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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A moralidade nasce da imaginação

Sempre contei muitas histórias ao Leo, histórias de livros, histórias inventadas, histórias nascidas a partir do que vimos num passeio dado, histórias nascidas através de observações de paisagens ou mesmo de desenhos animados. E daí nascem as brincadeiras de faz de conta que o Leo adora :)
E é do fruto destes momentos que nascem desenhos como estes (o Leo desenha e no final eu pergunto sempre o que desenhou), em que ele mesmo disse que era o Fundo do mar, e vamos lá concordar que é o fundo do mar mais lindo que eu já vi. 
Conseguem ver o peixinho amarelo a brincar com o peixinho laranja no meio das algas :D
"O fundo do Mar"- Leo, 2 anos
De todos os papeis e responsabilidades de um pai cabe também a responsabilidade de garantir que a mente das nossas crianças estejam repletas de histórias e vivências. 
Crianças pequenas não entendem conceitos abstractos, como por exemplo o conceito de justiça, por isso a sua moralidade é baseada nas histórias que conhecem. E é nos momentos em que contamos, criamos e vivemos histórias de fadas, de heroísmo, histórias do dia a dia em que damos ênfase às boas acções que  a criança se familiariza com os valores experiênciados. 
Se a sua mente está repleta de histórias de crianças desrespeitando os pais e professores, de amigos falsos, ou de mentiras sem consequências, de desenhos animados violentos em que só na base das lutas se obtém o que se pretende - o seu comportamento vai refletir-se tendo em base estes valores.

Construir valores e moral é muito importante para alcançarmos um mundo melhor, nascido de bons principios e do respeito. E quem mais é responsável por isso que nós, pais?

A moralidade é a melhor de todas as regras para orientar a humanidade. -- Friedrich Nietzsche

Viver moralmente em equilibrio com nós mesmos, faz de nós pessoas melhores e é isso que eu quero para o meu filho. Que ele tenha coisas boas a acontecer dentro dele, com as quais consiga construir o seu ser, justo e melhor. Que respeite e seja respeitado. 
E para que conceitos abstractos sejam construidos é necessário ter umas boas bases, e a imaginação é maravilhosa para trabalhar de pouco a pouco essa capacidade que nos permite entender o mundo e vive-lo de modo justo.
É importante durante estes primeiros anos de vida encher a mente das nossas crianças, com coisas bonitas, histórias nobres, exemplos bons. Não te preocupes se existe muita fantasia e mundo imaginário nas suass mentes... que isso é ser criança. 
Certifica-te que o teu filho tem muitas coisas boas a viver dentro dele...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Prendas de Natal para os mais pequenos


Uma vez o J de 4 anos queria um relógio que dava numa publicidade na TV, o relógio não dava horas era um relógio mágico que quando se carregava nele o boneco da publicidade se transformava em dragão e era um super herói (fazia parte de um desenho-animado que eu agora não sei o nome), o J ficava faxinado com aquela publicidade. E de tanto insistir acabou por ganhar o relógio no dia de aniversário. E o que aconteceu?? Ficou super triste e desiludido.... o relógio não funcionava... por mais que carregasse nos botões ele não se transformava em dragão... A mãe explicou-lhe então que teria que brincar de faz-de-conta que o relógio funcionava sim, funcionava direitinho na sua imaginação. E J passou a adorar o relógio e brinca muito com ele.
Esta é a história de J que eu presenciei e achei lindo ver a imaginação e criatividade do menino se desenvolver. Um brinquedo simples, de plástico colorido, com botões de faz-de-conta, ecrã de faz-de-conta, nem uma bateria tinha para fazer pelo menos "bip bip" ao carregar nos botões. Nada. Não tinha nada. Mas a meu ver um brinquedo cheio de tudo (com vários "bipes bipes", ecrã luminoso e que tinha o puder de transformar J num dragão super-heroí), um brinquedo super valioso, um brinquedo que fez enriquecer certamente aquela cabecinha cheia de sonhos e imaginação. Um brinquedo barato que certamente J não terá medo de brincar muito com ele com medo de estragar. Pois muitas vezes compram-se brinquedos caros, super "tecnológicos" mas que os pequenos não podem brincar sempre, pois podem estragar ou até mesmo porque não sabem brincar com ele sem a presença de um adulto.
Brincar é o "trabalho" das crianças. Brincar desenvolve a criatividade, é a brincar que se aprende como já falei aqui, é a brincar que se aprende os princípios de  interacção social,  a explorar sentimentos, a desenvolver causa e efeito, a estimular  a criatividade e a imaginação como referi já aqui.
Certamente muitos de vocês já fizeram as compras de Natal, mas gostava, no entanto, de partilhar um texto com vocês... um texto que me fez reflectir e pensar duas vezes antes de comprar as prendas das crianças cá da família.

