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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Educar a autoconfiança e a autoestima

A autoestima e a autoconfiança são as ferramentas mínimas para o ser humano ser capaz de levar a vida de forma saudável e feliz, enfrentando todas as dificuldades, resistências e frustrações.
Autoestima é auto-amor, é aceitar quem somos, é gostar de nós mesmos... é compreender-me, acolher-me e aceitar-me do jeito que eu sou e da maneira que eu estiver em cada momento e situação da minha vida.
Autoconfiança é confiança em mim, força de vontade, é crer que eu sou capaz, que eu posso, que eu consigo, que eu tenho capacidade e disposição para ir em frente, para aprender o que eu não sei, para reconhecer e aproveitar as oportunidades, para ultrapassar os obstáculos que surgem, para superar meus bloqueios e para vencer minhas limitações.
É por isto que defendo que viver sem estes dois não é ser feliz, não é estar bem. E se não estamos bem, nós ou as nossas crianças, temos que fazer alguma coisa e não cruzar os braços...
Primeiro o que temos a fazer se achamos que os nossos filhos não se sentem confiantes é olhar no espelho, sim no espelho.
Quantas vezes eu já disse por aqui que é com exemplo que se educa???!!! 
Sinto-me confiante??? Gosto de mim??? Se sim, certamente estarei a conduzir os meus filhos no bom caminho, e eles ganharão estes sentimentos com um pouco de atenção e incentivo da nossa parte, se não... tenho que tomar uma atitude. Pois se nós mesmos não nos sentimos confiantes como poderão se sentir os nossos filhos.
Se as raízes não têm confiança e autoestima como poderão os frutos se alimentar!!!!

Nós sentimos o que pensamos. A nossa autoestima é o resultado dos nossos pensamentos e atitudes. E se a nossa autoestima for alta teremos certamente mais confiança nas nossas habilidades. Em geral: quanto mais positiva a nossa autoestima e autoconfiança for, mais bem-sucedidos podemos ser e podemos lidar melhor com as pessoas, os problemas e a vida... E a base para nossa auto-estima é certamente definida na infância.
Como pais e professores, temos uma grande influência sobre a auto-estima de nossas crianças. A base para a auto-estima, dizem os especialistas, é formada nos primeiros 6 anos de vida. A experiência que fazemos nestes primeiros anos dão forma à nossa autoestima-essencial. Mais tarde os colegas também terão um grande impacto, mas com uma base solida não é com eles que grandes alterações ocorrerão.

Como podemos então ajudar na formação de autoconfiança nos nossos filhos? (aqui ficam algumas dicas que acho essenciais)
  1. Quanto mais positiva for a autoconfiança e autoestima dos pais maior será a das crianças, então sê um bom modelo, trabalha e reforça a tua autoconfiança e autoestima;
  2. O elogio e reconhecimento é a forma mais fácil e rápida de aumentar a autoestima de uma pessoa, elogia pelo menos uma vezes por dia o teu filho (o comportamento, por exemplo, e se o teu filho dificilmente se comporta de forma excelente, elogia o melhor que ele conseguiu e ele aumentará o seu nível a cada dia, não precisa ser o perfeito mas sim o melhor), elogia também as tentativas de fazer algo, se o teu filho tentou já foi positivo; 
  3. Pega no teu filho ao colo pelo menos uma vez por dia para lhe dizeres o quanto gostas dele, o quanto estás feliz por ele existir; 
  4. Evita criticar e caso o faças critica a ação não a pessoa, por exemplo, diz-lhe que o amas mas que o seu comportamento te chateia muito;
  5. Mostra ao teu filho que ele pode controlar os seus próprios sentimentos, se ele se sente triste podes-lhe pedir que feche os olhos e pense em algo bonito que já lhe aconteceu, ou que pense numa situação em que já teve orgulho em si mesmo por ter conseguido algo, ajuda-o a relembrar estes momentos que o fizeram sentir-se confiante. Explica-lhe que não são os sentimentos que o comandam mas sim os seus pensamentos e ideias;  

A autoestima e autoconfiança positivas são as principais razões para uma criança atingir um estado mental estável, que lhe permita confiar em ser capaz de lidar com a vida e lidar com a rejeição dos outros. Valorizar a si mesmo e as suas ações. Sentir que tem um lugar no mundo...


