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terça-feira, 27 de março de 2012

O meu filho tem este comportamento e eu sei porquê - parte 3

Mais um texto de uma mãe que tentando acertar sente que errou.
Mãe que se importa, mãe que se questiona, faz o que acha certo no momento de agir... pode certamente não ser o mais correcto mas no momento em que o fez era o "mais" possível. O facto de reflectirmos as nossas acções como mães e educadoras acredito que seja já um passo em frente para fazermos o melhor pelo futuro dos nossos filhos.
E como não somos perfeitas, embora muitas vezes somos levadas a acreditar que sim, erramos ao tentar acertar, ao tentar fazer o melhor... mas é nestas tentativas que vamos aprendendo - sermos criticas com nós mesmas é no meu ponto de vista o melhor caminho.
A mãe de hoje escreveu:
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" Quando tive a minha primeira filha, foi uma felicidade para toda a família!!
A novidade e o desconhecimento leva-nos a ter certos comportamentos, que mais tarde reconhecemos serem errados, a primeira dificuldade foi o dormir.... porque quando a colocava no berço eu não saía do quarto sem que ela adormecesse, ela foi crescendo passou para o seu quarto já numa cama maior e eu acabei por a "habituar" a ter-me sempre a seu lado até ela adormecer. Os anos foram passando e eu tanto na hora da sesta como à noite, lá me deitava com ela para ela dormir.
Quando ela tinha 5 anos e meio nasceu o irmãozinho, e eu vi aí uma oportunidade para que isso acabasse, falei com ela expliquei que a mãe tinha que cuidar do mano e que ela teria que passar a adormecer sozinha, pois também já estava crescidinha!! Resultou.... quer dizer em parte, pois eu passei a deixar de a adormecer, mas quando o pai dormia em casa, normalmente ao fim de semana (a profissão dele não permite que ele esteja todas as noites em casa), ela implorava para o pai se deitar com ela.... e ele lá lhe fazia a vontade.
Finalmente neste momento ela já adormece sozinha sem mãe e sem pai, consegui!!!!  Finalmente aos 10 ANOS consegui!!!!
Eu jurei que com o irmão isso não iria acontecer, mas não sei explicar e as coisas foram pelo mesmo caminho.... foi mais forte do que eu.... ERREI NOVAMENTE, com  ele ainda é pior porque tem que ser mesmo a mãe a adormecer, nem o pai consegue, só a mãe e mais ninguém!!!  O problema é que ele tem 5 anos e meio e vai para a escola em Setembro e eu quero mesmo conseguir que ele adormeça sozinho!! Será que me podes ajudar numa solução possível? para que isto acabe? Eu sei que errei em duplicado e que a culpa é minha e não deles, mas não queria arrastar o problema até aos 10 anos dele!!!"

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Cá em casa a hora do sono é levada muito a sério, e acredito que o primeiro passo a dar para uma criança adormecer sozinha é a nossa própria segurança com a situação.
Aqui aconteceu muito naturalmente do recém-nascido que adormecia a mamar, que fazia muitos soninhos completos no colinho da mamã enquanto esta aproveitava para dormir também até ao menino que se deita dá beijinho na mamã, trocamos umas palavras de carinho e eu saiu simplesmente do quarto e ele adormece.
O Leo adormece completamente sozinho desde cerca dos 6 meses mas teve algumas alturas que ele pedia para eu ficar com ele e eu ficava, respeitei muito a sua insegurança. O que resultou comigo que não resultou contigo?
Não sei, talvez a rotina mais rigida que eu tinha, talvez mesmo por eu ter conhecido a tua experiência antes de ter o meu próprio filho...

De uma coisa eu sei, não te deves sentir culpada o que já passou, já passou... e acredito que tenhas passado muitos momentos lindos a olhar os teus filhos a adormecer. Num entanto, acho que temos que ajudar os nossos filhos a tornarem-se mais independentes e seguros de si mesmos e o facto de o teu filho ainda sentir a necessidade de ter a mamã ao lado para adormecer pode mostrar uma certa insegurança e pelo que conheço passa também um pouco por aí.
O que podes fazer para ultrapassar isso, passando e o teu pequeno a ouvir a histórinha, dar beijinho e adormecer sozinho não sei muito bem... Talvez conversares com ele, faz com que ele se sinta um menino crescido, promete-lhe algo que ele queira muito se ele passar a dormir sozinho (nada de material, um passeio a um lugar da sua escolha, um piquenique em família, por exemplo). Tenta envolvê-lo mais na rotina do dia-a-dia tratando-o menos como uma criança pequena e mais como um menino que cresceu e tem as suas responsabilidades isso fará-o sentir-se mais seguro e autoconfiante.

Este são os palpites de uma mãe que não teve problemas com a hora de dormir, alguém por aí tem ideias mais concretas??? Alguém já passou pelo mesmo?
Partilhem nos comentários.

Este post começou aqui:
Aprender com os erros dos outros
O meu filho tem este comportamento e eu sei porquê - parte 1
O meu filho tem este comportamento e eu sei porquê - parte 2

E quem quiser participar neste meu cantinho é só mandar o texto para o mail: ssbrites@gmail.com

quarta-feira, 21 de março de 2012

Descobrir a Natureza também se ensina

E chegou a Primavera e com ela o Sol, finalmente... os raios de Sol são mágicos para mim fico logo com outra disposição :) Adoro estes dias de Primavera em que não está calor que temos que estar na sombra nem está frio que nos faz ir para casa. Está perfeito para passear ao ar livre.
O que eu acho mais fantástico aqui na Alemanha é a divisão de estações tão acentuada:  Inverno - neve, Primavera - flores e passarinhos a cantar, Verão - muito verde e sol (o sol podia ser mais mas é bom :) ) e Outono - folhas de tons de fogo a cair pelo chão. Tal como nas fotografias de livrinhos infantis. Lindo de ver.
Acho super importante o contacto das crianças com a Natureza e mesmo vivendo numa cidade enorme e estando a 20 min de bicicleta do centro tenho florestas e rio a 5 minutos de casa. Também só assim é para mim possível viver em cidades grandes.
Então passeamos muito na floresta, à beira do rio, visitamos o Zoo, e o Leo tal como a mamã é um amante de caminhadas e passeios de descoberta :)

E então ontem fomos procurar a Primavera:
Vimos muitos rebentinhos novos nos arbustos e árvores, flores, muitos passarinhos e até alguns esquilos. Um passeio lindo. O Leo adorou descobri o renascer da Natureza  -  corria de arbusto em arbusto e gritava: "Mamã a Primavera está a chegar" :)



As fotos não estão muito boas que a mamã aqui só tinha o telemóvel :) 

Amigas e amigos a temporada de passeios, caminhadas, descobertas e aventuras está aberta:
DIVIRTAM-SE

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Montessori e os Brinquedos feitos em casa II

Ainda ontem postei e já estou de volta fantástico :) 

Como já disse estou fascinada com o desenvolvimento do Leo, fala imenso, brinca muito de faz de conta... e é uma maravilha observá-lo.
E como optei por passar o dia com ele e já escrevi sobre isso por aqui, não é fácil ficar o dia inteiro com uma criança e isso acarreta uma grande responsabilidade, eu sinto-me no dever de além de mãe ser um pouco de professora também, levando-o a desenvolver a sua concentração e destreza, pintando, fazendo puzzle e pequenos jogos.
Além da caixa sensorial e do jogo das formas, hoje deixo aqui mais algumas dicas de joguinho que além de divertirem os mais novos lhe desenvolvem as habilidades de concentração e motricidade-fina e nos dão também algum tempo de mais calma e são super fáceis de concretizar.


1. Separar as cores:


Uma folha de papel com 3 círculos, um de cada cor, uma tacinhas com pedacinhos de papel das três cores escolhidas para os círculos e cola é o material para este joguinho. Depois é só pedir á criança que vá colando os pedacinhos de papel no círculo correspondente :)

2. Jogar com moedas: 

Moedas velhas num saquinho de pano, um frasco com tampa de metal ou plástico. Cortar a tampa de forma a fazer uma ranhura onde passem as moedas (caso a tampa seja de metal, ter o cuidado de martelar bem o metal depois de cortado para que não fique de forma a magoar os dedos da criança).
Este jogo surgiu num momento de grande irritação do Leo, eu estava sem paciência e ele super rabugento aí lembrei-me de o fazer e voilá... só vendo dá para acreditar na mudança instantânea do humor do Leo, ficou imenso tempo a brincar :)

Já fiz o jogo faz algum tempo e até hoje ele brinca com ele, e eu acho-o fantástico, ele tem que tirar as moedas do saco, colocar no frasco e depois desenroscar o frasco para as retirar lá de dentro... tanta actividade num só jogo, não é fácil que fique aborrecido :)

3. Jogo das sombras 

Esta foi a ultima criação, hoje mesmo. Imprimir uns desenhos com as sombras correspondentes e depois é só fazer a correspondência. Eu colei o papel em cartolina mais forte para que o jogo fique mais resistente. O nosso é com o tema Outono mas quaisquer desenhos servem. O Leo adorou. :)

E vocês têm ideias para partilhar? Contem-nas aqui nos comentários :)

Um ótimo dia para todos... 
Eu vou brincar com o eu pequeno :)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Filhos problemáticos ou pais problemáticos???

