilidade. A facilidade em preparar um biberão com LA não se compara à capacidade, paciência e força que temos que ter para começar a amamentar. Sei que existem, felizmente raramente, distúrbios orgânicos que não deixam o nosso corpo reagir naturalmente. Para essas mães deixo o meu abraço, não se sintam menores ou culpadas por não o terem feito... não deixam por isso de ser menos mães. E certamente poderão sentir-se belas e maravilhosas nesta "festa de ser mãe" em outras situações e etapas de desenvolvimento dos nossos tesouros.

Amamentar é além de nutrir, é começar a Educar Sentimentos...

Hoje estou assim, como quem vive numa festa, sentindo-me linda e completa, com a auto-estima em alta...

Li dois textos pela manhã, de uns blogues amigos, que me deixaram a pensar... a pensar nestes sentimentos bons que florescem cada vez que o Leo quer leitinho :)
Vale a pena ler:
Nenhuma dificuldade em amamentar é para sempre- do blog "Amamentar é tudo de bom"
Porque é que os bebés africanos choram menos que os ocidentais - do blog "Aqui há bebé!"

quarta-feira, 2 de março de 2011

O que devemos comer?

Com os tempos que correm por vezes é difícil fazermos uma alimentação tão saudável como desejamos. Por vezes por falta de tempo, por vezes por comodismo, gulodice ou preguiça acabamos por consumir comida nada saudável.
Hoje deixo aqui uma ajuda para distinguir "comida a sério" de "outra coisa qualquer" ou se desejarem da "comida moderna":
Cada ponto que se segue pretende funcionar como um filtro para separar a 1ª das outras. Separar comida que eu chamo saudável, boa para a saúde e comida que apesar de por vezes nos parecer muito saborosa não passa de "outra coisa qualquer" e não comida...


Encontrei cada um destes pontos por acaso, num livro que apareceu aqui por casa, "Food Rules" de Michael Pollan, achei bastante interessante e aqui partilho com vocês:

1. Come comida;
2. Não comas nada que a tua trisavó não reconheceria como comida;
3. Evita produtos alimentares que contenham ingredientes que nenhum ser humano normal iria manter na despensa (ex: Ethoxylated diglycerides; Cellulose; Ammonium sulfate - se tu nunca os usarias para cozinhar porque deixas outros usar para cozinharem para ti?);
4. Evita produtos alimentares que contenham HFCS - xarope de milho em frutose (mais informações sobre HFCS podes ver aqui e aqui);
5. Evita alimentos que têm alguma forma de açúcar (ou adoçante), listado entre os três principais ingredientes;
6. Evita produtos alimentares que contenham mais de cinco ingredientes (referência aqui a produtos industriais, não à receitinha caseira de bolo de maça com nozes :) );
7. Evita alimentos que contenham ingredientes que um aluno de 3º ano não consiga pronunciar;
8. Compra os alimentos sempre que possível directamente ao produtor ou no mercado;
9. Evita alimentos com a palavra "light" ou "baixo teor de gordura" inserida no seu nome (produtos alimentares industriais em que lhes são retiradas as gorduras acabam por ser mais ricos em hidratos de carbono e açucares do que o produto original, o ideal é evitar os produtos ricos em gorduras e não substituí-los por produtos equivalentes mas alterados);
10. Evita alimentos que fingem ser algo que não são (como é o caso da margarina que finge ser uma manteiga);
11. Evita alimentos aos quais se faz publicidade na TV (já reparaste que a grande maioria da publicidade a alimentos na TV ou são produtos light ou fast-food? e ainda álcool? nunca vi publicidade a maças ou pêras...);
12. Quando fores ao supermercado incide as tuas compras na periferia do mesmo, evita o meio (este ponto deixou-me a pensar... mas realmente na maioria dos supermercados se circularmos pela periferia vamos encontrar a fruta e os legumes frescos, a carne e o peixe, o pão fresco, a água... nunca tinha reparado nisto!!);
13. Come apenas produtos que eventualmente possam apodrecer (se as bactérias, fungos e insectos gostam é bom sinal, mas claro temos que os comer antes que isso aconteça :) muitos produtos industrializados são processados de forma a se protegerem de competidores como as bactérias e neste processo são perdidos muitos nutrientes);
14. Come alimentos feitos com ingredientes que consegues imaginar no seu estado bruto ou a crescer na natureza;
15. Come apenas alimentos que tenham sido cozinhados por seres humanos;
16. Se o alimento veio de uma planta, come, se foi feito numa fábrica, não;
17. Não comas comida que chega a ti através da janela do teu carro;
18. Não comas comida que é chamada pelo mesmo nome em todas as línguas (Big Mac, Cheetos, Pringles...);

