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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Blogagem Coletiva: Mamãe tá de olho- alimentação infantil



Uma reflexão sobre Educação Alimentar e os Super Estímulos 

Sempre fui bastante alienada quanto à minha alimentação, apesar de comer coisas não saudáveis sempre me cobrei muito quanto a isso.
Com a chegada do primeiro filho as coisas mudaram muito aqui, a minha prioridade é a alimentação dele.
Eu sempre quis dar o melhor aos meus filhos e nesse melhor está certamente a melhor alimentação.

Um dia numa conversa sobre alimentação questionava-se o facto da comida biológica ser muito cara, principalmente numa cidade, e alguém disse: "Existem dois sitios durante a nossa vida nos quais iremos inevitavelmente gastar o nosso dinheiro e nós podemos escolher em qual deles o queremos fazer:  no médico ou no mercado." - esta frase ficou-me gravada e penso nela muitas vezes quando faço compras.

Amamentei o meu filho até aos 2 anos, desmamou naturalmente por opção dele, sempre comeu legumes e muita fruta, tenho grande orgulho de ele ser uma criança que se alimenta tão bem. Conheceu o açúcar com quase 2 anos contra a minha vontade, mas o meio infelizmente faz uma grande pressão para se comer porcaria e quem tem filhos vai entender-me. É claro que existem alturas em que ele não come tão bem que rejeita alguns legumes, mas como eles estão sempre presentes no prato ele acaba por voltar a comê-los.

Não proíbo o meu filho de comer determinada coisa, mas explico porque não acho bem que ele a coma. Aos 3 anos de idade o meu filho conhece os conceitos de saudável e não saudável, tem conhecimento que é necessário nos alimentarmos de vários tipos de alimentos (proteínas, carbohidratos, vitaminas... ) e eu faço questão de a cada refeição lhe construir um prato com todos os grupos, existe sempre proteína, carbohidrato e muitas vitaminas :) Ou seja, primo pela educação alimentar.

Defendo que cada criança deve ser levada a amadurecer a sua capacidade de escolha consciente.
Porque não explicar aos nossos pequenos as diferenças entre produtos biológicos\orgânicos e não biológicos\orgânicos, entre integral e não integral, gorduras saturadas e insaturadas? Explicar a necessidade de cada tipo no nosso organismo. E as consequências que uma má alimentação pode trazer.
Claro que não é necessário usar termos complicados. Explicar a diferença, por exemplo, entre pão integral  e não integral basta pegar num grão de trigo dizer que é a partir deste que se faz a farinha do pão mas que, no caso de pão não integral, não é usado o grãozinho todo mas sim somente a parte interior e tudo o resto é deitado fora e que neste resto existe vitaminas e fibras que nos fazem muito bem, que nos fazem crescer saudáveis. Faça a experiência, explique ao seu filho e depois pergunte-lhe que pão ele prefer comer.
E porque não devemos comer muito açúcar? E porque a fruta é tão saudável? E os legumes são importantes?
As crianças são pequenos cientistas gostam de saber, experimentar e compreender o mundo que os rodeia e acreditem que eles se sentem melhor se não lhe for dito "não podes" mas sim "não deves porque..."

Orgulho-me muito de ter feito este caminho e hoje ter um filho que fracciona um chocolate para comer mais tarde, recusa um rebuçado porque é só açúcar e me chateia se não tenho sopa de legumes feita para o jantar. Agora espero levar o irmãozinho pelo mesmo caminho.