Famílias perderam o conceito de família... pais que perderam a responsabilidade de educar... resultado: Crianças violentas que não respeitam os colegas, os professores e até os pais. Crianças que não sabem estar e viver em sociedade. Crianças que muitas vezes já não são tão crianças assim.
E eu questiono-me que tipo de adultos teremos no futuro? E porque é que isto acontece? O que está a falhar?
Os pais são, na minha opinião, o principal motor na criação de princípios, respeito e sociabilidade dos filhos, tarefa dificil mas não impossível quando existe um equilíbrio em casa e somos conscientes da nossa função. Ninguém disse que ter filhos era fácil...
Problemas comportamentais, ansiedade, agressividade - mais e mais pais se queixam de dificuldades no desenvolvimento de seus filhos. E porquê? Sem dúvida, que as crianças trazem consigo desde o nascimento os seus genes com determinadas características, traços e temperamentos que são independentes da educação, e excluindo a hipótese de o ser humano, como espécie, ter sofrido uma mutação que o levou ao longo dos tempos a ser mais agressivo e mal educado, acredito que o problema está na forma como os pais de hoje educam ou não educam os seus filhos. - as crianças de hoje são o reflexo dos problemas dos pais.


(Basicamente todas as crianças são dificeis, porque elas raramente fazem exatamente o que esperamos delas)
 




O que podemos fazer quanto a isto?
Em primeiro lugar falta pensamento auto-critico da parte dos pais, muitos pais não pensam, não se questionam se estão a errar, são orgulhosos demais. É doloroso pensar que estamos a tomar decisões erradas ou não nos estamos a dedicar como devíamos, mas se formos humildes para nós mesmos será mais fácil corrigirmos-nos. Em segundo, as crianças são como espelhos, e se nos atrevermos a olhar de perto elas mostram-nos as nossas fraquezas e limitações e portanto mostram-nos a solução para muitos problemas na sua educação. Quando alteramos o nosso comportamento a criança altera o dela também. {Quantas vezes te sentiste sem paciência e irritada e ao mesmo tempo o teu filho parece que só faz birra e chora? - ele está a ser o teu espelho; o mesmo serve com o teu comportamento em sociedade}.

No meu ponto de vista (corrijam-me se estiver errada ou informem-me se estiver incompleta) existem 4 principais problemas na educação dos filhos, cuja falta reflete a actualidade com que nos deparamos:

1º Problema: A criança não segue regras
Fala-se no mundo inteiro da liberdade que as crianças precisam para florescerem, para poderem criar e crescer. Mas esquecem-se que esta liberdade não pode ser ilimitada, todas as crianças precisam de orientação. E esta orientação só será possível se os pais colocarem limites. E é neste jogo entre liberdade e limite que existem falhas. E parece estar a ser dificil para os pais de hoje. Em vez disso vemos pais que em vez de agirem consequentemente permitem chocolate mesmo antes da hora do almoço, maratona de TV mesmo depois das más notas da escola...
Os pais de hoje têm como principal objetivo serem amados pelos filhos e em vez de se darem ao trabalho fazem-no pelo caminho mais fácil, comprando esse amor (muito volátel devo avisar - mais simples e imediato de obter mas sem dúvida momentâneo) através do fazer as vontades aos príncipes e princesas. E atenção não estou aqui a falar de autoritarismo mas sim de autoridade e respeito a impor limites justos e claros.

Pergunta-te a ti mesma o quão coerente é a tua relação com o teu filho. E porque cedes a todos os seus caprichos (mesmo ele próprio não sabendo que o são - e aqui vêm a razão porque temos que saber dizer não - para o podermos orientar). Queres compensar a falta de tempo que tens para ele? Ou tens um problema de autoridade - o medo de não ser amada pelo teu filho?
Acredito que estas preocupações são infundadas pois uma criança quer pais que lhe deem apoio que os orientem a encontrar o seu caminho no mundo (lembraste quando tu mesma eras criança?). Assim é bem mais fácil implementar e respeitar as regras na família. Atreve-te a ser coerente!


2º Problema: A criança é agressiva
Dificuldades de relacionamento com as crianças estão muitas vezes relacionadas com os sentimentos e desejos que os pais não viveram. Nós normalmente valorizamos o nosso lado positivo e reprimimos o nosso lado negativo. E esquecemos que nenhum humano pode ser sempre amável e pacifico. Assim se explicam muitos conflitos de adolescentes com os pais, crianças que sempre foram amáveis. O nosso lado negativo que é reprimido e pode um dia explodir... 
Existe na tua família uma "cultura de conflito"? Ou os problemas aí em casa são resolvidos com simples: "Não vamos discutir!", "Controlem-se!" e é sempre evitado qualquer tipo de confronto aberto com o teu parceiro?
Se queres facilitar as coisas para o lado do teu filho, precisas saber de onde vem este teu comportamento. E questiona-te: "Porque é que eu sou tão viciada em harmonia e rendição?"
A criança é agressiva porque não aprende a utilizar a sua agressividade o seu descontentamento. Somos humanos e podemos viver conflitos e temos que aprender a lidar com eles, os conflitos fazem todo o sentido e devem ser argumentados no momento que ocorrem (não aos gritos naturalmente... mas numa discussão aberta em que as partes envolvidas possam argumentar os seus pontos de vista).
Os nossos filhos só têm a ganhar com isso, ele aprenderá a viver com as suas próprias necessidades, ele aprenderá a argumentar a sua opinião e a aceitar a opinião do próximo.


3º Problema: A criança é muito ansiosa
Crianças ansiosas têm normalmente pais demasiado protetores (ou pais que pensam estar a proteger). Temos que confiar mais nas crianças, dar-lhe mais espaço para experimentarem e para errarem. (Joelhos arranhados fazem parte de ser criança.) Uma máxima que nunca podemos esquecer de dizer ao nosso filho é: "Experimenta fazer sozinho!" Uma criança que experimenta é mais confiante consigo mesma e terá uma maior autoestima.
Não dar confiança aos nossos filhos, acreditando de eles são capazes torna-os mais fracos, inseguros e ansiosos. Pois se nós país não vamos confiar neles quem vais confiar???
E não há nada melhor para um pai ver o seu filho seguir na vida com confiança. Ao contrário de filhos de pais sempre preocupados que se tornam adultos sem amor próprio sem coragem...


4º Problema: A criança segue o sonho dos pais
É sempre o mesmo padrão: o filho faz aulas particulares, tem horário super cheio para ter bons resultados na área que o pai deseja ou melhor desejou um dia para ele mesmo e quer que o filho consiga o que ele não foi capaz ou não teve oportunidade. Ou dedicou-se tanto á educação do filho que cobra isso no empenho e dedicação deste, sobrecarregando-o de caminhos e oportunidades para um futuro promissor. Sem dar lugar ao talento e vocação da criança. 
É importante reconhecer o talento e incentivar a criança. Contudo, deve ser analisado com atenção, se a criança está realmente a divertir-se. Fará sentido fazer mil e uma actividades enchendo as 40 horas semanais.
Devemos questionar-nos: Será que meu filho faz as actividades apenas para me agradar? Ou eu secretamente desejo que ele possa realizar o que eu não tive oportunidade? Se assim for, então estamos certamente mais focadas em nós próprias e queremos levar os nossos pequenos a realizar os nossos próprios sonhos.

Devemos sim mostrar-lhe os caminhos que pode escolher, aconselhar, ajudar-lhe a abrir as portas a conhecer o que o mundo oferece mas deixá-lo ser livre, livre para descobrir o seu verdadeiro talento com sucesso. 
Todo que eu menos quero é um filho adulto que não goste da profissão que exerce diariamente... não desejo isso a ninguém... frustração corroí a felicidade.


Tenho um trabalho longo na educação do meu "mais que tudo" mas de uma coisa estou certa... a base de um filho feliz é um pai /mãe que se questiona que se auto-avalia.


terça-feira, 14 de junho de 2011

Falar de Sexo & Co

Ao longo do desenvolvimento dos nossos pequenos (e como eles crescem!!) surgem as tão pouco esperadas perguntas sobre sexualidade ou quando não surgem deparamo-nos com as nossas crianças a transformarem-se em pequenos adultos e temos que lhe falar sobre o assunto. E é nestes momentos que todo se complica, como e quando falar é a duvida de muitos pais de pré-adolescentes.
Quando será a melhor altura para lhe falar no assunto? Ou devemos simplesmente deixar que as duvidas e perguntas surjam??
Quando se trata de educação sexual existem sempre bastantes receios e duvidas em procurar a forma e momento certo.
Por um lado não queremos deixar passar o momento certo, por outro não queremos antecipar, é difícil para um pai entender que o nosso pequeno já não é assim tão pequeno, e que estamos perante uma geração de crianças que cada vez mais rápido e mais cedo precocemente se tornam em adolescentes. (e quanto há a dizer desta redução da infância e apesar disso do prolongamento da adolescência - com 20 anos ainda querem ser adolescentes - mais um assunto que dará muito que falar, talvez num próximo post)
Esclarecer o que é Sexo & Co não tem só o problema de como o falar, mas sim e mais importante, na minha opinião, de como o devemos transmitir e aí é que está a dificuldade.
Mas tudo se torna mais fácil se desde cedo a educação que damos aos nossos filhos se baseia na sinceridade, na relação aberta e naturalidade. Como isto não será certamente necessário ir com a criança para uma praia de nudismo... existe muito mais atrás disso...