"O brinquedo é o alimento da alma, alimento do sonho, da esperança. A criança que não brinca é como passarinho na gaiola. Perde o canto, perde o voo, perde o sonho. Quando brinca, voa, sonha, constrói e reconstrói mundos. Criança que brinca cria novas melodias e pinta o mundo com sua alegria.
Hoje colocam crianças em gaiolas e as enfeitam de joías, de jogos e brinquedos que brincam sozinhos. Robotizam-lhe a alma, congelam os pensamentos. 
Sim, congelam os pensamentos. A Natureza, o brincar livre oferece fluidez, instiga a criança a pensar, a escolher, não é pré-determinado. Na Natureza tudo é tão novo e tão vivo quanto a natureza da criança. Instiga o pensar, o reflectir, o sentipensar, o criar. No brincar livre a criança encontra sua sintonia e entra na sintonia da vida.
Criança que não puderam brincar, foram como passarinhos engaiolados. Foram obrigados a seguir este ou aquele modelo em nome das boas maneiras, dos bons modos, do não suje a roupa, não faça isso, aquilo; ou foram seduzidas e guiadas pela fantasia que não era sua, era da TV, do jogo electrónico, disto ou daquilo, tornam-se muitas vezes adultos frios, também congelados, mal amados.
Acho muito triste os pais que trabalham dia e noite para comprarem grandes televisões, lindos sofás, enfeitarem as "gaiolas" com lindos e caros brinquedos electrónicos e congelam as crianças para que não estraguem o lindo sofá, a linda cortina, o lindo brinquedo. Ou o brinquedo TV que congela o pensamento da criança...
Crianças não precisam do melhor brinquedo, do meu melhor apartamento ou casa, da melhor e mais enfeitada gaiola. Crianças precisam de sonho, de espaço para criação, de modelos humanos amorosos que lhes transmitam valores de paz, amor, não-violência, cooperação, coragem para não esmorecerem diante dos obstáculos. Modelos, exemplos, referencias que lhes mostrem o valor de sonhar e acreditar que após a tempestade virá a calmaria, que no final do arco-íris ou atrás da montanha pode haver um barril e tesouros - tesouros da alma. Ou mesmo, se não houver, que aprendam a apreciar as flores e a relva do caminho, o sabor de um carinho, a força da gratidão, a luz do coração.
Valores se ensinam vivendo valores e somente pessoas com coerência interna podem transmitir verdadeiros valores porque são igualmente verdadeiras.
Objectos têm preço, seres humanos têm valor e somente damos aquilo que temos.
Dê um minuto de colo, de carinho, de um sim amoroso, de um não igualmente amoroso (porque quem ama pões limites, ensina o caminho recto, transmite o amoroso discernimento), isto não tem preço, tem valor, tem cor, tem sabor, tem amor... Pai, mãe, tio, tia, educadora, quanto valor tem teu amor, tem teu ser? Dinheiro compra enfeites para gaiolas, mas enfeites e alegria para a alma, humanos vivos, com valor e com amor nenhum dinheiro poderá pagar, nenhum jogo, televisão, etc... poderá ensinar."
(Do livro "O Voo da águia: uma autobiografia" de Maria Dolores Alves)

Quando comprar um presente para uma criança pense no valor desse brinquedo. E dar brinquedos sim faz uma criança feliz, abrir um presente dá-lhe felicidade naquele momento. Mas para que esta felicidade se multiplique tem que ser acompanhada de tantos outros sentimentos, não é verdade??
E queremos todos nós ser bons pais, bons adultos para as nossas crianças.... aqui fica o meu desejo para este Natal: não congelem o pensamentos das nossas crianças, vamos dar-lhe assas para sonhar e viver no mundo da fantasia e da imaginação que só a magia da infância permite.
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