Li certa vez que para estarmos certos de que nos estamos a alimentar bem nunca devemos comer nada que a nossa bisavó não identificasse como sendo um alimento.
Nem sempre é fácil resistirmos a uns fritos cheios de molhos, uns chips, umas gomas coloridas  mas já pararam para pensar que estes são produtos que não existem directamente na natureza? Que se tratam de produtos inventados e produzidos pelas industrias, com super-estimulantes para as nossas papilas gustativas. Que tudo que ingerimos passar a fazer parte de nós?
Nós adultos, em principio, mais responsáveis que as crianças :) sabemos que um simples rebuçado é somente açúcar, que um refrigerante não tem fruta de verdade, que muita comida tem montes de estimulantes, corantes, conservantes e conseguimos controlar-nos. Mas uma criança responde aos estímulos que o cerebro lhe dá sem os questionar. Comeu um rebuçado, as papilas gustativas ficaram super-estimuladas, estas enviam a informação ao cerebro da presença de energia fácil e  imediata e aí nasce o desejo de mais e mais açúcar, estimulates e todos os adicionantes presentes nas guloseimas, colocados com o objectivo de provocar esse mesmo desejo. Por isso uma criança que come muitas guloseimas (muitas vezes antes de conhecer alimentos saudáveis), não gosta de legumes, pois umas papilas gustativas super estimuladas não conseguem "saborear" um simples brócolo... e neste caso o brócolo não sabe a nada. Temos que educar as nossas papilas gustativas, elas aprendem e o doce ou o salgado pode ser treinado.

E nunca é tarde para mudarmos os comportamento alimentares dos nosso pequenos não esquecendo nunca que a maior arma do sucesso é o exemplo.

Este texto faz parte da Blogagem colectiva: Mamãe tá de olho querem ler mais sobre o assunto passem no blogue da Nádia - http://www.asosmamaenadia.com/ e lá encontraram os links de todas as participantes.

Um bom e saudável domingo para todos

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dilemas pós-amamentação

Pois é, meus amigos o Leo desmamou, foram 2 anos e 3 semanas de puros momentos de carinho e cumplicidade. Adorei e sinto-me realizada neste quesito :)
Mas não posso negar que ao mesmo tempo sinto um vazio dentro de mim... eu queria mais!!! Não é que ache que 2 anos e 3 semanas seja pouco mas acho que foi um desmame muito natural e tranquilo mas unilateral... não tentem entender... sou uma mãe muito estranha eheheh
Estou feliz de ver o meu pequeno crescer e ao mesmo tempo fico triste porque acabou uma etapa que eu tanto amava.
Encaro a amamentação como algo muito sério, como um dever de mãe. Amamentação é muito mais que uma forma de alimentar os nossos pequenos, estamos a fortificar o seu sistema imunitário, a dar carinho, autoconfiança... o Leo é uma criança saudável, em dois anos de vida esteve 2 vezes doente, doenças que passaram em 1 semana, nunca precisou de um antibiótico... e isso para mim é uma grande vitória.



Imagem daqui
(Não tentem entender os meus sentimentos hoje,  isto aqui nesta cabeça está muito estranho... um misto de tristeza e felicidade. É possível??!!!)
Ai mas ele está tão lindo, fofo e saudável... come bem, dorme bem (finalmente) e está super querido a falar pelos cotovelos a aprender alemão, estou muito feliz... ser mãe é tudo de bom  :)

Nesta nova etapa chegam outros dilemas... que leite dar ao Leo?
Até agora o Leo bebia o leitinho da mamã, comia iogurtes caseiros, queijo, leites vegetais e batidos de fruta feitos com Kefir ou Quark e eram assim atingidas as suas necessidades de cálcio.
Terei agora de introduzir leite, certo?

Qual a importância da escolha do leite?
Penso que com a idade do Leo não se justifica introduzir formulas infantis de leite, então pensei em introduzir o leite de vaca, que indiretamente ele já o consome nos derivados de leite.
Mas que leite de vaca escolher?
Existe um sem fim de opções:  Leite gordo, meio-gordo, magro, fresco ou com validade alargada...

De uma coisa estou certa, tem que ser leite biológico... se eu fazia atenção no que comia (e vou continuar a fazer tá?) para garantir que o meu leitinho fosse muito saudável quero ter mais certeza da alimentação da vaca. Faz sentido, né?

