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terça-feira, 3 de maio de 2011

Educar do medo à autoconfiança

Quando a criança pequena demonstra medos que aos nossos olhos parecem demasiado estranhos ficamos naturalmente inseguros. Medo de um brinquedo novo, medo de um ruído... durante muito tempo o Leo tinha um medo enorme do aspirador nem precisava estar ligado se ele o visse chorava e gritava com um verdadeiro e sentido sentimento. A minha estratégia foi deixar que ele mesmo lidasse com seu medo, expliquei-lhe o que era aquilo, para que era usado. E pouco a pouco o Leo foi-se sentindo mais confiante até ao dia que o encontrei a tocar no aspirador explorando-o, não disse nada, deixei-o ali com os seus pensamentos e desde esse dia o Leo não tem mais medo, ele não gosta mas não tem medo.
O medo faz parte da vida, não é verdade? Devemos saber lidar com ele...

Uma vez numa conversa com uns amigos sobre as diferentes formas de medo houve um deles que disse: "Eu não conheço o sentimento de medo." E eu fiquei perplexa, não sabia se devia felicitá-lo, lamentar ou simplesmente não acreditar no que dizia. Decidi por lamentar. Eu sei dar valor ao meu medo, sei apreciar o seu valor. Quando criança eu tinha medo de ficar sozinha em casa, de participar na sala de aula, mas eu aprendi com estes medos, aprendi a lidar com eles e através desta aprendizagem ganhei autoconfiança. O medo também me ajudou a reagir adequadamente em situações dificeis. O medo faz parte.
Claro que nem todas as pessoas têm os mesmos medos ou sentem medo com a mesma intensidade. O medo faz parte das características psicológicas de cada um, tem o objetivo de nos proteger contra os perigos com que nos deparamos ou longo da vida.

Para os nossos filhos o medo é também uma parte do seu desenvolvimento saudável. Eles estão nos seus primeiros anos de vida e são confrontados diariamente com situações novas que podem aos seus olhos serem ameaçadoras. Dependendo da personalidade, sensibilidade e imaginação da criança o medo pode-se manifestar com intensidades diferentes. Mas também faz parte, são medos diferentes dos nossos naturalmente, mas são medos válidos e como em tudo temos que ter a sensibilidade de os olhar com os olhos de uma criança e não desvalorizá-los à luz da nossa compreensão do mundo.
E mais uma fez muitos medos não passam de uma fase, como é o caso do medo da separação e da perda que vão enfraquecendo e desaparecendo gradualmente. Só no caso de a criança demonstrar medos que cada vez se tornam mais fortes e se solidificam tornando-se limitações no seu dia-a-dia, interferindo na sua saúde deveremos procurar ajuda profissional, mas nestes casos passamos para outro campo mais complicado que são as fobias.

No entanto, banalizar o medo que a criança sente não é boa estratégia. Devemos num primeiro passo falar abertamente com o nosso filho sobre os seus medos. A criança vai acalmar-se, vai sentir que é levada a sério. Devemos falar sobre medo e incentivar o nosso filho a descrever o que sente, a descrever os seus sentimentos de medo e ansiedade. Nunca confrontá-lo com o medo mas sim deixá-lo à vontade para ele próprio quando se sentir preparado o enfrentar.

Existem rituais com vertentes positivas, que podem ajudar as crianças em idade escolar, crianças que enfrentam medos e que mesmo entendendo-os não se sentem capazes de os ultrapassar sozinhas. Pequenos rituais como bater as palmas quando sentem esse medo, fechar as mãos com força e contar até dez... por vezes pode ajudar se fizerem um desenho descrevendo o que sentem, uma encenação do medo ou exercícios de relaxamento como por exemplo ioga.

Em caso algum devemos inferiorizar a criança por sentir medo, não devemos dessuadi-la, frase do tipo "Tu não precisas ter medo" não trazem resultados positivos. A segurança e aprendizagem na primeira infância são os pilar para o desenvolvimento saudável. Todos os relacionamentos posteriores serão baseados nelas.
Se nós pais permitirmos que os nossos filhos enfrentem os  seus próprios medos, sem super proteger estaremos a oferecer-lhes segurança, autoconfiança. E uma criança com autoconfiança ultrapassará posteriormente as situações stressantes e ameaçadoras da vida com mais facilidade.
E acredito que se deixarmos os nossos filhos explorar sem super-proteger sem lhe mostrar o nosso próprio medo ou a nossa própria ansiedade com o seu desenvolvimento, estaremos a construir as melhores cartas, as melhores ferramentas para que um dia o nosso filho possa dizer: "Os meus pais foram para mim um porto seguro onde eu sempre me pude ancorar".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tempo sem a mamã (4ª parte) - A atitude que tomamos é o nosso destino

Faz 1 mês que o Leo vai 3 dias por semana por cerca de 2 horas por dia ao infantário do Fitness-studio onde a mamã tem um tempinho para ela e para o seu corpinho :)
Pois posso dizer-vos que não foi fácil, o Leo esteve até aos 18 meses exclusivamente comigo, 24 horas por dia,  ficar com pessoas que não conhece foi um problema, para ele e para mim...
Mas apesar da pausa de uma semana, quando ele esteve doente, que não ajudou nada no processo de adaptação, hoje ele fica quase sempre sem chorar e mesmo quando chora acalma-se bastante rápido. Posso considerar que a adaptação está no ótimo caminho :)