O que nos oferece uma educação aberta e natural?
O que eu quero, realmente, dizer com isto? Simplesmente que devemos deixar "as coisas naturais serem naturais". É a nudez no seio da família um segredo, uma "vergonha", algo para esconder, então as crianças ficam irritadas e inseguras, pois não sabem porque é assim, porque assim acontece. E ficam com a impressão de que algo está errado com o seu corpo, que não é normal, desenvolvendo por vezes fantasias arrojadas. E a partir daqui nascem sentimentos de timidez e insegurança, tendo medo de ser ridicularizada pelos outros.
O importante é existir um equilíbrio entre as regras em sociedade e a educação sexual "livre" (que cada um se safe - se auto-eduque) ambas acabam por não ser adequadas sendo simplesmente os extremos de uma educação aberta.
Numa educação aberta e natural fazem parte as perguntas das crianças que devem ser respondidas e respeitadas. As respostas e o esclarecimento de duvidas deve ser feito de forma adequada à idade da criança. No entanto, as crianças sabem mais do que nos julgamos e são muitas vezes subestimadas. O teu filho começou a fazer perguntas sobre Sex & Co muito cedo, mantém-te calma e não faças uso da historinha da cegonha ou das couves.... tenta primeiro descobrir o que o teu filho já sabe sobre o que pergunta e esclarece-o usando o seu nível de compreensão mas sem mentir. Não faz sentido fazer segredos sobre o assunto.
O importante é aceitarmos que estas perguntas vindas dos pequenos são normais e naturais e a nossa resposta tem que ser também natural. E só assim o nosso filho crescerá sexualmente de forma saudável, sem segredos e receios.

Mas quando é o momento certo?
Muitas crianças mostram-se curiosas desde cedo sobre o assunto e enchem os pais de perguntas, outras não perguntam... mas quando uma criança entra na pré-adolescência o seu corpo começa a mudar, tornam-se pequenos adultos e agora??? Temos que falar sobre o assunto??? Será o momento certo? ou esperamos que eles perguntem?
Certamente cada criança é única e cada família tem a sua forma de lidar com a situação. Não existem regras de quando será o momento certo. Na minha opinião devemos sim falar sobre o assunto mesmo que não seja solicitado, e neste caso deverá ser um pouco antes que tal tema surja na sala de aula. Mas mais que ninguém somos nós pais quem melhor conhece os nossos filhos e certamente se estivermos atentos nos daremos conta que a sua curiosidade sobre o assunto aumentou em determinado momento, e esse é o momento em que devemos nos mostrar abertos a uma conversa. 
Existem imensos livros sobre o assunto que nos podem dar umas ideias de como o deveremos abordar e também existem óptimos livros que ajudam o nosso filho a entender melhor o assunto.  Um bom livro pode ajudar. No entanto, os esclarecimentos devem surgir de nós, o livro será um complemento. 
Outro receio de muitos pais é saberem que a criança já sabe muito sobre sexo através de outras fontes... mas digam-me uma coisa: Saber sobre algo não é muito diferente de entender sobre algo???
Não desvalorizes este momento, seja ele hoje, amanhã ou quando o teu filho se mostrar interessado... o teu papel de mediador de uma educação sexual saudável e natural é muito importante.

Mas como devemos falar sobre Sexo & Co?
Usa as perguntas e situações que nascem da parte do teu filho. Mantém a calma e orienta-te fazendo uso das suas perguntas. É importante termos consciência que para uma conversa clara e produtiva precisamos de tempo e de dar tempo à criança. Stress e ansiedade só virão prejudicar a nossa missão. Fala claramente e não a sussurrar, não é segredo nem vergonha. Transparência, honestidade e frontalidade são as ferramentas, juntamente com a condução de uma conversa normal sem tornar o momento especial.

E o que falar? 
Antes de te prenderes na colecção de processos biológicos inerentes ao assunto deverás, ter consciência como pai, que existe na sexualidade todo um processo psicológico bem mais importante que deverá ser esclarecido. Ou seja, todos os sentimentos inerentes à sexualidade. E refiro-me aqui ao Amor, Confiança, Responsabilidade e Dedicação. 
O que tem de bom em ter uma relação sexual? Esta perspectiva é deixada de parte nas escolas que abordam a parte biológica e é aqui que o nosso papel é importante. Conta as tuas próprias experiência com o amor e a sexualidade que ilustram o valor dos sentimentos.
Se tivermos conscientes de quais foram as nossas duvidas, receios e ansiedades ficará mais fácil chegar aos nossos filhos. E diz lá, não foram o esclarecimento dos sentimentos que mais te faltaram? Que existe o pénis e os testículos sabe o nosso filho, a sua função aprenderá se nos perguntar ou na escola, mas e os sentimentos?
Na minha opinião, se levarmos a nossa conversa para um campo mais sentimental e não tão morfológico, se fizermos uso da nossa própria experiência chegaremos mais longe. O nosso filho aprenderá a ouvir o seu próprio coração, podendo construir um caminho saudável para um dia transformar a sua primeira vez em algo bonito e feliz.
Se existir alguma pergunta do teu filho que não sabes responder não te sintas diminuída por isso, procura a resposta juntamente com o teu filho, na Internet ou num livro. Não deixes lacunas por falar só porque não te sentes à vontade sobre o assunto, dá ao teu filho uma visão ampla da sexualidade, dá-lhe as bases e os esclarecimentos para que ele não se sinta perdido mas sim confiante e que ainda,  se sinta capaz de vir ter contigo quando tiver mais duvidas. Neste ponto a contracepção é também um tema a abordar. Fala-lhe de como era a vida sem contracepção, no tempo dos Reis, por exemplo, como eram as famílias numerosas do povo, uma visão histórica poderá ajudar o nosso filho a ter noção que existe uma escolha que ele próprio toma de como quer levar a sua vida, seja a situação relacionada com amor ou com sexualidade. Ele tem que ter noção que pode começar uma família quando quiser mas que deve sempre dizer "não" quando algo não está em sintonia com os seus sentimentos. 
A educação sexual é educar o nosso filho para uma vida íntima com respeito. 
A nossa missão é esclarecer com Tranquilidade, Naturalidade, Serenidade, Coerência e acima de tudo transmitir Segurança.

E vocês o que acham disto tudo? Já alguma de vocês chegou a este momento com os vossos filhotes? Como foi? Como acham que deve ser?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Criança independente: "Ajuda-me a fazer sozinho"

Com a chegada do 2º aniversário a criança começa a querer ser mais independente, começa a ter capacidade para isso mas como em todas a fases do seu desenvolvimento precisa do nosso apoio, da nossa compreensão, paciência e calma... Este é um momento crucial para a criança construir o seu espaço e o seu momento de brincadeira sem ter que estar sempre junto da mamã e do papá.
O Leo sempre foi uma criança que requisita muito a nossa atenção, não gosta de brincar sozinho, mas começa a entender que existem momentos que a mamã tem outras coisas para fazer e ele tem que se ocupar sozinho.
Ouço muitas vezes mães a lamentar-se que o seu filho não consegue brincar sozinho (ok o Leo só brinca sozinho por 15 min no máximo), que o pequeno quer sempre que a mamã brinque com ele (compreensível  com companhia é bem mais divertido), que não consegue fazer as tarefas da casa sem que ele esteja sempre a seu lado, que se ele fica sozinho 5 minutos começa a chorar (aqui também é assim).
Estas coisas também acontecem cá em casa mas estão a tornar-se cada vez menos frequentes , pois o Leo está cada vez menos dependente... cada vez mais um rapazinho capaz... mas para que ele se torne ainda mais capaz precisa da minha ajuda.

O que considero muito importante, nesta nova fase do seu desenvolvimento é deixá-lo respirar, é não estar sempre ao seu lado, é deixá-lo construir o seu próprio espaço.
Tentar ao longo do dia não estar sempre a postos para satisfazer os pedidos do pequeno. O que não quer dizer, naturalmente, que a estratégia é deixa-lo sozinho e ele que se vire, mas sim quando ele quiser alguma coisa tentar contrapor o pedido com perguntas de forma a ele próprio tentar resolver o seu problema, chegar a uma solução para a sua necessidade. - Seguindo a máxima: "Ajuda-me a fazer sozinho"  e não "Faz por mim".
O Leo está a deixar de ser um bebé e esta transição tem que ser feita também por mim mãe, não é verdade?

Por exemplo, ele quer mas não consegue calçar o sapato sozinho ou ele quer construir alguma coisa com os Legos e a sua construção cai, aí chama a mamã para que ela faça por ele, tornando tudo mais fácil.  A melhor estratégia será perguntar-lhe: - "O que queres mesmo fazer?" "Se queres fazer uma torre, que tens que fazer primeiro? Construir a base com umas peças maiores, não é? - O que quero dizer é que os nossos pequenos tem que aprender a se sentir seguros a fazer, a experimentar sozinhos, e nós temos agora a função mais do que nunca de os orientar. Deixámos de os servir para os guiar - "O que queres fazer agora?", "Para isso o que tens que fazer primeiro?", "Se queres calçar os sapatos sozinho o que tens que fazer primeiro? Tens que abrir as correias, enfiar o pé e colar as correias novamente". - Vamos guiar, mostrar como se faz e aos poucos ele conseguirá fazer sozinho.