O que é que vocês acham? Que leite dão aos vossos pequenos?

Agora vou fazer a minha lista de compras.
Um ótimo dia para todos

quarta-feira, 2 de março de 2011

O que devemos comer?

Com os tempos que correm por vezes é difícil fazermos uma alimentação tão saudável como desejamos. Por vezes por falta de tempo, por vezes por comodismo, gulodice ou preguiça acabamos por consumir comida nada saudável.
Hoje deixo aqui uma ajuda para distinguir "comida a sério" de "outra coisa qualquer" ou se desejarem da "comida moderna":
Cada ponto que se segue pretende funcionar como um filtro para separar a 1ª das outras. Separar comida que eu chamo saudável, boa para a saúde e comida que apesar de por vezes nos parecer muito saborosa não passa de "outra coisa qualquer" e não comida...


Encontrei cada um destes pontos por acaso, num livro que apareceu aqui por casa, "Food Rules" de Michael Pollan, achei bastante interessante e aqui partilho com vocês:

1. Come comida;
2. Não comas nada que a tua trisavó não reconheceria como comida;
3. Evita produtos alimentares que contenham ingredientes que nenhum ser humano normal iria manter na despensa (ex: Ethoxylated diglycerides; Cellulose; Ammonium sulfate - se tu nunca os usarias para cozinhar porque deixas outros usar para cozinharem para ti?);
4. Evita produtos alimentares que contenham HFCS - xarope de milho em frutose (mais informações sobre HFCS podes ver aqui e aqui);
5. Evita alimentos que têm alguma forma de açúcar (ou adoçante), listado entre os três principais ingredientes;
6. Evita produtos alimentares que contenham mais de cinco ingredientes (referência aqui a produtos industriais, não à receitinha caseira de bolo de maça com nozes :) );
7. Evita alimentos que contenham ingredientes que um aluno de 3º ano não consiga pronunciar;
8. Compra os alimentos sempre que possível directamente ao produtor ou no mercado;
9. Evita alimentos com a palavra "light" ou "baixo teor de gordura" inserida no seu nome (produtos alimentares industriais em que lhes são retiradas as gorduras acabam por ser mais ricos em hidratos de carbono e açucares do que o produto original, o ideal é evitar os produtos ricos em gorduras e não substituí-los por produtos equivalentes mas alterados);
10. Evita alimentos que fingem ser algo que não são (como é o caso da margarina que finge ser uma manteiga);
11. Evita alimentos aos quais se faz publicidade na TV (já reparaste que a grande maioria da publicidade a alimentos na TV ou são produtos light ou fast-food? e ainda álcool? nunca vi publicidade a maças ou pêras...);
12. Quando fores ao supermercado incide as tuas compras na periferia do mesmo, evita o meio (este ponto deixou-me a pensar... mas realmente na maioria dos supermercados se circularmos pela periferia vamos encontrar a fruta e os legumes frescos, a carne e o peixe, o pão fresco, a água... nunca tinha reparado nisto!!);
13. Come apenas produtos que eventualmente possam apodrecer (se as bactérias, fungos e insectos gostam é bom sinal, mas claro temos que os comer antes que isso aconteça :) muitos produtos industrializados são processados de forma a se protegerem de competidores como as bactérias e neste processo são perdidos muitos nutrientes);
14. Come alimentos feitos com ingredientes que consegues imaginar no seu estado bruto ou a crescer na natureza;
15. Come apenas alimentos que tenham sido cozinhados por seres humanos;
16. Se o alimento veio de uma planta, come, se foi feito numa fábrica, não;
17. Não comas comida que chega a ti através da janela do teu carro;
18. Não comas comida que é chamada pelo mesmo nome em todas as línguas (Big Mac, Cheetos, Pringles...);

