No entanto, é algum que acontece não com muita frequência, mas acontece, e acho que se eu tivesse alguma vez lido sobre o assunto talvez as coisas não tivesse corrido de forma tão desesperada. O HELLP Síndrome é uma complicação obstétrica com risco de morte tanto para a grávida como para o bebé que está para nascer. Estima-se que o problema atinja de 0.2% a 0.6% das grávidas (e tinha que me calhar a mim :S).
Mas mesmo sendo tão raro vou deixar aqui o meu testemunho na esperança de que possa servir de informação e apoio a grávidas que possam vir a ter este problema.

Trabalhei até 5 dias antes do o Leo nascer, ia trabalhar de bicicleta e sentia-me bem, mas fiz um erro que acredito que aconteça com muitas grávidas, os pequenos sinais que o meu corpo me dava de que algo não estava bem, eu ignorei...
- Retenção de águas, mãos, pés e pernas inchados: é normal, pensava eu, estou grávida e é Verão, está muito calor (e a obstetra era da mesma opinião);
- Cansaço e dores no corpo quando me levantava de manhã: é normal, pensava eu, estou grávida, são as alterações normais do corpo;
E a isto juntou-se uma mudança de casa aos 6 meses de gravidez, na qual, quando olho para traz, talvez tenha abusado um pouco da minha capacidade, nunca fui de deixar coisas por fazer, de olhar para outros a trabalhar sem ajudar, então eu ia ajudando...
...e esquecia-me eu que estar grávida não é estar doente, mas que estar grávida é sim uma alteração grande no nosso corpo, mas uma alteração em equilíbrio e que mesmo os pequenos desconfortos devem ser levados em conta;
5 dias antes do Leo nascer acordei com uma dor de cabeça bastante forte, não era para ir trabalhar, mas a mãe das 2 crianças que eu tratava ligou-me a pedir para eu ir só 3 horas e eu achei que até seria bom para aliviar... mas estava enganada, nessa mesma noite as dores pioraram e tive que ir para o hospital onde fui internada de imediato. Com a tensão arterial altíssima - 190/140 mmHg. A qual esteve normal até este dia.
O que estava a acontecer comigo nem no hospital sabiam, então fiquei ali 4 dias à espera... sem medicação, simplesmente à espera de ver o que aconteceria.
E o que realmente se estava a passar era muito grave: A denominação da Hellp Síndrome descreve o que se desencadeava no meu corpo: “H” para hemólise (quebra das hemácias), “EL” para elevação de enzimas hepáticas e “LP” para baixa contagem de plaquetas.
No dia 17 de Setembro senti uma dor muito forte na parte superior da barriga (sintoma característico do síndrome) fizeram-me exames e desconfiaram que seria Hellp síndrome, fui imediatamente transferida de hospital, para um especializado em bebés prematuros.
E depois de alguns exames e de detectarem que o coração do Leo estava alterado, a sofrer com a avalanche dos problemas metabólicos do meu corpo, foi tudo accionado para ele nascer.
O facto de a doença ser rara não existem ainda muitos conhecimentos dos "porquê" e "como" ela se inicia; mas sabe-se que a única coisa que a pode parar e evitar a mortalidade, é a execução do parto. E assim foi, o Leo nasceu...
Fiquei mais 4 dias em cuidados intensivos, 4 longos dias sem ver o Leo como já contei aqui.
Apesar de todos os problemas com que fiquei, problemas renais e pulmonares, dos tratamentos, agulhas e análises sanguíneas sem fim, apesar do tratamento pulmonar que durava 45 minutos com uma mascara presa na cara e que tinha que repetir 6 vezes ao dia nada me custava mais do que não ter visto o meu filho...
Mas estou a escrever isto não é para me lamentar, pois no final tudo correu bem, o Leo desenvolveu muito bem sem problemas e eu também - Sequelas ficaram algumas: um problema renal mas que não é grave, um medo enorme de ter um segundo filho (as hipóteses de voltar a acontecer são muito elevadas, embora os médicos digam que agora é mais fácil pois já sabemos que pode acontecer) e uma magoa de nada ter corrido como uma grávida sempre deseja. Mas elas são tão mínimas quando comparadas com a alegria de viver que tenho desde o dia que peguei o meu filho nos braços.

Os sintomas da doença não são percebidos facilmente e podem ocorrer em qualquer altura da gravidez (eu tive sorte que o Leo já estava capaz de nascer sem problemas, mas infelizmente nem sempre acontece assim) – o que exige o dobro de atenção ao corpo. Todo se inicia silenciosamente com inchaço, aumento da pressão sanguínea e perda de proteína na urina, esteja atenta à sua gravidez e não menospreze o que sente.