O que ajudou no processo de adaptação:
- Conversar muito com o Leo, sempre que vamos para a escolinha (nome que demos para tornar a coisa mais carinhosa :)) explico que ele vai ficar lá enquanto a mãe vai fazer ginástica, que ele não precisa chorar;
- Falamos frequentemente em casa sobre a escolinha os brinquedos que lá existem, sobre as professoras, dizendo sempre o nome delas, para que o Leo se sinta o menos possível num lugar estranho;
- Nos dias que vamos, a conversa ao jantar passa por contar ao papá como correu o dia na escolinha o que fez e com o que brincou;
- Quando chegamos na escolinha fazemos sempre o mesmo ritual, o Leo tira o casaco e os sapatos, senta-se na mesinha e faz um lanchinho e eu vou embora (a primeira vez que ele, quando eu fui embora, em vez de chorar se virou para mim e disse "Até já mamã" fiquei triste acreditam???!!! Ser mãe é muito dificil... queremos que os pequenos sejam independentes e ao mesmo tempo queremos que eles se sintam agarrados a nós para sempre. Mas é claro que estou super feliz por ele já se sentir bem por lá e aliviada);

- E o mais importante de tudo e que acredito que tenha sido o ponto crucial para a boa adaptação foi a minha atitude. Considero que nas primeiras semanas eu transmitia ao Leo, mesmo não querendo, que estava insegura, que embora soubesse que ele ficava acompanhado com pessoas muito competentes, eu no fundo não queria deixa-lo, sentia-me a abandoná-lo.
Hoje sei que esse deveria ser o primeiro passo, antes de querer que o Leo se adaptasse a esta nova etapa sem a mamã deveria ter sido eu a adaptar-me. E foram os vossos comentários, as vossas dicas que me deram essa força. E a minha atitude mudou muito.

Obrigada Cora, o teu comentário fez o verdadeiro clique na minha cabeça, como tu mesmo disseste "Quando começar a deixá-lo sem "culpa" ele também ficará melhor" "Você precisa passar confiança para ele" e foi isso que eu fiz. Pensei no assunto mais uma vez e senti-me com força, é isto que é o melhor para o Leo e para mim, ele precisa de uma mãe que se sinta bem consigo mesma, precisa de brincar com outras crianças, precisa ser mais confiante e seguro e precisa ouvir mais alemão para que aos 3 anos a entrada na pré-escola não seja um choque tão grande. E se é bom para os dois, se ele está com pessoas que o tratam bem, se eu estou ali tão perto, porquê estar insegura??
Hoje eu transmito-lhe confiança, deixo-o na escolinha com um sorriso nos lábios como sempre, mas agora também tenho um sorriso no olhar e no coração... e ele sente isso... eu sei.


Com isto acabei clarificando mais uma teoria nesta minha cabeça :) Existem tantas situações na vida em que mais do que tudo é a nossa atitude que as comanda. Se estamos doentes fisica ou mentalmente e a nossa atitude é baixar os braços não lutar mesmo tendo em conta as nossas limitações, nos isolamos do mundo e não apanhamos sol, não ficaremos bons nunca, a tristeza enraizar-se-á e a doença ficará como nossa única companhia. Quem gosta de estar ao pé de pessoas que só se queixam, que só se lamentam??!!! Admiro muito aquelas pessoas que apesar das suas limitações conseguem olhar para a vida de cabeça erguida e é assim que eu quero olhar.
Se tomarmos uma atitude positiva e de confiança o sol brilhará mesmo em dias cinzentos, acreditem. Hoje o carro avariou vamos ter que sair a pé ou de transportes públicos, e que fazemos nós??!!! Temos paciência... vamos aproveitar para sorrir para as pessoas, olhar para a paisagem, mostrar o lufa-lufa da cidade para o nosso pequeno conhecer como é a vida dos adultos... e assim não é tão desgastante o nosso dia mesmo sabendo que temos um carro avariado em casa... que tanta falta faz.
A vida é para ser vivida, ela não espera, então que melhor haverá a fazer que tomar uma atitude positiva e de confiança? De enfrentar os problemas e resolvê-los... sejam eles mais ou menos complicados tudo não passa de uma questão de atitude.

E as boas atitudes são contagiantes.

"Habilidade é o que tu és capaz de fazer. Motivação determina o que tu fazes. Atitude determina a qualidade do que fazes." (Lou Holtz)