E tudo isto com uma "pitada" (uma grande pitada :) ) de carinho e atenção dos pais estará o caminho aberto para um futuro com pernas para andar...

Uma ótima semana para todos

terça-feira, 3 de maio de 2011

Educar do medo à autoconfiança

Quando a criança pequena demonstra medos que aos nossos olhos parecem demasiado estranhos ficamos naturalmente inseguros. Medo de um brinquedo novo, medo de um ruído... durante muito tempo o Leo tinha um medo enorme do aspirador nem precisava estar ligado se ele o visse chorava e gritava com um verdadeiro e sentido sentimento. A minha estratégia foi deixar que ele mesmo lidasse com seu medo, expliquei-lhe o que era aquilo, para que era usado. E pouco a pouco o Leo foi-se sentindo mais confiante até ao dia que o encontrei a tocar no aspirador explorando-o, não disse nada, deixei-o ali com os seus pensamentos e desde esse dia o Leo não tem mais medo, ele não gosta mas não tem medo.
O medo faz parte da vida, não é verdade? Devemos saber lidar com ele...

Uma vez numa conversa com uns amigos sobre as diferentes formas de medo houve um deles que disse: "Eu não conheço o sentimento de medo." E eu fiquei perplexa, não sabia se devia felicitá-lo, lamentar ou simplesmente não acreditar no que dizia. Decidi por lamentar. Eu sei dar valor ao meu medo, sei apreciar o seu valor. Quando criança eu tinha medo de ficar sozinha em casa, de participar na sala de aula, mas eu aprendi com estes medos, aprendi a lidar com eles e através desta aprendizagem ganhei autoconfiança. O medo também me ajudou a reagir adequadamente em situações dificeis. O medo faz parte.
Claro que nem todas as pessoas têm os mesmos medos ou sentem medo com a mesma intensidade. O medo faz parte das características psicológicas de cada um, tem o objetivo de nos proteger contra os perigos com que nos deparamos ou longo da vida.

Para os nossos filhos o medo é também uma parte do seu desenvolvimento saudável. Eles estão nos seus primeiros anos de vida e são confrontados diariamente com situações novas que podem aos seus olhos serem ameaçadoras. Dependendo da personalidade, sensibilidade e imaginação da criança o medo pode-se manifestar com intensidades diferentes. Mas também faz parte, são medos diferentes dos nossos naturalmente, mas são medos válidos e como em tudo temos que ter a sensibilidade de os olhar com os olhos de uma criança e não desvalorizá-los à luz da nossa compreensão do mundo.
E mais uma fez muitos medos não passam de uma fase, como é o caso do medo da separação e da perda que vão enfraquecendo e desaparecendo gradualmente. Só no caso de a criança demonstrar medos que cada vez se tornam mais fortes e se solidificam tornando-se limitações no seu dia-a-dia, interferindo na sua saúde deveremos procurar ajuda profissional, mas nestes casos passamos para outro campo mais complicado que são as fobias.

No entanto, banalizar o medo que a criança sente não é boa estratégia. Devemos num primeiro passo falar abertamente com o nosso filho sobre os seus medos. A criança vai acalmar-se, vai sentir que é levada a sério. Devemos falar sobre medo e incentivar o nosso filho a descrever o que sente, a descrever os seus sentimentos de medo e ansiedade. Nunca confrontá-lo com o medo mas sim deixá-lo à vontade para ele próprio quando se sentir preparado o enfrentar.

Existem rituais com vertentes positivas, que podem ajudar as crianças em idade escolar, crianças que enfrentam medos e que mesmo entendendo-os não se sentem capazes de os ultrapassar sozinhas. Pequenos rituais como bater as palmas quando sentem esse medo, fechar as mãos com força e contar até dez... por vezes pode ajudar se fizerem um desenho descrevendo o que sentem, uma encenação do medo ou exercícios de relaxamento como por exemplo ioga.