Ok... agora sinto que me alimento mal... faço imensa atenção na alimentação que ofereço ao Leo... Mas já a minha!!!! Como muitos legumes, fruta, peixe e carne frescos e desde que engravidei faço mais cuidado quanto à origem de cada produto, ai ai mas há dias (felizmente não muito frequentes) que não tenho em atenção alguns destes pontos :( mas vou ficar mais atenta. Se não é suficiente a motivação de viver saudável e feliz que seja para o Leo ter uma mãe saudável e feliz :)

E tu comes muitas vezes "comida moderna" ou segues todas as regrinhas no que diz respeito à alimentação?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sou uma mãe cruel

"Coitadinho do menino que não come doces!!!" esta foi uma das frases que tive que ouvir durante as férias de Natal.
Já escrevi por aqui, aqui e aqui qual é a minha opinião sobre a importância de uma boa alimentação e que esta deve começar bem cedo e que somos nós pais os responsáveis por isso.
Decidi não dar açucares e gorduras por imposição minha até o Leo ter dois anos e depois só darei quando ele sentir interesse em experimentar (controlando sempre a quantidade e qualidade dos mesmos).
Respeito todas as opiniões mesmo as que sejam contrárias com a minha e espero que respeitem também as minhas, no entanto nem sempre é assim e de tal forma informo-vos que sou uma mãe cruel. Que apesar de ter um filho que come super bem, adora legumes e todos os tipos de fruta não lhe dou açúcar e isso é uma crueldade aos olhos de alguns.
Mas para que fique claro que a minha decisão é pensada e consciente ficam aqui os meus argumentos:
  • As papilas gustativas de um bebé ainda não estão educadas, estas não conhecem os sabores mas são sensíveis e preferem tendencialmente o doce; ao introduzir alimentos industrializados, cheios de aditivos, corantes e conservantes, estes vão induzir dependência por parte de quem consume, pois ficará insensível aos sabores menos intensos, característicos de alimentos naturais;
  • Estudos revelam que a ingestão excessiva de açúcar pode deixar as crianças pequenas irritadas e dispersivas. É que o doce, além de provocar uma maior concentração de insulina no sangue, também aumenta a quantidade de adrenalina o que pode provocar ansiedade, excitação e dificuldade de concentração;
  • Os açúcares fazem falta na alimentação, mas fazem parte da dieta habitual e são encontrados, por exemplo, nas frutas (frutose e sacarose), no amido das farinhas de cereais e nos tubérculos (como a batata). Ninguém pode viver sem açúcar, que é uma fonte de energia, mas a dieta normal tem açúcares naturais em abundância, o suficiente para cobrir as necessidades do organismo. 
  • O uso habitual de gomas, doces, biscoitos açucarados, geléias, refrigerantes, achocolatados e açucarados, provoca na boca a presença de um excesso de açúcares de moléculas pequenas, favorecendo a proliferação de bactérias e a formação de cáries e inflamação nas gengivas;
  • O consumo de açucares artificiais provoca o desequilíbrio alimentar. Um dos segredos da boa alimentação é a proporção correta dos diversos nutrientes: proteínas (carnes, arroz integral, ovo, leguminosas como o feijão), gorduras (animais e vegetais), hidratos de carbono ou glicídios (farinhas, açúcares), sais minerais e vitaminas. Ao comer açúcares em excesso, normalmente há menos fome para comer os outros alimentos. O perigo da alimentação rica em açúcar e desbalanceada é a criança ficar obesa e anémica;
  • Introduz alimentos açucarados em crianças pequenas (banana amassada com muito açúcar, com mel ou com geléia, por exemplo), vai provocar a recusa da aceitação de outros alimentos não-doces.
Podem até achar que sou demasiado radical mas a minha responsabilidade de mãe leva-me a agir desta forma. E os resultados até hoje têm comprovado que estou certa. 
O meu filho não conhece o sabor doce do açúcar industrializado, de refrigerantes ou gorduras saturadas... do que não conhece não sente vontade. Em vez disso conhece o sabor doce de uma laranja sumarenta, de uma banana madura, de uma manga suculenta. De uma cenoura, de  brócolos  cozidos a vapor cheios de vitaminas :)
Fico revoltada quando encontro no supermercado papas de bebé aconselhadas para os 4 meses (o que já é um problema, pois a amamentação deverá ser exclusiva até aos 6 meses) e como se não bastasse ainda com adição de açucares (vi isto recentemente numa papa da milupa com o nome "A minha primeira papa", como é possível??!!!). Para mim um problema de saúde publica, mas enfim o que me resta é ficar atenta aos rótulos e não dar importância ao que pessoas desenformadas dizem.
Sou responsável pela alimentação do meu filho, sou responsável pela construção de um individuo saudável e desta forma não vou fugir as minhas responsabilidades e tudo o que tiver ao meu alcance será feito para as cumprir.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Interpretação das curvas de crescimento