quinta-feira, 31 de março de 2011

Hiperactividade ou incapacidade de estar quieto? - uma questão de concentração

Falei aqui faz algum tempo sobre a importância de uma criança desenvolver a sua capacidade de concentração e como este desenvolvimento deve ser auxiliado por nós pais e educadores: "O meu filho não pára quieto - uma questão de concentração".
Uma coisa que me deixou bastante perplexa quando entrei no mundo do ensino foi o elevado número de crianças consideradas hiperactivas, o elevado número de crianças que não se sabia comportar em sala de aula além da falta de educação dos pequenos (sobre este último conversaremos outro dia). Considerei que se tratava de um problema pontual que seria somente nesta escola, mas não fiquei por aqui e investiguei sobre o assunto e realmente cheguei à conclusão que esta é uma realidade (pelo menos em Portugal). Cada vez mais crianças são levadas ao médico e lhes é diagnosticada a famosa hiperactividade e mais grave que isso é que são medicadas com calmantes para ficarem mais calmos. Será para darem descanso aos pais e professores?
Sobre hiperactividade existe imensa informação diz-se que é das doenças infantis mais faladas da actualidade e eu questiono-me. Porque será que quando andei na escola nenhum dos meus colegas era hiperactivo? E agora visito uma escola e encontrarei certamente crianças com esse diagnóstico? Será que é uma doença ou um sinal de evolução e no futuro seremos todos hiperactivos? Será que não estão a confundir a hiperactividade com falta de concentração, com falta de orientação, com falta de foco, com excesso de estímulos das crianças? (se eu estiver muito errada por favor corrijam-me) Será que é falta de paciência dos país, professores e profissionais de saúde para lidar com a energia de uma criança?
Acredito que a doença exista, acredito que não deve ser fácil para país que realmente têm filhos hiperactivos lidar com a situação, lidar com problemas de desatenção, agitação motora, impulsividade dos filhos. Mas vamos ser realistas e críticos no diagnóstico da doença, por favor... não vamos encher os nossos filhos de calmantes, criança é criança, criança tem energia, ela precisa é desde cedo ser bem canalizada.
Estarão certamente de acordo comigo quando digo que os tempos que correm são bem diferentes daqueles em que nós pais crescemos. Existem tantos estímulos, tantas novidades, tanta informação a ser processada que, acredito eu, a criança precisa mais apoio e orientação dos pais. E o que é que acontece na realidade? Vivemos num mundo que cada vez menos tempo dá às crianças, que cada vez menos humanamente as orienta e as ajuda a canalizar as suas energias.
Vivemos num mundo que preenche o tempo das nossas crianças com estímulos "não humanos" para os adultos poderem ter descanso. (a meu ver se querem "descanso" não tenham filhos)
O mundo parece-me estar de pernas para o ar.... sei que falo de barriga cheia, pois sou uma mãe que tem o privilégio de viver em pleno a infância do meu filho e que posso fazê-lo, mas também conheço muitos país que trabalham muito e que sabem dar atenção aos seus filhos, que sabem, que se preocupam em orientar o pequeno que hoje tem uma tarefa bem mais complicada daquela que tínhamos nós enquanto crianças.
Os nossos filhos precisam de mais ajuda, precisam do nosso apoio para enfrentar este mundo cheio de tudo e nós precisamos muita paciência e dedicação. 
Não vamos meter tudo no mesmo saco: hiperactividade, incapacidade de estar quieto ou falta de concentração. É importante dar o valido respeito à doença e se realmente a criança sofre dela devemos recorrer a profissionais especializados para ter a certeza antes que se confunda a hiperactividade com "energia não canalizada". (mais sobre o assunto)
E o que é que está em jogo neste aumento do número de crianças hiperactivas ou ditas muito agitadas?
A meu ver é muitas vezes falso diagnóstico e pura e simplesmente um problema de concentração. Todos devemos treinar a nossa concentração que só com ela conseguimos fazer actividades bem feitas com motivação e com frutos. As nossas crianças precisam deste treinamento em especial e não só porque estão numa fase de desenvolvimento e imensa aprendizagem mas também porque estão sujeitas a muitos estímulos com os quais têm que saber viver mas também exteriorizar.
"Estar concentrado é poder estar sozinho consigo próprio" e as nossas crianças não estão a ser capazes de o fazerem sozinhas temos que as orientar. 
Quem se tornará num adulto equilibrado se não tiver a capacidade de se auto-interrogar de tirar um tempo para si mesmo, para as suas filosofias?


sexta-feira, 11 de março de 2011

Vivemos sem TV - 2º episódio (em jeito de esclarecimento)

Primeiramente queria agradecer a todas as que comentaram no 1º episódio deste meu viver, é sempre bom ouvir outras opiniões para confrontar com as nossas e fomentar a reflexão. Alimento-me disso, obrigada.
Mas hoje queria aqui deixar as minhas ideias em forma de esclarecimento, deixando os motivos que me levaram a tomar esta decisão.
Algumas de vocês são da opinião que a minha decisão é demasiado radical não posso deixar de clarificar os meus pontos: a televisão cá em casa já era usada com grande raridade, o que ela fazia era ocupar espaço na nossa sala de estar (e ganhar pó). A sala de estar estava orientada fisicamente para a televisão, o que acontece em imensas casas, não é verdade? E eu não gostava disso, a minha sala de estar é o espaço que quero para ESTAR com a minha família para conversar, trocar ideias... então a presença da televisão não se integrava no nosso jeito. Hoje temos sofás e cadeirões orientados num circulo, quando nos sentamos, olhamos nos olhos uns dos outros... damo-nos importância. Desta forma a televisão não saiu de forma abrupta da nossa vida, simplesmente arranjou um lugar mais digno para ela :)  (longe dos olhares de quem tanto a ignorava).
O conceito de radical depende do estilo de vida que cada um leva, certamente se nós tivéssemos o hábito de ver TV todos os dias e a partir de hoje ela desaparecesse, seria um pouco radical sim. Para mim seria radical viver sem frigorífico ou corrente eléctrica...
Quanto ao receio de tornar a TV num fruto proibido (e como diz o ditado - mais apetecido) não me assusta nem um pouco. Nós vemos esporadicamente filmes (gosto de ver um bom filme enroladinha na mantinha e a comer pipocas), o Leo até já viu uns episódios do Ruca :),  mas foi todo uma escolha nossa, filme, momento, apetite. Sem publicidade, sem interromper ou deixar de fazer alguma coisa mais importante porque o programa está a começar e não espera por mim. Se um dia o Leo mostrar interesse em conhecer alguma personagem que os amigos gostam dar-lhe-ei a conhecer, mas para isso não precisamos mudar os nossos princípios. E acredito que antes dos 5 anos uma criança não precisa de TV para viver os ser heróis.