Em caso algum devemos inferiorizar a criança por sentir medo, não devemos dessuadi-la, frase do tipo "Tu não precisas ter medo" não trazem resultados positivos. A segurança e aprendizagem na primeira infância são os pilar para o desenvolvimento saudável. Todos os relacionamentos posteriores serão baseados nelas.
Se nós pais permitirmos que os nossos filhos enfrentem os  seus próprios medos, sem super proteger estaremos a oferecer-lhes segurança, autoconfiança. E uma criança com autoconfiança ultrapassará posteriormente as situações stressantes e ameaçadoras da vida com mais facilidade.
E acredito que se deixarmos os nossos filhos explorar sem super-proteger sem lhe mostrar o nosso próprio medo ou a nossa própria ansiedade com o seu desenvolvimento, estaremos a construir as melhores cartas, as melhores ferramentas para que um dia o nosso filho possa dizer: "Os meus pais foram para mim um porto seguro onde eu sempre me pude ancorar".

sexta-feira, 4 de março de 2011

Usar sapatos altos é como amamentar

Sabes aqueles sapatos altos lindos que compras para uma festa e que combinam exactamente com o teu vestido? Aqueles em que ficas maravilhosa? Aqueles em que te sentes poderosa? Em que é dificil manter o equilíbrio mas por ter sentires a mulher mais linda apanhas logo o jeito. Sentes que as pessoas olham para ti e sorriem, porque toda a tua beleza está ali, desde a tua cara de satisfação à beleza dos sapatos.
Mas que passado 10 minutos da festa começam-te a fazer umas dores nos pés. Daquelas dores chatas, que faz ferida? Sim, esses sapatos que apesar de te magoarem não vais descalçar, não vais desistir. E sabes porquê? Porque além de te fazerem elegante, linda, poderosa. fazem-te bem ao ego, à auto-estima.
E aguentas mais umas horas, esqueces a dor e divertes-te. É uma dor menor, comparada com a alegria do momento, podes até colocar uns pensos rápidos nos dedos e no calcanhar e... óptimo a dor passa. E então podes dançar, passear pela festa e manter o teu sorriso, nada podia estar melhor. Uma festa linda e tu a sentires-te completa.
Pois é... usar sapato alto e novo é para mim comparável a amamentar. (prontos, podem chamar-me nomes, dizer que fiquei maluca e não digo coisa com coisa... eu aceito :) )
Amamentar doi, sim. Pode doer muito. Amamentar exige muita força, principalmente nos primeiros tempos em que o nosso corpo ainda não se adaptou, mas passa, depois de algum tempo deixa de doer. Cheguei a evitar gemer de dor com o Leo a mamar, para que ele não sentisse que eu sofria... mas passou (foram os 1ºs 4 meses, mas sabes que já nem me lembro)...
Mas amamentar também me faz sentir poderosa - ver um ser tão pequenino chegar aos 6 meses grande e gordinho só com o meu leitinho não tem sensação melhor. Amamentar aumenta a tua auto-estima, sentes-te linda. 
O sentimento que tenho de amamentar não é dos tempos dificeis, longe disso, o que fica é os momentos maravilhosos, o olhar de bebé recém-nascido fixado em mim, o sorriso... e agora que ele é mais crescido ficaram especialmente maravilhoso, estes momentos só nossos:
O Leo pára de mamar e diz: "É bom.... deícia" (delicia!!) - não é de morrer de amor :)
E quando ainda a mamar eu pergunto: - "De quem é o leitinho, amor? - ele responde ainda a abocanhar o meu peito: - "É meu" :)
Além de todas as vantagem que já conhecemos a níveis de saúde, amamentar é bom para a alma, para o nosso equilíbrio... É uma opção sim, não condeno quem usa sapato rasteiro com um vestido de noite... mas certamente são de acordo que combinaria melhor um sapato alto e elegante...
Amamentar é para mim um deixar de estar grávida gradual.... faz parte... combina.
E sei que há casos de quem não consegue amamentar, tenho consciência disso, existem casos bem próximos de mim. Mas também sei que a falta de apoio e informação desencadeia essa não possibilidade. A facilidade em preparar um biberão com LA não se compara à capacidade, paciência e força que temos que ter para começar a amamentar. Sei que existem, felizmente raramente, distúrbios orgânicos que não deixam o nosso corpo reagir naturalmente. Para essas mães deixo o meu abraço, não se sintam menores ou culpadas por não o terem feito... não deixam por isso de ser menos mães. E certamente poderão sentir-se belas e maravilhosas nesta "festa de ser mãe" em outras situações e etapas de desenvolvimento dos nossos tesouros.

