
Ter a possibilidade de lidar diariamente com duas línguas e criar o meu filho neste ambiente é para mim um privilégio. Existe uma infinidade de estudos e opiniões sobre o assunto, todos são unanimes quanto às vantagens no desenvolvimento da criança e posteriormente na construção do seu futuro sendo que esta já leva uma bagagem com 2 ou mais línguas.
Já li muitos testemunhos de famílias que educam os seus filhos em ambientes multi-linguísticos e faz uns tempos que queria falar sobre como nós abordamos está questão cá em casa.
Quem já leu sobre o assunto sabe que existem alguns estudos que dizem que é importante para o desenvolvimento da criança separar bem as duas línguas, cada pai falar uma língua ou como no nosso caso, que ambos falamos português, separar os ambientes casa-rua (português-alemão). Também existem muitos que afirmam que criança que vive num ambiente bilingue acaba por falar mais tarde, misturar as línguas e ter problemas com isso.
Pois eu vos digo que cada caso é um caso :) Por aqui é assim:
O Leo começou a falar com 10 meses e sempre foi muito falador, passa o dia num blabla que só visto :) Inicialmente só falava português e o contacto que tinha com o alemão era reduzido, no grupinho de mães que frequentávamos e na natação, mesmo assim foi fantástico de ver como ele entendia o que a professora de natação lhe dizia - ele fazia o que ela dizia em alemão.
A partir do primeiro ano começamos a ouvir musica em alemão com mais frequência, a frequentar mais grupos. Eu percebia que o Leo entendia o que lhe era dito mas ele só falava português. Ensinei-lhe o nome de alguns animais em alemão e era a unica coisa que ele dizia mas só quando eu pedia.
Passado uns tempos ele começou a perguntar como se dizia determinada palavra em alemão (carro, pão, água...) E como ele via que sempre que saiamos de casa eu passava a falar alemão ele tinha essa fronteira entre as línguas muito definida.
Em casa ele dizia "Mamã quero água" na rua pedia somente "Wasser"(água).
E começou a pedir para eu traduzir o nome de objectos que ele não sabia e mesmo as conversas que eu tinha com as outras pessoas.
Neste momento tive algumas duvidas, sempre li que o ideal é separar bem as duas línguas e que as crianças aprendam a segunda língua tal como aprenderam a primeira, sem ser necessário traduções, simplesmente deixar fluir por osmose :)
Aqui não foi possível fazer isso... se ele perguntava eu não tinha como não responder.
Perto dos 2 anos começou a ver desenhos animados exclusivamente em alemão e também as suas relações com as outras crianças com quem saímos frequentemente a ficarem mais sólidas e comunicativas.
Hoje ele embora ainda não saiba falar muito alemão está muito interessado, entende muito e diz bastantes frases. O mais interessante é vê-lo comunicar-se com as outras crianças :)
Frequentamos um curso de musica e ele até já canta um monte de musicas em alemão :)
Em Setembro ficará certamente um expert em alemão com a entrada no infantário.
Mas o que eu acho mais relevante neste processo de aprendizagem todo é a separação que ele faz das duas línguas e as traduções que me pede.
O interesse que mostra é lindo de ver.
O assunto do bilinguismo era algo que me preocupava, tinha medo que o Leo se sentisse diminuido por não entender ou ser entendido, mas criança é uma esponja :) aprendem com uma facilidade fantástica e um interesse de meter inveja. Temos mais é que aproveitar esta fase.
E ele tem muito orgulho em saber alemão, por vezes nas brincadeiras aqui em casa ele fala com os seus carros e bonequinhos somente em alemão e já pede para as histórinhas serem contadas em alemão. E como o papá com os colegas do trabalho só fala em inglês o Leo já começou a perguntar como se diz em Inglês determinadas palavras.
E se saber várias línguas só traz vantagens vamos deixar o pequeno absorver tudo o que tiver vontade :)
Na minha humilde e singular experiência acho que este sucesso se deve muito ao facto de ele quando aprendeu as primeiras palavras em alemão já tinha o português bastante desenvolvido.
Vamos ver como vai correr com a entrada no infantário.
E por aí existem muito promissores a poliglotas?
Qual é a vossa experiência, contem para mim?