Quem de nós, mães, não se deparou já com as curvas de crescimento, que a cada consulta com o pediatra lá vai ele pesar e medir o nosso pequeno e analisar no gráfico se está tudo dentro dos parâmetros.
É acerca desta analise que hoje vos quero falar. A quantas de vocês o pediatra já disse que o vosso filho está abaixo do peso? A quantas de vocês foi aconselhado a adição de suplemento (LA)? 
Eu conheço vários casos pessoalmente e alguns li em blogs que sigo e isto me fez pensar.
Sou seguidora fiel de Carlos Gonzálvez (doutor em Pediatria e escritor de vários livros sobre a criança e a alimentação  infantil). Ele defende que as curvas de crescimento são, a maioria das vezes, mal interpretadas pelos profissionais de saúde e explica os erros que frequentemente são cometidos. Erros estes, que levam muitas vezes ao insucesso da amamentação, à introdução de complemento quando este não é necessário ou mesmo em casos mais graves à obesidade infantil.
Neste vídeo, Carlos Gonzálvez deixa todo muito claro, apresentando até alguns exemplos práticos, visto o vídeo estar em espanhol e eu achar que o assunto merece ser partilhado com vocês fica aqui o meu resumo para aqueles que não dominam a língua.


Estudos realizados mostraram que as antigas curvas de crescimento (norte americanas e que eram usadas pelos pediatras) não coincidem com gráficas realizadas com um conjunto de bebés amamentados durante um ano. Os bebés exclusivamente alimentados com leite materno engordam mais rapidamente no inicio da sua vida, mas a partir dos 2-3 meses engordam menos e estas curvas de crescimento indicam que a maioria destes bebés estão abaixo de peso e daí a implementação de suplemento. E porque é que assim é?
As gráficas antigas foram elaboradas a partir de um grupo de crianças que não tinham sido exclusivamente amamentadas, o que conduziu a um problema grave: a partir dos 2-3 meses de idade de bebés amamentados as mães eram levadas a achar que os bebés não estavam a mamar o suficiente ou que o leite estava a falhar, Eram mesmo aconselhadas pelos médicos a adicionar complemento, o que levava a consequente diminuição do leite materno, tornando aos olhos da mãe a premissa irróneamente correcta.
Com estas curvas de crescimento não foi tido em conta que existe um padrão de crescimento distinto entre bebés amamentados e bebés com LA, estes últimos alteram o seu metabolismo e acabam engordando mais.
Devido a estes factos as curvas de crescimento foram recentemente actualizadas e podem ser consultadas neste site: http://www.who.int/childgrowth/standards/en/ No entanto, existem muitos profissionais de saúde que ainda utilizam as curvas de crescimento anteriores.