As crianças conseguem, a maioria das vezes, fazer mais do que nós achamos, eu fico muitas vezes de boca aberta com a velocidade que o Leo aprende. É importante, a meu ver, deixar que as crianças experimentem, errem e treinem a sua concentração, paciência e persistência. Para que aos poucos se sintam capazes de fazer sozinhos.
Momentos como o lavar os dentes, colocar a pasta na escova, às refeições tentarei comer tudo sozinhos, na hora de arrumar os brinquedos, ensiná-lo onde fica o quê. - Eles conseguem fazer isto tudo mas é bem mais confortável se a mamã ou o papá o fizerem sempre por eles. E é neste ponto que deveremos estar atentos. Não vamos abandonar os nossos filhos porque deixaram de ser bebés, mas vamos começar sim a caminhar a seu lado orientando, guiando....Tal requer também força da nossa parte, pais, em ficarmos em segundo plano e deixarmos fazer, o que muitas vezes demorava 5 passa a demorar 20 minutos, mas são passos essenciais para o desenvolvimento do pequeno, para a sua autonomia. E também para nós, para com isto construirmos os momentos em que ele se ocupa sozinho nas suas brincadeiras e os momentos nos quais estamos de corpo e alma com eles.
Naturalmente nem todas as tarefas resultam sempre ou resultam bem mas não deixam de ser uma base para a construção da sua independência segura e confiante.
Não esquecendo que são crianças, que precisam de tempo e da nossa paciência e respeito pelo seu esforço, pelo seu fracasso e pelas suas conquistas.
Se a criança é capaz fica muito orgulhosa de si mesma  e podemos elogiá-la dizendo que fez muito bem, que esteve muito bem.

Ao ajudar os nosso filhos a realizar as suas tarefas do dia-a-dia estamos a ajudá-los a ocuparem-se sozinhos e é neste momento que eles precisam da nossa orientação. Se vamos, por exemplo, arrumar a casa e queremos que ele se ocupe sozinho pode ser uma tarefa dificil para ele. Podemos dar-lhe um pano e dizer-lhe para nos ajudar a limpar, mesmo que não seja uma ajuda vai deixa-lo satisfeito por saber que pode ajudar, ou então dizer-lhe com o que deve brincar o que deve fazer enquanto nós não podemos brincar junto. O essencial é deixar-lhe claro que assim tem que ser que agora nós estamos ocupadas em algo mas que quando acabarmos poderemos brincar juntos (é muito importante também não faltar à promessa)


Quando as crianças são um pouco maiorzinhas podemos construir estes momentos com rituais, por exemplo depois de almoço ele vai para o quarto, ou para o espaço onde brinca, damo-lhe uma tarefa. Podemos mesmo ter uma caixinha para este momento com um livro de pintar ou outros brinquedos com os quais ele se deve ocupar por uns 15 minutinhos sozinho, para ser mais fácil para a criança é boa estratégia ter um relógio de ponteiros e explicar-lhe até quando deve brincar sozinho, ele se sentirá mais seguro se tiver objetivos delineados. E nós teremos 15 minutos para relaxarmos, tomarmos um café e recarregarmos energias para acompanharmos com toda a disposição o nosso pequeno o resto do dia.

Todas estas dicas parecem muito fáceis assim aqui escritas mas a realidade não é fácil, principalmente para aquelas mães com mais do que  um filho pequeno em casa. Mas acredito que ensinarmos os nossos pequenos a se ocuparem sozinhos os tornará mais independentes e confiantes e dar-nos-à mais tempo também para nós mesmas recarregarmos energia.

E vocês que acham?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Educar com humor: como fazer?

Como referi ontem, encontro-me numa fase de reflexão-analise de uma nova teoria da Educação (ihihih ainda vou virar lenda com tanta teoria). Deixem-me então clarificar o meu ponto de vista, para mim só faz sentido ser mãe se me dedicar a isso de corpo e alma, como já referi aqui, a partir do momento que decidi ter um filho sinto-me completamente responsável pelo seu desenvolvimento. Quero proporcionar-lhe todas as ferramentas para que se torne num bom-adulto e para isso sei que tenho que ter muita força, tenho que ser informada, dedicada, critica e muito paciente.
Quero ser a mãe perfeita aos meus olhos, quero olhar-me no espelho e confiar em mim e nas minhas decisões, mas sei que sou humana e que além de ter a fantástica capacidade de pensar e me adaptar também tenho “capacidade” para errar. Sou por natureza uma pessoa carinhosa com as crianças mas por vezes fico sem paciência (por estar cansada, por não compreender o porquê de uma birra ou uma zanga), o que me leva a combater comigo mesma para não tomar decisões irritada.

A maternidade tem-me desta forma ajudado muito, como o meu filho consigo ser paciente, consigo embora cansada e zangada respirar fundo e entender que é apenas uma criança a explorar o mundo. Posso dizer que sou feliz com isso e que ser mãe me faz mais serena, estou muito bem com a vida, ingrediente essencial para colocar a minha teoria em prática.
Sou feliz e sei que o Leo também o é e não é que veja o mundo com um filtro cor-de-rosa, mas sim porque penso, porque analiso e porque aqui educamos com humor, fazendo uso da serenidade, tranquilidade, criatividade, amor e muito carinho.

E sabem como isso funciona?
O passo mais importante para implementar a minha teoria é ser compreensivo(a). Se conseguirmos viajar para o mundo das crianças, vermos o mundo com os seus olhos e capacidade de análise do mesmo, procurando entender o seu ponto de vista (seja qual for a sua idade), já estaremos em vantagem. Nós como pais temos que aceitar que os nossos filhos têm outros pontos de vista e o seu coração segue sonhos que não têm que ser semelhantes aos nossos. O que para nós é insignificante pode para o nosso filho ser muito importante (por este motivo é vital não desvalorizar, por exemplo, medos, ansiedades, pontos de vista em discussões...). Se não formos compreensivos poderemos ferir os nossos filhos sem darmos conta disso.

A vida por si só já é demasiado seria. Claro que não devemos deixar que as nossas crianças vejam o mundo como um circo, não é a isso que me refiro, elas têm sem duvida de conhecer os seus limites. Defendo, no entanto, que quando nós pais procuramos encarar o dia-a-dia com os nosso filhos com uma porção saudável de humor todo fica mais fácil.
O Leo teve uma altura que detestava lavar os dentes, era muito complicado conseguir convencê-lo, até que um dia com toda a minha paciência e boa disposição cantei uma música infantil sobre lavar os dentes, fazendo gestos e risadas e sabem o que aconteceu? Desde esse dia que lavar os dentes é uma festa cá em casa, ele ri, dança e eu também :) Este é só um dos exemplos de como aqui em casa a minha teoria funciona.
Ele sempre gostou muito de comer, devora tudo com grande satisfação. Mas mesmo não havendo qualquer tipo de dificuldade optei por incrementar um pouco de bom humor na hora das refeições. Sempre que ele termina a refeição eu dou-lhe os parabéns com um grande sorriso, sempre fiz isso e hoje em dia as coisas até já evoluíram para palminhas para o campeão, ele diz “sopa, já tá” e bate palmas, e ri muito :)
E é deste humor sem hipocrisia ou desvalorização da criança como individuo que pretendo me alimentar todos os dias... Humor que eu chamo de saudável.... contar histórias fazendo entoações com a voz, cantar, rir, dançar, pular e falar muito.
Com humor qualquer um de nós vê o mundo numa perspectiva diferente, a vida fica mais leve, os problemas menos problemáticos. O humor liberta-nos e ajuda-nos a rir de nós mesmos. 
Pesquisadores do riso (sim é verdade, eles existem) provaram que as crianças riem todos os dias em média 400 vezes. E com o passar dos anos esta frequencia diminuiu drasticamente, o estudo diz que os adultos riem em média 15 vezes. Não é então de surpreender que muitos de nós passem a vida com o rosto sério e que levemos as situações da vida de forma muito séria e carrancuda.

Não quero com isto dizer que agora passemos a viver a vida com uns óculos cor-de-rosa. As crianças têm que compreender que existem regras e problemas. Os pais devem explicar que existem diferentes soluções para as dificuldades da vida. Que por vezes temos que ser rígidos e outras que podemos levar as coisas mais levemente sem nunca perder a serenidade e sem nunca esquecer o nosso papel de pais e orientadores.
Uma educação com limites e autoridade não exclui que tomemos o nosso papel com humor e alegria.
Espero deixar aqui o meu ponto de vista de forma clara, Educar com humor prevê confiança e uma atitude positiva perante a vida. Em cada sorriso, em cada brincadeira mesmo em momentos mais sérios, deixo que o meu filho note que eu o aceito como ele é, mesmo com as suas imperfeições. E acredito que isso o torne numa criança mais forte e confiante.