Amamentar é além de nutrir, é começar a Educar Sentimentos...

Hoje estou assim, como quem vive numa festa, sentindo-me linda e completa, com a auto-estima em alta...

Li dois textos pela manhã, de uns blogues amigos, que me deixaram a pensar... a pensar nestes sentimentos bons que florescem cada vez que o Leo quer leitinho :)
Vale a pena ler:
Nenhuma dificuldade em amamentar é para sempre- do blog "Amamentar é tudo de bom"
Porque é que os bebés africanos choram menos que os ocidentais - do blog "Aqui há bebé!"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Educar à mesa: o que vai além da educação alimentar

Do livro "Quem Ama, Cuida"  de Américo Canhoto, partilho hoje com vocês as atitudes e valores que podem resultar de uma boa educação à mesa. Atitudes que vão muito além da Educação Alimentar, esta não menos importante, mas que ficará para discutirmos numa outra oportunidade.
Atitudes e valores que podem ser desenvolvidos durante as refeições:

Paciência – Aguardar nossa vez com calma, mastigar correctamente o alimento;
Respeito – Consumir apenas o necessário, respeitar o organismo. Esperar que os outros se sirvam primeiro;
Humildade, gratidão, consideração – Agradecer pela refeição. Elogiar o esmero com que o alimento foi preparado e agradecer, se for o caso, a quem nos convidou para a refeição;
Solicitude, humildade – Servir os outros, facilitar para que as pessoas se sentem à mesa ou se levantem;
Caridade, respeito, sobriedade – Evitar julgar aquele que cometeu algum deslize na mesa, não tecer críticas ao que foi servido;
Sobriedade – Não encher o prato, levar o alimento à boca em pequenos bocados, evitar ruídos ao beber e não bater com os talheres no prato;
Parcimónia, moderação – Comer o suficiente; servir-se sempre pensando primeiro nos outros;
Frugalidade – Comer apenas o indispensável. Economizar nos temperos;
Perseverança – Evitar alimentos que levem ao vício e à compulsão; alimentar-se conforme as necessidades;
Firmeza de carácter – Recusar os alimentos indesejáveis ao seu organismo com delicadeza e sem maiores comentários;
Modéstia, simplicidade – À mesa, evitar gestos teatrais ou etiquetas descabidas. Quando aprendemos a sentir o gosto e o odor de cada ingrediente não inventamos misturas que não combinam;

É interessante termos a noção que pequenas atitudes à mesa podem resultar em princípios e valores no nosso intimo e que poderão ser usados naturalmente por cada um de nós no dia a dia.
Do meu ponto de vista, impor nas crianças estes comportamentos com o intuito de lhes desenvolver estes valores será uma imposição que ficará vazia, sem valor se não for acompanhada com o nosso exemplo. Não podemos exigir que o nosso filho comam com calma e mastigue bem, desenvolvendo a sua paciência, se nós mesmos comemos a correr, não acham? Sei que por vezes é complicado juntar todos à mesa, atitude esta que é mais uma oportunidade em família de desenvolver, a meu ver, valores como a amizade e a confiança, mas se nos organizarmos e fizermos por isso é possível, nem que seja uma só refeição por dia.
Para mim a hora das refeições é um momento essencial na construção de uma família, é um momento de partilha das experiências vividas no dia a dia e embora nem sempre seja possível reunirmo-nos à mesa é algo que fazemos com frequência. E se juntamente a este momento em família podemos estar a tornar-nos melhores pessoas melhor ainda.
E você come em família e dá o exemplo?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os pais devem-se envolver?

Maria de 6 anos gosta muito de brincar com o seu vizinho mais novo. Depois de algum tempo de brincadeira em que Maria tratava o pequeno com carinho, teve uma mudança de humor e tirou da mão do pequeno com alguma violência o balde de plástico e disse bem alto e zangada "É meu!". Ele ficou triste mas continuou a acompanhar Maria, esta não estava para brincar com ele e disse aos gritos "Deixa-me em paz, vai embora! Porque andas sempre atrás de mim? Eu quero estar sozinha."
A mãe do pequeno que observava a cena desde o inicio aproximou-se disse para Maria "Isso não foi bonito..." e confortou o pequeno que começava a chorar.

