Uma reflexão sobre Educação Alimentar e os Super Estímulos
Sempre fui bastante alienada quanto à minha alimentação, apesar de comer coisas não saudáveis sempre me cobrei muito quanto a isso.
Com a chegada do primeiro filho as coisas mudaram muito aqui, a minha prioridade é a alimentação dele.
Eu sempre quis dar o melhor aos meus filhos e nesse melhor está certamente a melhor alimentação.
Um dia numa conversa sobre alimentação questionava-se o facto da comida biológica ser muito cara, principalmente numa cidade, e alguém disse: "Existem dois sitios durante a nossa vida nos quais iremos inevitavelmente gastar o nosso dinheiro e nós podemos escolher em qual deles o queremos fazer: no médico ou no mercado." - esta frase ficou-me gravada e penso nela muitas vezes quando faço compras.
Amamentei o meu filho até aos 2 anos, desmamou naturalmente por opção dele, sempre comeu legumes e muita fruta, tenho grande orgulho de ele ser uma criança que se alimenta tão bem. Conheceu o açúcar com quase 2 anos contra a minha vontade, mas o meio infelizmente faz uma grande pressão para se comer porcaria e quem tem filhos vai entender-me. É claro que existem alturas em que ele não come tão bem que rejeita alguns legumes, mas como eles estão sempre presentes no prato ele acaba por voltar a comê-los.
Não proíbo o meu filho de comer determinada coisa, mas explico porque não acho bem que ele a coma. Aos 3 anos de idade o meu filho conhece os conceitos de saudável e não saudável, tem conhecimento que é necessário nos alimentarmos de vários tipos de alimentos (proteínas, carbohidratos, vitaminas... ) e eu faço questão de a cada refeição lhe construir um prato com todos os grupos, existe sempre proteína, carbohidrato e muitas vitaminas :) Ou seja, primo pela educação alimentar.
Defendo que cada criança deve ser levada a amadurecer a sua capacidade de escolha consciente.
Porque não explicar aos nossos pequenos as diferenças entre produtos biológicos\orgânicos e não biológicos\orgânicos, entre integral e não integral, gorduras saturadas e insaturadas? Explicar a necessidade de cada tipo no nosso organismo. E as consequências que uma má alimentação pode trazer.
Claro que não é necessário usar termos complicados. Explicar a diferença, por exemplo, entre pão integral e não integral basta pegar num grão de trigo dizer que é a partir deste que se faz a farinha do pão mas que, no caso de pão não integral, não é usado o grãozinho todo mas sim somente a parte interior e tudo o resto é deitado fora e que neste resto existe vitaminas e fibras que nos fazem muito bem, que nos fazem crescer saudáveis. Faça a experiência, explique ao seu filho e depois pergunte-lhe que pão ele prefer comer.
E porque não devemos comer muito açúcar? E porque a fruta é tão saudável? E os legumes são importantes?
As crianças são pequenos cientistas gostam de saber, experimentar e compreender o mundo que os rodeia e acreditem que eles se sentem melhor se não lhe for dito "não podes" mas sim "não deves porque..."
Orgulho-me muito de ter feito este caminho e hoje ter um filho que fracciona um chocolate para comer mais tarde, recusa um rebuçado porque é só açúcar e me chateia se não tenho sopa de legumes feita para o jantar. Agora espero levar o irmãozinho pelo mesmo caminho.
Li certa vez que para estarmos certos de que nos estamos a alimentar bem nunca devemos comer nada que a nossa bisavó não identificasse como sendo um alimento.
Nem sempre é fácil resistirmos a uns fritos cheios de molhos, uns chips, umas gomas coloridas mas já pararam para pensar que estes são produtos que não existem directamente na natureza? Que se tratam de produtos inventados e produzidos pelas industrias, com super-estimulantes para as nossas papilas gustativas. Que tudo que ingerimos passar a fazer parte de nós?
Nós adultos, em principio, mais responsáveis que as crianças :) sabemos que um simples rebuçado é somente açúcar, que um refrigerante não tem fruta de verdade, que muita comida tem montes de estimulantes, corantes, conservantes e conseguimos controlar-nos. Mas uma criança responde aos estímulos que o cerebro lhe dá sem os questionar. Comeu um rebuçado, as papilas gustativas ficaram super-estimuladas, estas enviam a informação ao cerebro da presença de energia fácil e imediata e aí nasce o desejo de mais e mais açúcar, estimulates e todos os adicionantes presentes nas guloseimas, colocados com o objectivo de provocar esse mesmo desejo. Por isso uma criança que come muitas guloseimas (muitas vezes antes de conhecer alimentos saudáveis), não gosta de legumes, pois umas papilas gustativas super estimuladas não conseguem "saborear" um simples brócolo... e neste caso o brócolo não sabe a nada. Temos que educar as nossas papilas gustativas, elas aprendem e o doce ou o salgado pode ser treinado.
E nunca é tarde para mudarmos os comportamento alimentares dos nosso pequenos não esquecendo nunca que a maior arma do sucesso é o exemplo.
Este texto faz parte da Blogagem colectiva: Mamãe tá de olho querem ler mais sobre o assunto passem no blogue da Nádia - http://www.asosmamaenadia.com/ e lá encontraram os links de todas as participantes.
Um bom e saudável domingo para todos