A partir de hoje eu não vou esperar que a vida me sorria, eu vou passar a sorrir para a vida!!! Sorriso gera sorriso.... Mãe feliz e bem humorada gera filho feliz e bem humorado :)
As crianças adoram piadas e bom humor. Sempre que possível: Riam juntos!!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Educar com Humor

Numa família é comum existirem situações de conflito, mais ou menos intensas, mais ou menos desesperantes, mas que fazem parte da vida em comunidade.
Conflitos com ou entre crianças são normais, sendo que muitas vezes atingem de forma muito intensa a paciência e nervos dos pais. Mesmo sendo a mãe ou pai mais sangue frio e harmonioso possível não é fácil por vezes não ficar zangado e irritado com as crianças. Por vezes parece que estas se uniram para nos derrotar levando-nos à loucura :)
Quem é que nunca ficou irritado, sem paciência perante os seus filhos???
Porque estes fazem algo que nós já avisamos 9999999 vezes que é errado... ou passam o tempo a brigar com o irmão....
Uma discussão é desgastante, tanto para quem participa nela como para quem assiste. Imagine por exemplo uma discussão entre irmãos: iniciam a discussão verbalmente não se entendem partem para a violência, gritos, lágrimas e naturalmente, como pais, ficamos chateados, enervados e muitas vezes nem tentamos entender os motivos, não entendemos como os pequenos de algo tão insignificante conseguiram fazer um problema tão grande. Aproximamo-nos deles e acabamos discutindo também e aí o resultado é ainda mais discussão, mais ruído, mais irritação...
Repetir constantemente o que é certo ou errado é desgastante... quantas vezes teremos que repetir para que os pequenos entendam? Venha paciência, não é verdade?
Eu penso que tenho algo que nos poderá ajudar como pais, mantendo-nos mais serenos, mais pacientes, de forma a convivermos com os nossos filhos em harmonia, de forma a que os conflitos (normais da convivência) sejam saudáveis – A chave está em Educar com humor - ajuda não só a nós, pais, mas também os nossos filhos!

E quais são os ingredientes para conseguirmos Educar com Humor???
Primeiro de tudo é necessário estar bem com a vida, também alguma serenidade, tranquilidade, ideias (muitas ideias), criatividade, amor e claro muito, muito humor.

Tudo bem misturado e voilá temos - Educação com Humor
Deixarei para o próximo post as premissas desta minha nova teoria (se assim lhe posso chamar) :)

TO BE CONTINUED...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Criar bons hábitos de estudo

De um modo geral as crianças ficam entusiasmadas quando começam a ir à escola e tem uma atitude positiva fase a aprendizagem. Elas querem simplesmente saber ler, escrever e fazer contas como "os grandes". No entanto, não sabem que com a entrada na escola uma nova forma de organização e de aprendizagem aparece.
Conhecer bem o teu filho nesta fase, saber como ele se sente, dando-lhe coragem e tendo paciência com ele é essencial para um bom começo no mundo escolar, para que, desta forma, a aprendizagem continue como até ao momento - a fluir de forma natural - embora com mais regras e disciplina, que antes não lhe era exigida.
Acompanhar os estudos do teu filho também é muito importante, estudarem juntos é uma boa estratégia. além de passares mais tempo com o teu filho, conseguirás perceber onde ficam as dificuldades dele, fortalecendo-lhe o sentido de auto-análise e fazendo-o sentir que não está sozinho nesta nova etapa. Tornar os hábitos de estudo o mais naturais possíveis ajudará o teu filho no ingresso da vida adulta.
Poderás dizer-me que o teu filho acabou de entrar no 1º ano e que ainda terá tempo de levar a escola a sério, mas aí é que eu acho que está o erro de muitos pais. O primeiro ano da escola é, no meu ponto de vista, o mais importante da vida. É neste ano que se cria o primeiro impacto com a escola, que se ama ou se odeia, que começa a germinar a semente da aprendizagem e se esta nascer direitinho terá certamente tudo o que necessita para um bom crescimento.
A escola e o professor são também uma chave essencial, procura conhecer se a escola se adequa ao teu filho e se o professor é realmente competente. Envolve-te com a escola, mantem contacto com o professor, um pai ausente é um pai que não tem ferramentas para guiar o seu filho neste mundo de preparação para o futuro.
Ajudar os nossos filhos a criarem bons hábitos de estudo é meio caminho andado para sucesso, existem, no entanto, alguns pontos que deveremos ter em conta, de forma a não tornar a nossa ajuda em algo indesejável pelo pequeno.

- Logo a seguir à escola ou às refeições as crianças têm dificuldades em se concentrar, logo não serão bons momentos para lhe pedir que estude. Uma boa hora caso a criança estude no turno da manhã seria, por exemplo, das 16h-18h;
- Deve-se esclarecer à criança o tempo que irá demorar o seu estudo e ajudá-lo a orientar-se nesse intervalo tempo de forma a que seja capaz de se organizar e ver todas as matérias necessárias naquele dia. Tal procedimento ajudá-lo-á a mais tarde a conseguir organizar sozinho o seu dia, além de lhe permitir ter noção do fim da hora de estudo e não ficará ansioso e nervoso com medo de ficar sem tempo para brincar (criança precisa de brincar, né?);
- Para facilitar e evitar discussões com a criança poderá estabelecer um plano diário, no qual ela encontrará de forma organizada todos momentos do seu dia, momento de estudar, ler, brincar...
- Respeita o limite de desempenho individual da criança, será importante e vantajoso para a sua concentração fazer uma pequena pausa durante o estudo, o ideal a meu ver, ao fim de 30 minutos (durante a pausa poderá aproveitar para conversar com ela, beber um sumo de fruta ou ir até ao jardim de casa ou à varanda apanhar ar puro :), o que não deverás fazer é permitir que este ligue a televisão, esta desviará totalmente o seu objectivo de estudo;
- Outra coisa que se deve ter em conta é que o nosso cérebro se cansa mais rápido quando usamos sempre a mesma forma de pensar logo será mais vantajoso organizar as matérias a estudar (por exemplo, a seguir a um ditado não será produtivo ler um texto, em vez disso talvez seja melhor estudar matemática);
- Quando a criança for mais velha deveremos deixá-la mais tempo sozinha deixando-a organizar sozinha o seu tempo de estudo e deixando-a ser responsável por isso. Mas este processo deve ser gradual, vai alterando entre momentos em que a apoias e momentos em que a deixas sozinha até que esta consiga organizar-se. Não deixes, no entanto, de no final verificar o trabalhos que ela fez e as matérias que estudou para poderes ajudar quando esta tiver duvidas, ajudar a diagnosticar as duvidas e dar os parabéns quando este conseguiu organizar no seu estudo;

Acredito que se seguirmos estes pontos os nossos filhos criarão uns bons hábitos de estudo, facilitando-lhe certamente o seu futuro como estudantes e mais tarde como adultos organizados e capazes.

Tens mais alguma dica a acrescentar? :)


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O objectivo não é criar boas crianças mas sim bons adultos

Uma das coisas que me preocupa na educação do meu filho é a imprevisão do futuro que o reserva. Sim, eu sei que o futuro é sempre bastante imprevisível, e que eu por mais que queira não poderei controlar o mundo, mas ao que eu me refiro é aquela imprevisibilidade que não podemos de forma alguma, só através da educação que damos em casa, remediar, contornar e passar ao lado.
Por isso é importante agirmos em conjunto, nós pais de hoje. Temos um trabalho árduo pela frente mas que somente com determinação conseguiremos melhorar o mundo futuro.
Pois essa é a nossa missão, o nosso dever como pais, ajudar na construção de um mundo melhor, de um mundo com valores enraizados nos adultos de amanhã. Não é crianças boas que precisamos criar, não é crianças felizes, cheias de brinquedos, mimos e sem lhe faltar nada, mas sim adultos capazes, adultos felizes, bons adultos.
E é nisso que eu me foco, foco na educação que dou ao meu filho na sua formação como adulto e querem saber mais?! Com este foco, esta dedicação na minha missão tenho consequentemente uma criança feliz, a quem não falta carinho e a quem um brinquedo é mais que o simples materialismo.
Fico parva com a quantidade de crianças mal educadas com que me cruzo, crianças arrogantes, desorientadas, sem respeito, crianças que até são capazes de desta forma serem felizes, de até terem muitos brinquedos... mas que adultos irão ser??!!
Podem achar que não estarei a ser justa no que vou escrever, ou estou a ser demasiado cruel com crianças que não pediram para nascer, com crianças que são fruto da arrogância de pais que não se dedicaram o suficiente na sua missão.... mas eu digo na mesma: não é estes adultos que estas crianças vão ser um dia que eu gostaria que o meu filho tivesse como companhia. Polémico o que penso? Egoísta? Talvez. Mas é assim que penso.
Não me interpretem mal, pois também acho que estas crianças não são casos perdidos e que se os pais estão a falhar ainda poderão ter forma de reencontrar o seu caminho. Como adultos e Humanos que somos devemos ajudar o próximo a criar a sua estrutura de vida... na escola, na rua, na família também se orienta e guia quem perdeu o rumo... não é preciso ser-se mãe ou pai para ajudar na formação de um mundo melhor.
Eu gostava sim, que os pais dedicados se multiplicassem, para que um dia os adultos bons fossem uma maioria. Mas como isso está tão longe do meu alcance, porque as mães e pais que possivelmente lerem este texto, já mostram, pelo interesse em ler sobre o assunto, que são pais interessados e dedicados.
Porque o mundo não é perfeito nem conto de fadas. Fica aqui o simples desabafo e a certeza que estou convicta que vou levar a minha missão em frente, a minha dedicação.
Porque AMAR um filho não chega. É preciso rigor, dedicação. É preciso ensinar valores, ensinar a ser justo, a pedir desculpas, a desculpar, a ajudar e a respeitar os outros. É preciso orientá-lo de forma a este conhecer e entender o seu lugar no mundo antes de a própria sociedade o forçar a isso.