Como devem os pais reagir numa situação destas? Barafustar com a Maria? Proibi-la de brincar com o nosso filho? Isto seria exclusão social, e não ajudaria nenhuma das crianças, certo?
Nem todas as crianças são meigas e bem dispostas como aquelas que idealizamos que brinquem com os nossos filhos.
Já pensaram que Maria com a sua atitude pode-nos estar a mostrar inconscientemente, a sua própria experiência com frustração, rejeição. Nos tempo que correm não é nada incomum encontrar pais stressados e sem tempo (por vezes esta falta de tempo passa também pela falta de organização e prioridades, mas esta é outra história). Os pais sentem que não têm disponibilidade para lidar com os seus filhos. Os filhos acabam muitas vezes expostos a sentimentos que não conseguem lidar sozinhos como é o caso da rejeição, precisam de ajuda e acompanhamento.
Seria bom que os pais de Maria  tivessem isso em atenção. Mas infelizmente quando os pais se sentem criticados procuram, muitas vezes, mostrar que o que fazem é o melhor e não pensam que podem estar a errar. Mesmo os pais podem precisar de ajuda e compreensão de forma a ganharem confiança.
Não é fácil admitir que como pais estamos a falhar... não é fácil dar crédito a quem nos critica... os outros são pais e nós também. Por vezes, parece que a máxima que existe rege o ditado "Entre marido pais e mulher filhos, não se mete a colher."
Mas como se pode ajudar a Maria e proteger ao mesmo tempo as outras crianças? Os pais do pequeno, na história que contei, podem reagir com Maria de forma apreciativa, simpática e com atenção, embora esta atitude por vezes seja difícil de tomar quando vemos o nosso filho a ser mal tratado. Eles podem dizer-lhe algo como: "Eu entendo que possa não te apetecer mais brincar com ele. Já foi muito bom o tempo em que brincaram juntos. Mas então diz-lhe de forma mais simpática. Ou então, podes-me chamar e então eu brincarei com ele. Também não deves gostar quando alguém fala assim contigo." Talvez esta experiência positiva ajude Maria a lidar com os seus sentimentos, com as suas frustrações.
Este tipo de situações pode-nos custar tempo e paciência mas certamente que o resultado será gratificante. Maria aumentará a sua auto-estima ao sentir a sua atitude reconhecida. E certamente esta atitude positiva tanto da parte dos pais como da Maria será canalizará para as outras crianças.

E se o mundo que temos não é como nós o idealizamos para os nossos filhos o melhor a fazer é tomar atitudes e nada como atitudes de respeito, reconhecimento e carinho, não acham?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Aprender a suportar o sofrimento - "Não chores mais!"

Quem de nós não gosta de consolar uma criança quando esta chora? E rapidamente eliminar o problema e deixar a criança melhor! E não apenas, porque temos pena da criança, mas talvez também porque nós mesmos não aguentamos, que um ser tão pequeno tenha problemas...
De quem realmente temos compaixão da criança ou de nós próprios?
Reparem neste simples exemplo, o vosso filho magoou-se e vem ter convosco a chorar. Não aconteceu nada de grave, apenas um arranhão, e vocês como pais poderão dizer: "Não foi nada, não precisas chorar", ou ainda: "Meu pobre menino! Não chores! Faz um sorriso para mim" e inicia-se então uma manobra de distracção.
Em ambos os casos, nem através da opressão nem do exagero, a criança se sente verdadeiramente compreendida. Os seus sentimentos não são reconhecidos, são minimizados ou mesmo negados. Pela atitude dos pais, prevê-se que estes sentimentos desagradáveis desapareçam tão rapidamente quanto possível. E é através do "Não chores mais!" que eles são naturalmente proibidos.
Pode parecer uma reacção inofensiva e natural  dos pais, mas que praticada regularmente desencadeia comportamentos de bloqueio, incerteza e insegurança na criança. Ela recebe a mensagem: "Não posso confiar nos meus sentimentos", o que as confunde certamente. Ou ainda, "Não posso sentir o que sinto", o que dará à criança a impressão de que algo está errado com ela própria.