Ok... agora sinto que me alimento mal... faço imensa atenção na alimentação que ofereço ao Leo... Mas já a minha!!!! Como muitos legumes, fruta, peixe e carne frescos e desde que engravidei faço mais cuidado quanto à origem de cada produto, ai ai mas há dias (felizmente não muito frequentes) que não tenho em atenção alguns destes pontos :( mas vou ficar mais atenta. Se não é suficiente a motivação de viver saudável e feliz que seja para o Leo ter uma mãe saudável e feliz :)

E tu comes muitas vezes "comida moderna" ou segues todas as regrinhas no que diz respeito à alimentação?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Hellp Sindrome

Como já escrevi aqui o Leo nasceu aos 7 meses num parto de urgência com anestesia geral e cesariana (planos que não estão certamente em nenhuma grávida). Já faz muito tempo que tenho este post em rascunho mas faltava-me a coragem para terminá-lo, pois ainda me é difícil relembrar o que se passou.
No entanto, é algum que acontece não com muita frequência, mas acontece, e acho que se eu tivesse alguma vez lido sobre o assunto talvez as coisas não tivesse corrido de forma tão desesperada. O HELLP Síndrome é uma complicação obstétrica com risco de morte tanto para a grávida como para o bebé que está para nascer. Estima-se que o problema atinja de 0.2% a 0.6% das grávidas (e tinha que me calhar a mim :S).
Mas mesmo sendo tão raro vou deixar aqui o meu testemunho na esperança de que possa servir de informação e apoio a grávidas que possam vir a ter este problema.

A minha gravidez foi planeada, fizemos (eu e o pai) exames para ver se tudo estava bem connosco antes de engravidarmos, toda a gravidez foi seguida por uma obstetra, nunca falhei nenhuma consulta de acompanhamento e tudo corria lindamente, O Leo desenvolvia-se bem e a mamã também estava bem (pensava eu).
Trabalhei até 5 dias antes do o Leo nascer, ia trabalhar de bicicleta e sentia-me bem, mas fiz um erro que acredito que aconteça com muitas grávidas, os pequenos sinais que o meu corpo me dava de que algo não estava bem, eu ignorei...
- Retenção de águas, mãos, pés e pernas inchados: é normal, pensava eu, estou grávida e é Verão, está muito calor (e a obstetra era da mesma opinião);
- Cansaço e dores no corpo quando me levantava de manhã: é normal, pensava eu, estou grávida, são as alterações normais do corpo;
E a isto juntou-se uma mudança de casa aos 6 meses de gravidez, na qual, quando olho para traz, talvez tenha abusado um pouco da minha capacidade, nunca fui de deixar coisas por fazer, de olhar para outros a trabalhar sem ajudar, então eu ia ajudando...
...e esquecia-me eu que estar grávida não é estar doente, mas que estar grávida é sim uma alteração grande no nosso corpo, mas uma alteração em equilíbrio e que mesmo os pequenos desconfortos devem ser levados em conta;

5 dias antes do Leo nascer acordei com uma dor de cabeça bastante forte, não era para ir trabalhar, mas a mãe das 2 crianças que eu tratava ligou-me a pedir para eu ir só 3 horas e eu achei que até seria bom para aliviar... mas estava enganada, nessa mesma noite as dores pioraram e tive que ir para o hospital onde fui internada de imediato. Com a tensão arterial altíssima - 190/140 mmHg. A qual esteve normal até este dia.
O que estava a acontecer comigo nem no hospital sabiam, então fiquei ali 4 dias à espera... sem medicação, simplesmente à espera de ver o que aconteceria.
E o que realmente se estava a passar era muito grave:  A denominação da Hellp Síndrome descreve o que se desencadeava no meu corpo: “H” para hemólise (quebra das hemácias), “EL” para elevação de enzimas hepáticas e “LP” para baixa contagem de plaquetas.
No dia 17 de Setembro senti uma dor muito forte na parte superior da barriga (sintoma característico do síndrome) fizeram-me exames e desconfiaram que seria Hellp síndrome, fui imediatamente transferida de hospital, para um especializado em bebés prematuros.
E depois de alguns exames e de detectarem que o coração do Leo estava alterado, a sofrer com a avalanche dos problemas metabólicos do meu corpo, foi tudo accionado para ele nascer.
O facto de a doença ser rara não existem ainda muitos conhecimentos dos "porquê" e "como" ela se inicia; mas sabe-se que a única coisa que a pode parar e evitar a mortalidade, é a execução do parto. E assim foi, o Leo nasceu...
Fiquei mais 4 dias em cuidados intensivos, 4 longos dias sem ver o Leo como já contei aqui.
Apesar de todos os problemas com que fiquei, problemas renais e pulmonares, dos tratamentos, agulhas e análises sanguíneas sem fim, apesar do tratamento pulmonar que durava 45 minutos com uma mascara presa na cara e que tinha que repetir 6 vezes ao dia nada me custava mais do que não ter visto o meu filho...