E colherei eu frutos desta minha dedicação?? Talvez um dia esteja aqui para contar. Mas de uma coisa estarei certa, não será por falta de convicção e dedicação que o resultado falhará. Se falhar e afinal a criança feliz que tenho não se tornará no bom adulto, feliz e capaz... podem-me condenar pelo crime que cometi... pela incapacidade que tive no cumprimento da minha missão. Mas uma coisa posso garantir: eu tentei.
Pois eu vejo assim o mundo, desde que decidi ser mãe não foi para ter um bebé bonito para passear, mas sim para me dedicar a este tão árduo, complicado, e acredito que nem sempre de sucesso, papel de SER MÃE.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Why Chinese Mothers Are Superior?

Hoje deixo-vos aqui este artigo - "Why Chinese Mothers Are Superior" que saiu no "The Wall Street Journal". (um título um bocado e controverso mas um artigo interessante).
Artigo estranho que nos leva a pensar nas formas possíveis de educar os nossos filhos, que nos ajuda a questionar a forma como escolhemos fazê-lo. E mais importante ainda nos faz abrir as portas a novos mundo e métodos que por mais que nos pareçam estranhos fazem parte de outras culturas e temos que respeitar.
Eu levo-me a acreditar que sou uma mãe no meio-termo, nem tão permissiva como as mães ocidentais nem tão exigente como as orientais descritas no artigo.
No entanto este artigo levantou-me algumas duvidas. O que é melhor para as crianças, uma educação tendencialmente permissiva ou exigente?
Devemos valorizar os pequenos sucessos dos nossos filhos ao fazê-los ver que ainda podem ser melhores do que isso?
Devemos focarmo-nos em manter integra a sua auto-estima ao fazê-los sentir-se menores para terem vontade de lutar pelo sucesso?

Que filhos e adultos queremos que eles sejam capazes de ser? Pessoas que vão à luta ou pessoas que se contentam com o que a vida simplesmente lhe oferece?

Ser permissível pode ajudar os nossos filhos a explorar o mundo livremente sem pressões. Mas serão eles capazes de o fazer sem se perderem?
Ser exigente pode levá-los a fazer coisas que não gostam e viverem desgostosos, fazendo as coisas por obrigação, mas também lhes pode dar o gostinho de conseguir algo que tiveram que lutar tanto e só com um grande esforço e exigência nossa conseguiram... mas conseguiram... o gostinho do sucesso ao fim do trabalho.

...Como eu quero conseguir educar o meu filho da melhor forma.... como eu quero chegar ao fim da minha missão com os meus objectivos completos, com um filho adulto feliz, cheio de sucessos, capaz de ir à luta... que mãe não quer isso, não é verdade?!!
Procuro um meio termo... procuro o que acho melhor... mas que tarefa difícil esta. E para vocês  que mãe acham "superior" (eu diria que mãe acham que terá mais sucesso a alcançar o seu objectivo: de fazer o melhor para o seu filho) a mãe ocidental ou a mãe oriental?

Eu fico aqui nas minhas reflexões e aberta às vossas opiniões :)
Um bom dia

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Capítulo I: Birra - quando a vergonha suprime a determinação

Faz já quase um mês que escrevi sobre as primeiras birras do Leo aqui, foram 5 dias muito dificeis. Mas tal não foi a surpresa quando ao fim de 5 dias vi um dentinho aparecer e o meu Leo voltar (coisas de mãe de primeira viagem)Agora ele está bem mais calmo e controlado, tem mostrado que tem uma personalidade forte mas as suas birras limitam-se a uns choros forçados de alguns segundos para chamas a atenção, chega até a ser lindo de ver :)

Mas nesta fase das birras, há uma coisa que eu não consigo entender: porque tanta gente reprova uma mãe ou um pai quando o seu filho desencadeia uma birra? E, no entanto, eu não conheço ninguém que tenha tido um filho que nunca tenha feito birra. Alguém por aqui tem um filho que nunca fez birra???
Pode ser que esse alguém tenha tido a "sorte" de ter um filho que faz raramente birra, que é super controlado, as birras que faz passam até despercebidas, mas certamente que as faz.
A birra é uma fase do desenvolvimento infantil e do meu ponto de vista só se torna motivo de reprovação, e mesmo assim com parentisses (pois nisto da educação de um filho não se trata de julgar ou reprovar mas eventualmente dar o exemplo, reflectir e debater ideias e testemunhos) quando estamos perante de uma criança com 6-7 anos e ainda faz a sua birra ou uma criança que apesar de estar a atravessar esta fase não consegue encontrar os limites não tem o apoio e a orientação dos pais.
Fazendo a birra parte do desenvolvimento da criança esta tem que ser encarada com seriedade, calma e bom senso. Tal como o começar a andar, o começar a comer, as birras são um desafio para a criança.
A questão está na forma como encaramos esta fase e como eu sempre digo o importante no desenvolvimento do nosso filho enquanto individuo e ser social é sabermos ou pelo menos procurarmos saber olhar o mundo com os seus olhos, com o seu nível de compreensão do mundo. Tal atitude não se restringe só ao nosso filho mas sim a todas as crianças.
Quando nos apetece algo sabemos ir buscar, sabemos preparar um café, comprar um chocolate, sabemos que comer demasiado açúcar faz mal, para nós não é problema, entendemos. Imagina agora que encontras uma prateleira cheia de chocolates num local onde toda a gente "adulta" pode tirar os que lhe apetece. Tu sabes que queres um chocolate, tu sabes que eles estão ali, sabes ir buscá-los mas não entendes porque te impedem de o fazer, não sabes porque não podes comer algo que é tão delicioso, tu só tens 3 anos e precisas que alguém te oriente te dê apoio e como não tens essa compreensão ficas chateado e revoltado. Visto assim é compreensível a irritação da criança, não?
Não nos devemos centrar em saber como o nosso filho se comporta mas sim o porquê de tal comportamento. A fase das birras é complicada e em muitos casos difícil de ultrapassar... ficamos sem paciência, cansados e envergonhados em publico com as atitudes dos nossos filhos. Mas não nos foquemos nos outros adultos mas sim no nosso filho: "Porque ele está a agir assim?", "Está cansado? Doente?", "Está ansioso e não consegue lidar com a situação sozinho?", "Está com falta de limites?"

O que posso fazer para o ajudar?
Manter-me calma, nem que para isso seja necessário contar até mil. Dar-lhe os limites que ele necessita pois mais do que nunca é nesta idade que o estabelecimento de limites lhe dá confiança e segurança para enfrentar os desafios (resistir a um chocolate num supermercado, compreender que não pode levar com ele, pode sim ser um grande desafio para o nosso filho). Ser firme e justa só assim ele vai entender os "nãos" e os "sims",
E se as coisas já estão muito difíceis, se já é muito complicado lidar com ele, nunca esquecer que ele precisa em qualquer situação do nosso apoio, da nossa autoridade. E não podem ser os olhares dos outros que vão suprimir a determinação. A birra é uma forma de manifestação de insegurança, receio, carência, descontrolo dos sentimentos... e nós como pais temos mais é que estar presentes para ajudar mais uma vez.
Eu estou determinada a ajudar o meu pequeno a passar por esta fase de cabeça erguida, e tu?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ameaçar com o Pai Natal - que coisa feia...

A figura do Pai Natal é óptima para fazer os pequenos se comportarem, a partir de Novembro já se começam a usar frases do tipo "Se não comes a sopa toda o Pai-Natal não te dá uma prenda", "Se não te portas bem o Pai-Natal fica zangado". Sabem que eu já ouvi isto imensas vezes e talvez já tenha dito para os meus sobrinhos (o meu Leo ainda não conhece o velhinho vestido de vermelho :)) e nunca tinha pensado que tais frases são de muito mau gosto. Os nossos pequenos que vivem com a magia de Natal com tanta ansiedade ainda são ameaçados pelos próprios pais e familiares. Nunca me tinha questionado com tal desproposito que nós adultos fazemos nestes momentos, até que li um post interessantíssimo no blog da Beatriz.
Eu sempre abominei a ameaça com método educativo, sempre tento ver o reverso da moeda nas horas em que os pequenos não se portam bem e fazem birra. Muitas vezes é mesmo dificil e é um esforço agir assim, porque fico também zangada, mas é assim que quero ser, educar sem ameaças. E em vez de um "Se não comes a sopa não vais para a rua brincar" um estimulante dará certamente melhores resultados "Comes a sopa toda e terás força para ires brincar para a rua".


Como Beatriz diz no post: Papai Noel gosta de criança Feliz o Pai-Natal não deve de forma alguma ser usado como uma autoridade na nossa casa. Ele vive na cabeça dos nossos pequenos durante esta época do ano como um senhor muito simpático e amigo das crianças. Não vamos estragar isso.
Obrigada Beatriz por me teres feito reflectir sobre o assunto, que coisa feia é essa de ameaçar com o Pai-Natal... ficou a lição.


"A fantasia é linda, não podemos estragar de nenhuma forma. Deixa o bom velhinho fazer a parte dele e só. A nossa é ensinar aos filhos que nem tudo se negocia!"