Quem sempre viveu com uma televisão, não sabe o que é a vida sem ela. Há 50 anos era o rádio que estava ligado na maioria das casas, depois passou a ser a televisão e a meu ver neste momento, como já referi, a televisão não nos oferece nada que não possamos obter de forma mais rápida, cómoda, transparente (não nos sufocando as ideias ou alterando o foco do nosso interesse) temos a Internet, temos um acesso a informação super alargado e muito embora com muito lixo pelo meio, temos poder de escolha, temos tempo para pensar e analisar as páginas que abrimos e lêmos, o que não se passa certamente com um programa televisivos no qual nós não temos voto.
E agora muitas de vocês dirão - Se seleccionarmos os canais que vemos e a frequência com que vemos está tudo bem. - e eu concordo plenamente, mas existem tão pouco programas com relevância no meio de, atrevo-me a dizer, tanto lixo, que eu não estou para isso. Não quero que a televisão sugue o meu tempo, quando posso aprender o mesmo (quando eventualmente se aprende alguma coisa) em menos tempo, sem ter que ver lixo e ouvir lixo, sem sequer ter oportunidade de me defender, de analisar o que entra no meu cérebro. E eu sou feliz por ter a minha paz.
E não se preocupem, podemos ser pessoas informadas sem TV, existem bons jornais, existe a Internet. Não preciso ver uma hora de telejornal, saber que a senhora Maria de sei lá de onde nunca andou de comboio para ficar informada sobre o estado das finanças do pais, noticia esta que por sua vez vem mascarada de sensacionalismo e que me dá a saber o que eles querem que eu saiba. Isto também acontece na Internet e no jornal, certamente, mas aqui eu vou direito ao assunto, embora precise de o filtrar muitas vezes (mas isso é assunto para outra temática).
Quem procura conversa, passa-tempo deveria procurar a família e os amigos. 
O que realmente me assusta bastante é muitos pais acharem que a televisão podem ajudar a educar os seus filhos. Qualquer que seja o programa televisivo, que seja feito a pensar em crianças ou não, a educação deve ser feita pessoalmente através da presença humana, e neste caso, do pai e da mãe pessoalmente. Sentimentos como a amizade e o respeito são ensinados no dia a dia com a convivência com outros seres humanos, certo?
Porquê deixar uma criança pensar que o verdadeiro entretenimento encontra-se através de desenhos animados? Quando é bem mais interessante e maravilhoso viajarem através de um livro e viverem no mundo da imaginação as aventuras que um desenho animado lhe impõe. Aqui aprendem tudo em um: tomar atenção, ler e perceber. 


Eu quero que os meus filhos explorem a infância com asas, imaginando, viajando e não com raízes no sofá lá de casa...
Deixei a minha posição clara? :)


Aguardem o próximo episódio - as minhas reflexões de como é possível crescer sem televisão!

Ir para 3º episódio

quarta-feira, 9 de março de 2011

Vivemos sem TV - 1º episódio

Já escrevi por aqui qual a minha postura face aquela caixinha preta. Na altura já se via pouca TV cá em casa mas ela ainda existia na nossa sala de estar. Hoje já não existe. Vivemos sem TV e estamos muito bem, obrigada :)
Este era um passo que há muito queria ter dado, pela convicção que tenho que a TV não trás nada de bom - podem comentar se considerarem a minha convicção errada, quero saber a vossa opinião, quero ter material de reflexão.
Já não é novo na minha vida não ver TV, com os meus 18 anos passei um ano sem TV, nessa altura foi como uma desintoxicação, era uma adolescente que passava muitas horas frente à TV e dei-me conta que perdia imenso tempo, foi um ano maravilhoso, li muito, sai muito, dormi muito e senti-me feliz com isso. Ninguém me roubava tempo, desligando-me o cérebro, eu era livre de escolher o que fazer, o que ver, o que  pensar. A televisão voltou à minha vida de forma muito mais ausente e neste momento não quero mais.

Faz algum tempo que li um artigo sobre uma experiência feita (não sei já onde :( ), na qual algumas famílias abdicavam da TV, se bem me recordo por 15 dias. O que mais me impressionou no artigo foi o comentário de um pai, entrevistado no final dos 15 dias. Ele dizia que se sentia enganado, aprisionado sem saber. Que com esta experiência se tinha dado conta que afinal já não conhecia os seus filhos. Ficou maravilhado com o tempo que teve para brincar e conversar com eles. A TV roubava-lhe o tempo de qualidade que poderia ter com os filhos, tanto aquela que ele via como aquela que permitia que os filhos vissem. (se vês muita TV desafio-te a fazer a experiência e depois conta como foi)

Isto junto com as minhas convicções me fizeram dar o passo que faltava e estou orgulhosa disso. E se foi dificil? Não, já via pouco, não sinto falta nenhuma.
E tempo livre em família não nos falta, brincamos muito, lemos muito, passeamos e também vemos uns bons filmes, 1 a 2 vezes por mês, mas escolhidos por nós, no momento que nós queremos.

Eu tenho a convicção que o serviço que a TV prestava ficou bem lá atrás no tempo quando ainda era um simples e mero meio de comunicação. Hoje acho que comunicar, comunica muito pouco... hoje entretém, queima tempo e  manipula. E a vida é bela e curta demais para deixarmos que isso aconteça. O que achas?
Já cheguei a ouvir que o meu filho vai se sentir posto de lado por não ver os mesmos programas que os colegas e será que os seus colegas se irão sentir postos de lado porque não leram o livro que ele leu, porque não passaram o tempo exclusivamente com os país como ele passa?

Já repararam no número de imagens por segundo que passam numa publicidade, elas são feitas para desligar o nosso cérebro, para não nos darem tempo de pensar, nem termos tempo de nos questionar porque ainda continuamos a olhar. E assim passa o tempo...

Como escolho dar a melhor alimentação para o desenvolvimento físico saudável do meu filho, escolho também dar o melhor entretenimento para o seu desenvolvimento intelectual, nisto espero estar no caminho certo!!
Fico à espera da tua opinião e voltarei com novos episódios.