Mas estou a escrever isto não é para me lamentar, pois no final tudo correu bem, o Leo desenvolveu muito bem sem problemas e eu também - Sequelas ficaram algumas: um problema renal mas que não é grave, um medo enorme de ter um segundo filho (as hipóteses de voltar a acontecer são muito elevadas, embora os médicos digam que agora é mais fácil pois já sabemos que pode acontecer) e uma magoa de nada ter corrido como uma grávida sempre deseja. Mas elas são tão mínimas quando comparadas com a alegria de viver que tenho desde o dia que peguei o meu filho nos braços.

Aqui vos deixo a minha história e vos dou a conhecer este síndrome, raro mas que afinal não acontece só aos outros. E vista a pouca informação que há do assunto espero que o meu testemunho sem  demasiados termos técnicos possa informar e ajudar alguém.

Os sintomas da doença não são percebidos facilmente e podem ocorrer em qualquer altura da gravidez (eu tive sorte que o Leo já estava capaz de nascer sem problemas, mas infelizmente nem sempre acontece assim) – o que exige o dobro de atenção ao corpo. Todo se inicia silenciosamente com inchaço, aumento da pressão sanguínea e perda de proteína   na urina, esteja atenta à sua gravidez e não menospreze o que sente.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Carta aos meus "amigos virtuais"

Olá queridos "amigos virtuais",

desde os primeiros tempos deste meu cantinho que sempre quis manter um contacto com as pessoas que me seguem, pois vocês dão sentido a toda esta dedicação, que se apoderou de mim e que hoje me faz bem. Adoro partilhar as minhas ideias, adoro debater, interrogar, comentar e "ser comentada". Recebo com muito carinho cada palavrinha vossa, fico feliz quando abro o e-mail e tenho comentários do blogue para ver, mas sinto-me em falta para com vocês. Primeiro porque nem sempre tenho respondido, aos comentários que recebo (o mínimo a que me tinha proposto sem falhar, mas falhei... :(), e segundo porque acho que fui mal educada pois nos últimos tempos nem agradeci e dei as boas vindas aos novos seguidores.
Estive ausente por uns tempos, sem tempo para me dedicar aqui ao meu cantinho, sem tempo para comentar os blogues que eu sigo (mas sempre fui arranjando um tempinho para ler o que vocês foram escrevendo :) ).
Como eu sempre fui seguidora da crença que a falta de tempo é a maior parte das vezes falta de organização e mesmo falta de dedicação, estou desapontada comigo mesma, e sinto-me no dever de pedir desculpa a todos aqueles que me seguem, que lêem e comentam, que lêem e ficam em silêncio, que concordam comigo e que discordam e que tanto me fazem reflectir (não é Cora :) ) Aqueles que me seguem e que eu nem disse "Olá, sejam muito bem vindo!"
DESCULPEM-ME!!
Eu sei que as desculpas não se pedem, evitam-se... mas todos falhamos, né? E como nós país sabemos disso...
Então depois de tantas desculpas, não vou fazer promessas para não correr o risco de as falhar mas vou fazer propostas a mim mesma. Proponho-me a demonstrar todo o meu carinho e simpatia que tenho por todos vocês; proponho-me a escrever mais e comentar mais; :)
Que acham??? Estou perdoada???

Boas leituras aqui no meu cantinho, sintam-se à vontade para comentar, concordar, discordar, dizer Olá, permanecer em silêncio, façam de conta que estão em vossas casas :)
E não se esqueçam que é a vossa presença aqui na minha casa que faz sentido, Numa casa só de móveis, por mais bonitos e confortáveis sentir-me-ia certamente triste e sozinha.
OBRIGADA A TODOS por transformarem a "minha casinha" num lar!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A fazer algo muito importante!!!

Não resisti... Reparem nesta concentração.
Ele disse que estava a fazer um mémé...  :) Devia ser um mémé muito importante!!! eheheh

Com 17 meses e já parece um homemzinho ;) como o tempo passa rápido...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Educar com humor: como fazer?

Como referi ontem, encontro-me numa fase de reflexão-analise de uma nova teoria da Educação (ihihih ainda vou virar lenda com tanta teoria). Deixem-me então clarificar o meu ponto de vista, para mim só faz sentido ser mãe se me dedicar a isso de corpo e alma, como já referi aqui, a partir do momento que decidi ter um filho sinto-me completamente responsável pelo seu desenvolvimento. Quero proporcionar-lhe todas as ferramentas para que se torne num bom-adulto e para isso sei que tenho que ter muita força, tenho que ser informada, dedicada, critica e muito paciente.
Quero ser a mãe perfeita aos meus olhos, quero olhar-me no espelho e confiar em mim e nas minhas decisões, mas sei que sou humana e que além de ter a fantástica capacidade de pensar e me adaptar também tenho “capacidade” para errar. Sou por natureza uma pessoa carinhosa com as crianças mas por vezes fico sem paciência (por estar cansada, por não compreender o porquê de uma birra ou uma zanga), o que me leva a combater comigo mesma para não tomar decisões irritada.