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Prólogo - Birras

Os sentimentos podem-se dividir em negativos e positivos, tendo cada sentimento a sua utilidade, o seu propósito, tal como a raiva que nos faz sair de nós próprios descontroladamente. Expelir os nossos sentimentos é a nossa arma para a liberdade e auto-preservação. Embora que, por cultura, auto-controlo, respeito para com o próximo ou vergonha inibimos dentro de nós.
As crianças pequenas não têm auto-controlo e expressam os seus sentimentos de forma espontânea sejam eles gritos de alegria ou de raiva. Com o crescimento a criança tem que aprender a expressar os seus sentimentos de forma controlada adequada ao contexto social e orientando-os construtivamente.
Os pais podem e têm a função de ajudar a criança a utilizar a sua expressão de sentimentos. Infelizmente a maioria dos pais, incluindo eu mesma, tem problemas em lidar com as crises de fúria dos filhos, a tão discutida birra.
Pois é, meus amigos, com quase 15 meses o Leo entrou na fase das birras. E entrou com força desde Sábado. As primeiras manifestaram-se nas suas brincadeiras, estava ele a fazer uma torre com os blocos de madeira e esta caiu, como sempre acontece. E o que faz o Leo? Fica possuído de raiva  e atira com todas os blocos para bem longe dele. Nem parecia o meu fofo e meigo bebé :(
O auge (até agora) foi hoje na hora do almoço: estava eu a preparar a sopa dele e ele já estava na sua cadeirinha pronto para comer, muito bem disposto. Mas como a sopa estava quente eu não dei logo e disse que tinhamos que esperar.... foi o fim do mundo!!! Berrou, esperneou, chorou... levantou as mãos para me bater... e aí eu fiquei mesmo muito triste, falei calmamente com ele (com um grande esforço porque estava também muito zangada) e disse-lhe que estava muito triste. Deixei que continuasse no seu vendaval e continuei a colocar o almoço na mesa, ele acalmou e comeu alguma sopa. Passado uns minutos voltou a birra do nada... mesmo do nada :( Eu desisti de dar sopa e preparei o prato dele, ficou calmo num instante e começou a comer.
Estávamos nós de volta à nossa harmoniosa hora de almoço em família e o que acontece por surpresa minha??!!! O Leo vê o resto da sopa ainda na mesa e diz muito meiguinho para mim: "Sépa... sépa" e comeu a sopa toda, o prato principal e ainda uma fruta... super meiguinho e bem disposto.
Então eu fiz o diagnóstico: Inicio em avalanche da fase das BIRRAS!!!!
Já li muito sobre o assunto, textos de psicólogos, pedagogos... muitas histórias de outras mães... mas mesmo assim estou a sentir-me muito perdida sem saber o que fazer. Quero lidar com esta fase da forma mais calma e harmoniosa que conseguir. Pois sei que se trata de uma fase e os nossos pequenos precisam é de ajuda e não do nosso desespero.
Sei que a raiva que ele demonstra é a forma descontrolada do seu descontentamento por qualquer motivo, motivo que por vezes aos nossos olhos não faz sentido, mas é nesta fase, mais do que nunca, que temos que ver o mundo com os seus olhos e a sua compreensão, para não fazermos nenhuma injustiça. Sei que a raiva que ele demonstra não é violência. Violência é raiva mal direccionada.... e eu estou aqui para lhe dar as direcções que ele precisa.
Agora só me resta respirar fundo e contar até 10 ou 100 cada vez que vierem as crises... conversar com ele e ser firme. E acima de tudo controlar a minha raiva também... para o ajudar de forma serena.
Se alguém tiver uma poção milagrosa de cura contra este diagnóstico, por favor entre em contacto comigo :)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O meu filho não pára quieto - uma questão de concentração

Quantas vezes já eu ouvi mães a lamentarem-se que os seus filhos não param quietos.... Pois é, todas as crianças pequenas, desde que saudáveis, são curiosas e interessadas, são imparáveis mas isso é completamente normal.
No entanto, existem crianças que durante todo o dia não param nem um segundo, não conseguem estar sentadas ou concentradas num brinquedo por uns minutos. Não conseguem estar sossegadas, não conseguem estar à mesa e dormirem uma sesta ou adormecerem de noite é um drama.
Como poderemos ajudar os nossos filhos a encontrarem momentos de calma e concentração?
Li um artigo aqui (está em alemão e farei aqui um resumo do que achei mais interessante). Neste artigo defende-se que uma criança que não consegue encontrar momentos de calma e concentração não está em equilíbrio, pois para um desenvolvimento saudável tem que existir um equilibrio entre os momentos calmos e os momentos de actividade e exercicio.
Mas então quando desenvolve a criança esta capacidade de concentração e encontra este equilibrio?

Desde os primeiros dias de vida no nosso filho começa a desenvolver a sua capacidade de concentração. Nesta fase eles começam a colocar os dedos na boca e sugam, olham com atenção para as suas próprias mãos, começam a mexer os dedos. Com cerca de 3 meses a coordenação mãos-olhos já está bastante desenvolvida e ele consegue mesmo observar e mexer as duas mãos ao mesmo tempo. Quando o nosso bebé estiver neste "jogo de mãos" conseguimos ter noção de quão alerta e concentrado ele está. Nestes momentos é importante não distrai-lo, não lhe oferecer nenhum brinquedo, deixando-o simplesmente estar concentrado e ocupado com as suas mãos.
Com cerca de 4 a 5 meses começa a pegar em brinquedos explorando-os e colocando na boca, isto requer uma grande concentração e persistência. Também já é capaz de se concentrar com o olhar em objectos ou brinquedos que estejam bastante afastados. Chamando mesmo a atenção dos pais para que lhe deêm o que ele viu e quer perto dele. Nesta fase e até cerca dos 9 meses, por vezes é difícil para os pais perceberem o que o bebé quer, é essencial uma boa ligação entre ambos, os pais que conseguem responder positivamente a estes momentos estarão a ajudar no desenvolvimento da concentração.
Dos 10 aos 12 meses o bebé tenta imitar o que nós fazemos quando brincamos com ele, como por exemplo, empurrar um carro, atirar uma bola, colocar copinhos uns dentro de outros. Devemos dar ideias de como deve brincar mas sempre devagar e uma coisa de cada vez.
No 2º ano de vida a concentração desenvolve-se pela repetição. Quando o nosso filho se diverte com um brinquedo vai querer sempre repetir, vai querer ouvir sempre a mesma história ao deitar (o Leo quer sempre a história do patinho que faz anos :) ) e pela 10ª vez quer que cantemos a musica preferida (já passou pela fase do Alecrim e agora quer sempre uma musica alemã... que não me falte a voz eheheh). Esta fase da repetição é muito importante, embora para nós pais por vezes se torna aborrecida, mas a criança vai de todas as vezes descobrir algo novo.
No 3º ano de vida, um ano de persistência... Não é um sinal de falta de atenção quando a criança fica inquieta durante uma brincadeira, correndo ou começando outra actividade. Nesta fase eles ainda não são capazes de se concentrar por mais de  5-7 minutos de cada vez. Nós podemos ajudar mostrando um novo brinquedo com o qual se possa distrair sozinho. São muito interessantes nestes momentos os Legos e puzzles e outros brinquedos de montar. Além de desenvolverem a criatividade são óptimos para a concentração.
Dos 4 aos 5 anos entramos na fase da inspiração. O nosso filho está cada vez mais capaz de perseguir metas e fazer todos os esforços para alcançá-las. Para desenvolver a concentração e perseverança precisa de se sentir bem, divertido com o que está a fazer. Nesta fase muitos elogios e comentários positivos incentivam o nosso filho a atingir os seus objectivos. Melhor incentivo à motivação não existe!
No 6º ano de vida, "Não dar o braço a torcer" é a máxima. Até entrar na escola a criança deve ser capaz de se concentrar entre 20 a 30 minutos mesmo que a actividade não o motive muito. Para tal nós podemos ajudar, incentivando de forma atenciosa e com carinho a que a criança termine a actividade que se propôs. Por exemplo, está a fazer um puzzle e desiste, devemos tirar um pouco do nosso tempo para o ir ajudar motivando-o assim a completá-lo. Estamos juntos a ler um livro, ele só deve ir embora quando terminarmos, podemos motivá-lo questionando com o que virá a seguir na história. Ele está a fazer um desenho e não tem interesse em terminar, neste caso podemos mostrar-nos interessados no que ele desenhou e questioná-lo sobre o desenho, motivando-o a continuar concentrado a desenhar.

E se desta forma, brincando atenciosamente com o nosso filho, dando-lhe cada oportunidade a cada fase do seu desenvolvimento, tenha como resultado uma maior concentração e ele consiga melhor alcançar o equilíbrio saudável entre a calma e a actividade, eu estou nessa corrida, e vocês?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os pais devem-se envolver?

Maria de 6 anos gosta muito de brincar com o seu vizinho mais novo. Depois de algum tempo de brincadeira em que Maria tratava o pequeno com carinho, teve uma mudança de humor e tirou da mão do pequeno com alguma violência o balde de plástico e disse bem alto e zangada "É meu!". Ele ficou triste mas continuou a acompanhar Maria, esta não estava para brincar com ele e disse aos gritos "Deixa-me em paz, vai embora! Porque andas sempre atrás de mim? Eu quero estar sozinha."
A mãe do pequeno que observava a cena desde o inicio aproximou-se disse para Maria "Isso não foi bonito..." e confortou o pequeno que começava a chorar.