Ir para 2º episódio

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O objectivo não é criar boas crianças mas sim bons adultos

Uma das coisas que me preocupa na educação do meu filho é a imprevisão do futuro que o reserva. Sim, eu sei que o futuro é sempre bastante imprevisível, e que eu por mais que queira não poderei controlar o mundo, mas ao que eu me refiro é aquela imprevisibilidade que não podemos de forma alguma, só através da educação que damos em casa, remediar, contornar e passar ao lado.
Por isso é importante agirmos em conjunto, nós pais de hoje. Temos um trabalho árduo pela frente mas que somente com determinação conseguiremos melhorar o mundo futuro.
Pois essa é a nossa missão, o nosso dever como pais, ajudar na construção de um mundo melhor, de um mundo com valores enraizados nos adultos de amanhã. Não é crianças boas que precisamos criar, não é crianças felizes, cheias de brinquedos, mimos e sem lhe faltar nada, mas sim adultos capazes, adultos felizes, bons adultos.
E é nisso que eu me foco, foco na educação que dou ao meu filho na sua formação como adulto e querem saber mais?! Com este foco, esta dedicação na minha missão tenho consequentemente uma criança feliz, a quem não falta carinho e a quem um brinquedo é mais que o simples materialismo.
Fico parva com a quantidade de crianças mal educadas com que me cruzo, crianças arrogantes, desorientadas, sem respeito, crianças que até são capazes de desta forma serem felizes, de até terem muitos brinquedos... mas que adultos irão ser??!!
Podem achar que não estarei a ser justa no que vou escrever, ou estou a ser demasiado cruel com crianças que não pediram para nascer, com crianças que são fruto da arrogância de pais que não se dedicaram o suficiente na sua missão.... mas eu digo na mesma: não é estes adultos que estas crianças vão ser um dia que eu gostaria que o meu filho tivesse como companhia. Polémico o que penso? Egoísta? Talvez. Mas é assim que penso.
Não me interpretem mal, pois também acho que estas crianças não são casos perdidos e que se os pais estão a falhar ainda poderão ter forma de reencontrar o seu caminho. Como adultos e Humanos que somos devemos ajudar o próximo a criar a sua estrutura de vida... na escola, na rua, na família também se orienta e guia quem perdeu o rumo... não é preciso ser-se mãe ou pai para ajudar na formação de um mundo melhor.
Eu gostava sim, que os pais dedicados se multiplicassem, para que um dia os adultos bons fossem uma maioria. Mas como isso está tão longe do meu alcance, porque as mães e pais que possivelmente lerem este texto, já mostram, pelo interesse em ler sobre o assunto, que são pais interessados e dedicados.
Porque o mundo não é perfeito nem conto de fadas. Fica aqui o simples desabafo e a certeza que estou convicta que vou levar a minha missão em frente, a minha dedicação.
Porque AMAR um filho não chega. É preciso rigor, dedicação. É preciso ensinar valores, ensinar a ser justo, a pedir desculpas, a desculpar, a ajudar e a respeitar os outros. É preciso orientá-lo de forma a este conhecer e entender o seu lugar no mundo antes de a própria sociedade o forçar a isso.

E colherei eu frutos desta minha dedicação?? Talvez um dia esteja aqui para contar. Mas de uma coisa estarei certa, não será por falta de convicção e dedicação que o resultado falhará. Se falhar e afinal a criança feliz que tenho não se tornará no bom adulto, feliz e capaz... podem-me condenar pelo crime que cometi... pela incapacidade que tive no cumprimento da minha missão. Mas uma coisa posso garantir: eu tentei.
Pois eu vejo assim o mundo, desde que decidi ser mãe não foi para ter um bebé bonito para passear, mas sim para me dedicar a este tão árduo, complicado, e acredito que nem sempre de sucesso, papel de SER MÃE.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Responsabilidades para 2011 - tempo de reflexão

A poucos dias da chegada de um novo ano, deixo aqui um espaço de reflexão e análise. Reflexão sobre as nossas atitudes como pais durante este ano. Fomos bons país? Demos o nosso melhor?
Neste ano em que fomos reis e escravos, onde errámos, onde fizemos o que devia ser. Onde deixamos o nosso cansaço nos atrapalhar, onde não aproveitamos o tempo, onde brincámos, amámos e demos muito carinho. Onde perdemos a paciência, nos sentimos tristes, os piores pais do mundo e os melhores e mais felizes. Onde demos muito colo, onde o negamos sem saber. Onde andámos perdidos e onde nos encontrámos com o simples sorriso do nosso tesouro. Onde duvidámos; onde tivemos grandes certezas... um ano em que mais uma vez nos sentimos pais...
E antes que o ano acabe talvez seja hora de renovarmos os nossos objectivos, analisando cada responsabilidade que temos como pais. Pois ser pais não é só semear a semente, é preciso também regá-la, dar-lhe luz e calor... é ser responsável e torná-la responsável...
Eu como adulta e mãe que sou, tenho essa responsabilidade. Tenho a responsabilidade de orientar e guiar o meu filho para que um dia ele seja capaz de seguir sozinho.
Que tipo de pessoa eu quero criar? Que tipo de adulto quero ajudar o meu filho a ser?

Mais uma vez quero entrar num novo ano ciente das minhas responsabilidade como mãe:
  • Sou responsável pelo bem estar e desenvolvimento do meu filho;
  • Sou responsável por fornecer todas as ferramentas que estiverem ao meu alcance para que ele trabalhe a sua personalidade;
  • Sou responsável pelos seus actos, pois acredito que atrás de uma criança com comportamentos problemáticos se encontra uma família problemática. E então não procuro entender o como o meu filho se comportou mas sim o porquê de tal comportamento;
  • Sou responsável pela sua alimentação;
  • Sou responsável pelo desenvolvimento da sua auto-estima e auto-confiança...
Porque quero preparar para o mundo uma criança que se torne num adulto capaz. Porque sei que não sou perfeita sinto necessidade de reflectir sobre as minhas acções como mãe. Porque para mim só faz sentido avançar na vida quando esta é pensada, analisada e reflectida. Com os erros também se aprende mas só se dermos conta que os cometemos e formos humildes, para nós mesmo, o suficiente para nos auto-corrigirmos.
Quero dar asas ao meu filho para que este seja um adulto confiante e capaz. Para que seja rico em princípios, bons sentimentos, ambições e sonhos...