Continuam mesmo assim a existirem erros na interpretação das curvas de crescimento.
O que são afinal estas curvas? 
São conjunto de curvas adequadas para avaliar o crescimento e estado nutricional tanto de grupos de população quanto de crianças em idade pré-escolar. São feitas recorrendo a um número elevado de bebés (bebés saudáveis) que são pesados e medidos e a partir dos valores obtidos construídos gráficos.
O que significa então o percentil 50?
Significa que 50% dos bebés usados na construção do gráfico (os quais pretendem representar a população) têm um crescimento segundo está linha de percentil.
Se o bebé está abaixo do percentil de 3% pode ser um bebé que está com problemas, mas também pode ser um dos 3% de bebés que é perfeitamente normal, simplesmente tem um baixo peso em comparação com a média da população.
Ou seja, quando se diz que os bebés têm que crescer de acordo com as curvas de crescimento quer dizer que numa população (cidade, pais) tem que haver mais ou menos 50% de crianças abaixo do percentil de 50%. Se por exemplo nesse pais não existe 50% de bebés abaixo do percentil 50 quer dizer que este país pode estar a sofrer um problema de obesidade infantil. O mesmo ocorrendo quando num pais não existem 50% de crianças acima do percentil 50%, indicando este problemas de desnutrição.
A aplicação das curvas é óptima para estudos de população, a sua interpretação a uma criança tem que ser diferente e feita com muita atenção.
Dizer-se que quando um bebé está abaixo da média está mal. É um erro frequente e grave. É uma média. Certo? Se todos os que estão abaixo desta ficarem acima, esta deixa de ser a média.
Este erro na interpretação das curvas está a levar-nos a problemas graves de obesidade infantil, pois se se pensa que estar  abaixo da média não é normal, acaba-se por conseguir que todas as crianças fiquem acima da média.
A última recta não significa o mínimo. O que significa o 3? Significa que 3% dos bebés que entraram na pesquisa que eram completamente saudáveis e que representam uma população, estão abaixo desta linha. Logo se o deu filho está abaixo do percentil 3 pode fazer simplesmente parte desse 3% da população de bebés saudáveis. Aqui o pediatra deverá analisar a situação com uma atenção especial.
O seu filho está no percentil 25? É uma criança saudável? Então, muito provavelmente, ele faz parte dos 25% da população que segue este peso.

O que temos de ter em atenção na interpretação dos gráficos:
- As linhas de percentil não são caminhos a seguir, são sim resultado da média de um conjunto de pontos que levaram à sua obtenção. A linha de crescimento do seu filho não será  seguramente uma linha perfeita;
- Bebés exclusivamente amamentados não aumentam de peso de forma igual a bebés alimentados com leite artificial;
- É normal nos primeiros 6 meses de vida cruzar a linha de percentis o que não indica, salvo raras excepções de doença do bebé, problemas, o bebé está sim a encontrar a sua normalidade;
- Emagrecimentos bruscos devem ser analisados com atenção;
- Grandes variações na relação peso e altura devem ser consideradas, se o filho tem uma altura muito inferior à média e um bom peso não se trata de um problema de alimentação, mas poderá indicar problemas endócrinos;

O mais importante é escutar a mãe, respeitar a sua preocupação. Antes de dar suplemento o mais indicado é analisar como está a ser o bebé alimentado, se está a ser amamentado a que intervalo de tempo ocorre cada mamada. O bebé pode não estar com problemas mas na maioria dos casos o suplemento é aconselhado e este vai piorar a produção de leite.
Existem casos em que o bebé engordou 80g e segundo a interpretação do médico deveria engordar 85g  e lhe é dado suplemento!! Neste caso este não faz sentido. E sei que não é fácil para uma mãe, que não quer certamente ver seu filho a passar mal, recusar a opinião do médico. Mas vamos pelo menos tentar estar mais atentas na interpretação feita a estas curvas e não nos fixemos excessivamente a elas.
E claro que infelizmente existem crianças com problemas de peso e mães com problemas de produção de leite mas estes não são a maioria e deverão ser correctamente diagnosticados.