A maternidade tem-me desta forma ajudado muito, como o meu filho consigo ser paciente, consigo embora cansada e zangada respirar fundo e entender que é apenas uma criança a explorar o mundo. Posso dizer que sou feliz com isso e que ser mãe me faz mais serena, estou muito bem com a vida, ingrediente essencial para colocar a minha teoria em prática.
Sou feliz e sei que o Leo também o é e não é que veja o mundo com um filtro cor-de-rosa, mas sim porque penso, porque analiso e porque aqui educamos com humor, fazendo uso da serenidade, tranquilidade, criatividade, amor e muito carinho.

E sabem como isso funciona?
O passo mais importante para implementar a minha teoria é ser compreensivo(a). Se conseguirmos viajar para o mundo das crianças, vermos o mundo com os seus olhos e capacidade de análise do mesmo, procurando entender o seu ponto de vista (seja qual for a sua idade), já estaremos em vantagem. Nós como pais temos que aceitar que os nossos filhos têm outros pontos de vista e o seu coração segue sonhos que não têm que ser semelhantes aos nossos. O que para nós é insignificante pode para o nosso filho ser muito importante (por este motivo é vital não desvalorizar, por exemplo, medos, ansiedades, pontos de vista em discussões...). Se não formos compreensivos poderemos ferir os nossos filhos sem darmos conta disso.

A vida por si só já é demasiado seria. Claro que não devemos deixar que as nossas crianças vejam o mundo como um circo, não é a isso que me refiro, elas têm sem duvida de conhecer os seus limites. Defendo, no entanto, que quando nós pais procuramos encarar o dia-a-dia com os nosso filhos com uma porção saudável de humor todo fica mais fácil.
O Leo teve uma altura que detestava lavar os dentes, era muito complicado conseguir convencê-lo, até que um dia com toda a minha paciência e boa disposição cantei uma música infantil sobre lavar os dentes, fazendo gestos e risadas e sabem o que aconteceu? Desde esse dia que lavar os dentes é uma festa cá em casa, ele ri, dança e eu também :) Este é só um dos exemplos de como aqui em casa a minha teoria funciona.
Ele sempre gostou muito de comer, devora tudo com grande satisfação. Mas mesmo não havendo qualquer tipo de dificuldade optei por incrementar um pouco de bom humor na hora das refeições. Sempre que ele termina a refeição eu dou-lhe os parabéns com um grande sorriso, sempre fiz isso e hoje em dia as coisas até já evoluíram para palminhas para o campeão, ele diz “sopa, já tá” e bate palmas, e ri muito :)
E é deste humor sem hipocrisia ou desvalorização da criança como individuo que pretendo me alimentar todos os dias... Humor que eu chamo de saudável.... contar histórias fazendo entoações com a voz, cantar, rir, dançar, pular e falar muito.
Com humor qualquer um de nós vê o mundo numa perspectiva diferente, a vida fica mais leve, os problemas menos problemáticos. O humor liberta-nos e ajuda-nos a rir de nós mesmos. 
Pesquisadores do riso (sim é verdade, eles existem) provaram que as crianças riem todos os dias em média 400 vezes. E com o passar dos anos esta frequencia diminuiu drasticamente, o estudo diz que os adultos riem em média 15 vezes. Não é então de surpreender que muitos de nós passem a vida com o rosto sério e que levemos as situações da vida de forma muito séria e carrancuda.

Não quero com isto dizer que agora passemos a viver a vida com uns óculos cor-de-rosa. As crianças têm que compreender que existem regras e problemas. Os pais devem explicar que existem diferentes soluções para as dificuldades da vida. Que por vezes temos que ser rígidos e outras que podemos levar as coisas mais levemente sem nunca perder a serenidade e sem nunca esquecer o nosso papel de pais e orientadores.
Uma educação com limites e autoridade não exclui que tomemos o nosso papel com humor e alegria.
Espero deixar aqui o meu ponto de vista de forma clara, Educar com humor prevê confiança e uma atitude positiva perante a vida. Em cada sorriso, em cada brincadeira mesmo em momentos mais sérios, deixo que o meu filho note que eu o aceito como ele é, mesmo com as suas imperfeições. E acredito que isso o torne numa criança mais forte e confiante.

A partir de hoje eu não vou esperar que a vida me sorria, eu vou passar a sorrir para a vida!!! Sorriso gera sorriso.... Mãe feliz e bem humorada gera filho feliz e bem humorado :)
As crianças adoram piadas e bom humor. Sempre que possível: Riam juntos!!
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