Para todos os que por aqui passam desejo um óptimo 2011... que sejam os melhores adultos, pais e educadores do mundo... que analisem as suas responsabilidades e sejam responsáveis.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ameaçar com o Pai Natal - que coisa feia...

A figura do Pai Natal é óptima para fazer os pequenos se comportarem, a partir de Novembro já se começam a usar frases do tipo "Se não comes a sopa toda o Pai-Natal não te dá uma prenda", "Se não te portas bem o Pai-Natal fica zangado". Sabem que eu já ouvi isto imensas vezes e talvez já tenha dito para os meus sobrinhos (o meu Leo ainda não conhece o velhinho vestido de vermelho :)) e nunca tinha pensado que tais frases são de muito mau gosto. Os nossos pequenos que vivem com a magia de Natal com tanta ansiedade ainda são ameaçados pelos próprios pais e familiares. Nunca me tinha questionado com tal desproposito que nós adultos fazemos nestes momentos, até que li um post interessantíssimo no blog da Beatriz.
Eu sempre abominei a ameaça com método educativo, sempre tento ver o reverso da moeda nas horas em que os pequenos não se portam bem e fazem birra. Muitas vezes é mesmo dificil e é um esforço agir assim, porque fico também zangada, mas é assim que quero ser, educar sem ameaças. E em vez de um "Se não comes a sopa não vais para a rua brincar" um estimulante dará certamente melhores resultados "Comes a sopa toda e terás força para ires brincar para a rua".


Como Beatriz diz no post: Papai Noel gosta de criança Feliz o Pai-Natal não deve de forma alguma ser usado como uma autoridade na nossa casa. Ele vive na cabeça dos nossos pequenos durante esta época do ano como um senhor muito simpático e amigo das crianças. Não vamos estragar isso.
Obrigada Beatriz por me teres feito reflectir sobre o assunto, que coisa feia é essa de ameaçar com o Pai-Natal... ficou a lição.


"A fantasia é linda, não podemos estragar de nenhuma forma. Deixa o bom velhinho fazer a parte dele e só. A nossa é ensinar aos filhos que nem tudo se negocia!"

domingo, 19 de dezembro de 2010

Prendas de Natal para os mais pequenos


Uma vez o J de 4 anos queria um relógio que dava numa publicidade na TV, o relógio não dava horas era um relógio mágico que quando se carregava nele o boneco da publicidade se transformava em dragão e era um super herói (fazia parte de um desenho-animado que eu agora não sei o nome), o J ficava faxinado com aquela publicidade. E de tanto insistir acabou por ganhar o relógio no dia de aniversário. E o que aconteceu?? Ficou super triste e desiludido.... o relógio não funcionava... por mais que carregasse nos botões ele não se transformava em dragão... A mãe explicou-lhe então que teria que brincar de faz-de-conta que o relógio funcionava sim, funcionava direitinho na sua imaginação. E J passou a adorar o relógio e brinca muito com ele.
Esta é a história de J que eu presenciei e achei lindo ver a imaginação e criatividade do menino se desenvolver. Um brinquedo simples, de plástico colorido, com botões de faz-de-conta, ecrã de faz-de-conta, nem uma bateria tinha para fazer pelo menos "bip bip" ao carregar nos botões. Nada. Não tinha nada. Mas a meu ver um brinquedo cheio de tudo (com vários "bipes bipes", ecrã luminoso e que tinha o puder de transformar J num dragão super-heroí), um brinquedo super valioso, um brinquedo que fez enriquecer certamente aquela cabecinha cheia de sonhos e imaginação. Um brinquedo barato que certamente J não terá medo de brincar muito com ele com medo de estragar. Pois muitas vezes compram-se brinquedos caros, super "tecnológicos" mas que os pequenos não podem brincar sempre, pois podem estragar ou até mesmo porque não sabem brincar com ele sem a presença de um adulto.
Brincar é o "trabalho" das crianças. Brincar desenvolve a criatividade, é a brincar que se aprende como já falei aqui, é a brincar que se aprende os princípios de  interacção social,  a explorar sentimentos, a desenvolver causa e efeito, a estimular  a criatividade e a imaginação como referi já aqui.
Certamente muitos de vocês já fizeram as compras de Natal, mas gostava, no entanto, de partilhar um texto com vocês... um texto que me fez reflectir e pensar duas vezes antes de comprar as prendas das crianças cá da família.