Espero ter deixado claro o que queria transmitir, pois considero o assunto muito importante, mas não foi nada fácil  :)
Uma óptima semana

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

É possivel ser feliz comendo brócolos

Como já referi faz algum tempo aqui sou bastante rígida e atenta quanto à alimentação do meu pequeno. Hoje li no blog da Thelma um post fantástico, um testemunho que merece os meus parabéns. É a escrever algo do género que me quero ver fazer daqui a 2 anos.
Eu poderia escrever sobre o assunto e dar o meu ponto de vista mas a Thelma disse tudo, e concluiu lindamente. Desculpa-me pelo abuso mas faço minhas as tuas palavras:



"Eu acredito que uma criança não sente mais prazer com uma bala cheia de corantes do que chupando uma manga suculenta, com o caldo escorrendo pelo braço. E duvido que seja mais divertido lamber um pirulito do que fazer barulho para tomar a poça de suco que se formou no fundo de um prato cheio de melancia docinha.
Acho que o segredo é não transformar a alimentação em problema, em sofrimento. Aos seis meses, quando os alimentos vão sendo introduzidos aos poucos, podem chegar com alegria às mãos dos bebês. São como brinquedos macios e coloridos para levar à boca, como eles gostam de fazer com tudo o que encontram.
Esse momento é importantíssimo, é a hora de abrir a porta para um mundo de sabores, aromas, texturas, consistências, cores, muitas cores! E enquanto a criança aprende a comer está desenvolvendo linguagem, coordenação motora, percepção e discriminação visual; está construindo cultura, criando comportamentos, formando hábitos para uma vida longa e saudável."

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Educar à mesa: o que vai além da educação alimentar

Do livro "Quem Ama, Cuida"  de Américo Canhoto, partilho hoje com vocês as atitudes e valores que podem resultar de uma boa educação à mesa. Atitudes que vão muito além da Educação Alimentar, esta não menos importante, mas que ficará para discutirmos numa outra oportunidade.
Atitudes e valores que podem ser desenvolvidos durante as refeições:

Paciência – Aguardar nossa vez com calma, mastigar correctamente o alimento;
Respeito – Consumir apenas o necessário, respeitar o organismo. Esperar que os outros se sirvam primeiro;
Humildade, gratidão, consideração – Agradecer pela refeição. Elogiar o esmero com que o alimento foi preparado e agradecer, se for o caso, a quem nos convidou para a refeição;
Solicitude, humildade – Servir os outros, facilitar para que as pessoas se sentem à mesa ou se levantem;
Caridade, respeito, sobriedade – Evitar julgar aquele que cometeu algum deslize na mesa, não tecer críticas ao que foi servido;
Sobriedade – Não encher o prato, levar o alimento à boca em pequenos bocados, evitar ruídos ao beber e não bater com os talheres no prato;
Parcimónia, moderação – Comer o suficiente; servir-se sempre pensando primeiro nos outros;
Frugalidade – Comer apenas o indispensável. Economizar nos temperos;
Perseverança – Evitar alimentos que levem ao vício e à compulsão; alimentar-se conforme as necessidades;
Firmeza de carácter – Recusar os alimentos indesejáveis ao seu organismo com delicadeza e sem maiores comentários;
Modéstia, simplicidade – À mesa, evitar gestos teatrais ou etiquetas descabidas. Quando aprendemos a sentir o gosto e o odor de cada ingrediente não inventamos misturas que não combinam;

