segunda-feira, 23 de Maio de 2011

Criança independente: "Ajuda-me a fazer sozinho"

Com a chegada do 2º aniversário a criança começa a querer ser mais independente, começa a ter capacidade para isso mas como em todas a fases do seu desenvolvimento precisa do nosso apoio, da nossa compreensão, paciência e calma... Este é um momento crucial para a criança construir o seu espaço e o seu momento de brincadeira sem ter que estar sempre junto da mamã e do papá.
O Leo sempre foi uma criança que requisita muito a nossa atenção, não gosta de brincar sozinho, mas começa a entender que existem momentos que a mamã tem outras coisas para fazer e ele tem que se ocupar sozinho.
Ouço muitas vezes mães a lamentar-se que o seu filho não consegue brincar sozinho (ok o Leo só brinca sozinho por 15 min no máximo), que o pequeno quer sempre que a mamã brinque com ele (compreensível  com companhia é bem mais divertido), que não consegue fazer as tarefas da casa sem que ele esteja sempre a seu lado, que se ele fica sozinho 5 minutos começa a chorar (aqui também é assim).
Estas coisas também acontecem cá em casa mas estão a tornar-se cada vez menos frequentes , pois o Leo está cada vez menos dependente... cada vez mais um rapazinho capaz... mas para que ele se torne ainda mais capaz precisa da minha ajuda.

O que considero muito importante, nesta nova fase do seu desenvolvimento é deixá-lo respirar, é não estar sempre ao seu lado, é deixá-lo construir o seu próprio espaço.
Tentar ao longo do dia não estar sempre a postos para satisfazer os pedidos do pequeno. O que não quer dizer, naturalmente, que a estratégia é deixa-lo sozinho e ele que se vire, mas sim quando ele quiser alguma coisa tentar contrapor o pedido com perguntas de forma a ele próprio tentar resolver o seu problema, chegar a uma solução para a sua necessidade. - Seguindo a máxima: "Ajuda-me a fazer sozinho"  e não "Faz por mim".
O Leo está a deixar de ser um bebé e esta transição tem que ser feita também por mim mãe, não é verdade?

Por exemplo, ele quer mas não consegue calçar o sapato sozinho ou ele quer construir alguma coisa com os Legos e a sua construção cai, aí chama a mamã para que ela faça por ele, tornando tudo mais fácil.  A melhor estratégia será perguntar-lhe: - "O que queres mesmo fazer?" "Se queres fazer uma torre, que tens que fazer primeiro? Construir a base com umas peças maiores, não é? - O que quero dizer é que os nossos pequenos tem que aprender a se sentir seguros a fazer, a experimentar sozinhos, e nós temos agora a função mais do que nunca de os orientar. Deixámos de os servir para os guiar - "O que queres fazer agora?", "Para isso o que tens que fazer primeiro?", "Se queres calçar os sapatos sozinho o que tens que fazer primeiro? Tens que abrir as correias, enfiar o pé e colar as correias novamente". - Vamos guiar, mostrar como se faz e aos poucos ele conseguirá fazer sozinho.

As crianças conseguem, a maioria das vezes, fazer mais do que nós achamos, eu fico muitas vezes de boca aberta com a velocidade que o Leo aprende. É importante, a meu ver, deixar que as crianças experimentem, errem e treinem a sua concentração, paciência e persistência. Para que aos poucos se sintam capazes de fazer sozinhos.
Momentos como o lavar os dentes, colocar a pasta na escova, às refeições tentarei comer tudo sozinhos, na hora de arrumar os brinquedos, ensiná-lo onde fica o quê. - Eles conseguem fazer isto tudo mas é bem mais confortável se a mamã ou o papá o fizerem sempre por eles. E é neste ponto que deveremos estar atentos. Não vamos abandonar os nossos filhos porque deixaram de ser bebés, mas vamos começar sim a caminhar a seu lado orientando, guiando....Tal requer também força da nossa parte, pais, em ficarmos em segundo plano e deixarmos fazer, o que muitas vezes demorava 5 passa a demorar 20 minutos, mas são passos essenciais para o desenvolvimento do pequeno, para a sua autonomia. E também para nós, para com isto construirmos os momentos em que ele se ocupa sozinho nas suas brincadeiras e os momentos nos quais estamos de corpo e alma com eles.
Naturalmente nem todas as tarefas resultam sempre ou resultam bem mas não deixam de ser uma base para a construção da sua independência segura e confiante.
Não esquecendo que são crianças, que precisam de tempo e da nossa paciência e respeito pelo seu esforço, pelo seu fracasso e pelas suas conquistas.
Se a criança é capaz fica muito orgulhosa de si mesma  e podemos elogiá-la dizendo que fez muito bem, que esteve muito bem.

Ao ajudar os nosso filhos a realizar as suas tarefas do dia-a-dia estamos a ajudá-los a ocuparem-se sozinhos e é neste momento que eles precisam da nossa orientação. Se vamos, por exemplo, arrumar a casa e queremos que ele se ocupe sozinho pode ser uma tarefa dificil para ele. Podemos dar-lhe um pano e dizer-lhe para nos ajudar a limpar, mesmo que não seja uma ajuda vai deixa-lo satisfeito por saber que pode ajudar, ou então dizer-lhe com o que deve brincar o que deve fazer enquanto nós não podemos brincar junto. O essencial é deixar-lhe claro que assim tem que ser que agora nós estamos ocupadas em algo mas que quando acabarmos poderemos brincar juntos (é muito importante também não faltar à promessa)


Quando as crianças são um pouco maiorzinhas podemos construir estes momentos com rituais, por exemplo depois de almoço ele vai para o quarto, ou para o espaço onde brinca, damo-lhe uma tarefa. Podemos mesmo ter uma caixinha para este momento com um livro de pintar ou outros brinquedos com os quais ele se deve ocupar por uns 15 minutinhos sozinho, para ser mais fácil para a criança é boa estratégia ter um relógio de ponteiros e explicar-lhe até quando deve brincar sozinho, ele se sentirá mais seguro se tiver objetivos delineados. E nós teremos 15 minutos para relaxarmos, tomarmos um café e recarregarmos energias para acompanharmos com toda a disposição o nosso pequeno o resto do dia.

Todas estas dicas parecem muito fáceis assim aqui escritas mas a realidade não é fácil, principalmente para aquelas mães com mais do que  um filho pequeno em casa. Mas acredito que ensinarmos os nossos pequenos a se ocuparem sozinhos os tornará mais independentes e confiantes e dar-nos-à mais tempo também para nós mesmas recarregarmos energia.

E vocês que acham?

3 comentários:

ESpeCiaLmente GaSPaS disse... [Responder Comentário]

Acho que tens razão :)

Beatriz Zogaib disse... [Responder Comentário]

Nossa, eu não tinha visto seu post... Escrevemos mesmo sobre a mesma coisa! Confesso que fiquei contente de ver que passa pela mesma situação e que 15 minutos já é bastante! Aos poucos, eles aprendem a ficar mais tempo, mais vezes, certo?
Beijos
Bia
www.vidadamami.blogspot.com

Sabrina disse... [Responder Comentário]

Adorei o blog, já estou seguindo...bjs

www.maniadesabrina.blogspot.com

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