O que eu quero dizer com isto tudo é que nestas situações acabamos muitas vezes por perder o foco, prejudicando em certa medida o desenvolvimento do nosso "mais que tudo".
Mas qual será a atitude mais correcta?
Eu diria: Que basta estar presente e proporcionar alívio emocional.
Assim, para que uma criança se possa desenvolver bem emocionalmente são, do meu ponto de vista, necessárias duas coisas: que as emoções sejam aprovadas e que a criança tome responsabilidade das mesmas, ou seja, que a criança auto-avalie quanto ruins ou sem importância os acontecimentos do momento foram para ela e desta forma procurar solução para os seus problemas.


Isto parece complicado, mas basicamente o que eu quero partilhar é bem simples. Em vez de um "Não chores!" pode ser um "Acho que te magoas-te"(o que podemos denominar de Active listening ). Isto faz com que a criança sinta um alivio emocional, ela sente-se compreendida. 
E nós não deixaremos de estar presentes para a ajudar, aconchegando-a e acalmando-a com um mimo, um abraço, deixando-a vivenciar os seus sentimentos e quando se recuperar é provável que não se lamente, mas sim se sinta levada a sério e compreendida. 
Tudo poderá então terminar num: "Não foi tão ruim assim.Vou brincar outra vez." Fazendo, naturalmente, uma grande diferença sermos nós a dizê-lo ou a própria criança por si mesma, neste último caso teremos a prova que a nossa atitude funcionou. 
E claro que poderemos perguntar-lhe: "O que te poderá animar agora?"  ou simplesmente agirmos, calmamente. Mas mantendo sempre longe o conforto barato e mais rápido, aquele que reprime e elimina os sentimentos desagradáveis. 

Ouça as reais necessidades da criança. Estar presentes, conscientemente em cada situação é muitas vezes suficiente.
Se o nosso filho é levado a sério e pode expressar as suas próprias emoções, desenvolve um bom equilibrio mental e não é emocionalmente bloqueado. Desta forma, ele aprende com o nosso apoio a ser competente e confiante o suficiente para cuidar de si próprio.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Influência dos rótulos

O M foi o primeiro menino da família até então só existiam duas meninas, a "inteligente" e a "mimada". O M tem desde bebé uma cara de menino que não deixa nada passar ao lado, mesmo ainda bem pequeno era-lhe dito "tens cá um ar de traquina!" e M é hoje realmente uma criança traquina. Não é mau, pelo contrário é bem amoroso mas quando tem em mente fazer alguma coisa, mesmo que não seja momento para isso, ele faz. Faz tudo para obter o que quer e brinquedos com ele não duram inteiros por muito tempo - o verdadeiro traquina da família.

No meu ano de estágio como professora estava bastante ansiosa e um pouco nervosa com o aproximar do inicio das aulas, uma semana antes da abertura oficial tive uma reunião com os outros professores da turma que eu iria acompanhar sozinha. A reunião foi terrível, sai de lá ainda mais nervosa, com medo de ser devorada com a turma que me tinha calhado na rifa. A reunião foi macabra... acreditem. A directora de turma começou a apresentar a turma dizendo coisas do género: a aluna nº1 é muito boa aluna mas "respondona"; a número 2 nunca trabalha é um "caso perdido"; o nº3 é um "coitadinho", pai na prisão e a mãe alcoólica; o nº 4 muita atenção não dar confiança porque ele é "terrível";
Pois, podem não acreditar, mas foi mesmo assim... Eu lamentei o número de repetentes e alunos com dificuldades, mesmo antes de os conhecer, eles já eram um problema para mim, eram todos rotulados. Na altura fiquei muito em baixo, mas hoje fico chocada com a atitude daquela professora, com a atitude de muitos adultos, pois colocar rótulos não é assim tão raro, acontece na escola e também em casa, em família.

Tenho muito para aprender mas ao analisar estas situações tornei-me mais atenta e olho de forma mais individualizada para cada criança, antes de ser influenciada por qualquer rótulo que esteja já vinculado ou possa entretanto surgir.