É interessante termos a noção que pequenas atitudes à mesa podem resultar em princípios e valores no nosso intimo e que poderão ser usados naturalmente por cada um de nós no dia a dia.
Do meu ponto de vista, impor nas crianças estes comportamentos com o intuito de lhes desenvolver estes valores será uma imposição que ficará vazia, sem valor se não for acompanhada com o nosso exemplo. Não podemos exigir que o nosso filho comam com calma e mastigue bem, desenvolvendo a sua paciência, se nós mesmos comemos a correr, não acham? Sei que por vezes é complicado juntar todos à mesa, atitude esta que é mais uma oportunidade em família de desenvolver, a meu ver, valores como a amizade e a confiança, mas se nos organizarmos e fizermos por isso é possível, nem que seja uma só refeição por dia.
Para mim a hora das refeições é um momento essencial na construção de uma família, é um momento de partilha das experiências vividas no dia a dia e embora nem sempre seja possível reunirmo-nos à mesa é algo que fazemos com frequência. E se juntamente a este momento em família podemos estar a tornar-nos melhores pessoas melhor ainda.
E você come em família e dá o exemplo?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A partir de que idade posso dar doces ao meu filho?

Considero que sou muito rígida quanto à alimentação do meu pequeno, desde que nasceu que, dar-lhe uma boa alimentação foi uma máxima para mim. O Leo foi amamentado exclusivamente até os 6 meses e até pelo menos aos dois anos espero continuar a amamentar. Quando introduzi os legumes, as papas e a fruta fui sempre bastante atenta às origens de cada produto e também a forma como o cozinhava (uso essencialmente cozinha a vapor).
Pois, mas há quem ache que sou demasiado certinha nestas coisas, mas na verdade faço-o por gosto e esta postura até me tem ajudado a melhorar a alimentação geral cá de casa :) e o Leo é um bebé que para comer nunca vi igual, gosta de tudo e come bastante, o que me deixa orgulhosa.
O Leo está com 11 meses e quase 2 semanas e a semana passada fomos a uma consulta de rotina, estava tudo óptimo, o Leo levou uma vacina e como chorou bastante a médica perguntou-me se lhe queria dar uma guloseima que elas têm para dar às crianças, eu respondi que não, que ele ainda tinha tempo que ainda era muito novo para comer açúcar e que eu o consolava com miminho. A médica respeitou a minha decisão e até aí tudo bem... Sai do consultório e tive que passar na farmácia qual não é o meu espanto quando a farmacêutica quer oferecer uma guloseima ao Leo, mais uma vez educadamente não aceitei. Vim para casa perplexa com os acontecimentos de uma só manhã. Será que estou a andar em sentido contrário?? A partir de que idade posso dar doces ao meu filho?
Eu decidi que o Leo só irá comer doces após os 2 anos, se conseguir mais tempo melhor ainda. Se ele não for acostumado com o sabor adocicado, não vai sentir a falta. Além do mais, o açúcar, quando ingerido, fermenta no intestino, provocando cólicas e também por vezes tira o apetite da comida mais saudável. As crianças que adoram doces comem-nos desenfreadamente e podem apresentar cáries e, no futuro vão ter mais chances de desenvolver obesidade e diabetes. E como o Leo adora fruta já ingere muito açúcar do bom :)
Quando o Leo for mais velho poderá naturalmente comer doces mas de forma restrita. Alguns pais acham radical restringir o acesso ao doce a uma vez por semana, por exemplo, mas se isso for um hábito da família, a criança vai assimilá-lo de forma mais fácil. A família, mais uma vez, é a chave da questão. Se os pais gostam de doce e comem com frequência, o filho segue o mesmo ritmo.
Mas acho que a minha tarefa de evitar dar doces ao Leo vai ser complicada, com tantas ofertas... Agora ele ainda não liga, mas quando for mais velhinho? Ele não vai aceitar o doce da médica ou da farmacêutica??? Será que estou a ser demasiado rígida quanto a esta questão?
Ai, Ai ser mãe é complicado e tomar decisões também....

domingo, 22 de agosto de 2010

Obesidade infantil II

Hoje deixo aqui um vídeo muito interessante de um programa muito louvável no combate à obesidade infantil. Com uma média nacional de 32% de crianças obesas espero que brevemente este programa seja alargado ao resto do país.

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