Como devem os pais reagir numa situação destas? Barafustar com a Maria? Proibi-la de brincar com o nosso filho? Isto seria exclusão social, e não ajudaria nenhuma das crianças, certo?
Nem todas as crianças são meigas e bem dispostas como aquelas que idealizamos que brinquem com os nossos filhos.
Já pensaram que Maria com a sua atitude pode-nos estar a mostrar inconscientemente, a sua própria experiência com frustração, rejeição. Nos tempo que correm não é nada incomum encontrar pais stressados e sem tempo (por vezes esta falta de tempo passa também pela falta de organização e prioridades, mas esta é outra história). Os pais sentem que não têm disponibilidade para lidar com os seus filhos. Os filhos acabam muitas vezes expostos a sentimentos que não conseguem lidar sozinhos como é o caso da rejeição, precisam de ajuda e acompanhamento.
Seria bom que os pais de Maria  tivessem isso em atenção. Mas infelizmente quando os pais se sentem criticados procuram, muitas vezes, mostrar que o que fazem é o melhor e não pensam que podem estar a errar. Mesmo os pais podem precisar de ajuda e compreensão de forma a ganharem confiança.
Não é fácil admitir que como pais estamos a falhar... não é fácil dar crédito a quem nos critica... os outros são pais e nós também. Por vezes, parece que a máxima que existe rege o ditado "Entre marido pais e mulher filhos, não se mete a colher."
Mas como se pode ajudar a Maria e proteger ao mesmo tempo as outras crianças? Os pais do pequeno, na história que contei, podem reagir com Maria de forma apreciativa, simpática e com atenção, embora esta atitude por vezes seja difícil de tomar quando vemos o nosso filho a ser mal tratado. Eles podem dizer-lhe algo como: "Eu entendo que possa não te apetecer mais brincar com ele. Já foi muito bom o tempo em que brincaram juntos. Mas então diz-lhe de forma mais simpática. Ou então, podes-me chamar e então eu brincarei com ele. Também não deves gostar quando alguém fala assim contigo." Talvez esta experiência positiva ajude Maria a lidar com os seus sentimentos, com as suas frustrações.
Este tipo de situações pode-nos custar tempo e paciência mas certamente que o resultado será gratificante. Maria aumentará a sua auto-estima ao sentir a sua atitude reconhecida. E certamente esta atitude positiva tanto da parte dos pais como da Maria será canalizará para as outras crianças.

E se o mundo que temos não é como nós o idealizamos para os nossos filhos o melhor a fazer é tomar atitudes e nada como atitudes de respeito, reconhecimento e carinho, não acham?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Aprender a suportar o sofrimento - "Não chores mais!"

Quem de nós não gosta de consolar uma criança quando esta chora? E rapidamente eliminar o problema e deixar a criança melhor! E não apenas, porque temos pena da criança, mas talvez também porque nós mesmos não aguentamos, que um ser tão pequeno tenha problemas...
De quem realmente temos compaixão da criança ou de nós próprios?
Reparem neste simples exemplo, o vosso filho magoou-se e vem ter convosco a chorar. Não aconteceu nada de grave, apenas um arranhão, e vocês como pais poderão dizer: "Não foi nada, não precisas chorar", ou ainda: "Meu pobre menino! Não chores! Faz um sorriso para mim" e inicia-se então uma manobra de distracção.
Em ambos os casos, nem através da opressão nem do exagero, a criança se sente verdadeiramente compreendida. Os seus sentimentos não são reconhecidos, são minimizados ou mesmo negados. Pela atitude dos pais, prevê-se que estes sentimentos desagradáveis desapareçam tão rapidamente quanto possível. E é através do "Não chores mais!" que eles são naturalmente proibidos.
Pode parecer uma reacção inofensiva e natural  dos pais, mas que praticada regularmente desencadeia comportamentos de bloqueio, incerteza e insegurança na criança. Ela recebe a mensagem: "Não posso confiar nos meus sentimentos", o que as confunde certamente. Ou ainda, "Não posso sentir o que sinto", o que dará à criança a impressão de que algo está errado com ela própria.

O que eu quero dizer com isto tudo é que nestas situações acabamos muitas vezes por perder o foco, prejudicando em certa medida o desenvolvimento do nosso "mais que tudo".
Mas qual será a atitude mais correcta?
Eu diria: Que basta estar presente e proporcionar alívio emocional.
Assim, para que uma criança se possa desenvolver bem emocionalmente são, do meu ponto de vista, necessárias duas coisas: que as emoções sejam aprovadas e que a criança tome responsabilidade das mesmas, ou seja, que a criança auto-avalie quanto ruins ou sem importância os acontecimentos do momento foram para ela e desta forma procurar solução para os seus problemas.


Isto parece complicado, mas basicamente o que eu quero partilhar é bem simples. Em vez de um "Não chores!" pode ser um "Acho que te magoas-te"(o que podemos denominar de Active listening ). Isto faz com que a criança sinta um alivio emocional, ela sente-se compreendida. 
E nós não deixaremos de estar presentes para a ajudar, aconchegando-a e acalmando-a com um mimo, um abraço, deixando-a vivenciar os seus sentimentos e quando se recuperar é provável que não se lamente, mas sim se sinta levada a sério e compreendida. 
Tudo poderá então terminar num: "Não foi tão ruim assim.Vou brincar outra vez." Fazendo, naturalmente, uma grande diferença sermos nós a dizê-lo ou a própria criança por si mesma, neste último caso teremos a prova que a nossa atitude funcionou. 
E claro que poderemos perguntar-lhe: "O que te poderá animar agora?"  ou simplesmente agirmos, calmamente. Mas mantendo sempre longe o conforto barato e mais rápido, aquele que reprime e elimina os sentimentos desagradáveis. 

Ouça as reais necessidades da criança. Estar presentes, conscientemente em cada situação é muitas vezes suficiente.
Se o nosso filho é levado a sério e pode expressar as suas próprias emoções, desenvolve um bom equilibrio mental e não é emocionalmente bloqueado. Desta forma, ele aprende com o nosso apoio a ser competente e confiante o suficiente para cuidar de si próprio.

sábado, 16 de outubro de 2010

É brincando que se aprende

Hoje deixo aqui um texto que me fez pensar e que gostaria de partilhar com vocês.  :)

Este texto de Rubem Alves, retirado do livro "O desejo de ensinar e a arte de aprender", leva-nos a viajar por outras ideias, leva-nos a reflectir sobre coisas que muitas vezes esquecemos, pois o turbilhão desta vida nos distrai destes pensamentos. Espero que gostem...

"É brincando que se aprende"
O professor Pardal gostava muito do Huguinho, Zezinho e Luizinho, e queria fazê-los felizes. Inventou, então, brinquedos que os fariam felizes sempre, brinquedos que davam certo sempre: uma pipa que voava sempre, um pião que rodava sempre e um taco de basebol que acertava sempre na bola. Os três patinhos ficaram felicíssimos ao receber os presentes e se puseram logo a brincar com seus brinquedos que funcionavam sempre. Mas a alegria durou pouco. Veio logo o enfado. Porque não existe nada mais sem graça que um brinquedo que dá certo sempre. Brinquedo, para ser brinquedo, tem de ser um desafio. Um brinquedo é um objeto que, olhando para mim, me diz: “Veja se você pode comigo!”. O brinquedo me põe à prova. Testa as minhas habilidades. Qual é a graça de armar um quebra-cabeças de 24 peças? Pode ser desafio para uma criança de 3 anos, mas não para mim. Já um quebra-cabeças de 500 peças é um desafio. Eu quero juntar as suas peças! E, para isso, sou capaz de gastar meus olhos, meu tempo, minha inteligência, meu sono...
Qualquer coisa pode ser um brinquedo. Não é preciso que seja comprado em lojas. Na verdade, muitos dos brinquedos que se vendem em lojas não são brinquedos precisamente por não oferecerem desafio algum. Que desafio existe numa boneca que fala quando se aperta a sua barriga? Que desafio existe num carrinho que anda ao se apertar um botão? Como os brinquedos do professor Pardal, eles logo perdem a graça. Mas um cabo de vassoura vira um brinquedo se ele faz um desafio: “Vamos, equilibre-me em sua testa!”. Quando eu era menino, eu e meus amigos fazíamos competições para saber quem era capaz de equilibrar um cabo de vassoura na testa por mais tempo. O mesmo acontece com uma corda no momento em que ela deixa de ser coisa para se amarrar e passa a ser coisa de se pular. Laranjas podem ser brinquedos? Meu pai era um mestre em descascar laranjas sem arrebentar a casca e sem ferir a laranja. Para o meu pai, a laranja e o canivete eram brinquedos. Eu olhava para ele e tinha inveja. Assim, tratei de aprender. E, ainda hoje, quando vou descascar uma laranja, ela vira brinquedo nas minhas mãos ao me desafiar: “Vamos ver se você é capaz de tirar a minha casca sem me ferir e sem deixar que ela arrebente...”.
Há brinquedos que são desafios ao corpo, à sua força, habilidade, paciência... E há brinquedos que são desafios à inteligência. A inteligência gosta de brincar. Brincando ela salta e fica mais inteligente ainda. Brinquedo é tônico para a inteligência. Mas se ela tem de fazer coisas que não são desafios, ela fica preguiçosa e emburrecida".

Perante um mundo tão materialista como aquele em que vivemos, as publicidades, as cores os sons... somos levados por vezes a comprar brinquedos aos nossos pequenos que acabam por ser diversão de poucos minutos. São bonitos, coloridos mas enfadonhos, não dão desafios...
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