"Trapalhona", "traquina", "mimada" para o carácter ou "trinca-espinhas", "molengão" para a condição física são rótulos que podem de certa forma condicionar o comportamento e trazer consequências futuras. O desenvolvimento emocional da criança pressupõe uma série de etapas, onde a valorização de seu eu é determinante para o sucesso das suas relações sociais.
Uma criança que é desvalorizada, por estar sujeita a determinado rótulo negativo, terá certamente mais dificuldades em ultrapassar situações de convívio.
Muitas doenças do foro psicológico têm origem nos comportamentos de pais e educadores. Colocar rótulos é um deles, estes vinculam complexos de inferioridade ou de superioridade e crescem com as crianças.
A criança que é "traquinas", habitua-se a sê-lo. Se todos a classificam como tal, ela interioriza essa característica como sua, correspondendo às expectativas dos que a rodeiam. Deixa de confiar na suas capacidades, de corrigir e de ultrapassar as dificuldades. Se a distinguem pela negativa, a criança sofre de incompetência e pode mesmo sentir-se sinónimo de fracasso.
No caso dos pais que tratam os filhos como uns "pequenos génios" estão a transmitir-lhes expectativas que deviam guardar para si. Esta criança crescerá a pensar que é o melhor e não saberá lidar com a frustração e o insucesso quando este surgir.


Os rótulos colocados desde criança passam em muitos dos casos a fazer parte do intimo do individuo e vive com ele. Colocar rótulos é fácil difícil é retirá-los.



Assim da próxima vez que estiver próximo a colocar ou reforçar um rótulo pense duas vezes antes de o fazer...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Como lidar com a desilusão?

As desilusões que as crianças sofrem na escola ou no seu dia-a-dia são contraproducentes e podem afectar a sua vida e o seu desenvolvimento. O que podem os pais fazer para preparar as crianças para esses fracassos? 
A maioria das pessoas durante a sua vida têm que lidar com fracassos, estes recuos e desilusões são inevitáveis e no caso, de se ser uma criança a família só terá que estar sempre ao lado dela, ajudando-a a ultrapassar este momento de forma a esta encontrar de novo o caminho que perdeu.
A teoria é sempre mais fácil que a prática, pois cada criança é um individuo único e portanto não existem fórmulas que nos ensinem como proteger os nossos filhos contra fracassos e desilusões.

O que podemos então fazer?
Nada é mais frustrante para uma criança do que trazer da escola notas baixas ou demonstrar um desempenho ruim em determinada área. Nestes casos, nós pais não devemos nunca reagir com sanções, mas sim motivar a criança a continuar e lembrá-la das suas habilidades individuais. A escola e os professores têm também um papel muito importante nestas situações e não poderão deixar de reconhecer as capacidades da criança e de as promover individualmente. Além disso, os professores e nós devemos ajudar a corrigir o mau desempenho da criança com cuidado, evitando a todo o custo que esta se sinta inferiorizada perante os outros. Pois nada é mais desagradável para as crianças que serem confrontadas com os seus fracassos e desilusões em frente a outras pessoas, principalmente quando estas são também crianças. Devemos sempre dar-lhe a oportunidade de melhorar os maus resultados sem que se sinta como uma nódoa perante os outros.
Crianças que sofrem desilusões frequentemente tornam-se tímidas, fechadas e tristes. Experiências positivas no seu dia-a-dia ajudam a fortalecer a sua confiança. por isso é imperativo que nós pais,  perante uma situação destas, nos dediquemos a incentivar e a apoiar as qualidades que o nosso filho tem, um determinado talento, em musica ou em desporto por exemplo. Ajudar a criar, manter e solidificar amizades positivas ajudar-lhe-ão a combater a timidez. E não quero com isto dizer que devemos de ir em busca de amigos para os nossos filhos, eles deverão fazê-lo sozinhos na escola ou nos seus tempos livres, mas nós poderemos criar as situações para que esse processo seja mais fácil, ajudando-o a participar ou criar actividades em que  os amigos estejam presentes (como por exemplo: passeios ou jogos colectivos ao fim-de-semana).

É de extrema importância para o bom desenvolvimentos dos nossos filhos estarmos atentos e sabermos apoiar, confiar e dar confiança no momento em que estes estejam a sofrer uma desilusão... um fracasso. 
As desilusões e fracassos também nos ensinam a saber que não devemos desistir e sempre continuar mesmo que o caminho esteja difícil, de modo a conseguirmos atingir os nosso objectivos, os nossos sonhos.
Portanto nós pais não devemos, por mais que às vezes possa doer, deixar longe dos nossos filhos as dificuldades que o mundo possa colocar no caminho....  Devemos sim ajudá-los e ensiná-los a ultrapassá-las, quando possível evitá-las mas nunca a esconder-se delas.
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