"O brinquedo é o alimento da alma, alimento do sonho, da esperança. A criança que não brinca é como passarinho na gaiola. Perde o canto, perde o voo, perde o sonho. Quando brinca, voa, sonha, constrói e reconstrói mundos. Criança que brinca cria novas melodias e pinta o mundo com sua alegria.
Hoje colocam crianças em gaiolas e as enfeitam de joías, de jogos e brinquedos que brincam sozinhos. Robotizam-lhe a alma, congelam os pensamentos. 
Sim, congelam os pensamentos. A Natureza, o brincar livre oferece fluidez, instiga a criança a pensar, a escolher, não é pré-determinado. Na Natureza tudo é tão novo e tão vivo quanto a natureza da criança. Instiga o pensar, o reflectir, o sentipensar, o criar. No brincar livre a criança encontra sua sintonia e entra na sintonia da vida.
Criança que não puderam brincar, foram como passarinhos engaiolados. Foram obrigados a seguir este ou aquele modelo em nome das boas maneiras, dos bons modos, do não suje a roupa, não faça isso, aquilo; ou foram seduzidas e guiadas pela fantasia que não era sua, era da TV, do jogo electrónico, disto ou daquilo, tornam-se muitas vezes adultos frios, também congelados, mal amados.
Acho muito triste os pais que trabalham dia e noite para comprarem grandes televisões, lindos sofás, enfeitarem as "gaiolas" com lindos e caros brinquedos electrónicos e congelam as crianças para que não estraguem o lindo sofá, a linda cortina, o lindo brinquedo. Ou o brinquedo TV que congela o pensamento da criança...
Crianças não precisam do melhor brinquedo, do meu melhor apartamento ou casa, da melhor e mais enfeitada gaiola. Crianças precisam de sonho, de espaço para criação, de modelos humanos amorosos que lhes transmitam valores de paz, amor, não-violência, cooperação, coragem para não esmorecerem diante dos obstáculos. Modelos, exemplos, referencias que lhes mostrem o valor de sonhar e acreditar que após a tempestade virá a calmaria, que no final do arco-íris ou atrás da montanha pode haver um barril e tesouros - tesouros da alma. Ou mesmo, se não houver, que aprendam a apreciar as flores e a relva do caminho, o sabor de um carinho, a força da gratidão, a luz do coração.
Valores se ensinam vivendo valores e somente pessoas com coerência interna podem transmitir verdadeiros valores porque são igualmente verdadeiras.
Objectos têm preço, seres humanos têm valor e somente damos aquilo que temos.
Dê um minuto de colo, de carinho, de um sim amoroso, de um não igualmente amoroso (porque quem ama pões limites, ensina o caminho recto, transmite o amoroso discernimento), isto não tem preço, tem valor, tem cor, tem sabor, tem amor... Pai, mãe, tio, tia, educadora, quanto valor tem teu amor, tem teu ser? Dinheiro compra enfeites para gaiolas, mas enfeites e alegria para a alma, humanos vivos, com valor e com amor nenhum dinheiro poderá pagar, nenhum jogo, televisão, etc... poderá ensinar."
(Do livro "O Voo da águia: uma autobiografia" de Maria Dolores Alves)

Quando comprar um presente para uma criança pense no valor desse brinquedo. E dar brinquedos sim faz uma criança feliz, abrir um presente dá-lhe felicidade naquele momento. Mas para que esta felicidade se multiplique tem que ser acompanhada de tantos outros sentimentos, não é verdade??
E queremos todos nós ser bons pais, bons adultos para as nossas crianças.... aqui fica o meu desejo para este Natal: não congelem o pensamentos das nossas crianças, vamos dar-lhe assas para sonhar e viver no mundo da fantasia e da imaginação que só a magia da infância permite.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O casal precisa fazer parte da familia

Para o bem estar de uma família existem 2 factores a ter em conta no momentos de tomada de decisões: os filhos e os pais. Lógico?!! E tem que se ter em conta duas questões: "O que precisam os nossos filhos desenvolver para serem pessoas felizes e autoconfiantes?" e "O que precisam os pais para educar os filhos de forma satisfeita e feliz?"  Esta segunda questão está relacionada essencialmente com o casal em si e é muitas vezes posta de lado e esquecida a sua importância. 

Principalmente quando os filhos são ainda pequenos todas as nossas energias de pais são concentradas neles e a relação a dois é posta de parte. É inevitável que a vida de casal depois de ter filhos se altere, temos outras prioridades e responsabilidades, mas não deveríamos ser mais benevolentes quanto a esta dedicação no nosso papel de pais? Não esquecendo que ser pais não é só cuidar dos filhos mas sim cuidar da família como um todo?

Com a chegada do Leo a vida a dois cá de casa sofreu uma forte mudança e o facto de vivermos longe da família ainda torna as coisas mais difíceis.  Acabaram-se quase por completo as saídas a dois, ficamos com os raros jantares mais românticos que fazemos cá em casa, os quais estão permanente em risco se o Leo se lembra de acordar. Pelos testemunhos que leio e pelos casais que conheço isto não é muito diferente do que acontece em casa da maioria das familias. 

E porque é tão importante nós, como pais, não nos esquecermos de viver e aproveitar a nossa vida como casal?

Para construir uma família saudável e feliz é necessário cultivar com empenho todas as partes, deixar parte do jardim ao abandono vai fazer com que as flores comecem a secar. É verdade que existe o sentimento que nos une e a força que filhos em comum nos dá, mas uma coisa é estarmos juntos e felizes pelo que estamos a construir outra coisa é sentirmo-nos como um todo (casal e filhos) nessa construção. Pais felizes e satisfeitos com sua vida de casal são certamente um bom exemplo para os seus filhos. Boa disposição gera boa disposição. E certamente que os momentos menos bons da vida serão encarados de forma mais leve. Estes pais também se irão dedicar aos filhos, também se questionarão com a educação que estão a dar, com as necessidades dos seus filhos, mas estarão atentos a si como casal. Como fazem de tudo para satisfazer as necessidades dos seus filhos farão de tudo para satisfazer as do casal.

E é este equilíbrio entre o nosso papel de pais e casal que é necessário encontrar para a construção de uma família. Se nos dedicamos muito aos nossos filhos, se decidimos dar-lhe a melhor educação que conseguimos, se nos informamos sobre o que eles precisam em cada fase do seu desenvolvimento, se damos unha e carne para o seu bem estar então temos que incluir nessa lista de dedicação aos filhos a dedicação ao nosso parceiro porque só assim a nossa missão de sermos os melhores pais do mundo (pelo menos aos olhos dos nossos filhos) estará completa.

E você dedica-se à sua família como um todo? Eu vou certamente aplicar-me mais :)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Uma questão de prioridades??!!

(Mãe: "Agora não querido, estou ocupada" ; Título do livro: "Como criar o filho perfeito")

 (Pai: "Estou ocupado. Não podes fazer sozinho?" ; Título do Jogo: "Tempo de Qualidade - Basta juntar o pai"

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quando não acontece só aos outros: repensar a nossa atitude na estrada

A aproximação do Natal não me traz só boas recordações, traz consigo também tristeza, magoa, saudade... Faz agora 4 anos que esta época do ano ficou mais cinzenta para mim e toda a minha família.
E porque vos conto agora isto, porque quero partilhar tristeza numa época do ano que partilhamos tantas alegrias?
A resposta é simples, porque quero chegar a mais gente, porque quero que sejam todos mais conscientes, porque quero viajar e andar de carro sem ter medo, tristeza e revolta.
Tinha na altura 23 anos, tinha terminado um curso, tinha trabalho, era feliz com a família e tudo corria bem quando numa fracção de segundos, num cruzamento a meio da noite um camião em excesso de velocidade e um semáforo desligado mudaram sua vida por completo.
A minha prima e grande amiga deixou a sua força de viver naquele dia, com inúmeras fracturas, traumatismos foi para o hospital, seguiram-se operações sem conta e um longo coma induzido.
Lembro-me quando a minha mãe me telefonou a contar o sucedido, na altura estava em Portugal e a minha prima na Alemanha. Tive imediata noção da gravidade da situação, chorei... chorei muito... passei dias a ler artigos na Internet... e mais triste ficava. Toda a família tinha esperanças que ela acordasse bem, mas no fundo todos sabíamos que ia ser difícil.
Ela era uma pessoa muito extrovertida, junto dela só conseguíamos estar com um sorriso na cara, era uma mulher independente mas hoje ela está totalmente dependente, numa cadeira de rodas, não fala (diz não, diz sim e alguns nomes, mas mais não consegue) alimenta-se por uma sonda... enfim perdeu a sua força...
A minha família ficou mais pobre, ficamos mais fortes mas mais tristes... as festas de família (casamentos, aniversários, Natal) perderam parte do seu encanto.
Quantas famílias passam por situações semelhantes, quantas famílias perderam seu entes queridos nas estradas??? E quantas vezes isto aconteceu por inconsciência de um condutor que por ter pressa, por ter bebido álcool, por gostar de velocidades, por distracção mudou a vida de tanta gente.
Eu sempre tive muito medo da estrada, quando estudava fazia todos os fins de semana uma estrada muito perigosa em Portugal, vi muitos acidentes :( mas tive sorte... Sou uma condutora consciente mas já arrisquei algumas vezes sem ter tido noção disso. Porque estava com pressa, porque estava cansada... Mas desde este acidente fiquei ainda com mais medo... passei a andar menos de carro... e quando tem que ser não vou descansada.

Mas será necessário acontecer tais acidentes no nosso meio para sentirmos a necessidade de sermos mais cuidadosos na estrada?
É verdade que nas estradas não dependemos só de nós mas sim de todos que as utilizam, mas se cada um de nós pensar antes de meter a sua vida e a dos outros em risco penso que teremos um mundo melhor... com menos famílias desmembradas, menos famílias tristes e pobres.

E porque prevenir é o melhor remédio, vamos conduzir mais atentos, vamos dar bons exemplos aos nossos filhos... vamos contribuir para termos famílias felizes...
Pensem nisto e conduzam com cuidado....

(As imagens fazem parte de uma campanha de sensibilização aqui na Alemanha, contra os excessos de velocidade nas estradas)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Natureza do ser

O meu Ser é natural e fisicamente posso ter a forma humana mas o meu Ser contém muito mais do que isso. Dele fazem parte a família que me deu as raízes (que me identificam como eu mesma) e também os ramos para eu ir longe, eu enchi-me de folhas, umas mais especiais que outras, umas caíram em determinado Outono, outras renovam-se a cada Primavera. Existe também aquelas que permanecem, são folhas perenes, seja Verão ou Inverno elas estão sempre lá e eu sei disso. Depois existe aquele que prolongou seus ramos até mim e desde então partilhamos o nosso fruto.
Existe momento mais especial que o brotar de vida a cada Primavera e que o renovar a cada Outono.
Pois é, a Natureza tem destas coisas, para a mim, o Outono é a proximidade do Inverno, mexe com as minhas sensações. Sinto falta da família, sinto a nostalgia. Sinto o tempo a passar... 
Mas apesar disso sinto que é tempo de renovação, é tempo de deixar para trás o que não nos traz satisfação, o que nos queima as energias. Existem coisas e pessoas que nos arrancam as energias e eu ralava-me com isso.  Este Outono estou a trabalhar para a renovação, um novo inicio na minha vida. Quero usar as minhas raízes para ganhar nutrientes e forças e os meus ramos para levar perto da luz as minhas folhas. Quero entrelaçar-me nos ramos que me aconchegam e quero partilhar a minha alegria.
Pois eu tenho uma família que estou a criar. Tenho fruto que dará semente e que só germinará se eu lhe der a protecção e os guias que ele precisa. Se eu por minha vez o ajudar a criar raízes e ramos. Para se sentir seguro... para ir longe.
É nestes momentos que eu ganho força para dedicar a minha vida à minha família, a esta família que eu quero cuidar, que eu quero fazer germinar de sucesso e muita felicidade. O céu está cinzento, a temperatura muito baixa, mas aqui no meu Ser não sinto frio. Sinto o aconchego...

Haverá razão de ser maior que não seja manter o nosso Ser nutrido e saudável??!!

(não liguem ao meu devaneio de pensamentos, aqui em casa reina o silêncio, os meus dois tesouros já dormem.. e eu deixei a minha figura humana voar em contemplações soltas, não tomei nenhum narcótico descansem... )
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